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Capítulo 2

Author: Anna Smith
Virei-me para ir embora, mas Linda segurou meu braço. Seus olhos estavam vermelhos.

— Você vai mesmo sair assim? Depois de tudo o que dedicou a esta empresa...

Antes que eu pudesse responder, uma voz suave veio de trás de mim, hesitante e delicada:

— Linda, por favor, não diga isso. Você só vai fazer Alessandra se sentir ainda pior.

Olhei para trás. Megan caminhava em nossa direção sobre os saltos, ainda segurando a proposta que eu tinha escrito. Sua expressão era acolhedora, como se estivesse tentando me proteger de alguma coisa.

— Alessandra tomou sua própria decisão, e devemos respeitá-la. Ela andava muito exausta ultimamente. Daniel estava preocupado, por isso pediu que ela descansasse.

Megan abaixou levemente a cabeça e suavizou ainda mais a voz:

— Para falar a verdade, sempre admirei tudo o que Alessandra fez por esta empresa. Mas nunca quis que ela pensasse que eu estava tentando ocupar o lugar dela. Se quiser o projeto de volta, posso devolvê-lo.

Então, ergueu a cabeça e me encarou com uma expressão tão franca que quase parecia sincera.

— Alessandra, você sabe que eu nunca quis substituir você.

Linda não respondeu. Apenas olhou para Megan, depois para mim, e voltou em silêncio para sua mesa.

As portas do elevador se abriram, e Daniel saiu com as chaves na mão. Seu olhar passou por mim como se eu fosse apenas parte da mobília.

— Megan, vamos. O carro está esperando.

Ao chegar à saída, a chuva já tinha começado. Um segurança correu até eles com um guarda-chuva, mas Daniel o pegou e o inclinou na direção de Megan.

— Venha. Não quero que você se molhe.

Megan o acompanhou, equilibrando-se nos saltos, e o segurança abriu a porta do passageiro. Ela não hesitou antes de se sentar no banco da frente, como se aquele lugar sempre tivesse pertencido a ela.

Antes que a porta se fechasse, Megan se inclinou um pouco para fora e sorriu para mim. Sua voz se elevou apenas o suficiente para atravessar o barulho da chuva e me atingir em cheio:

— Alessandra, obrigada por tudo o que você construiu aqui.

Ela inclinou a cabeça, mantendo o sorriso.

— Daniel disse que agora tudo isso ficará sob os meus cuidados. Ah, também peguei o lírio-da-paz. Daniel achou que ele ficaria melhor na minha sala, já que você está indo embora.

Daniel se acomodou no banco do motorista, com uma das mãos sobre o volante, e lançou um único olhar em minha direção.

— É melhor você entrar. A chuva está ficando mais forte.

O vidro subiu. As gotas de chuva escorreram pela janela, transformando os rostos dos dois em imagens borradas. O carro passou pelas poças e se afastou, até que as lanternas traseiras desapareceram no meio da tempestade.

Permaneci na entrada, enquanto a chuva respingava nos degraus e molhava a ponta dos meus sapatos.

Aquele lírio-da-paz era meu.

Eu o tinha cultivado durante seis anos, desde quando não passava de um pequeno broto com três folhas até se transformar em uma planta cheia de flores. Daniel costumava dizer que a presença daquele vaso fazia o escritório parecer um lar.

Agora, ele o tinha dado a Megan.

Linda se aproximou por trás e parou ao meu lado. Fitando a rua vazia por onde o carro tinha desaparecido, perguntou em voz baixa:

— Você vai mesmo embora?

— Vou.

Continuei parada na entrada, observando a chuva engolir tudo à minha frente.

Daniel tinha se esquecido.

Esqueceu que eu acompanhava aquele projeto desde o início. Esqueceu que passei três meses sem receber salário quando a empresa estava à beira da falência. Esqueceu que eu atendia todas as suas ligações durante a madrugada, sempre que ele não conseguia dormir.

Ele acreditava que eu estava apenas fazendo birra. Achava que eu esperaria por sua ligação, como sempre tinha feito.

Daniel não sabia que eu não permaneci ali por causa dele.

Fiquei para provar a mim mesma que era capaz, que conseguiria sobreviver sem carregar o nome De Luca.

E que as palavras "Não me importa de onde você veio" tinham sido verdadeiras um dia, mesmo que o homem que as pronunciou já tivesse se esquecido delas.
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