FAZER LOGINA semana foi de pura correria. Depois do Carnaval, veio a volta à rotina.
Camille retornou às suas aulas práticas de terapia com as crianças. Era nesses momentos que ela conseguia tirar André da cabeça… aqueles olhos castanhos, os lábios quentes que ainda permaneciam presos em suas lembranças. Giulia colocou Rafael de lado. Não tinha tempo para namoros; já não era mais uma adolescente. Apesar de, às vezes, sentir falta de ter alguém ao seu lado, estava totalmente focada em cuidar de Gabriela. A menina tinha três anos, e fazia o mesmo tempo que Giulia não saía com ninguém. Rafael acabou entrando justamente na brecha que ela tanto prometera não abrir. Ele tinha o seu telefone e, vez ou outra, mandava um “olá”, um “boa noite” ou alguns emojis sorridentes. Mas Giulia não respondia. Não queria dar esperanças. Para ela, havia sido apenas um dia de diversão… e havia acabado ali. Os rapazes ainda continuaram no Rio de Janeiro por mais um tempo, pois Kauan seguia se encontrando com Helena. Ela chegou, inclusive, a ir ao desfile das escolas de samba com eles. Foi ali que Rafael descobriu, por Helena, que Giulia tinha uma filha de três anos. No começo, ele ficou um pouco chocado e preocupado. Era muita informação de uma vez só. Para ele, ex-marido nunca era totalmente ex… sempre existia a possibilidade de voltarem. E sem mencionar que eles tinham uma filha. Enquanto refletia sobre aquilo, pensou que talvez eles pudessem reatar algum dia, e ele não queria se meter em uma relação conturbada. E enquanto pensava nas palavras ditas por Helena. Ela foi e mencionou: — O cara era um verdadeiro idiota, acredita que largou ela grávida? Nossa, a minha amiga sofreu tanto, se não fossem os pais dela, não sei o que teria acontecido. Mas Helena explicou a situação real: o ex-marido de Giulia a havia abandonado ainda grávida. Durante muito tempo, ele nem sequer quis assumir a paternidade. Somente depois que Giulia entrou na Justiça é que ele aceitou pagar a pensão, deixando bem claro que não queria criar nenhum tipo de vínculo com a criança. E só aceitou pagar a pensão porque o advogado ficou em cima. Sem mencionar o risco de ir para a cadeia. Aquilo foi como um soco no estômago de Rafael. Ele se sentiu um idiota por pensar mal da situação. E, a partir daí, a vontade de estar com ela, mostrar que ele era diferente. Queria conversar com Giulia, mas decidiu respeitar o espaço dela. Com certeza, ela estava insegura, e com toda razão. Eles tinham se visto apenas duas vezes; ela jamais traria ninguém que mal conhecia para perto da filha, muito menos pensaria em algo duradouro naquele momento. Já que havia dito que foi uma experiência difícil. Rafael, então, começou a refletir sobre si mesmo. O que ele realmente queria? Conseguiria assumir uma família? Não pensava em se casar tão cedo, ainda era jovem. Mesmo assim, Giulia havia mexido com ele de uma forma inesperada. Ela era madura, responsável, mas ele a observava além, uma mulher forte e muito determinada. André também ficou triste ao saber, por meio de Helena, que talvez fosse melhor desistir de Camille. Segundo a amiga, Camille havia deixado claro que não queria nenhum romance no momento, principalmente algo à distância. Mesmo assim, André não conseguia esquecer o quanto tinha se sentido bem ao lado dela. Ele realmente acreditou que o sentimento fosse recíproco. Ouvir da melhor amiga dela que Camille não estava pronta para se envolver foi como uma desilusão. Prometeu deixar o tempo determinar enquanto isso seguiria cuidando do seu restaurante e viria mais ao Rio, vai que a praia a traga de novo para ele. Após três semanas no Rio, os rapazes finalmente retornaram para São Paulo. Kauan não morava tão perto de André e Rafael, mas sempre dava um jeito de encontrá-los nos fins de semana. Geralmente se reuniam no apartamento de André. O lugar era mais espaçoso, tinha três quartos, e a suíte do “senhor chefe de cozinha” era perfeita para bater papo, rir e assistir a séries. Sem mencionar os pratos incríveis que ele fazia e as sobremesas. Assim, o ambiente ficava ideal para a tradicional bagunça de fins de semana e feriados entre amigos.A energia que emanava de Helena era contagiante, quase eletrificante. No dia do seu casamento religioso com Kauan, ela estava a mil — radiante, sorridente e transbordando aquela vivacidade única que conquistara o coração do noivo.Para tornar a entrada da igreja ainda mais inesquecível, a surpresa ficou por conta do grupo Molecadas. A convite dos noivos e já integrados como grandes amigos da turma, os músicos cantaram na entrada, transformando o início da cerimônia em um momento emocionante, leve e mágico. No altar, ao lado do casal, o grupo das inseparáveis brilhava no papel de madrinhas, celebrando cada segundo daquela união tão desejada.Semanas depois, o grupo se reuniu em Copacabana para um momento de pura celebração e orgulho. Todos estavam em pé na calçada, admirando a fachada iluminada do novo restaurante de André no Rio de Janeiro.Ao olharem para o letreiro cintilante, o grupo sorriu com a linda homenagem. Lá estava escrito: Sapore di Pasta e, no letreiro menor logo abaixo,
O grande dia finalmente chegou. A igreja estava ornamentada com flores delicadas, e a atmosfera era pura emoção. Na entrada, o cortejo se organizava com elegância e perfeição: os rapazes vestiam ternos impecáveis em tom azul-escuro, enquanto as madrinhas encantavam a todos com vestidos fluídos em azul-claro.A cerimônia foi emocionante, especialmente a entrada da noiva.Márcio não conseguiu conter as lágrimas ao ver Fabiana caminhando pelo corredor da igreja.Os votos foram sinceros e cheios de amor.Camille prestava atenção em cada palavra. André a observava em silêncio.A entrada da daminha, Gabriela, arrancou suspiros e sorrisos de todos os convidados. Ela parecia uma verdadeira florzinha caminhando até o altar. E quando as portas se abriram para Fabiana, deslumbrante em seu vestido branco, Márcio não segurou as lágrimas. O choro de emoção dele contagiou a igreja inteira. Cada voto trocado diante do padre foi delicado, marcante e inesquecível.Durante a cerimônia, Camille trocava o
Após o alívio e a vitória inquestionável no tribunal, a paz finalmente voltou a reinar. O clima de tensão deu lugar à comemoração mais esperada do ano: o aniversário de sete anos de Gabriela. Foi uma festa impecável e mágica! Giulia fez questão de reunir todos os amiguinhos da escola, do balé e da natação. O salão de festas transbordava risadas, brinquedos e a alegria contagiante de Gabi.Após a festa principal, a bagunça continuou no apartamento. Giulia preparou uma inesquecível festa do pijama, montando delicadas cabaninhas no quarto para as amiguinhas do balé. Ver a filha radiante, cercada de carinho e feliz da vida, tornou aquele momento um dos marcos mais bonitos nas vidas de Giulia e Gabi.Com o passar dos meses, a rotina do grupo foi se reestruturando. Camille já estava devidamente instalada em seu próprio apartamento, curtindo seu novo espaço. Enquanto isso, o foco de todos se voltava para os preparativos do casamento de Fabiana e Márcio. Faby estava a pura mistura de ansiedad
Passados os trinta minutos de intervalo, o juiz retornou à sala e ocupou sua mesa. Ajeitando a toga e fitando a todos com serenidade, ele deu início à leitura da sentença:— Não haverá necessidade de marcarmos uma terceira audiência. Senhora Giulia, a senhora é uma mãe excepcional. Isso foi algo que eu já vislumbrava desde a nossa primeira audiência e que se confirmou plenamente através dos relatórios técnicos e dos depoimentos. A guarda unilateral continua, integralmente, com a senhora.Carlos deu um pulo na cadeira, com os olhos esbugalhados de indignação, mas o juiz prosseguiu em tom firme:— O senhor Carlos tem o direito de conviver com a filha, contudo, nestes primeiros momentos, as visitas ocorrerão apenas com a presença da mãe e acompanhadas por uma assistente social.— Mas, Meritíssimo! — interrompeu Carlos, desesperado e sem controle. — A Giulia não olha a filha direito! Ela não tem capacidade para essa guarda!— Senhor Carlos, peço silêncio e ordem no recinto, por favor! — a
Nas duas semanas que antecederam a segunda audiência, o apartamento de Giulia passou por uma rotina diferente, mas acolhedora. Para que Gabriela não se assustasse nem ficasse confusa, Giulia e Rafael sentaram-se com a pequena para conversar, explicando de forma leve e natural que algumas pessoas iriam visitar a casa deles para ver como ela vivia.Como Gabi era uma menininha extremamente comunicativa e esperta, encarou tudo como uma grande aventura. Na primeira visita da assistente social, a pequena fez questão de pegá-la pela mão e guiá-la por cada cantinho do apartamento:— Olha, tia, esse aqui é o meu quarto! Aqui ficam meus brinquedos e as minhas roupas. Agora vem ver o quarto da minha mãe com o Tio Rafa!— Não precisa, filha... — tentou ponderar Giulia, envergonhada.— Precisa sim, mãe! A tia tem que saber onde fica tudo na nossa casa! — rebateu a menina, convicta.Gabi ainda levou a profissional até a cozinha, fazendo questão de contar:— Aqui é a cozinha! O Tio Rafa sempre faz c
Assim que a conversa pesada se encerrou ali no corredor do fórum, Rafael olhou para todos ao redor e tentou puxar o ar, buscando aliviar a tensão do ambiente:— Gente, vamos almoçar? Depois do almoço a gente tem a reunião da Gabi na escola. Aí vamos pegar a Gabi e levar para o apartamento. Vocês gostariam de se reunir com a gente lá mais tarde?Os advogados de Giulia, que também precisavam resolver pendências na empresa da mãe de Rafael, responderam prontamente:— Do almoço nós participamos sim! A próxima audiência é só daqui a quinze dias, então nos vemos antes para conversar e alinhar tudo. Vamos analisar direito o trabalho que as assistentes sociais e a psicóloga vão fazer em relação ao bem-estar da Gabi. Mas agora vamos almoçar para quebrar esse clima pesado.O grupo seguiu para um restaurante reservado nas proximidades. Acomodados ao redor de uma mesa ampla, a angústia acumulada de Giulia finalmente transbordou em desabafo.— Eu ainda não consigo aceitar... — começou Giulia, bala







