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Capítulo 23

Autor: Ell Marioti
last update Data de publicação: 2026-08-08 07:04:24

Se alguém me perguntasse quando comecei a me sentir cansada...

Eu não saberia responder.

Não existiu um dia específico.

Nem uma grande briga.

Nem uma tragédia.

Foi um acúmulo.

De pequenas ausências.

De promessas adiadas.

De "depois".

Até que um dia meu corpo resolveu falar por mim.

---

Começou com uma dor de cabeça.

Achei que fosse cansaço.

Tomei um remédio.

Continuei o dia normalmente.

No dia seguinte veio a febre.

Depois vieram as dores no corpo.

Mesmo assim, preparei o café
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  • Quando parei de esperar você    Capítulo 74 Gabriel

    Saí da empresa mais tarde do que pretendia. O dia tinha sido longo. Reuniões, documentos, telefonemas. Tudo parecia exigir minha atenção ao mesmo tempo. Entrei no carro e afrouxei a gravata enquanto saía do estacionamento. Eu só queria chegar em casa. Mas, ao passar por uma das avenidas mais antigas da cidade, alguma coisa me fez diminuir a velocidade. A praça. Eu conhecia aquele lugar. Não sabia exatamente de onde. Mas conhecia. Talvez fosse apenas uma sensação. Passei os olhos pela calçada. E então a vi. Helena. Meu coração simplesmente parou. Ela estava sentada em um banco. Sorrindo. Ao lado de um homem. Um homem que eu não conhecia. Parei o carro alguns metros adiante. Não pensei. Apenas parei. Fiquei olhando através do para-brisa. Helena parecia diferente. Mais leve. Mais feliz. O homem disse alguma coisa. Ela riu. Depois ele segurou a mão dela. Meu peito apertou. Por algum motivo, aquilo doeu. Muito. Então ele s

  • Quando parei de esperar você    Capítulo 73

    Eu não sabia exatamente por que tinha decidido fazer aquilo. Talvez porque estivesse de volta. Talvez porque, depois de tantos anos, precisasse descobrir se aqueles lugares ainda tinham o mesmo poder sobre mim. Ou talvez simplesmente porque queria mostrar a Lucas uma parte da minha história. — Tem certeza que quer ir? — ele perguntou enquanto caminhávamos pela calçada. Olhei para ele. — Tenho. — Então eu vou com você. Sorri. Era exatamente isso que eu precisava. Não que ele me dissesse para esquecer. Não que tentasse me proteger das lembranças. Apenas que estivesse comigo. O primeiro lugar foi uma pequena praça. Eu parei diante do portão. — Foi aqui. Lucas olhou ao redor. — Aqui o quê? — Nós brincávamos. Ele me olhou, confuso. — Nós? — Você, eu e mais algumas crianças. Ele sorriu. — Eu lembro. Entramos. A praça parecia menor do que eu lembrava. Muito menor. As árvores ainda estavam ali. O banco de madeira também. E o antigo parquinho. — Eu lembro desse e

  • Quando parei de esperar você    Capítulo 72

    Meu primeiro dia de volta para casa começou de um jeito que eu não esperava. Com café. Muito café. E minha mãe falando sem parar. — Você está comendo direito? — Estou. — Está dormindo? — Sim. — Trabalhando demais? — Às vezes. — E o Lucas? Olhei para ela. — Mãe... Ela riu. — O que foi? Só estou perguntando. Lucas, sentado do outro lado da mesa, segurou o riso. — Ela faz isso desde que eu conheço. Márcia apontou para ele. — Viu? Ele me entende. — Não dê confiança — falei. Os dois riram. Eu fiquei observando aquela cena. Minha mãe e Lucas conversando como se ele nunca tivesse passado anos longe. E aquilo me trouxe lembranças antigas. Antes de Lucas ir embora, ele praticamente fazia parte da nossa casa. Entrava sem bater. Almoçava conosco. Passava tardes inteiras comigo. Minha mãe sabia de todas as nossas brigas. E ele sabia exatamente onde ficavam os biscoitos. Talvez fosse por isso que vê-los juntos novamente parecesse tão natural. No começo da tarde, meu

  • Quando parei de esperar você    Capítulo 71

    O aeroporto estava cheio. Pessoas correndo de um lado para o outro, malas sendo arrastadas, anúncios de embarque ecoando pelos corredores. Eu segurava o passaporte em uma mão e a mão de Lucas na outra. E, apesar de estar acostumada com aeroportos, naquela manhã parecia que eu estava prestes a fazer a viagem mais importante da minha vida. — Está nervosa? — Lucas perguntou. Olhei para ele. — Um pouco. — Só um pouco? Suspirei. — Muito. Ele sorriu. — Quer desistir? — Não. — Então está tudo bem. Apertei sua mão. — É estranho. — O quê? — Voltar. Ele ficou em silêncio, esperando que eu continuasse. — Eu passei trinta anos naquela cidade. Olhei para o painel de embarque. — Minha infância. Minha adolescência. Faculdade. Meu casamento... Parei. — Tudo aconteceu lá. Lucas passou o polegar sobre minha mão. — E agora você vai voltar sendo outra pessoa. Olhei para ele. — Exatamente. Quando entramos no avião, sentei perto da janela. Lucas ficou ao meu lado. Assim que o

  • Quando parei de esperar você    Capítulo 70

    A passagem estava aberta sobre a mesa. Eu já tinha conferido umas cinco vezes. Data. Horário. Portão. Bagagem. Tudo certo. Mesmo assim, continuei olhando para ela. — Você sabe que ela não vai mudar de horário só porque você está olhando, não sabe? Levantei os olhos. Lucas estava encostado no batente da porta, segurando duas xícaras de café. — Eu sei. — Então por que está olhando para a passagem há dez minutos? — Porque estou nervosa. Ele entregou uma das xícaras para mim. — Você? — Eu. — Não acredito. Revirei os olhos. — Muito engraçado. Ele se sentou ao meu lado. — Nervosa com a viagem? — Com tudo. — Sua mãe? — Também. — Sofia? — Principalmente Sofia. Lucas riu. — Ela vai gostar de mim. — Ela já gosta. — Então qual é o problema? Olhei para ele. — Dessa vez é diferente. Ele entendeu imediatamente. — Porque agora sou seu namorado. Assenti. — Exatamente. A palavra ainda provocava uma sensação estranha. Namorado. Lucas. Meu namorado. Sorri sem pe

  • Quando parei de esperar você    Capítulo 69

    Na manhã seguinte, acordei antes de Lucas. Por alguns segundos, fiquei imóvel. O quarto estava silencioso. A luz suave do começo da manhã entrava pelas cortinas. Lucas dormia ao meu lado. E eu sorri. Não porque alguma coisa extraordinária tivesse acontecido. Mas porque, pela primeira vez, acordar ao lado de alguém não me dava vontade de fugir. Fiquei observando-o por alguns instantes. O cabelo bagunçado. A expressão tranquila. A respiração calma. Era o mesmo Lucas que eu conhecia desde criança. Mas, ao mesmo tempo, parecia completamente diferente. Talvez porque agora eu soubesse o que sentia por ele. Ou talvez porque finalmente tivesse coragem de admitir. Ele se mexeu. Abriu os olhos devagar. — Bom dia. Sorri. — Bom dia. Ele me puxou para mais perto. — Dormiu bem? — Muito. Lucas beijou minha testa. — Eu também. Ficamos alguns minutos abraçados, sem dizer nada. E eu percebi que estava feliz. Muito feliz. Naquela manhã, fizemos café juntos. Lucas ficou resp

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