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Capítulo 2

Autor: N.A.S.C
last update Fecha de publicación: 2026-08-02 05:36:11

Ele se aproximou, forçando um beijo e no desespero, mordi seu lábio com força até sentir o gosto de sangue. 

Eros gritou e me soltou por um segundo. 

Tentei correr, mas ele se jogou em cima de mim, me derrubando brutalmente na lama.  

O impacto me deixou atordoada, buscando por ar e em segundos, Eros estava sobre mim, desferindo socos e chutes impiedosos. 

Minha visão começou a escurecer, o gosto de sangue inundou minha boca e o meu corpo implorou para desistir.

Foi então, bem quando eu achava que aquele era o meu fim, que um rugido feroz cortou a noite, estilhaçando o silêncio da floresta.

Um rugido feroz estilhaçou o silêncio da noite.

Eros arregalou os olhos, mas antes que pudesse reagir, um lobo marrom, gigantesco e tomado pela fúria, atingiu seu corpo como um trem em disparada, arremessando-o longe. 

O som de seus ossos batendo contra o chão lamacento ecoou na clareira.

Eu desabei na lama, sentindo o corpo inteiro latejando em uma dor insuportável.

Mas o pior não era físico.

Dentro de mim, uma agitação violenta tomou conta. 

Minha loba, adormecida e reprimida por anos, despertou com um estrondo. Ela se contorceu, arranhando minhas paredes mentais e gritando em desespero.

— Companheiro! É ele!

— Não... — murmurei, com os olhos arregalados de horror. — Não pode ser...

O lobo marrom deu alguns passos para trás. Seus ossos estalaram em uma sinfonia sobrenatural. 

O pelo espesso foi encolhendo, dando lugar à pele, aos músculos e, finalmente, à forma humana.

Lá estava ele.

Completamente nu, respirando com força, o peito arfando e os olhos dourados brilhando com uma fúria primitiva e animalesca.

Lucius.

O ar sumiu dos meus pulmões e o pavor absoluto congelou meu sangue.

Não era um sonho ruim. Era o meu pior pesadelo feito realidade.

Lucius me olhou e o que vi em seus olhos não foi surpresa, nem alívio. 

Foi uma repulsa tão profunda, um nojo tão visceral, que meu estômago despencou. 

Seu rosto se contorceu em uma careta de pura repulsa.

— Não... — ele rosnou, com a voz carregada de veneno. — Só pode ser uma piada de mau gosto.

De repente, ele girou o corpo com violência e desferiu um soco brutal contra o tronco de uma árvore grossa. 

A madeira estalou, estilhaçando-se sob o impacto de sua força de Alfa.

Eu me encolhi na lama, tremendo.

Eros levantou cambaleando, limpando o sangue do próprio lábio com as costas da mão. 

Ele piscou confuso.

— Caramba.. o que diabos foi isso, Lucius?

Então olhou para o amigo, depois para mim, encarou o relógio no pulso e tossiu, rindo de forma debochada. 

— Já passou da meia-noite. Quer dizer que... essa desgraçada é sua companheira, Lucius?

O silêncio que se seguiu pesou como chumbo.

O vínculo começou a puxar nossas almas com força. 

Uma corrente invisível, quente e sufocante, tentava me arrastar para os braços dele. 

Minha pele formigava e minha loba choramingava, faminta pela proximidade da sua outra metade, implorando para que eu me aproximasse e me entregasse.

“Vá até ele”, minha loba suplicava na minha mente, fraca e desesperada. “Ele é nosso…”

— Cale a boca! — eu sussurrei para mim mesma, fechando os olhos com força, lutando contra meu próprio corpo.

Lucius deu um passo à frente, olhando para mim como se eu fosse a criatura mais imunda e desprezível da face da terra. 

Seus lábios finos curvaram-se em um sorriso cínico e cruel.

— A Deusa da Lua perdeu o juízo — Lucius cuspiu as palavras, com a voz destilando puro ódio. — Escolher isso? Um lixo humano, fraco, que nem sequer consegue se transformar direito? Prefiro morrer a ter uma Luna como você.

As palavras dele caíram sobre mim como ácido corrosivo. O vínculo tentava me puxar, mas o nojo explícito em seu olhar feria mais do que qualquer lâmina. 

Antes que eu pudesse respirar, passos apressados ecoaram e Safira irrompeu entre as árvores, com o rosto corado de raiva.

— Lucius, por que você saiu correndo como um louco?

Mas, ao ver a cena, seus olhos pararam em mim e o ódio brilhou ainda mais.

— Lucius! O que significa isso?! — Safira guinchou, apontando para mim. — Por que você veio atrás dessa imprestável?

Lucius nem pestanejou.

Para provar o seu ponto, para me esmagar de vez e garantir que eu entendesse o meu lugar, ele puxou Safira rudemente para perto e colou seus lábios nos dela em um beijo feroz, encenado e cruel, bem na minha frente.

O choque estalou no meu peito.

O vínculo gemeu em protesto, rasgando meu coração ao meio. 

A dor foi tão física, tão lancinante, que um soluço estrangulado escapou da minha garganta.

— Olha só para ela, amor! — Safira se afastou dos lábios dele por um segundo, rindo com maldade, enquanto apontava para mim. — Ela está quase chorando. Acha mesmo que podia competir comigo?

Eros gargalhou, se aproximando e desferindo mais um chute violento na minha costela.

— Toma para deixar de ser atrevida, fraquinha! O nosso futuro alfa nunca irá aceitar você como luna — Eros zombou.

Eu caí de lado, cuspindo sangue na lama. 

A dor queimava, mas a raiva começou a ferver sob a minha pele, misturando-se às cinzas do meu orgulho destruído.

Lucius finalmente se afastou de Safira e endireitou a postura, assumindo a pose imponente do futuro Alfa, e olhou para mim de cima, com um desdém monumental.

— Chega dessa farsa — ele decretou, com a voz ecoando na floresta escura. — Eu, Lucius Almaris, futuro Alfa da Matilha Lua Nova, rejeito Camila Sages como minha companheira e minha Luna. O nosso vínculo morre aqui.

Uma explosão de dor estourou dentro da minha cabeça.

Era como se garras invisíveis estivessem arrancando pedaços da minha alma. 

Um grito animalesco, rasgado e ensurdecedor, escapou dos meus pulmões me fazendo rolar na lama, abraçando meu próprio corpo, sentindo minha loba desmaiar de exaustão e agonia dentro de mim. 

Parecia que iria morrer de tanta dor.

Safira abriu um sorriso triunfante, mas seus olhos ainda ardiam de maldade. Ela se abaixou, agarrando meu cabelo com força puxando minha cabeça para cima.

— Agora, sua inútil! Rejeite-o também! Mostre que você tem um pingo de dignidade!

Minha cabeça latejava. 

Eu mal conseguia enxergar através do meu próprio sangue e das lágrimas que teimavam em cair. 

Minha boca inteira tinha o gosto metálico e rançoso da derrota.

Mas, por baixo de toda aquela dor, a raiva explodiu.

Eles queriam me destruir. Queriam que eu implorasse, que eu rastejasse, que eu morresse ali, quebrada e humilhada. 

Mas eu não faria essa vontade a eles.

Juntei cada migalha de força que restava no meu corpo despedaçado. Engoli o sangue, forcei os meus olhos a se abrirem e encarei diretamente os olhos dourados de Lucius.

— Quer que eu o rejeite? — minha voz saiu rouca, trêmula, mas cortante como vidro quebrado. — Com todo o prazer.

Lucius franziu o cenho, com a surpresa cruzando seu rosto arrogante por um segundo.

Com a voz firme, erguendo o queixo apesar da lama e do sangue, eu pronunciei as palavras que cortariam o último fio daquela tortura.

— Eu, Camila Sages, rejeito Lucius Almaris como meu companheiro.

Assim que a última sílaba deixou meus lábios, o universo pareceu prender a respiração.

O impacto do contragolpe da rejeição mútua atingiu Lucius em cheio. 

O futuro Alfa deu dois passos para trás, cambaleando, e caiu pesadamente de joelhos na lama, com as mãos na cabeça, contorcendo-se com o choque brutal do vínculo rompido.

Contudo, por ser um Alfa, ele se recuperou mais rápido.

A dor ainda era visível em seu rosto, contorcendo seus traços em uma careta de pura frustração, mas ele conseguiu se levantar. 

Com passos pesados e ameaçadores, Lucius caminhou até mim.

Ele se abaixou, agarrou meu queixo com força brutal, cravando os dedos na minha pele, e me obrigou a encará-lo. 

Seus olhos dourados faiscavam de ódio e humilhação.

— Escuta aqui, garota — ele sibilou, com a voz baixa e letal bem perto do meu ouvido. — Não ouse contar essa merda pra ninguém. A minha única Lua é e sempre será a Safira. Se você abrir a boca sobre isso... eu juro que te mato.

Com um tranco violento, ele me empurrou, fazendo-me cair de costas na lama fria.

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