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OITO

Autor: Liliane Mira
last update Data de publicação: 2022-09-04 02:34:22

Riddick

Entrei no meu carro e esperei até ela aparecer. Minha querida assistente entrou em um táxi, sorridente como sempre e em menos de dez minutos, ela parou em frente a um portão velho. Pagou o táxi e entrou. Eu continuei no mesmo lugar, observando. De repente uma jovem que aparenta ter uns dezoito anos, saí da casa, sorrindo. Abla dá um abraço nela e lhe entrega algo em mãos. Se eu for deduzir, diria que é dinheiro. Isso me deixou intrigado e curioso. 

Por que será que ela estava com uma menina na casa dela? E por que lhe entregou dinheiro? 

A curiosidade está me matando, peguei o meu celular e liguei para Mabel.

— Algum problema, senhor Riddick? — Mabel me perguntou com sua voz assustada. Porra, as vezes isso é chato demais, caramba.

— Quero que adiante a investigação sobre a senhorita Dinis!

— Fui direto ao ponto sem rodeios.

— Algum problema? Ela fez algo que não gostou?

Questionou preocupada

— Só faça o que eu mandei.

— Falei ignorando sua pergunta.

— Sim, senhor Riddick! Boa noi…

— Nem esperei ela terminar. Desliguei em sua cara. Tudo bem, eu fui mal educado, mas, é que tudo isso me deixa com raiva. Essa submissão cega, essa rasgação de seda para cima de mim. Tudo isso é desgastante. Agora que eu sei que é Abla a mulher que me fascinou anos atrás, a minha curiosidade está me matando por dentro.

Continuei mergulhado em meus pensamentos. Tentando entender esse súbito interesse por Abla. Súbito não, esse antigo interesse que se reacendeu. Meu Deus, o seu nome é lindo. Diferente, exótico. Combina perfeitamente com ela. Peguei o meu celular e fui pesquisar o significado. Hum, seu nome é de origem queniana e significa: "Uma rosa selvagem".

— Nossa! — Acabei exclamando alto.

Será que o significado faz jus a pessoa?

Essa droga de curiosidade não sai de mim. Preciso dar um jeito, de conhecê-la melhor. Estava tão absorto em meus pensamentos, que levei um baita susto com alguém batendo na porta do meu carro. Quando elevei meus olhos, fiquei ainda mais assustado quando percebi quem é a pessoa em questão. A minha gostosa assistente. Abaixei o vidro do carro com a minha melhor cara de inocente. Procurando em minha mente uma desculpa plausível.

— Sim! — Falei neutro.

— Posso ajudá-lo em alguma coisa, senhor Riddick? — Perguntou séria, sem desviar seus olhos dos meus.

— Não! — Esclareci olhando para frente.

— Então, por que está me seguindo? Por que está fazendo campana em minha porta? — Percebi raiva em sua voz e um pouco de sarcasmo.

— E quem lhe disse que estou lhe seguindo? — Ainda não sei como me deixei ser pego.

— Senhor, eu posso parecer burra a seus olhos, mas lhe adianto que não sou. — Abaixou a cabeça para ficarmos na mesma altura. — E se eu estou dizendo que o senhor estava me seguindo, por que sei que estava. Eu vi o seu carro seguindo o meu táxi. 

Hum, ela viu! Como assim? Eu fui bastante cuidadoso.

— O senhor pode até ter sido cuidadoso, mas não o suficiente. — Até parece que ela leu a minha mente.

— Que seja senhorita! — Falei desdenhoso. Ela puxou ar para seus pulmões. Acho que já está ficando nervosa. Ela fica mais linda zangada.

— O senhor não vai dizer por que fez isso?

— Não! — Falei direto para ver se ela se tocava.

— Quer entrar para tomar um café? — Ela perguntou do nada, me deixando surpreso.

— Não. Agradeço, porém, eu já estava de saída.

— Hum... Pensei que passaria a noite me vigiando.

— Senhorita Dinis, eu não estou fazendo campana em sua porta. — Bufei. — Admito que lhe segui. O resto é tudo fruto de sua imaginação.

— Hum, rum! Então será fruto da minha imaginação se eu pegá-lo mais uma vez em minha porta? — Sorriu docemente. — Saiba que se isso acontecer novamente, bem, não sei, talvez eu faça algo bastante estúpido.

— A senhorita está me ameaçando? — A olhei incrédulo.

— Quer isso, senhor Riddick, longe de mim fazer uma coisa dessas. Tudo isso é fruto da sua imaginação. — Declarou se afastando do carro e se dirigindo a sua casa novamente. Antes de ela entrar, se virou e acenou para mim, como se nada tivesse acontecido.

— Que mulher maluca! — Ri alto dentro do carro.

Cara, ela me ameaçou!

Puta merda, que foda. Claro que não foi uma ameaça explícita, mas, eu entendi perfeitamente. Estou me sentindo eufórico. Há anos que não me sinto assim, dessa forma.

— Abla Dinis! Agora você tem toda a minha atenção. Sem sombra de dúvidas. — Falei, pisando duro no acelerador e indo embora com vários planos em mente. 

Eu tenho que deixá-la mais perto de mim. Então, o jeito é arranjar trabalhos externos. Espero realmente que ela não seja uma fresca, apesar de quê, pelo que eu vi, ser fresca passa longe dela.

Cheguei em casa e fui recebido pelo silêncio. Antes isso nunca me incomodou, mas agora não gosto desse vazio que existe neste lugar. Fui para meu quarto e tirei minha roupa sem nenhuma cerimônia. Eu me sentia cansado e sobrecarregado. Meus pensamentos estão confusos. Hora eu penso em Trayrom, outra hora meus pensamentos são apenas dela, de Abla. Se dependesse de mim, só ela estaria em minha mente, no entanto, eu sei que só terei paz quando aquele desgraçado morrer. 

Depois do banho, desci para comer. 

Estou furioso, pois recebi uma mensagem de uma das mulheres que escolho para transar. Ela teve a audácia de me dá um ultimato. Mandei que saísse do meu pé. Estou naquela fase da vida em que se alguém ameaçar ir embora, eu lhe desenho um mapa para que não erre o caminho. Eu não sei quando foi que a minha vida chegou a esse estado, só que ela está. Agora não adianta chorar pelo leite derramado. Eu preciso de algo novo. Algo que me tire desse lamaçal. Eu até sei o que vai ser esse algo novo. Quer dizer, quem vai ser. Espero que quando eu a levar para minha cama, essa curiosidade seja sanada. Porque só pode ser isso, curiosidade. 

Fui para cozinha, para fazer aquilo que me fora impedido de fazer antes, matar quem estava me matando. Essa fome m*****a.

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Último capítulo

  • RIDDICK   EPÍLOGO

    Abla Dinis — Delegado! — Saudei sorrindo. Ele segurou minha mão e beijou de uma forma cavalheira. — É sempre uma honra revê-la, minha cara. — Já chega de tanto contato. — John disse assustando o pobre homem. Dei um empurrão nele de leve. — Pare de ser um mal educado. — Ele me respondeu com um muxoxo e pediu para o delegado explicar o caso. — É pessoal, estamos lidando com fetichismo sexual e tricofilia! — Joan enunciou, anotando em um quadro disponível para o nosso trabalho após a explicação do delegado. — O que é tricofilia? — Um dos policiais perguntou, anotando algo em seu caderno. Eu respondi. – É um parcialismo no qual uma pessoa vê o cabelo como algo particularmente erótico, sexual e excitante. — Disse analisando a fotos da cena de crime. — Nesse caso, o individuo não tem preferência de gênero, porém, escolhe quem machucar mais. Estão vendo? Ele arrancou todo o cabelo das três mulheres, mas do homem, preferiu apenas raspar. Essa questão me intriga. — E o fetichismo, onde

  • RIDDICK   SETENTA E OITO

    Nove anos depois... Abla Dinis — Se não quiser ir, entenderei minha rosa! — John falou, calmo. O olhei irritada. Ele está me dispensando, ou é coisa da minha cabeça? Como se lesse meus pensamentos, me puxou para ele. — Não estou lhe dispensando, minha amada, sei o quanto é difícil deixar nossos filhos quando o trabalho é longo e longe. Eu quero muito que vá, mas se escolher ficar, entenderei. Merda! Ele sabe como me desarmar viu. Nove anos se passaram desde que tudo aconteceu e nada mudou. O amor que sinto por ele cresce a cada dia. E uma das provas do nosso amor, são nossos filhos. Amir e Akin que hoje estão com nove anos, crescem tão rápido, até demais para o meu gosto. Possuem a mesma pigmentação do pai, mas a cor dos cabelos e os olhos são parecidos com o meu. Não é porque sou a mãe, mas eles são lindos demais. Imagino a fila de meninas querendo me chamar de sogra. Colocarei muitas para correr, estou até vendo. As meninas, Nia e Niara, já estão com quatorze anos. Educadas, e

  • RIDDICK   SETENTA E SETE

    Abla Dinis — Para onde está me levando? — Indaguei a Gena, preocupada. Analisei a mulher e a mesma me parece fora de si. Sabia que algo estava errado em meu dia, assim que me levantei da cama. Mesmo com essa sensação, meu dia transcorreu normalmente, até receber uma ligação de uma nova cliente que me pediu para encontrá-la em um restaurante em frente a empresa. Não achei que algo aconteceria. Dei tchau a Bel e chamei o elevador, me distraí por alguns segundos olhando o celular, quando me acomodei dentro da caixa de metal, senti uma presença ao meu lado. Quando vi de quem se tratava, tentei reagir, contudo, foi tarde, ela já tinha uma arma apontada para minha barriga. — Perguntei para onde está me levando, m*****a? — Inquiri nervosa. Eu precisava reagir, mas meus reflexos não são os mesmos, pelo menos até meus meninos nascerem, e pelo o que estou vendo, será logo. Há alguns minutos comecei a sentir umas dores no pé da barriga. — Cale a boca e dirija, sua vaca! — Exclamou me dando u

  • RIDDICK   SETENTA E SEIS

    Riddick Que tal treinarmos após esse trabalho? — J perguntou-me, esperançoso. Admito que estou falhando com nossa amizade, no entanto, culpo os problemas que aquele maldito gerou em minha vida. — Prepare-se para colocar gelo em todo corpo, vou acabar com você, meu caro. — Não cante vitória antes da hora, posso lhe surpreender, meu caro. — Rebateu confiante. Isso se deve ao fato de ter meses sem treinar adequadamente, porém, o que ele esquece, é que nunca paro, sempre estou em constante movimento. — Veremos! — Sorriu enigmático. Meus pensamentos se voltaram para minha rosa. Ela já está com quase nove meses, segundo a médica dela, a qualquer momento nossos filhos podem nascer, já que são gêmeos e é difícil a gestação chegar até o final. Confesso que estou ansioso, contando os minutos. Deveria estar ao seu lado, todavia, a necessidade falou mais alto. Estamos nos preparando para invadir uma casa. Dentro da residência tem uma mulher com trinta e poucos anos, mentalmente instável, cha

  • RIDDICK   SETENTA E CINCO

    Riddick Paramos em frente ao grande muro que guarda a propriedade. Com o arpéu em mãos, miramos para o alto. O gancho fixou fortemente na parede. Encontramos dois guardas fazendo a vigília daquele lado, com o silenciador na ponta da minha pistola, os derrubei em menos de dois segundos. Mais três homens guardavam a entrada da casa. Atiramos derrubando todos, porém, outro guarda nos viu e começou a atirar chamando a atenção dos demais na casa. Provavelmente Moryart já sabe que estamos aqui. Eles podem estar em maior número, todavia, somos melhores, sem nenhuma modéstia. — Moryart está no quarto, fortemente armado. — Jejei nos avisou. Ele ficou no avião guardando nossas costas. Assim como ele disse, o miserável está muito bem armado com uma metralhadora. Assim que nos viu, começou a atirar sem nenhuma mira. Uma das balas passou de raspão no braço de Joan. Pedi que Vitor a tirasse dali. — Eu vou matá-lo! — Ele bradou sem parar de atirar. Não fiz questão de respondê-lo. Fiz um sinal

  • RIDDICK   SETENTA E QUATRO

    Riddick — Riddick, eu vou a essa missão e, não se fala mais nisso! — Bradou pela quarta vez. Abla quer me matar, só pode. Que mulher teimosa! Com apenas um olhar, todos entenderam o que queria dizer. Quero todos fora para conversar com ela a sós. Eles saíram em fila indiana, claro que antes me pediram calma com minha rosa. Não sou maluco, sei que tenho que cuidar dela, afinal, é a mulher que amo. Pelo fato de ter saído da festa, precisei colocar meus óculos especiais. Assim que saíram, diminui a iluminação e me sentei em minha cadeira. Ouvi um impropério saindo dos lábios dela. Sorri internamente. Sei o quanto me ver sem os óculos a afeta. — Venha aqui! — Ordenei duro. — Não! — Respondeu com as mãos na cadeira. Esse movimento evidenciou ainda mais sua barriga saliente. Ela não quer dar o braço a torcer, mas sei o quanto gosta da minha dominância. Carreguei minha voz para sair mais grave, e lhe chamei novamente. — Venha aqui! — Cacete! — Proferiu, me obedecendo. Parou em minh

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