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Capítulo 6

Autor: N.A.S.C
last update Fecha de publicación: 2026-08-02 05:37:43

A luz mínima que entrava pela brecha da porta era suficiente para que eu visse seu rosto. 

Seu olhar estava carregado de raiva e algo mais que eu não soube identificar de imediato. 

Meu corpo instintivamente tentou se afastar, mas ele se manteve firme, bloqueando minha saída.

— O que você quer? — perguntei, com minha voz saindo mais firme do que eu esperava.

Lucius fechou os olhos por um segundo e inspirou profundamente, como se estivesse tentando controlar algo dentro dele. 

Então, soltou um rosnado baixo e se inclinou em minha direção. 

Meu coração bateu forte contra as costelas quando senti seu nariz perto do meu pescoço, inalando meu cheiro.

Meu corpo inteiro se retesou. 

Havia algo errado. 

Alguma coisa ainda nos ligava, mas não era um vínculo bom. Era como se uma ferida mal cicatrizada fosse cutucada outra vez.

— Para com isso! — tentei empurrá-lo, mas ele segurou meus ombros com força, o suficiente para que eu sentisse dor.

— Você está me machucando! — disse, tentando me soltar.

— Eu sei — ele murmurou, com a voz carregada de frustração. — E eu quero machucar você.

Meus olhos se arregalaram de espanto e revolta.

— O que diabos você quer de mim, Lucius?!

Ele fechou os olhos novamente, com o maxilar travado. Quando os abriu, seu olhar estava ainda mais sombrio.

— Eu estou furioso… porque, por algum motivo, eu não consigo parar de pensar no seu cheiro! — Ele cuspiu as palavras como se odiasse admitir aquilo. 

Como se fosse algo que o estivesse corroendo por dentro.

Minha confusão só aumentou. 

Mas antes que eu pudesse processar o que aquilo significava, ele avançou, tentando capturar meus lábios. 

No puro instinto, desviei o rosto e mordi com força o lábio inferior dele. O gosto metálico do sangue invadiu minha boca.

Lucius recuou um pouco, tocando os lábios com os dedos, seu olhar incendiado de fúria.

— Você enlouqueceu?! — gritei, tentando me afastar.

Meus olhos encheram de lágrimas involuntárias, mas eu não deixei nenhuma cair. 

Eu não lhe daria esse gosto.

Ele agarrou meu queixo com força, obrigando-me a olhá-lo nos olhos.

— Esqueceu que eu sou o seu Alfa e seu com…? — sua voz era um rosnado baixo, cheio de fúria e algo mais… algo que ele mesmo parecia relutar em aceitar.

Ele parou de falar de repente, como se algo tivesse travado dentro dele. Como se ele estivesse prestes a dizer algo que não conseguia acreditar. 

Seus olhos brilharam com uma mistura de confusão e raiva.

No segundo seguinte, ele socou a parede ao lado da minha cabeça, o som seco do impacto ecoando no quarto.

Um grito escapou da minha garganta e meu corpo encolheu instintivamente.

Lucius me encarou por um longo momento, seu peito subindo e descendo de maneira irregular. 

Então, seus dedos se fecharam em volta do meu pescoço, apertando com força suficiente para me sufocar por alguns segundos.

— Some da minha frente, vira-lata! — sua voz era fria, cortante.

Ele me soltou de repente, e eu quase cambaleei para trás, respirando com dificuldade. 

Não perdi tempo. 

Passei por ele o mais rápido que pude, sentindo minhas pernas tremendo enquanto abria a porta e saía em disparada pelo corredor.

Eu não parei de correr até estar fora da casa da Matilha. Meu peito queimava, e minha mente girava com tudo o que havia acabado de acontecer.

Lucius tinha enlouquecido.

(Cedric)

O cheiro de carne queimada e gordura pesada embrulhou o meu estômago antes mesmo de eu dar a primeira garfada.

Olhei para o prato de prata à minha frente. A comida parecia boa para os padrões dos lobos comuns, mas para mim, parecia lixo. 

Meu estômago revirou com força.

Lá se iam mais de duas semanas de viagens exaustivas, matilha após matilha, banquete após banquete, e eu não conseguia engolir absolutamente nada. 

Minha garganta parecia fechada por um nó.

Empurrei o prato com nojo e o talher de prata caiu sobre a mesa com um som seco que ecoou pelo salão de festas lotado.

— Isso está horrível — falei alto, com a voz grave cortando os murmúrios dos convidados. — Tiram essa porcaria daqui.

O Alfa daquela matilha local empalideceu na hora. Ele levantou da cadeira principal, gaguejando desculpas, com o suor brotando na testa.

— Majestade... Perdão. Se o banquete não agrada ao senhor, posso mandar preparar outra coisa imediatamente...

— Não quero nada — rosnei, sentindo o sangue ferver nas minhas veias. 

Ultimamente a raiva subia rápido, sem motivo aparente, explodindo no meu peito. 

— A comida fede e o salão está abafado. Vocês não sabem receber um rei?

O silêncio caiu sobre o salão como uma lâmina. Todos os lobos ali abaixaram a cabeça, paralisados pelo medo. 

Ninguém ousava respirar alto.

Erick, meu beta e amigo de longa data, me lançou um olhar severo e cansado da cadeira ao lado. 

Ele pigarreou baixinho, balançando a cabeça de leve para que eu me controlasse.

Aquilo foi a gota d'água para o meu humor já destruído.

Levantei da mesa de um golpe só, fazendo a cadeira arrastar com violência contra o piso de pedra.

— Chega. Estou indo para os meus aposentos — falei entredentes.

Dei as costas sem olhar para mais ninguém e caminhei a passos largos em direção à saída. 

Atravessei aporta e pisei no pátio externo, respirando o ar frio da noite na tentativa inútil de esfriar a cabeça.

— Cedric! Espera aí, cara — a voz de Erick chamou.

Parei de supetão e me virei, cruzando os braços com os punhos fechados com força.

— O que foi, Erick? — perguntei, cuspindo as palavras.

Ele parou na minha frente, respirando fundo, com as mãos na cintura e me encarou com seriedade.

— Dá para me explicar o que está acontecendo com você? Já tem dias que anda assim, inquieto e irritado com tudo, desde que a gente cruzou a fronteira para o sul. Você não come, não dorme e desconta a raiva em todo mundo.

Joguei a cabeça para trás, passando as mãos pelos cabelos, sentindo uma frustração gigante me esmagar por dentro.

— Eu não sei, porra! — respondi, sem conseguir esconder o desespero na voz. — Meu Lycan está enlouquecido. Ele não para quieto um segundo sequer. Fica arranhando minha mente, tentando vir à tona o tempo todo, por qualquer motivo idiota. Qualquer cheiro me incomoda. Qualquer barulho me dá ânsia.

Erick franziu a testa, cruzando os braços também.

— Mas ele tem algum motivo? Sentiu alguma ameaça? Um cheiro de invasor?

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Nathy Silva
Amando, adoro história de alfa
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