INICIAR SESIÓN
A chegada à matilha foi marcada pelo ar fresco, o cheiro de terra molhada e, acima de tudo, pelos olhares hostis e sussurros de desdém que nos cercaram assim que pisamos ali, sentindo o cheiro fraco da minha loba.
Minha avó foi a única que nos recebeu com um olhar preocupado, mas acolhedor.
— Eu já avisei ao Alfa — ela disse. — Ele quer vê-las agora para o vínculo da matilha.
Meu estômago revirou, mas minha mãe parecia tranquila.
Seguimos para a casa do Alfa, onde encontramos o Alfa Edgar e seu filho, Lucius. Assim que entrei, senti os olhos de Lucius sobre mim.
Ele me olhava com desprezo me fazendo encolher.
O Alfa olhou para minha mãe.
— Julia, por que voltou sem seu companheiro e com um filhote?
Minha mãe respirou fundo.
— Meu companheiro é humano. Eu tentei viver com ele, mas ele não sentia o vínculo... E nos machucava... Eu me curava rápido, mas Camila não, era ela quem sentia mais dor.
O Alfa me olhou.
— Você já se transformou?
Baixei o olhar e neguei com a cabeça..
— Mas você tem uma loba?
Assenti.
— Ela surgiu quando eu tinha dez anos. Nós conversamos, mas nunca consegui me transformar.
Ele suspirou.
— Pelo menos isso. Mas seu lado humano a torna fraca. Tenha cuidado.
Assenti, sentindo o olhar de Lucius queimando sobre mim.
— Não é bom ter alguém tão fraco na matilha, pai. — ele murmurou.
— Julia nasceu aqui e será bem-vinda com a sua cria — Edgar o repreendeu.
O Alfa cortou a própria mão com uma adaga e entregou à minha mãe, que fez o mesmo e segurou minha mão.
— Vai doer só um pouquinho — ela sussurrou.
Fechei os olhos, sentindo a dor quando ela fez um pequeno corte na minha palma.
Edgar se aproximou e fez o juramento de vínculo.
Minha mãe e eu juramos respeitar e obedecer o Alfa e acolher a matilha.
Ele pressionou sua mão ensanguentada contra a minha e depois contra a da minha mãe.
— Agora vocês fazem parte da matilha novamente — ele declarou. — Estão liberadas.
Os anos passaram, mas a sensação de não pertencer nunca foi embora.
Desde que chegamos à matilha Lua Nova, eu fui vista como um erro… era fraca demais, humana demais.
A matilha era conhecida por seus guerreiros, por lobos ferozes e poderosos, e eu... bem, eu não me encaixava ali.
Na escola, não era diferente. Sofria bullying constantemente, principalmente de Lucius, que fazia questão de me menosprezar sempre que podia.
Ele era o futuro Alfa, e eu só podia abaixar a cabeça e aceitar.
Hoje era o dia do baile de companheiros e o encerramento das aulas.
Muitos ali já tinham completado dezoito anos e estavam ansiosos para encontrar suas metades.
Mas eu? Eu não sentia empolgação nenhuma.
Ainda não conseguia me transformar, e isso era o que mais me incomodava.
Minha loba sempre dizia que havia algo me impedindo, uma barreira invisível, mas nem ela nem o ancião souberam explicar o que era.
Minha mãe, teimosa como sempre, encomendou um vestido para mim, mesmo com meus protestos.
Então, lá estava eu, saindo da costureira com a sacola do vestido em mãos, quando o grupo de Lucius apareceu.
Ele vinha à frente, com aquele olhar de superioridade.
— E aonde você acha que vai? — Ele arqueou a sobrancelha com um sorriso debochado nos lábios.
Antes que eu pudesse responder, Safira, a filha do beta, tomou a sacola das minhas mãos e sorriu maldosamente.
— Você realmente acha que, sendo tão fraca, vai encontrar um companheiro?
Meu peito apertou, mas me mantive firme.
— Me devolve, Safira.
Ela riu e, sem aviso, me empurrou com força.
Perdi o equilíbrio e caí no chão, sentindo a dor nas mãos ao tentar me apoiar.
Lucius pegou o vestido das mãos de Safira e o ergueu no ar.
— Nem com um vestido bonito desse você ficaria apresentável.
E, como se não fosse o suficiente, ele rasgou o tecido na minha frente, jogou-o na lama e pisou em cima com sua bota suja.
Os outros riam, mas eu mal conseguia ouvir.
Tudo dentro de mim tremia de raiva e humilhação.
Lucius se abaixou, agarrando meu rosto com força.
— É bom ficar em casa hoje à noite. Nenhum lobo daqui vai querer alguém como você.
Ele me empurrou, e o grupo seguiu rindo.
Abracei o vestido rasgado e sujo de lama, segurando as lágrimas enquanto a primeira gota de chuva caía no meu rosto.
Eu já havia vivido um inferno com meu pai. Agora, vivia outro na matilha.
Enquanto isso, minha mãe definhava mais a cada dia, consumida pela saudade do companheiro. Quando cheguei em casa, ela me viu naquele estado e, com os olhos fundos e cheios de súplica, me pediu algo que eu realmente não queria.
— Se você for ao baile, pelo menos por meia hora, eu prometo que vou comer direito por uma semana. Tudo o que você trouxer para mim.
Eu sabia que talvez ela não cumprisse, mas aquilo foi um raio de esperança.
Com muito custo, limpei, costurei os rasgos do vestido e me preparei. Eu não queria ir, mas se isso significava dar à minha mãe um pouco de esperança, mesmo que por trinta minutos, eu iria.
O salão de festas estava iluminado e repleto de lobos animados. Assim que atravessei a porta, senti o peso dos olhares e dos cochichos venenosos.
Mantive a cabeça baixa perto de uma coluna o tempo todo, implorando para que o tempo passasse logo.
Me surpreendi por ninguém ter vindo me perturbar, mas quando meu celular vibrou no bolso com o alarme de que os trinta minutos haviam se passado, soltei um suspiro de alívio e dei meia volta para sair.
Mas, de repente, uma mão forte agarrou meu braço e me puxou para um canto escuro da floresta.
Era Eros.
O cheiro de álcool e maldade impregnava o ar.
— Onde pensa que vai, fraquinha? Só quero brincar um pouco...
O pânico me dominou.
Eu me debati, mas ele me jogou contra uma árvore, fazendo minha cabeça bater com força.
Antes que eu pudesse raciocinar, senti suas mãos puxando o tecido do meu vestido.
— NÃO! — meu grito ecoou.
Tentei me levantar, mas a dor me fez fraquejar sem força nenhuma.Meu corpo tremia, e eu sabia que não tinha forças para lutar contra ela.Thayla era uma lycana legítima, filha de um membro do conselho, e eu? Eu mal conseguia me transformar.Se revidasse, ela me esmagaria.E foi por isso que não respondi, porque não valia a pena.Mas isso só a irritou ainda mais e num movimento rápido, sua mão envolveu meu pescoço, e antes que eu pudesse reagir, fui arremessada para o outro lado do quarto.Meu corpo atingiu a parede com um baque seco, e desabei no chão.
A batida na porta me tirou dos meus pensamentos, e eu rapidamente olhei para a entrada.A porta se abriu lentamente e Susy apareceu carregando uma bandeja de comida.Ela estava completamente em choque, caminhando de forma tão mecânica que parecia mais uma marionete do que uma pessoa.Seus olhos estavam baixos, e sua expressão era difícil de ler, mas algo estava claramente errado.Ela colocou a bandeja ao lado da cama com uma delicadeza quase automática, sem fazer um único som, e se virou para sair.Mas antes que pudesse ir, eu a chamei com minha voz baixa e hesitante.— Susy… — Minha garganta estav
(Camila)A dor no meu peito foi o primeiro sinal de que algo não estava certo. Eu tentei ignorá-la, mas ela se intensificou ainda mais e senti como se uma pressão invisível estivesse apertando minha alma. Me forcei a abrir os olhos, e só então percebi que estava em uma clareira. A luz suave do sol se filtrava pelas árvores, criando um ambiente que, à primeira vista, parecia pacífico. Mas algo me dizia que não era bem assim.Enquanto caminhava lentamente, ainda sentia uma dor pulsante em meu peito, só então os primeiros corpos começaram a surgir ao meu redor como uma cena de filme de terror. Havia vários espalhados por todos os lados, com raízes negras saindo de suas peles e alguns já apodrecidos. De repente, o som de um rugido poderoso cortou o ar fazendo o chão tremer sob meus pés. Eu me encolhi, sentindo uma onda de medo invadir meu corpo, quando de repente uma voz celestial chamou meu nome. Meus olhos se arregalaram, procurando de onde vinha aquele chamado. E então, quando
Meu Lycano rosnou, possessivo. Ela não morreria.Usando toda a minha velocidade, corri.Corri como nunca antes, rasgando o vento, cada fibra do meu corpo gritando para salvá-la.Ela era minha.E eu não a perderia.Eu estava furioso. Cada segundo que passava me deixava mais tenso, a angústia dentro de mim aumentando, como se um animal selvagem estivesse tentando rasgar meu peito de dentro para fora. Camila, aquela mestiça teimosa, estava morrendo por causa de sua própria estupidez. Sozinha na floresta, ferida e fraca... Eu ainda não podia acreditar que ela havia feito isso.Quando entrei na clínica, o cheiro de ervas e remédios misturava-se ao aroma metálico do sangue. Meu instinto animal me impulsionou a ser rápido, e imediatamente a coloquei sobre uma maca. O curandeiro, Oshis, já havia sido alertado mentalmente. Não demorou para que ele entrasse na sala, com seus olhos se fixando primeiro em Camila e depois em mim.Ainda em minha forma de Lycano, ronei baixo com uma ameaça aba
(Cedric)O salão principal do palácio estava um caos.Três alfas estavam à minha frente, exalando tensão e desespero. A peste negra estava se espalhando entre os lobos, e agora os líderes vinham exigir minha ajuda.O primeiro a falar foi Alfa Dante, sua voz carregada de angústia.— Majestade, metade do meu bando já morreu! — Ele se inclinou para frente, os olhos selvagens, desesperados. — Não conseguimos deter essa praga! Os corpos apodrecem rápido, tomados por raízes escuras... Isso não é natural! É magia negra!Passei a mão na têmpora, sentindo o início de uma dor de cabeça. Maldita peste.Os alfas começaram a discutir entre si.— Todos nós precisamos de ajuda! — rosnou Alfa Terius, cerrando os punhos. — Meu território já perdeu dezenas de guerreiros! Você acha que seu problema é pior que o meu, Dante?— Meu bando está prestes a ser extinto! — Dante retrucou, os olhos brilhando em fúria. — Restaram poucos homens e apenas duas mulheres. Se eu não protegê-los agora, não haverá ningué
Depois de um dia exaustivo, finalmente me joguei na cama. Meu corpo doía, meus músculos estavam tensos, e a fome roía meu estômago. O banho quente ajudou a aliviar parte do peso do dia, mas não era o suficiente. Eu ainda me sentia vazia.Fechei os olhos, tentando ignorar a sensação incômoda da fome, mas um barulho na porta me fez abrir os olhos. Susy entrou segurando uma sacola, com seus olhos brilhando com algo que eu não consegui identificar de imediato.Me sentei devagar, observando enquanto ela se aproximava e estendia a sacola para mim.— O que é isso? — perguntei, pegando-a com cuidado.Susy já tirava a roupa, preparando-se para dormir, quando respondeu…— Eu vi quando disseram para não deixarem comida para você. — Seu tom tinha um toque de irritação. — Então passei na cozinha agora e peguei umas frutas.Senti um nó se formar em minha garganta.— Eu sei que não é muito, mas amanhã dou um jeito de pegar mais coisas — continuou ela.Meus dedos apertaram a sacola e, quando olhe







