MasukA primeira semana de férias foi tão bem-vinda que passou num piscar de olhos. Num sábado à tarde, Deise foi a um mercadinho próximo de casa para comprar pão doce, mussarela e presunto para o café da tarde. Estava na fila e ficou vendo uma foto que os rapazes do local adoravam exibir e contar a história dela. Diziam que a menina na foto era a loira do tchan e que ela havia estudado junto deles na mesma turma por muitos anos. A tal escola Deise conhecia, tinha feito apenas o oitavo ano nela quando foi transferida devido às agressões físicas e verbais que sofria na escola anterior. Sorriu vendo a foto e gostaria de ter conhecido a menina que certamente se formou antes dela ser transferida. Fez seu pedido, pagou e voltou para casa. No caminho avistou Miriam que provavelmente estava indo no mesmo mercadinho. As duas não se encontraram desde o dia que Miriam ficou com o caderno de Thaizza.— Oi. Eu estava querendo falar com você já faz tempo.— Oi Deise! — Miriam percebeu no semblante da me
Mais uma semana havia terminado e Deise estava aliviada com a chegada do fim de semana. Finalmente lhe ocorreu que ela não se encaixava bem na sua atual escola. Apesar das tentativas de fazer amizades verdadeiras, ela apenas se frustrou. Eram muito diferentes e a garota passou a se sentir uma estranha entre eles. Foi inevitável um distanciamento.Deise já tinha manifestado a sua mãe que queria doar seus brinquedos para Sandra, sua amiguinha e vizinha de andar. Contudo, Maria queria fazer a doação para o Centro Espírita que a sua patroa frequentava.E assim, Maria e Deise foram para um dos encontros do grupo fraternal espírita que ficava no próprio bairro onde elas moravam. Foram recebidas por Marise, mãe de Marcos.— Que bom que vocês vieram!Marise abraçou Maria e Deise.— Então você é a Deise, sua mãe fala muito de você. — Oi. — Deise estava retraída, sem saber o que conversar. — Eu trouxe algumas coisas para doar.— Ah! Que maravilha! Isso é muito bom, Deise. Querida, pode deixar
— Não era só um jogo. Eu realmente queria ganhar!Deise falou sozinha quando um funcionário do prédio apareceu para limpar a quadra e a avisou que ela deveria ir embora.Deise foi então para o vestiário a fim de buscar sua mochila. O silêncio era assustador. Todos já haviam ido embora. Ela se apressou e desceu pelo elevador.Ao chegar a rua sentiu frio. Já era fim de tarde e com o corpo suado se tremeu toda com a brisa. Pegou um moletom na mochila e foi para o metrô. Conforme o corpo esfriava, a dor abdominal aumentava. Deise não conseguia tirar da mente a imagem de Jéssica a atingindo. Sentiu raiva. Deise adorava competições e lidar com derrotas sempre foi um desafio desde que perdera um campeonato de handebol no sétimo ano e seu time era o favorito. Contudo, o que ganhou foi apenas um amargo segundo lugar.A menina chegou em casa aos prantos. Maria ficou preocupada e foi logo vê-la.— O que foi, Deise?— Minha barriga dói muito, mãe!— O que houve?— Eu tomei uma bolada na aula.Mar
Na aula de educação física, o professor surpreendeu a todos informando que haveria uma disputa entre primeiro e segundo anos para definir um time que representaria a escola em competições externas. A modalidade seria o futebol e naquele dia competiriam as meninas. Por terem poucas meninas no primeiro ano, os times deveriam ter seis integrantes cada. O primeiro ano foi formado por Deise, Renata, Thaizza, Aline, Viviana e Patrícia. O segundo ano seria formado por Jéssica,Suzana, Helena, Julia, Maria Antônia e Eliza.Thaizza foi escolhida a capitã do primeiro ano e Jéssica a capitã do segundo ano. Ambas não se suportavam e frequentemente se esbarravam nas matinês paulistanas. Tiraram cara ou coroa para escolher o lado da quadra. Jéssica ganhou e deixou Thaizza escolher o lado, ficando então com a posse da bola. O primeiro ano combinou que Patrícia ficaria no gol, por ser mais robusta e mais alta que as demais. Deise estava animada pois já tinha participado de um campeonato de futebol em
Na manhã seguinte, Deise evitou a todo custo sair cedo de seu quarto. Queria evitar encontrar André, pois tinha certeza de que ouviria um sermão. Nunca mais ela ficaria acordada até tarde assistindo televisão na sala.Era um sábado nublado e Deise deveria ir a Santo Amaro acertar as contas de suas vendas de produtos de catálogos. Foi seu pior rendimento até o momento e a menina estava completamente desanimada e sem saber como conseguir novos clientes. Decidiu que desistiria desse empreendimento visto que também não sabia lidar com a inadimplência de suas clientes. Retornando ao seu lar, encontrou algumas crianças brincando no corredor de seu andar. Sandra pediu para brincar com Deise. Ela apenas respondeu que não tinha vontade de brincar. Contudo, Sandra praticamente implorou. Deise não sabia dizer não para as pessoas. Cedeu. Deixou umas três crianças entrarem em sua casa e ligou o rádio para que fizessem um concurso de dança. Ligados na Jovem Pan, dançaram ao som de Livin La Vida Loc
A primeira vez que Deise viu Leonardo após fazer aquele telefonema foi na aula de educação física. A jovem não tinha coragem de encará-lo mesmo sem ter certeza de que era com ele com quem tinha falado. Deise estava completamente aérea e não escutava nada ao seu redor.— Deise! — Thaizza gritou pela terceira vez.— Oi! — Toma conta da minha bolsa que eu vou no banheiro. — Está bem! — A jovem respondeu irritada.Deise observou Thaizza se afastar da área da quadra até que seguisse pelo corredor que levava aos vestiários. Uma preocupação repentina veio à mente da menina. Levantou rapidamente e foi atrás da amiga. No final do corredor ficava o vestiário feminino e um pouco antes o vestiário masculino. Na porta do vestiário masculino, Deise encontrou Arthur saindo de lá. O adolescente estava curvado, com as duas mãos na barriga. Ele nem percebeu a presença de Deise e caiu de joelhos ao chão, vomitando bastante.Deise ficou enojada com a cena, mas ficou sentida pelo menino. Colocou sua mão







