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Capítulo 4

Author: Anna Smith
Uma mensagem apareceu na tela do meu celular.

[Senhorita Alessandra, o Don me enviou para buscá-la e levá-la de volta à mansão. Chegarei em uma hora.]

O remetente estava identificado apenas como Moretti, o administrador que cuidava da propriedade do meu avô havia muitos anos.

Daniel viu a mensagem de relance e franziu discretamente a testa.

— Mansão? Que mansão?

— Não é nada. Finalmente vieram me buscar para voltar ao lugar ao qual pertenço. — Respondi.

Assim que terminei de falar, o celular dele vibrou novamente. Megan enviou uma mensagem de voz, e Daniel não hesitou antes de reproduzi-la em voz alta.

— Daniel, já estou no aeroporto. Avise quando estiver a caminho. Vou comprar um café para você.

O tom dela era casual e não parecia obviamente provocador. Ainda assim, carregava uma intimidade que dizia: "Estou aqui, esperando por você."

Quando a mensagem terminou, Daniel olhou para mim como se aquilo comprovasse seu argumento.

— Está vendo? Isso é apenas uma conversa normal de trabalho. Megan é jovem e está sozinha. Não há nada de errado em eu cuidar dela. Você está interpretando tudo de forma exagerada.

Não respondi. Peguei a pulseira de prata que estava sobre a mesa e caminhei até a lareira.

Os olhos dele acompanharam cada um dos meus movimentos.

— O que você está fazendo?

Baixei os olhos para a pulseira em minha mão. A corrente fina de prata refletia um pequeno feixe de luz.

Não hesitei e a joguei no fogo.

O metal produziu um som baixo quando as chamas o alcançaram, como se alguma coisa estivesse sendo encerrada para sempre. Pouco depois, deixou de brilhar e desapareceu entre as cinzas.

Virei-me para Daniel e falei devagar, pronunciando cada palavra com clareza:

— Daniel, acabou entre nós.

Por um instante, ele pareceu atordoado. No entanto, o choque desapareceu rapidamente e deu lugar àquela serenidade familiar que ele sempre mantinha. Daniel me olhou com um cansaço que quase parecia pena.

— Tudo isso é realmente necessário?

Ele soltou um suspiro.

— De novo a mesma coisa. Você joga alguma coisa fora e depois faz o quê? Fica esperando que eu corra atrás de você? Sempre repete esse comportamento e, no fim, sempre volta. Você não está cansada?

Daniel acreditava que aquilo não passava de mais um teste.

Aos olhos dele, jogar a pulseira no fogo era apenas outra maneira de forçá-lo a reagir. Ele tinha certeza de que eu jamais iria embora de verdade.

Não me dei ao trabalho de explicar.

Fechei a mala e passei por ele sem olhar para trás.

O fogo continuava queimando. A pulseira provavelmente já tinha se transformado em uma pequena massa disforme, misturada ao restante das cinzas. Em pouco tempo, seria impossível distinguir qual parte um dia tinha pertencido a mim.

Assim como os últimos oito anos.

Uma hora depois, eu estava diante da janela do quarto de hotel quando a campainha tocou.

Ao abrir a porta, encontrei duas fileiras de homens vestidos com ternos pretos, todos com a cabeça baixa. Moretti estava à frente deles.

— Senhorita Alessandra, seu avião está pronto. Podemos partir assim que desejar.

Assenti, peguei minha bolsa e entrei no carro.

O comboio seguiu em direção ao aeroporto. À medida que nos aproximávamos do terminal particular, percebi que o terminal principal estava mais movimentado do que de costume. Postos adicionais de segurança foram instalados nas entradas, e homens usando uniformes escuros conferiam os documentos de cada passageiro.

Moretti olhou para mim pelo banco da frente.

— O Don ordenou que o controle de acesso fosse reforçado hoje. Ele quer garantir que nada interfira em sua partida.

Não respondi. Apenas voltei os olhos para a janela.

O comboio diminuiu a velocidade ao passar diante da entrada do terminal principal. Alguns passageiros começaram a demonstrar impaciência com as restrições repentinas, e outros tentaram pedir explicações. No entanto, todos foram impedidos de avançar, com educação, mas sem qualquer espaço para discussão.

Através da parede de vidro, vi uma figura conhecida se erguer na ponta dos pés, espiando em nossa direção com uma curiosidade indisfarçável.

Daniel acompanhou o olhar dela e ergueu a cabeça.

Nossos olhos se encontraram.
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