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SETE

Autor: Liliane Mira
last update Data de publicação: 2022-09-04 02:32:02

Riddick

Fui para a minha sala ainda mais puto do que eu estava. Se isso é possível, porra.

— Cara o que foi aquilo tudo? — Nunca o vi tão chateado comigo. Por que tratou a moça daquele jeito? — Fiquei o encarando, calado. Na verdade, não sei o que dizer, nem sei por que a tratei daquele jeito. — Estou esperando! — JJ falou, contrariado.

— Não tenho nada a dizer. E outra coisa, a funcionária é minha, acho bom não se meter. — Avisei voltando ao normal.

— Claro que tem muito a dizer. Diga o porquê daquela raiva que vi em seus olhos quando olhou para ela. — Foi até a janela para espiar. —   Claro que vou me meter. Antes você nem se importava quando me via conversando com suas funcionárias.

— Não sei dizer. — Dei de ombros, ansioso. — Eu não sei cara. Tem algo estranho nessa mulher. — Em vez de ficar sério, JJ sentou de frente para mim e começou a rir. 

Imbecil!

— Qual é a graça, porra? — Questionei batendo na mesa. Mesmo assim não o intimidei. Depois que acabou com sua crise de riso, JJ ficou sério novamente.

— O termo negra gostosa, lhe diz alguma coisa?  — Inquiriu zombeteando. Eu olhei para ele com a minha pior carranca. 

Ele não vai dá em cima dela. Não mesmo!

— Tire o olho dela JJ! — Mandei autoritário.

— Uau! Você está fazendo isso de novo. — Interpelou debochado. Eu fiquei sem entender nada.

— Fazendo o que de novo, seu imbecil? Seja específico. — Passei a mão em minha cabeça, em sinal de nervosismo. — Pare de falar comigo em códigos. Ele bufou antes de tomar a palavra.

— Lembra quando fomos ao Brasil fazer aquele trabalho?

— Por que está falando sobre isso agora? — Perguntei zangado. Eu faço de tudo para esquecer aquela viagem de merda.

— Vem cá, seu idiota! — JJ pediu se levantando, e indo até a janela. Eu o seguir a contragosto e esperei ele falar. — Você não está reconhecendo a mulher? — Falou apontando na direção de Abla.

— Como assim? — Estou ficando louco ou realmente com o raciocínio lento.

— Deus do céu, que homem lerdo. — Jogou as mãos para cima em um sinal claro de impaciência. — A sua assistente é a mesma negra gostosa que você se interessou naquele dia que chegamos ao Brasil. — Fiquei assustado na hora, voltei a olhar pela janela, e me forcei a encará-la. Voltei minhas lembranças para aquele dia e constatei o óbvio. É ela mesma. 

Mas como eu não a reconheci?

— Porra, é ela! — Declarei o óbvio.

— Como não percebeu isso? — JJ perguntou sério.

— Não sei. — Respondi com sinceridade. — Na verdade, eu faço de tudo para esquecer o que aconteceu naquele país.

— Ela está ainda, mas linda! — Meu amigo idiota soltou do nada.

— Eu lhe disse para você tirar o olho dela. — Alertei azedo

— Cara, eu não sou cego. Você vai investir nela? — Bateu palmas, eufórico. — Afinal, vocês têm um lance não resolvido. Se não investir, avise, porque eu estou aqui. 

Parei para pensar. Lembro que eu fiquei muito interessado nela, e agora que eu sei que é ela, algo reacendeu em mim.

— Não sei dizer. — Disse contendo o sorriso que ameaçou aparecer em meus lábios.

— Posso investir? — JJ perguntou passando a língua no lábio inferior.

— Não! — Apontei o dedo para ele. — Acho bom você não tocar nela ou quebrarei todos os dedos da sua mão.

— Porra, para quê tanta violência? — Interpelou levantando suas mãos em rendição.

— Você está avisado. Agora vamos falar sobre o que realmente interessa. — Pedi fechando a cara.

— Ainda não descobri nada. Esse cara é um fantasma, pelo menos se soubéssemos o seu nome verdadeiro.

— Só que não sabemos! — Declarei a contragosto.

— Precisa ter paciência, é a única forma.

— Já se passaram quatro longos anos, droga. — A raiva me domina de tal forma.

— Eu sei, eu sei… — Confirmou chateado.

— Só consiga as informações que precisamos. — Suspirei. — Ele não vai nos vencer.

— Darei o meu melhor. — Estendeu a mão em um comprimento. — Preciso ir agora, tenho que encontrar um informante.

— Certo! — Confirmei com o polegar.

— E você... — Apontou o dedo para mim. — Espero que pare de maltratar sua assistente. Ela realmente me parece uma boa moça. — Ele disse antes de sair, deixando-me prezo em meus pensamentos.

Porra! Não acredito que é ela. Que mundo pequeno. 

Olhei no relógio e vi que já havia dado o meu horário. Arrumei tudo para sair. Quando cheguei à mesa de Abla, ela estava muito entretida nos papéis que lhe dei mais cedo. Admito que foram muitos papéis, e que ela não terminaria hoje.

— Largue isso! Pode ir embora, amanhã você termina. — Ela me olhou com preocupação, mas disfarçou. 

Está mais gostosa mesmo. Hum, apesar de que não a vi em pé naquele dia. Céus ela é divina!

— Já terminei, só estava organizando em quesitos. — Informou arrumando as folhas em uma pasta preta. 

Como assim, já terminou?

Ela está mentindo ou é mais eficiente do que eu imaginei.

— Quais? — Questionei com a sobrancelha arqueada.

— A pasta amarela é dos menos urgentes. A verde dos que é urgente, mas podem esperar. E a preta, dos casos mais urgentes, e que não podem adiar.

— Como sabe que se encaixa nesses requisitos? — Não escondi minha surpresa.

— Eu apenas sei. — Deu de ombros. — E o senhor também saberá quando for procurar o que precisa. — Proferiu com os olhos cravados em mim. 

Arrogância!

O interessante é que tenta esconder sua personalidade forte, mas falha miseravelmente.

— Já pode ir para casa! — Tornei a repetir.

— Onde deixo essas pastas?

— Na minha sala. Até amanhã senhorita Dinis! — Eu falei saindo, quando entrei no elevador, ainda pude ver sua cara de surpresa. Nem sei o porquê. Quer dizer, até desconfio o que seja. Provavelmente foi porque não fiz grosserias com ela. 

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Último capítulo

  • RIDDICK   EPÍLOGO

    Abla Dinis — Delegado! — Saudei sorrindo. Ele segurou minha mão e beijou de uma forma cavalheira. — É sempre uma honra revê-la, minha cara. — Já chega de tanto contato. — John disse assustando o pobre homem. Dei um empurrão nele de leve. — Pare de ser um mal educado. — Ele me respondeu com um muxoxo e pediu para o delegado explicar o caso. — É pessoal, estamos lidando com fetichismo sexual e tricofilia! — Joan enunciou, anotando em um quadro disponível para o nosso trabalho após a explicação do delegado. — O que é tricofilia? — Um dos policiais perguntou, anotando algo em seu caderno. Eu respondi. – É um parcialismo no qual uma pessoa vê o cabelo como algo particularmente erótico, sexual e excitante. — Disse analisando a fotos da cena de crime. — Nesse caso, o individuo não tem preferência de gênero, porém, escolhe quem machucar mais. Estão vendo? Ele arrancou todo o cabelo das três mulheres, mas do homem, preferiu apenas raspar. Essa questão me intriga. — E o fetichismo, onde

  • RIDDICK   SETENTA E OITO

    Nove anos depois... Abla Dinis — Se não quiser ir, entenderei minha rosa! — John falou, calmo. O olhei irritada. Ele está me dispensando, ou é coisa da minha cabeça? Como se lesse meus pensamentos, me puxou para ele. — Não estou lhe dispensando, minha amada, sei o quanto é difícil deixar nossos filhos quando o trabalho é longo e longe. Eu quero muito que vá, mas se escolher ficar, entenderei. Merda! Ele sabe como me desarmar viu. Nove anos se passaram desde que tudo aconteceu e nada mudou. O amor que sinto por ele cresce a cada dia. E uma das provas do nosso amor, são nossos filhos. Amir e Akin que hoje estão com nove anos, crescem tão rápido, até demais para o meu gosto. Possuem a mesma pigmentação do pai, mas a cor dos cabelos e os olhos são parecidos com o meu. Não é porque sou a mãe, mas eles são lindos demais. Imagino a fila de meninas querendo me chamar de sogra. Colocarei muitas para correr, estou até vendo. As meninas, Nia e Niara, já estão com quatorze anos. Educadas, e

  • RIDDICK   SETENTA E SETE

    Abla Dinis — Para onde está me levando? — Indaguei a Gena, preocupada. Analisei a mulher e a mesma me parece fora de si. Sabia que algo estava errado em meu dia, assim que me levantei da cama. Mesmo com essa sensação, meu dia transcorreu normalmente, até receber uma ligação de uma nova cliente que me pediu para encontrá-la em um restaurante em frente a empresa. Não achei que algo aconteceria. Dei tchau a Bel e chamei o elevador, me distraí por alguns segundos olhando o celular, quando me acomodei dentro da caixa de metal, senti uma presença ao meu lado. Quando vi de quem se tratava, tentei reagir, contudo, foi tarde, ela já tinha uma arma apontada para minha barriga. — Perguntei para onde está me levando, m*****a? — Inquiri nervosa. Eu precisava reagir, mas meus reflexos não são os mesmos, pelo menos até meus meninos nascerem, e pelo o que estou vendo, será logo. Há alguns minutos comecei a sentir umas dores no pé da barriga. — Cale a boca e dirija, sua vaca! — Exclamou me dando u

  • RIDDICK   SETENTA E SEIS

    Riddick Que tal treinarmos após esse trabalho? — J perguntou-me, esperançoso. Admito que estou falhando com nossa amizade, no entanto, culpo os problemas que aquele maldito gerou em minha vida. — Prepare-se para colocar gelo em todo corpo, vou acabar com você, meu caro. — Não cante vitória antes da hora, posso lhe surpreender, meu caro. — Rebateu confiante. Isso se deve ao fato de ter meses sem treinar adequadamente, porém, o que ele esquece, é que nunca paro, sempre estou em constante movimento. — Veremos! — Sorriu enigmático. Meus pensamentos se voltaram para minha rosa. Ela já está com quase nove meses, segundo a médica dela, a qualquer momento nossos filhos podem nascer, já que são gêmeos e é difícil a gestação chegar até o final. Confesso que estou ansioso, contando os minutos. Deveria estar ao seu lado, todavia, a necessidade falou mais alto. Estamos nos preparando para invadir uma casa. Dentro da residência tem uma mulher com trinta e poucos anos, mentalmente instável, cha

  • RIDDICK   SETENTA E CINCO

    Riddick Paramos em frente ao grande muro que guarda a propriedade. Com o arpéu em mãos, miramos para o alto. O gancho fixou fortemente na parede. Encontramos dois guardas fazendo a vigília daquele lado, com o silenciador na ponta da minha pistola, os derrubei em menos de dois segundos. Mais três homens guardavam a entrada da casa. Atiramos derrubando todos, porém, outro guarda nos viu e começou a atirar chamando a atenção dos demais na casa. Provavelmente Moryart já sabe que estamos aqui. Eles podem estar em maior número, todavia, somos melhores, sem nenhuma modéstia. — Moryart está no quarto, fortemente armado. — Jejei nos avisou. Ele ficou no avião guardando nossas costas. Assim como ele disse, o miserável está muito bem armado com uma metralhadora. Assim que nos viu, começou a atirar sem nenhuma mira. Uma das balas passou de raspão no braço de Joan. Pedi que Vitor a tirasse dali. — Eu vou matá-lo! — Ele bradou sem parar de atirar. Não fiz questão de respondê-lo. Fiz um sinal

  • RIDDICK   SETENTA E QUATRO

    Riddick — Riddick, eu vou a essa missão e, não se fala mais nisso! — Bradou pela quarta vez. Abla quer me matar, só pode. Que mulher teimosa! Com apenas um olhar, todos entenderam o que queria dizer. Quero todos fora para conversar com ela a sós. Eles saíram em fila indiana, claro que antes me pediram calma com minha rosa. Não sou maluco, sei que tenho que cuidar dela, afinal, é a mulher que amo. Pelo fato de ter saído da festa, precisei colocar meus óculos especiais. Assim que saíram, diminui a iluminação e me sentei em minha cadeira. Ouvi um impropério saindo dos lábios dela. Sorri internamente. Sei o quanto me ver sem os óculos a afeta. — Venha aqui! — Ordenei duro. — Não! — Respondeu com as mãos na cadeira. Esse movimento evidenciou ainda mais sua barriga saliente. Ela não quer dar o braço a torcer, mas sei o quanto gosta da minha dominância. Carreguei minha voz para sair mais grave, e lhe chamei novamente. — Venha aqui! — Cacete! — Proferiu, me obedecendo. Parou em minh

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