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Rejeitada pelo Alfa, Destinada ao Rei Lycan.
Rejeitada pelo Alfa, Destinada ao Rei Lycan.
Author: N.A.S.C

Capítulo 1

Author: N.A.S.C
last update Petsa ng paglalathala: 2026-08-02 05:35:48

A chegada à matilha foi marcada pelo ar fresco, o cheiro de terra molhada e, acima de tudo, pelos olhares hostis e sussurros de desdém que nos cercaram assim que pisamos ali, sentindo o cheiro fraco da minha loba. 

Minha avó foi a única que nos recebeu com um olhar preocupado, mas acolhedor. 

— Eu já avisei ao Alfa — ela disse. — Ele quer vê-las agora para o vínculo da matilha.

Meu estômago revirou, mas minha mãe parecia tranquila. 

Seguimos para a casa do Alfa, onde encontramos o Alfa Edgar e seu filho, Lucius. Assim que entrei, senti os olhos de Lucius sobre mim. 

Ele me olhava com desprezo me fazendo encolher.

O Alfa olhou para minha mãe. 

— Julia, por que voltou sem seu companheiro e com um filhote?

Minha mãe respirou fundo. 

— Meu companheiro é humano. Eu tentei viver com ele, mas ele não sentia o vínculo... E nos machucava... Eu me curava rápido, mas Camila não, era ela quem sentia mais dor.

O Alfa me olhou. 

— Você já se transformou?

Baixei o olhar e neguei com a cabeça.. 

— Mas você tem uma loba? 

Assenti. 

— Ela surgiu quando eu tinha dez anos. Nós conversamos, mas nunca consegui me transformar.

Ele suspirou. 

— Pelo menos isso. Mas seu lado humano a torna fraca. Tenha cuidado.

Assenti, sentindo o olhar de Lucius queimando sobre mim. 

— Não é bom ter alguém tão fraco na matilha, pai. — ele murmurou.

— Julia nasceu aqui e será bem-vinda com a sua cria — Edgar o repreendeu.

O Alfa cortou a própria mão com uma adaga e entregou à minha mãe, que fez o mesmo e segurou minha mão.

— Vai doer só um pouquinho — ela sussurrou.

Fechei os olhos, sentindo a dor quando ela fez um pequeno corte na minha palma. 

Edgar se aproximou e fez o juramento de vínculo. 

Minha mãe e eu juramos respeitar e obedecer o Alfa e acolher a matilha. 

Ele pressionou sua mão ensanguentada contra a minha e depois contra a da minha mãe. 

— Agora vocês fazem parte da matilha novamente — ele declarou. — Estão liberadas.

Os anos passaram, mas a sensação de não pertencer nunca foi embora. 

Desde que chegamos à matilha Lua Nova, eu fui vista como um erro… era fraca demais, humana demais.

A matilha era conhecida por seus guerreiros, por lobos ferozes e poderosos, e eu... bem, eu não me encaixava ali.

Na escola, não era diferente. Sofria bullying constantemente, principalmente de Lucius, que fazia questão de me menosprezar sempre que podia.

 Ele era o futuro Alfa, e eu só podia abaixar a cabeça e aceitar.

Hoje era o dia do baile de companheiros e o encerramento das aulas. 

Muitos ali já tinham completado dezoito anos e estavam ansiosos para encontrar suas metades. 

Mas eu? Eu não sentia empolgação nenhuma. 

Ainda não conseguia me transformar, e isso era o que mais me incomodava. 

Minha loba sempre dizia que havia algo me impedindo, uma barreira invisível, mas nem ela nem o ancião souberam explicar o que era.

Minha mãe, teimosa como sempre, encomendou um vestido para mim, mesmo com meus protestos. 

Então, lá estava eu, saindo da costureira com a sacola do vestido em mãos, quando o grupo de Lucius apareceu. 

Ele vinha à frente, com aquele olhar de superioridade. 

— E aonde você acha que vai? — Ele arqueou a sobrancelha com um sorriso debochado nos lábios.

Antes que eu pudesse responder, Safira, a filha do beta, tomou a sacola das minhas mãos e  sorriu maldosamente. 

— Você realmente acha que, sendo tão fraca, vai encontrar um companheiro?

Meu peito apertou, mas me mantive firme. 

— Me devolve, Safira.

Ela riu e, sem aviso, me empurrou com força. 

Perdi o equilíbrio e caí no chão, sentindo a dor nas mãos ao tentar me apoiar. 

Lucius pegou o vestido das mãos de Safira e o ergueu no ar. 

— Nem com um vestido bonito desse você ficaria apresentável.

E, como se não fosse o suficiente, ele rasgou o tecido na minha frente, jogou-o na lama e pisou em cima com sua bota suja. 

Os outros riam, mas eu mal conseguia ouvir. 

Tudo dentro de mim tremia de raiva e humilhação.

Lucius se abaixou, agarrando meu rosto com força. 

— É bom ficar em casa hoje à noite. Nenhum lobo daqui vai querer alguém como você.

Ele me empurrou, e o grupo seguiu rindo. 

Abracei o vestido rasgado e sujo de lama, segurando as lágrimas enquanto a primeira gota de chuva caía no meu rosto. 

Eu já havia vivido um inferno com meu pai. Agora, vivia outro na matilha.

Enquanto isso, minha mãe definhava mais a cada dia, consumida pela saudade do companheiro. Quando cheguei em casa, ela me viu naquele estado e, com os olhos fundos e cheios de súplica, me pediu algo que eu realmente não queria.

 — Se você for ao baile, pelo menos por meia hora, eu prometo que vou comer direito por uma semana. Tudo o que você trouxer para mim.

Eu sabia que talvez ela não cumprisse, mas aquilo foi um raio de esperança. 

Com muito custo, limpei, costurei os rasgos do vestido e me preparei. Eu não queria ir, mas se isso significava dar à minha mãe um pouco de esperança, mesmo que por trinta minutos, eu iria.

O salão de festas estava iluminado e repleto de lobos animados. Assim que atravessei a porta, senti o peso dos olhares e dos cochichos venenosos. 

Mantive a cabeça baixa perto de uma coluna o tempo todo, implorando para que o tempo passasse logo. 

Me surpreendi por ninguém ter vindo me perturbar, mas quando meu celular vibrou no bolso com o alarme de que os trinta minutos haviam se passado, soltei um suspiro de alívio e dei meia volta para sair. 

Mas, de repente, uma mão forte agarrou meu braço e me puxou para um canto escuro da floresta. 

Era Eros. 

O cheiro de álcool e maldade impregnava o ar. 

— Onde pensa que vai, fraquinha? Só quero brincar um pouco...

O pânico me dominou. 

Eu me debati, mas ele me jogou contra uma árvore, fazendo minha cabeça bater com força. 

Antes que eu pudesse raciocinar, senti suas mãos puxando o tecido do meu vestido. 

— NÃO! — meu grito ecoou.

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