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Assim que a lâmina penetrou no ombro de Derek, a ferida chiou e começou a escurecer. Suas bordas começaram a apodrecer diante dos meus olhos.— Derek!Arthur surgiu correndo na entrada do beco e imobilizou Camilla no chão enlameado. Ela continuava gritando, com a voz em carne viva:— Me solta! Eu vou matar Chloe! Derek, você também merece morrer! Vamos morrer todos juntos e queimar no inferno!Camilla enlouqueceu de vez, mas ninguém mais lhe dava ouvidos.Derek arrancou a adaga do ombro e a deixou cair no chão com um tinido. Cambaleou, segurou meu pulso e me examinou dos pés à cabeça. Fez isso uma vez, outra e mais outra.Quando se certificou de que eu não estava ferida, os olhos daquele homem que nunca chorava ficaram vermelhos.— Você me apavorou — disse, com a voz rouca. Tentou sorrir, embora o sangue escorresse pelo braço. — Graças à Deusa... cheguei a tempo.— Por que ainda está me seguindo? — Puxei minha mão de volta.— Estou, sim. Venho seguindo você esse tempo todo — a
(Ponto de vista de Chloe)Parei numa pequena cidade litorânea. Ali, ninguém conhecia a Luna nem se importava com a identidade da companheira do Alfa.Com o dinheiro que juntei ao longo dos anos, aluguei um pequeno ponto comercial e abri uma floricultura. Montava buquês, aparava caules e borrifava água nas eustomas. Trabalhava até cair de cansaço à noite e, pela primeira vez em seis anos, não precisava de remédios para dormir.O floricultor vizinho era um humano gentil chamado Arthur. Os cantos de seus olhos se enrugavam quando ele sorria.Arthur sempre acabava passando por perto justo quando eu carregava vasos. Depois de fechar, deixava para mim um ramo fresco de mosquitinhos. Lembrava-se de que eu era alérgica a lírios e nunca os incluía nas minhas encomendas.— Chloe — disse ele certa vez —, seus olhos são lindos, mas parecem cansados. Se precisar descansar, minha estufa estará sempre aberta.Não prometi nada. Mesmo assim, naquela tarde, sentei-me na estufa dele até o sol se pô
Derek apertou o relatório com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos. Saiu às pressas da mansão e correu até o hospital.A porta do quarto VIP estava entreaberta. Ele parou do lado de fora e ouviu a risada de Camilla.— Já soube que Chloe foi embora. Aquele contrato veio mesmo a calhar, hahaha! Finalmente tirei aquela mulher irritante do caminho.— Envenenada? Ah, por favor. Passei um pouco de pó numa ferida minha. Doeu pra caramba, claro, mas valeu a pena, não valeu?— Derek é um idiota. Engoliu a história toda. Ainda obrigou Chloe a testar o antídoto. Pena que não pude vê-la beber aquilo. O curandeiro disse que ela se contorceu de dor no chão. Patética.— Assim que me recuperar, vou descobrir como fazer Derek se apaixonar por mim. Aí serei a Luna. Isso mesmo, esse é o plano. Quando eu for Luna...O sangue de Derek gelou.Toda aquela pureza e inocência eram uma encenação para ele. As lágrimas faziam parte da atuação; a fragilidade seguia um roteiro.Derek abriu a p
(Narrador em terceira pessoa)Alguns dias depois, Camilla enfim se recuperou sob os cuidados atentos dos curandeiros, após tomar o antídoto.— Derek, passar por tudo isso me fez entender o que sinto por você. Eu gosto de você... Uma mulher como Chloe não merece ficar ao seu lado. Vai mesmo continuar com ela?A expressão de Derek endureceu, e sua voz esfriou.— Camilla, desde o primeiro dia em que você veio trabalhar para mim, deixei claro que Chloe será minha única companheira. Se tocar nesse assunto de novo, o que quer que exista entre nós termina aqui.Camilla sentiu como se uma mão apertasse seu coração. Cravou as unhas nas palmas, e um lampejo cruel passou por seus olhos.Então seu rosto se contraiu, as lágrimas prestes a cair. Ela passou os braços em volta da cintura dele.— Não, não foi isso que eu quis dizer. Não quero o posto de Luna. Só quero ficar com você para sempre...Derek baixou os olhos para o rosto pálido dela. Pela primeira vez, não sentiu ternura, mas irritaç
Quando abri os olhos novamente, água fria atingiu meu rosto.A porta de ferro estava aberta, e a luz queimava meus olhos. O mordomo permanecia à entrada com dois guardas, o rosto sombrio.— Luna, a senhorita Camilla foi envenenada. O Alfa pediu sua presença.Eu mal conseguia me manter de pé. Os guardas praticamente me arrastaram escada acima.O quarto principal estava impregnado do cheiro de remédios. Camilla jazia pálida na cama, com os lábios de um azul anormal e a respiração quase imperceptível. Derek permanecia ao lado dela, os olhos tão vermelhos que pareciam prestes a sangrar.— Por que fez isso com Camilla? Você sabe que o acônito é mortal para lobisomens. Como pôde envenená-la?— Não fui eu! — rebati, com a voz cortante.Ele atirou um maço de folhas de acônito aos meus pés.— Os guardas encontraram isso no seu quarto. A prova está bem aqui. Até quando vai continuar mentindo?O curandeiro, ao lado dele, insistiu:— Alfa, não podemos esperar mais. A senhorita Camilla es
— Não!Arregalei os olhos de pavor. Quis implorar a Derek que mudasse de ideia, mas ele apenas fez um gesto impaciente com a mão.— Levem-na.Os guardas me arrastaram pelo salão e me jogaram no depósito do porão. A pesada porta de ferro bateu atrás de mim, apagando o último fio de luz.De repente, mergulhei numa escuridão absoluta, e as lembranças vieram com ela.No segundo ano do nosso casamento, a alcateia rival Lua de Sangue me sequestrou. Seus membros me trancaram numa cela de pedra sem janelas, sem fogo, sem qualquer luz. Exigiram um resgate da Alcateia dos Espinhos e ameaçaram usar meu sangue em algum ritual sombrio.Passei sete dias naquela escuridão sufocante, sem luz, sem som e sem saída. Arranhei as paredes até as unhas sangrarem e gritei até perder a voz, mas nenhuma luz apareceu.No sétimo dia, Derek destruiu a Alcateia Lua de Sangue. Coberto de sangue, arrombou a porta da cela, ajoelhou-se diante de mim e falou num tom que eu nunca ouvira em sua voz, tão terno que m







