LOGINSofia olhou para Henrique e sorriu levemente.Henrique teve a impressão de ver, naquelas grandes pupilas úmidas, os reflexos multicoloridos dos fogos de artifício.— Eu sigo sua decisão.Sofia pegou o celular e desligou a chamada.Não demorou muito, o telefone tocou de novo. Era Miguel outra vez.Sofia desligou mais uma vez.Quando Miguel ligou pela terceira vez, Sofia entregou o celular a Henrique, sinalizando para que ele atendesse.Ela acreditava que, ao saber que ela estava com Henrique, Miguel não continuaria insistindo nas ligações.— O que aconteceu?No quarto do hospital, ao ouvir Henrique atender o telefone de Sofia, Miguel contraiu os dedos no mesmo instante.— Sofia está aí com você?Henrique respondeu com firmeza:— Claro que sim. Eu e Sofia estamos juntos, vendo os fogos.Ele afastou o celular de propósito, permitindo que Miguel ouvisse o barulho dos fogos ao fundo.Aquele som atingiu o peito de Miguel como um soco. Ele tossiu algumas vezes.— Passe para Sofia.O tom auto
Laura não era o tipo de pessoa que conseguia guardar as coisas dentro de si. Com aquela preocupação de Jorge, ela ficou ainda mais magoada.— Você acha que Sofia é mais bonita que eu? Que ela é mais feminina?— Como você pode pensar isso?Laura disse a verdade:— Porque eu vi você e Sofia abraçados na entrada do parque. E vocês também estavam de mãos dadas dentro da casa mal-assombrada...Um lampejo de escárnio passou pelos olhos de Jorge, mas ele sabia que Laura não perceberia.— Você entendeu errado. Naquele momento, Sofia disse que estava com hipoglicemia, e eu só deixei ela apoiar em mim porque ela é sua amiga. Quanto à casa mal-assombrada...O olhar dele ficou um pouco esquivo, e ele começou a gaguejar.— Eu achei que só eu tinha medo de fantasmas, mas Sofia disse que também estava com medo e pediu para eu segurar a mão dela. Pensei que, sendo sua melhor amiga, ela nunca faria algo como dar em cima do seu namorado...Ele apertou a mão de Laura com força.— Eu não quero que isso a
No começo, Sofia, Henrique, Laura e Jorge ainda caminhavam juntos. Mas, enquanto avançavam pelo labirinto da casa mal-assombrada, ativaram algum mecanismo sem perceber, e Sofia e Jorge acabaram presos sozinhos em um cômodo.O quarto estava completamente escuro. Não dava para enxergar nada.— Sofia, onde você está...?Jorge gritava enquanto tateava ao redor.O espaço não era grande, e ele logo esbarrou em alguém. Mas, quando a pessoa virou, Jorge deu um grito de susto ao ver um rosto fantasmagórico, coberto de sangue e iluminado por uma luz fraca. Sofia esbarrou sem querer em um interruptor, e uma claridade tênue iluminou aquele quarto escuro. No instante seguinte, o fantasma desapareceu.Sofia viu Jorge, e Jorge viu Sofia.— Sofia...Jorge parecia aterrorizado e correu para abraçar Sofia com força.Antes de entrar na casa mal-assombrada, Jorge havia confessado que tinha medo de fantasmas. Por isso, Sofia interpretou aquele abraço como a reação de alguém que tinha levado um susto d
Do ângulo de Laura, parecia que Sofia tinha caído nos braços de Jorge, tomando a iniciativa de abraçar ele.Se alguém não tivesse buzinado, Laura teria continuado parada, atordoada, no meio da rua.Quando ela caminhou até lá, Sofia e Jorge já tinham afastado um do outro.— Laura...Sofia cumprimentou Laura por iniciativa própria, mas Laura ignorou Sofia e olhou para Jorge.O sorriso no rosto de Jorge parecia um pouco constrangido, e o olhar dele também fugia dela.Laura já estava incomodada com a proximidade entre Sofia e Jorge. Agora, vendo Jorge agir daquele jeito, ficou ainda mais certa de que aquilo que tinha visto não era um mal-entendido.Henrique foi o último a chegar, porque tinha passado primeiro na empresa.— Desculpem o atraso...Henrique mal terminou de falar e já percebeu que a atmosfera entre Sofia, Laura e Jorge estava estranha.Henrique foi até Laura.— O que aconteceu? Por que você está brava? É por causa do meu atraso?Laura estava estranha de qualquer jeito. Antes,
Depois que João foi embora, o quarto ficou tão silencioso que Thiago precisou enxugar várias vezes o suor frio que escorria pela testa.Pelo nível de dedicação que Miguel tinha demonstrado a Isabela no passado, aquilo já era prova mais do que suficiente de que a relação conjugal estava destruída.No entanto, se aquele processo de divórcio acontecesse na República de Verídia, dificilmente algum juiz daria ganho de causa a Sofia.Thiago achava que Miguel nunca tinha temido uma ação de divórcio justamente porque tinha essa segurança.Mas, desta vez, Sofia havia escolhido entrar com a ação em Belmora.Assim, Miguel perderia sem dúvida alguma.Se esse fosse o caso, seria melhor assinar logo o acordo de divórcio. Seria melhor tanto para Miguel quanto para o Grupo Castro.Thiago observava Miguel, que mantinha uma expressão grave, e abriu a boca várias vezes, mas sempre acabou engolindo as palavras.Ele queria aconselhar Miguel a assinar.Caso contrário, se a situação chegasse a uma ação judi
Laura percebeu imediatamente o que ele queria fazer.— Aqui é seu escritório. A gente não pode fazer isso...— Por que não?Jorge soltou Laura e trancou a porta do escritório.— Jorge...— Me chama de amor.O rosto de Laura ficou completamente vermelho.— Amor...Um sorriso satisfeito surgiu no rosto de Jorge, enquanto ele pressionava Laura contra a cadeira.......No hospital.Desde a última vez que tinha ouvido as palavras de Miguel, Júlia não apareceu de novo.Para Miguel, isso era uma boa notícia, mas também tinha seu lado ruim.Sofia também não tinha vindo.Durante vários dias, nem mesmo uma ligação ou uma mensagem de Sofia chegou até ele.Além disso, naquele dia, Miguel viu algo nos trending topics da internet.Sofia, dona do Grupo Castro, havia dado entrada oficialmente no pedido de divórcio.As postagens que viralizaram em toda a internet pareciam compradas. O tom era tão uniforme que ficava óbvio que alguém tinha pagado por aquilo.Enquanto Miguel folheava o celular deitado n







