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Capítulo 4

Autor: Luar
A sinceridade de Umberto foi dada a ela, a preferência foi para ela, e a herança também foi para ela.

Oito anos.

O que restou para mim?

Mentiras, enganos e uma hipocrisia de duas caras.

A porta da casa se abriu. Umberto e Sacha entraram, beijando-se ardentemente, incapazes de se separar.

Naquele momento, fiquei paralisada, incapaz até de levantar o pé.

A suposta preocupação para que eu fosse ao hospital caso me sentisse mal também era falsa, era apenas uma manobra para deixar a casa livre para ele e Sacha traírem à vontade.

De pé no canto, eu parecia a intrusa, enquanto eles agiam como um casal apaixonado de longa data.

Os gemidos de Sacha ecoaram por toda a casa. Ela arqueou o pescoço, ofegante:

— Umberto, se eu e você tivéssemos nos conhecido antes, você teria escolhido se casar comigo?

Umberto investiu com ferocidade e repreendeu:

— Pare com essas ilusões inúteis! Se não fosse pela Lílian, eu nem olharia para você!

— Mas você acabou na minha cama mesmo assim, e ainda disse que transar comigo em casa é mais excitante do que com a Lílian. Você é mau, diz uma coisa e faz outra.

A devassidão na voz de Sacha aumentava. Tampei os ouvidos tentando escapar, não queria ouvir, mas as palavras de Umberto entraram como vento em meus ouvidos.

Como agulhas perfurando meu coração, rasgando meu rosto, estourando minha pobre autoestima.

Ele disse:

— Embora eu ainda a ame, de fato, oito anos foram suficientes para eu enjoar. Procurar um pouco de emoção não é algo natural?

Então a razão da traição era essa. O canto da minha boca se repuxou em um sorriso amargo.

A dor no coração se espalhou, deixando meu corpo inteiro inquieto. Uma dor violenta no ventre me fez perder o equilíbrio.

Caí sentada no chão com um baque surdo. O barulho foi alto o suficiente para assustar Umberto.

Ele correu em minha direção, sem nem ter tempo de se vestir. Ao ver meu rosto pálido, pegou-me no colo em pânico e disparou pelo corredor.

No carro, ele segurava minha mão, tremendo inteiro enquanto chorava. Sua preocupação e ansiedade não pareciam falsas, mas as marcas de beijos espalhadas pelo corpo dele também eram reais.

— Querida, assim que o bebê nascer eu explico tudo, está bem?

Uma lágrima escorreu do canto do meu olho. Forcei um sorriso e virei o rosto.

Ao entrar na sala de cirurgia, o Dr. Pires empurrou o êmbolo da seringa e me disse:

— Depois da injeção, você entrará em um estado de falso choque por um dia. Está pronta?

Assenti, com o rosto cinzento como a morte.

— Dr. Pires, o documento de notificação de estado crítico que ele vai assinar... lembre-se de trocá-lo pelo acordo de divórcio.

— Certo.

A injeção foi administrada suavemente em meu corpo. Uma fraqueza tomou conta de mim e fechei os olhos lentamente.

Fora da sala de emergência, Umberto andava de um lado para o outro, desesperado. Ninguém nunca o vira naquele estado de descontrole.

O médico saiu com o documento de notificação de estado crítico e anunciou:

— Diretor Azevedo, a senhora sofreu uma hemorragia grave. Talvez... precisemos da sua assinatura.

Umberto chutou o balcão da enfermaria com violência, soltando um rugido dilacerante.

— Não me importa como, vocês têm que salvar a Lílian! Salvem minha esposa, ouviram?!

Ele assinou apressadamente, o coração em chamas, vendo o médico voltar para a sala de emergência.

Dez minutos depois, Lílian foi levada para fora, coberta por um lençol branco. O médico disse com pesar:

— Diretor Azevedo, sinto muito. Fizemos o possível.

Umberto levantou o lençol com as mãos trêmulas. Olhando fixamente para o rosto pálido de Lílian, ele recuou cambaleando e desabou no chão, murmurando repetidamente:

— Eu não acredito! Eu não acredito! Eu não acredito...
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