INICIAR SESIÓNScarlet Hayes
Seis meses depois.... Seis meses, seis meses se passaram, e eu pude conhecer cada vez mais o Dimitri, eu estava completamente apaixonada por ele, envolvida na farsa de ser sua Luna, me deixando acreditar que eu poderia ser a Luna dele, a duas semanas atrás ele quase me tomou como sua Luna, mas algo o fez recuar, talvez fosse o cuidado, a proteção que ele tinha comigo, mas agora éramos casados, mesmo que para ele fosse apenas uma farsa, eu já o amava com todas minhas forças, a loba que ainda não havia totalmente despertado em mim, o desejava com uma força que nem mesmo eu conseguia entender. À noite, a escuridão parecia respirar comigo. Entre o vazio dos sonhos e o ranger distante da mansão, eu flutuava, sentindo cada batida do meu coração como um trovão abafado. Não era um sono comum. Eu pressentia isso antes mesmo de abrir os olhos. O primeiro som que ouvi foi o canto da Lua, um tambor surdo ecoando dentro dos meus ouvidos. Então a névoa clareou, e eu estava em uma clareira, iluminada por uma lua que sangrava sobre troncos retorcidos. Lobos rodeavam um altar de pedra; sobre ele, minha mãe, a Luna que nunca conheci acordada—ajoelhava‑se, o sangue prateado escorrendo pelos braços. —Filha!— A voz dela entrou em mim como luz morna. —Não aceite a Marca. A Marca é trilha. Proteja‑se dele. Antes que eu pudesse perguntar quem era ele, um vulto encapuzado se adiantou, entregando um medalhão em espiral, ao inimigo sombrio. Eu não vi o rosto; vi apenas uma cicatriz curva no indicador esquerdo daquela mão. A clareira virou cinzas. A última coisa que senti foi o cheiro ácido de medo e acordei. Sentei‑me na cama, arfando. O relógio antigo marcava 03:30. O suor gelado colava o cabelo à minha nuca. As janelas fechadas não impediram o odor de terra molhada de invadir o quarto. Uma dor aguda queimava entre minhas mãos, como se garras internas buscassem libertar‑se. Minha loba desperta sussurrou algo dentro de mim. Quando pisquei, o quarto sumiu. Eu ainda estava deitada, mas via como através do véu de um sonho a Séfora deslizando pelo jardim, o capuz balançando. Pisquei de novo, e vi Dimitri marchando pelo corredor: dez passos e a maçaneta do meu quarto rangeria. Vejo o agora, o antes e o que ainda não aconteceu. Meu estômago revirou; sangue quente escorreu do meu nariz. Doía, mas o poder era real. Exatamente como previsto, a porta se abriu. Dimitri entrou, os olhos incendiados de preocupação. —Scarlett?—A voz dele era macia e eu sentia um desejo inexplicável, apenas por sentir sua presença. Eu mantive a coluna ereta, mesmo temendo a minha vida. —Não se preocupe, Dimitri. Ele congelou e logo perguntou: — O que você viu? —Vi minha mãe morrer outra vez.—Minha voz falhou, mas continuei. —Vi a cicatriz no dedo de quem a entregou. E vi ele. O ar pareceu encolher. Se você me marcar, ele virá. A Marca é um farol, mas isso eu não estava disposta a dizer a ele. Dimitri cerrava os punhos, dividido entre instinto e medo. Eu podia quase saborear a fúria e a dor nele. Eu o amo. Mas se aceitar esse vínculo, condeno a mim… e a ele. A lua, do lado de fora, subiu mais alto, banhando-nos de num raio gélido. Dimitri, um lobo solitário uivou,e jurei que o som saíra tanto da floresta quanto do meu peito. Não sei quanto tempo temos até que o traidor mostre o rosto escondido por aquela cicatriz. Nem sei se meu novo dom vai me salvar ou consumir. Mas uma certeza inflama minhas veias: Não serei isca. Nem presa. Se a Lua me escolheu, então usarei cada sonho como lâmina. E quem derramou o sangue da Luna, vai sangrar sob a minha lua crescente. Ele levou os polegares à minha face, limpando o sangue que manchava meu lábio; toque tão suave que fiquei sem ar por outro motivo. — Fica comigo esta noite. —As palavras escaparam antes que eu pudesse vesti‑las de pudor. — Preciso sentir que o mundo não vai ruir quando eu fechar os olhos. Ele não discutiu. Apenas inclinou a cabeça num acordo silencioso e, com a manga da camisa, enxugou o resto do sangue. Eu tremia, não de medo, mas de uma urgência mais antiga que a própria loba dentro de mim. Dimitri apagou a única vela, deixando o quarto na penumbra azulada do luar. Quando subiu na cama, o colchão afundou levemente, e a presença dele tornou-se o meu eixo. Encaixei‑me no peito largo, o ouvido contra o compasso grave do coração dele. —Está segura, Scarlett. Respira. —A voz dele era um ronronar grave que atravessava meus ossos. Minhas mãos encontraram o tecido da camisa dele, deslizando até sentir a pele quente por baixo. Cada fôlego que ele soltava roçava meu cabelo, como se confirmasse: estou aqui, estou aqui. Eu o encarei na semi escuridão. Os olhos dele tinham a cor de um crepúsculo em chamas — promessas e perigos misturados. O silêncio, carregado de faíscas. — Beija‑me, Dimitri — sussurrei, era mais um pedido do que uma ordem Ele não hesitou. Os lábios dele vieram como tempestade morna, e tudo dentro de mim se incendiou. O beijo foi profundo, avassalador; minhas unhas afundaram‑se levemente nos ombros dele. Senti a loba despertar, querendo marcar, reivindicar, queimar dentro de mim. Mas a lembrança cortante da visão, a Marca como farol, o monstro seguindo a trilha. — Espera!— Murmurei entre os lábios dele, as respirações misturadas. — Ainda não posso. Dimitri afastou-se apenas o espaço de um suspiro, mantendo a testa colada à minha. — Eu sei. —O timbre baixo carregava compreensão e frustração em doses iguais. — Não vou forçar-lá a nada, nem você deve se sentir na obrigação de que devemos, você sabe... Acariciei a cicatriz que ele tinha na clavícula, sentindo a ideia do futuro pesar‑me nos ossos. — Só fica. Deixa‑me sentir que estou viva. —Minha voz quebrou, quase silenciosa diante da tempestade interna. Ele puxou o lençol sobre nós, envolveu‑me num abraço inteiro, pernas entrelaçadas às minhas. O coração dele, ritmado e constante, embalou meu pavor até transformá‑lo em algo suportável. — Não vou sair do teu lado, não esta noite, não enquanto tua respiração precisar da minha. —Prometeu ele, e cada palavra soou como selo antigo. Fechei os olhos, a cabeça aninhada sob seu queixo. A loba em mim ronronou, saciada por um instante apenas com a proximidade. Talvez a paz fosse um intervalo curto, mas era real ali, entre o bater do meu coração e o dele. Se eu sonhasse, queria sonhar com este momento repetido ao infinito, sem marcas, sem prédios em ruínas, sem sangue na lua. Apenas nós dois respirando no mesmo compasso, o amor costurando as fendas do medo até o amanhecer chegar. continua...Dimitri Ela assentiu, as lágrimas deslizando lentamente por seu rosto.— Houve uma guerra… uma antiga, e pessoal, não essa que levou Lucian. Eu fui ferida, e para que ele vivesse, precisei me desfazer de mim. Parti, deixei para trás o que fui. Lunael foi o que restou, a parte de mim que esqueceu, que dormiu.Fiquei imóvel.O fogo estalava, o vento gemia nas frestas da janela, e eu me sentia pequeno diante do que via.Scarlett.O nome ecoava como uma prece antiga.Ela era a origem. A chama que começou tudo.E agora estava ali, viva, diante de mim.— Então Lunael era você o tempo todo? — perguntei, ainda sem acreditar.Ela aproximou-se mais, e pude sentir o calor de sua pele, o mesmo calor que um dia Lucian descrevera com reverência.— Era eu, e não era. — respondeu. — Eu fui parte de Lunael ele ela era a parte de mim que o mundo poupou da dor. Scarlett, era a que o mundo esqueceu.Passei as mãos pelos cabelos, tentando entender.— Por que agora? Por que voltar?Ela respirou fundo, e s
Lunael Voss Ele passou a mão pelo rosto, o olhar sombrio. — Eu também não pedi por isso, Dimitri. — Então por que veio? — gritei. — Por que não me deixou sofrer em paz? Por que precisava me envenenar com essa promessa absurda? Ele me fitou, os olhos cheios de uma dor silenciosa. — Porque eu fiz uma promessa ao homem que amei como um irmão. E vou cumpri-la, mesmo que isso me destrua. O silêncio voltou a cair entre nós. Eu tremia. O coração latejava como se tentasse escapar do peito. Tudo que eu queria era acordar daquele pesadelo, abrir os olhos e encontrá-lo novamente no jardim, com as flores brancas e o sorriso que me salvava do mundo. Mas não havia mais volta. Afastei-me alguns passos, tentando respirar. — Você acha que casar comigo vai honrar a memória dele? — perguntei, com amargura. — Lucian não me amaria menos se eu escolhesse viver sozinha. Ele jamais pediria algo que me ferisse. — Mas ele pediu — disse Dimitri, com a voz embargada. — Pediu porque sabia que, de algum
Lucian Voss A noite caiu devagar, e o céu parecia chorar junto comigo, pequenas gotas de chuva começaram a cair sobre o jardim, como se o próprio céu lamentasse o que estava por vir. Lunael ficou parada sob a chuva, as flores brancas agora encharcadas, presas entre seus dedos trêmulos. Eu quis correr até ela, arrancá-la dali, escondê-la do que eu já sabia que poderia acontecer, mas sabia que não podia. O tempo tinha suas próprias leis e eu, por mais que quisesse, não podia quebrá-las. — Lucian… — ela chamou meu nome com um sussurro que me feriu mais do que qualquer espada. — Se você se for, quem eu serei? Aproximei-me lentamente, cada passo mais pesado que o anterior. Toquei seu rosto e deixei que ela sentisse meu calor uma última vez. — Você será tudo o que eu vi em você, Lunael. A luz que o escuro não conseguiu apagar. Ela fechou os olhos, e uma lágrima escorreu por sua pele fria. — E se o amor não for o bastante? — O amor é o bastante — respondi. — Só não é justo. Ficamo
Lucian Voss O tempo tem um jeito curioso de nos testar. Há dez anos, eu vivia à sombra das minhas tristezas, carregando o peso de lembranças que não sabia se eram sonhos ou vidas antigas. E então ela voltou, Lunael. Desde a noite em que o passado se rasgou diante de nós e o nome dela ecoou como um chamado esquecido, nada mais foi o mesmo. Vivíamos juntos agora. Não como fugitivos de uma vida que parecia diferente, mas como sobreviventes dela. Havia dias em que ela me olhava e eu via séculos nos olhos dela, o reflexo de um amor que o tempo tentou apagar e falhou. Outros dias, eu apenas a observava caminhar pelo jardim, e me perguntava se realmente merecia aquela paz. Mas a paz é um disfarce traiçoeiro quando se vive à beira de uma guerra. As fronteiras estavam se movendo de novo. O conselho da alcateia, como a vingança do sobrinho do Dimitri, reunia em sigilo. Ele havia me convocado. E quando Dimitri chama, é porque o mundo está prestes a ruir, eu que havia me tornado
Lunael VossO silêncio entre nós parecia antigo, como se tivesse atravessado séculos para chegar ali. A brisa fria trouxe o cheiro das flores do jardim, e o tempo, por um instante, parou. — Eu esperei tanto por isso. — Séfora sussurrou, a voz embargada. — Por entender o porquê de tudo. Por saber que não era loucura lembrar de uma promessa que eu nem sabia se realmente existiu. Aproximei-me devagar, e quando nossas mãos se tocaram, um calor percorreu minha pele. Foi como se o universo respirasse conosco. — Talvez nunca fosse para entendermos — murmurei. — Talvez só precisássemos sentir. Ela assentiu, enxugando as lágrimas, mas ainda tremia. — E Dante? — perguntou. — Ele também lembra? Meu coração se apertou. — Ainda não. Mas o corpo dele, o olhar dele, às vezes parece lembrar antes que a mente consiga aceitar. Há dias em que ele me olha e o tempo se dobra. Como se soubesse quem eu fui, mas ele não parece estar pensando nisso, já que ele agora tem uma pessoa.Também não posso alime
Lunael VossA pergunta me pegou desprevenida. — Não sei se posso chamar de estar juntos, já que somos casados a um bom tempo — respondi. — É complicado. Ele me protege, me domina, mas há momentos em que sinto que ele teme algo que nem eu entendo.— Ele teme perder de novo — disse ela, com firmeza.Virei o rosto, surpresa. — Como assim?— Ele me contou sobre você — murmurou, a voz quase um sussurro. — Sobre o quanto a amou… e o quanto a perdeu e sempre a esperou.Fiquei olhando para o chão, tentando lidar com o nó na garganta.— Eu também o amei — confessou ela, de repente.A frase veio como um trovão.Olhei para ela, e por um instante, achei que tinha ouvido errado. — O quê?Ela sorriu com tristeza. — Sim. Eu amei Lucian. Mais do que devia.Meu coração acelerou, e um estranho calor percorreu minhas veias.— Mas você não é casada? — perguntei, sem conseguir disfarçar o espanto.Ela balançou a cabeça devagar. — Fui. Perdi meu marido pouco depois que Scarlett morreu. Ele não suportou a







