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Capítulo 49 - Primeiro pedido de perdão verdadeiro

Autor: Rosana Lyra
last update Fecha de publicación: 2026-03-17 19:33:06

Alya gostava daquele silêncio da casa depois que os meninos apagavam. Não era completo, a geladeira fazia um barulhinho, a rua ainda tinha um carro ou outro passando, alguma televisão distante ligada, mas, pra ela, era o mais perto de paz que tinha.

Estava na cozinha, de chinelos, a camiseta larga manchada de molho, as mãos dentro da água morna, esfregando o último prato do dia. A espuma cobria metade da pia. A mente, pela primeira vez em horas, não estava correndo atrás de prazos, boletos ou c
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    Quando Paolo entrou na mansão com Matheo ao lado, o ar pareceu prender dentro das paredes. Os funcionários pararam discretamente onde estavam, alguns fingindo arrumar coisas, outros congelando com uma bandeja na mão. Ninguém ousou falar alto. Era como se a casa inteira esperasse o desfecho de um filme que todo mundo tinha começado a ver junto.Alya já estava na porta antes mesmo deles cruzarem o hall. O vestido solto, confortável, balançava com a pressa. O rosto molhado de lágrimas que ela tentou esconder dos outros, mas não dele. Quando viu a silhueta pequena ao lado de Paolo, o corpo dela se moveu sozinho.— Matheo! — gritou, a voz saindo mais alta do que pretendia.O menino correu também. Se jogou nos braços da mãe com tanta força que quase a desequilibrou. Ela o abraçou como se quisesse colar o corpo dele no peito, como se, assim, garantisse que ninguém nunca mais o arrancaria dali.— Meu filho, meu filho… — repetia, entre soluços, passando as mãos pelo cabelo dele, pelo rosto, p

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    A notícia de que era Felicity quem estava por trás do sequestro caiu em Alya como uma faca virando dentro do peito.Depois que desligou a chamada com Paolo, ela ficou alguns segundos parada no meio da sala, o celular ainda na mão, o coração disparado. Não era só medo. Algo mais bruto tinha acordado.Começou a andar pela mansão como se fosse um animal enjaulado, medindo cada passo, as mãos fechadas em punho.— Se essa mulher encostar um dedo no Matheo… — falou, com a voz baixa, mortal — eu mesma mato ela. Com a minha mão. Não quero saber de código, não quero saber de conselho. Eu arrebento ela.Os funcionários desviavam o olhar, sentindo o clima, mas sem ousar se meter. Gael e Ravi estavam em um dos quartos, sob a guarda de um segurança de confiança, tentando brincar sem conseguir se desligar.Paolo voltou à mansão por algumas horas só pra vê-los. Quando entrou, o ombro ainda doía, mas ele quase esqueceu disso ao ver Alya andando de um lado pro outro na sala, como se não coubesse dentr

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    O sequestro de Matheo virou o centro do mundo de Paolo em segundos. Ele mal deixou o curativo do ombro ser trocado. A gaze ainda estava úmida de sangue quando ele já descia as escadas da mansão como se não tivesse levado tiro nenhum. O corpo doía, mas a cabeça só repetia uma coisa… levaram meu filho. Alya veio atrás, ofegante.— Eu vou com você. — disse, decidida — Não vou ficar aqui parada enquanto…Paolo se virou, segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando ela a olhar apenas pra ele.— Fica com o Gael e o Ravi. — pediu, firme — Eles precisam de você inteira. Eu volto com o nosso filho.Os olhos dela cortaram a pele dele mais do que qualquer bala.— Se você não voltar com ele… — começou, a voz quebrando.Ele aproximou a testa da dela por um segundo.— Eu volto. — repetiu — Nem que seja arrastado.Ela assentiu, mas o peito queimava.— Vai. — sussurrou — Traz ele pra casa.Na sala do conselho, ninguém estava preparado para a tempestade que entrou. Paolo abriu as portas com um em

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    A mansão parecia maior quando o coração dela apertava. Desde que Paolo saiu, Alya andava de um lado pro outro, contando mentalmente os minutos, as horas, qualquer coisa que ajudasse a manter a cabeça ocupada. Sabia apenas que ele tinha ido resolver um problema “sério demais” fora da cidade. Não perguntou detalhes. Não precisava.Na frente dos meninos, fingia normalidade. Preparou café da manhã, discutiu sobre quem ia tomar banho primeiro, fingiu rir das piadas de Ravi, ouviu Gael falar sobre um desenho novo e Matheo perguntar por que o pai tinha que sair tanto. Em cada resposta, uma parte dela quebrava e outra colava por cima.Quando finalmente ouviu o barulho do carro entrando pelo portão, sentiu o coração disparar. Não correu de imediato. Esperou ouvir a porta da frente abrir.Quando Paolo entrou no hall, o mundo dela estreitou. Ela viu o sangue na camisa antes de qualquer outra coisa.— Paolo! — gritou, correndo na direção dele.Ele estava pálido, o ombro caído de leve, a respiraç

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    A notícia do desfalque chegou como chegam as coisas sérias, sem rodeio. Paolo estava no escritório da mansão quando um dos homens de confiança entrou, pálido, com uma pasta na mão e o celular no bolso vibrando sem parar. Bastou ele posar a pasta na mesa para o clima mudar.— Fala. — Paolo pediu, sério.— Tem um buraco grande demais nos números da filial da cidade vizinha. — o homem explicou — Não é erro de contabilidade, é mão de gente. Roubo.Paolo folheou rapidamente alguns papéis, o olhar ficando mais escuro a cada página. Não era só dinheiro. Era afronta. Quem tinha coragem de mexer em algo dele assim, na cara dura, não estava interessado apenas em lucro. Estava testando limites.Algumas horas depois, a sala do conselho estava cheia. Os mais velhos sentados, como sempre. Paolo de pé, como sempre que o assunto pedia posição clara. O clima era pesado, carregado de expectativa e tensão.— Eu vou sair da cidade. — ele anunciou, a voz firme — Vou resolver o desfalque pessoalmente. E, e

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    A mansão estava num daqueles dias em que tudo parecia calmo demais. Os meninos tinham saído com um dos seguranças para brincar no jardim dos fundos, Paolo estava trancado no escritório resolvendo assuntos da máfia, e Alya aproveitava a rara quietude da sala principal pra organizar os livros dos trigêmeos numa estante.Estava de vestido que moldava o corpo na medida certa, confortável, mas atraente, e o cabelo preso numa trança única que caía sobre um dos ombros. Parecia uma cena doméstica qualquer, se não fosse o peso do sobrenome que agora carregava. Ela separava os livros em pilhas.— Histórias, escola, bagunça. — sussurrava, encaixando um por um — Vocês três deviam aprender a guardar isso aqui sozinhos.Foi quando ouviu o som do salto ecoando no piso. Não era o som de qualquer salto. Era aquele som, firme, decidido, acostumado a ser notado. A cada passo, o eco atravessava o hall e subia pelas paredes.Os funcionários se entreolharam antes mesmo de ela aparecer. Alguns seguranças, p

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