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Autor: Anny lago
last update Fecha de publicación: 2022-01-12 06:55:19

Apressei os passos em direção ao estacionamento, a mente sobrecarregada de pensamentos. Ouvi meu nome ser chamado ao longe. Ignorei, mantendo o ritmo. Mas os passos se tornaram mais rápidos, até que uma mão segurou meu pulso com força.

Sem pensar, virei-me e golpeei com a mão livre. Meu punho acertou o rosto de Aaron, que recuou com a mão no rosto, atordoado.

— Não precisava disso. — Ele disse, irritado, ainda segurando a bochecha.

— Teve sorte de não ter sido o capacete. — estreitei os olhos. — Ainda não percebeu que não quero falar com você? Se eu quisesse, já teria parado e me virado. Pode parar de me seguir como um lunático e gritando meu nome, atraindo toda essa atenção? — Meu tom saiu ríspido. — Se você gosta de ser o centro das atenções, faça isso sozinho. Não me arraste para esse circo.

— Não precisa de tudo isso... — Ele parecia genuinamente ofendido.

— SIM, PRECISA SIM. — Minha voz ecoou, e seus olhos se arregalaram. — Olhe ao redor, Aaron. São poucas as pessoas que se aproximam de mim, e isso tem um motivo. Já parou para pensar no porquê disso? — Respirei fundo, tentando controlar o tom. — Não sei o que passa pela sua cabeça, mas ousar se aproximar de mim de novo foi um erro. Posso garantir que não sou a melhor pessoa para se ter por perto.

— Eu só queria pedir desculpas pelo...

— Não há pelo que pedir desculpas. Não aconteceu nada. — Minha voz cortou qualquer chance de conversa.

Virei-me e continuei meu caminho, deixando Aaron e qualquer resquício de lembrança para trás. Ou pelo menos, era o que eu tentava.

Cheguei à minha moto e segurei o capacete, pronta para colocá-lo. Mas, antes que pudesse fazê-lo, senti sua presença. Ele estava lá, de novo. Meu instinto foi virar rapidamente, preparando-me para dar outro tapa, mas fui surpreendida. Suas mãos firmes envolveram minha cintura, puxando-me contra ele, e então seus lábios tocaram os meus.

Minha mente travou por um instante. Tudo desapareceu. Fiquei imóvel, congelada no momento. Seus lábios moldaram-se aos meus com uma intensidade inesperada, e o calor que seu toque provocou se espalhou pelo meu corpo. Senti suas mãos pressionarem ainda mais nossos corpos, sua respiração misturando-se à minha. Eu sabia o que estava acontecendo. Mas não sabia como reagir.

Por um momento, o tempo pareceu parar. Foi então que tudo voltou em um turbilhão avassalador. As lembranças dos últimos dias me atingiram como uma avalanche: o apartamento, suas palavras, cada mágoa e raiva guardadas. A clareza do que eu sentia me fez despertar de repente.

Sem pensar duas vezes, empurrei Aaron com toda a força que tinha. Ele cambaleou para trás, tropeçando e se chocando contra o carro estacionado logo atrás. Seus olhos se arregalaram, surpresos, enquanto a expressão de espanto tomava conta de seu rosto.

— O que você acha que está fazendo? — soltei, a voz cheia de indignação.

Ele ainda ofegava, as mãos tremendo levemente. — Eu... Eu não sei. Não consegui me segurar.

— Não me venha com desculpas. Você não tem o direito! — minha voz cortou o ar como uma lâmina.

Aaron passou a mão pelos cabelos, frustrado. — Não é tão simples assim...

— Para mim, é. Fique longe de mim, Aaron. — Peguei o capacete e o enfiei na cabeça, tentando abafar a confusão que tomava conta de mim.

Subi na moto e liguei o motor, acelerando sem olhar para trás. Cada batida do meu coração ecoava junto ao ronco da moto, misturando raiva, confusão e algo que eu não queria nomear.

Mas sabia de uma coisa: esse beijo não mudava nada. E eu não deixaria que mudasse.

___________√________

Chegar em casa foi mais do que apenas um alívio esperado—foi uma necessidade visceral, uma fuga do turbilhão que parecia me perseguir desde o momento em que acordei. Assim que entro, fecho a porta com força, o barulho ecoando pelo apartamento vazio. Tiro os tênis e os deixo jogados de qualquer jeito na sapateira, sem me importar se ficaram alinhados ou não. Jogo a bolsa e o capacete no sofá, tudo com movimentos bruscos, tentando ignorar o peso que ainda carregava no peito.

Quando estou prestes a me afastar, algo no chão chama minha atenção.

Um envelope.

A visão dele faz meu corpo se enrijecer instantaneamente. Aquele pedaço de papel, deixado ali como um fantasma silencioso, parecia carregar um peso que eu ainda não entendia. Agacho devagar, pegando-o com dedos trêmulos. Não havia remetente, nem endereço. Apenas meu nome, escrito em uma caligrafia firme e familiar demais.

Sinto o coração acelerar, o sangue pulsando nos ouvidos. Reviro os olhos, já me preparando mentalmente para o que quer que fosse. Abro o envelope de forma brusca e retiro o conteúdo.

Dentro, um cheque com um valor alto e um bilhete preso a ele. A mensagem curta me faz estremecer:

"Você não respondeu às minhas cartas, querida. Espero que esteja bem. Esse valor é um pequeno agrado. Seu pai e eu estamos com saudade. Com amor, mamãe."

Aquela última palavra me atinge como um soco no estômago. Meu corpo congela e, por um momento, tudo ao redor parece desaparecer. "Mamãe". Como se fosse possível. Como se ela ainda tivesse o direito de se dirigir a mim assim.

O papel treme nas minhas mãos enquanto meus olhos percorrem a mensagem mais uma vez, procurando um sinal de que era uma brincadeira de mau gosto. Mas não era.

Uma risada amarga escapa dos meus lábios antes que eu possa evitar. Saudade? Que absurdo. Aquela mulher me abandonou no momento em que mais precisei. Eu era uma adolescente, confusa e vulnerável, e a única coisa que ela e aquele homem fizeram foi me expulsar de casa como se eu fosse um peso morto.

E agora, ela me escreve dizendo que está com saudade? Depois de tantos anos de silêncio absoluto, de cartas ignoradas, de pedidos de ajuda nunca atendidos?

Meus dedos apertam o cheque com tanta força que as unhas praticamente perfuram o papel. Viro-o para checar o valor. Dez mil dólares. Dez malditos mil dólares. Um "pequeno agrado". Claro. Helen sempre teve essa mania de tentar resolver tudo com dinheiro.

Minhas mãos tremem. Tento respirar, mas o ar parece pesado demais, sufocante. O cheque e o bilhete me queimam os dedos.

Com passos decididos, vou até a bancada da cozinha, pego o isqueiro e o cinzeiro. Não penso duas vezes. Coloco o cheque, o bilhete e o envelope sobre o cinzeiro e risco o isqueiro. A chama azul dança por um segundo antes de tocar o papel.

As bordas começam a enegrecer, depois o fogo se espalha rapidamente. Fico ali, observando enquanto tudo vira cinzas. Não há pressa, nem hesitação. Só um vazio silencioso e frio crescendo dentro de mim.

Quando a última faísca se apaga, respiro fundo. Mas o alívio que eu esperava não vem.

Pego o cinzeiro e despejo as cinzas no lixo.

Sem pensar muito, sigo para o banheiro, arrancando minhas roupas pelo caminho. A água do chuveiro cai quente, quase escaldante, mas não me importo. Preciso sentir algo que não seja essa mistura sufocante de raiva e tristeza.

As lembranças começam a voltar, implacáveis. As palavras duras, o abandono, o desespero de ser expulsa do único lar que conhecia. Por que agora, Helen? Por que diabos você decidiu voltar agora?

Aperto os punhos, o corpo tenso sob o jato de água. Helen podia tentar comprar meu perdão com todo o dinheiro do mundo, mas isso não apagaria o que ela fez. Não mudaria nada. Ela continua morta para mim.

Hoje foi só uma carta. Só um cheque queimado. Mas, se Helen ou qualquer um daqueles fantasmas do passado voltarem a aparecer, não haverá mais papéis para queimar.

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Último capítulo

  • Quando o Sol se Põe   28•

    Aaron narrando.Observo a cada movimento de Ava enquanto ainda permaneço em meu carro. observo a forma como Christopher há abraçou e a forma carinhosa que ela o trata, não tenho ideia do porquê me importo tanto com tudo isso, na verdade não faço ideia do porquê ah quero tanto. E o porquê eles me afastam tanto dela. Eu jamais seria capaz de machuca-la, eu só há quero para mim. nada mais que isso, Ava será minha, ela é minha garota e não aceito ficar longe dela. observo quando Chris e ela se soltam, ela o beijo na bochecha, seus olhos se voltam em direção ao meu carro, nossos olhares se cruzam e logo em seguida ela entra no carro dele. Que logo depois da a partida, saindo com o carro. respiro fundo e dou a partida em meu carro, dirigindo um pouco mais devagar, eu poderia sim retornar a meu apartamento. porém desvio meu caminho seguindo o carro de Christopher que ao invés de ir para o apartamento de Ava, segue diretamente para seu apartamento. observo que antes de chegarem o carro par

  • Quando o Sol se Põe   27 • A tatuagem.

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  • Quando o Sol se Põe   26• Aaron

    Ava Narrando. Cessamos o beijo por falta de ar, não faço ideia de por quanto tempo nos beijamos, Chris ainda mantém nossas testas coladas. Nossas respirações estão ofegantes e o uma de suas mãos ainda acaricia meu rosto suavemente. Abro Os olhos lentamente, o mesmo ainda se mantinha de olhos fechados, talvez processando oque havia acabado de acontecer. Elevo minhas mãos até sua face, acariciando levemente, vejo um breve sorriso surgir em sua face. Me aproximo novamente, tomando a iniciativa deposito um breve selinho em seus lábios e vejo novamente o mesmo abrir aquele sorriso de antes. — Não sabe o quanto eu ansiava por isso sereia. — sua voz soa um pouco falha enquanto ele ainda exibia o mesmo sorriso. Me aproximo novamente, unindo nossos lábios em um outro beijo, dessa vez algo mais urgente. Em um impulso Chris me segura pela cintura, me colocando sobre a bancada da cozinha, o mesmo se põe entre minhas pernas, uma de suas mãos vai até meus cabelos. Puxando suavemente me fazen

  • Quando o Sol se Põe   25• De volta às pistas.

    Ava Narrando. Estaciono no lugar onde aconteceria a corrida, retiro meu capacete e solto meus cabelos. Observo o movimento a minha volta, nada novo se assim posso afirmar, haviam diversas pessoas. Carros e motos de luxo, música alta e um bar improvisado, sem contar com o intenso cheio de maconha que se misturava a brisa da noite. Desço da minha moto, caminhando até onde os outros estavam, Jack se mantinha encostado em seu carro com os braços ao redor dos ombros de kiara, Rick e Monique estavam abraçados e riam de algo que Rick acabará de dizer. Alex por sua vez parecia aéreo a tudo, se quer notando minha presença quando me aproximo do mesmo. Ele haviam vindo na frente, já que posso dizer que fiquei precrastinando em meu sofá até a última hora. A verdade é que havia muita coisa se passando minha mente, Aaron, Alex, e até mesmo Chris estava presente em meus pensamentos. Algo que eu se quer conseguir entender. — Finalmente chegou, achei que não viria. — disse Jack atraindo minha

  • Quando o Sol se Põe   26•

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