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Capítulo 3

Autor: Luar
Quando descobrimos a gravidez, Umberto não demonstrou muita emoção, mantendo sempre uma expressão neutra.

Isso até ele ir propositalmente à igreja, ajoelhar-se por um dia e uma noite inteiros, e ler a Bíblia por três dias para conseguir a medalha abençoada.

Eu me consolei repetidamente, pensando que ele apenas não sabia se expressar, e fiquei incrivelmente tocada por sua atitude.

Mas tudo aquilo era falso. A medalha que ele buscou era para Sacha.

A medalha era falsa, e o amor dele também.

Umberto descascou uma maçã e a levou à minha boca. Quando desviei o rosto, ele pareceu confuso.

Após um momento, ele perguntou, hesitante:

— Querida, você atendeu a um telefonema meu hoje de manhã?

Ele franziu a testa, esperando ansiosamente pela minha resposta. Quanto mais eu me calava, mais culpado e inquieto ele ficava. Perguntou novamente:

— Você ouviu alguma coisa?

Eu virei o rosto e disse com ar de cansaço:

— Não. Seu celular estava longe, não consegui alcançar e ele caiu no chão.

Umberto suspirou aliviado, recuperou o sorriso habitual e ajeitou meu cobertor.

Ele perguntou com a voz muito suave:

— Querida, se nosso bebê não puder nascer com saúde... podemos adotar uma criança?

Então ele já estava impaciente para cumprir a promessa feita a Sacha.

Curvei os lábios e devolvi a pergunta:

— Você se lembra do que jurou quando nos casamos?

— Você disse que, se fizesse algo para me magoar, viveria em culpa pelo resto da vida e jamais teria paz.

Senti uma ironia amarga no coração. Os juramentos, por mais belos que sejam, são como estrelas cadentes: brilhantes, mas efêmeros.

Umberto me olhou em pânico, balançando a cabeça freneticamente.

— Querida, eu não faria nada para te magoar! Acredite em mim!

Sorri com indiferença e enterrei a cabeça no cobertor.

— Estou cansada.

Estava cansada. Não queria mais atuar nesse drama de amor profundo com ele.

Um dia antes da data prevista para o parto, voltei para casa.

Desde que engravidei, Umberto me levou para morar no hospital, onde eu tinha médicos à disposição o tempo todo para qualquer desconforto.

Agora não precisava mais me preocupar com problemas, afinal, essa criança não nasceria.

A casa estava cheia de produtos para bebê. Antes, eu achava que Umberto tinha preparado tudo com alegria para o nosso filho, mas agora percebia que era tudo para o filho de Sacha.

O computador estava ligado. Olhei atentamente para o contrato na tela.

Era a escritura de reconhecimento de herdeiro do Grupo Azevedo. Rolei para baixo e vi o nome preenchido no campo da mãe: Sacha Santos.

Pela casa, havia nossas fotos de casamento, fotos do namoro, e até as cerâmicas que pintamos juntos na faculdade ainda estavam em destaque.

Quanto mais demonstrações de amor, mais aquilo feria meus olhos.

Será que Umberto ainda me amava? Estendi a mão e deslizei suavemente sobre o rosto sorridente dele na foto de casamento.

Éramos o casal mais perfeito aos olhos de todos. Umberto me mimava a ponto de causar inveja em qualquer um.

Até hoje me lembro de quando aceitei o pedido dele, ele me abraçou e chorou de emoção.

Disse que me amaria para sempre e nunca soltaria minha mão.

Lembro-me também de quando ele repreendeu a empregada furiosamente, ameaçando expulsá-la de casa, porque Sacha, febril, tinha dormido na minha cama por engano.

Fui eu quem, considerando a idade da empregada e o fato de Sacha ser apenas uma estudante, permiti que ficassem.

Não imaginava que essa decisão me faria perder o amor da minha vida.

Os sinais da traição de Umberto já existiam há muito tempo. Ele frequentemente entrava no quarto de Sacha com a desculpa de ajudar nos estudos.

Que tipo de ajuda uma universitária precisaria a ponto de exigir tanta privacidade?
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