LOGINDiogoParte 3 — O Que os Olhos Não Contam SozinhosAgora, sem todo o peso do passado pairando sobre cada conversa, tudo parecia mais leve — as verdades ditas, os perdões concedidos, cada fio solto finalmente amarrado.Olhei ao redor, para aquele jardim cheio de gente que se tornara família de formas que eu jamais poderia ter imaginado alguns anos atrás, e senti uma gratidão profunda tomar conta do peito.Felipe e eu nos afastamos um pouco do grupo, caminhando devagar pelo jardim, admirando a grandiosidade daquela propriedade — as árvores centenárias, a piscina que brilhava azul ao fundo, a casa imponente erguida com bom gosto, exagerado para Serra, mas linda.— Esse lugar é incrível. — Comentou Felipe, seguindo meu olhar. — Gustavo e Larissa vivem bem.— Vivem mesmo. — Concordei, observando os dois de longe, Gustavo ajudando Larissa com as crianças no tapete de brincadeiras, sempre atento, sempre próximo.Fiquei em silêncio por um instante, uma preocupação antiga voltando à tona, e de
DiogoParte 2 — Os Passos Que FaltavamFicamos ali, formando uma pequena roda de conversa, quando Pedro e Luiza se aproximaram, ainda com pratinhos de doce na mão.--- Ouvimos gritaria daqui. --- Disse Pedro, sorrindo. --- O que aconteceu?--- O Rafael falou "papa" pela primeira vez. --- Contou Felipe, orgulhoso, como se fosse ele mesmo o pai biológico anunciando a novidade.--- Que lindo! --- Exclamou Luiza, levando a mão ao peito. --- Esses marcos são tão especiais.Fabrício se aproximou também, com Carlos alguns passos atrás dele, os dois evitando se olhar diretamente com aquela discrição que só entregava ainda mais o segredo que tentavam guardar.--- Perdi alguma coisa importante? --- Perguntou Fabrício, curioso.--- Perdeu a primeira palavra do seu sobrinho. --- Respondi, rindo, ainda com Rafael no colo.Foi então que Carina, Tatiana e Carlos se aproximaram juntos, os três com aquele entusiasmo típico de quem tinha um plano na cabeça.--- Gustavo, podemos pegar aquela caixa de so
DiogoParte 1 — A Palavra Que Mudou TudoChegamos à festa de Rafael no sábado seguinte ao nosso casamento, o carro ainda cheirando ao perfume das flores que Felipe insistiu em comprar no caminho para darmos a Larissa.--- Você acha que ele vai gostar do presente? --- Perguntou Felipe, sobre a caixa embrulhada no banco de trás onde ele estava com Júlia no bebê conforto.--- Ele tem um ano, Felipe. --- Ri, estacionando em frente ao portão. --- Ele vai gostar mais do papel de embrulho do que do que tem dentro.Meus pais chegaram logo atrás de nós, Lídia já carregando uma sacola cheia de presentes, Olavo estacionando com aquele cuidado exagerado que ele sempre tinha em qualquer lugar novo.Fabrício também havia ficado em Serra para o aniversário do "sobrinho" --- assim que ele mesmo gostava de chamar Rafael, mesmo sem nenhum laço de sangue entre os dois --- e eu sabia, mesmo sem ele precisar dizer nada, que havia mais um motivo para ele não ter voltado ainda para casa.Carlos, que fazia f
DiogoParte 4 — Café, Confissões e um Segredo GuardadoFicamos deitados na espreguiçadeira por um bom tempo, entrelaçados, deixando a brisa mansa da serra secar o suor acumulado em nossa pele, até que Felipe quebrou o silêncio confortável que nos envolvia.— Banho? — Sugeriu, beijando meu ombro de leve, os lábios roçando a pele ainda sensível. — Acho que nós dois merecemos lavar a alma depois de tudo o que a gente viveu nessa noite.— Ótima ideia. — Concordei, rindo baixinho, sentindo cada músculo do meu corpo agradecer só de pensar na promessa de água quente relaxando a tensão.Nos levantamos devagar, apoiando-nos um no outro, trocando beijos preguiçosos pelo quarto até o banheiro, onde enchi a banheira com capricho, o vapor subindo denso e preenchendo o espaço com um aconchego imediato.Entramos juntos na água. Felipe se acomodou logo atrás de mim, os braços firmes laçando minha cintura com possessividade mansa enquanto eu encostava as costas relaxadas contra o peito dele.
FelipeParte 3 — A Entrega Que FaltavaQuando o ritmo bruto arrefeceu lentamente para uma respiração conjunta, pesada e ofegante, senti que ainda havia uma linha invisível entre nós que eu precisava cruzar. Apoiei a testa no ombro dele, sentindo o gosto de sal, o cheiro de pinheiro e a pulsação frenética da veia do seu pescoço.— Quero que seja você agora. — Falei baixo, mas com uma firmeza que me surpreendeu, quebrando o silêncio da madrugada e o eco da nossa própria paixão. — Quero viver isso com você, do outro lado dessa vez. Quero sentir você cuidando de mim desse jeito, me tomando por inteiro, sem pressa e sem armaduras.Diogo ficou em silêncio por um instante, entendendo devagar o peso daquelas palavras, e eu vi no rosto dele uma mistura de surpresa e uma ternura que me deixou ainda mais seguro da escolha que estava fazendo. Ali estava uma vulnerabilidade bonita de ver, misturada com um temor reverente que só aumentava a minha certeza.— Tem certeza? — Ele perguntou co
FelipeParte 2 — Onde o Desejo e o Amor se ConfundemCada toque de Diogo parecia queimar minha pele como ácido bom, rasgando as defesas que eu nem sabia que mantinha erguidas na minha mente. Eu conhecia cada curva daquele corpo de cor, mas tê-lo ali, depois de tudo o que enfrentamos e superamos para oficializar o que somos perante o mundo, transformava o toque em algo visceral, bruto, quase sagrado. O luar prateado banhava o terraço de ponta a ponta, revelando o suor brilhando nos ombros dele, a respiração curta e cortada que descompassava o meu próprio ritmo e transformava o ar fresco da montanha em pura eletricidade acumulada.Minhas mãos desceram pesadas e famintas pelos quadris dele, mapeando a firmeza da carne antes de guiá-lo com firmeza para que se sentasse no estofado macio da espreguiçadeira. Ele me olhou de baixo, os olhos escuros carregados de uma promessa silenciosa, o peito arfando enquanto os fios de cabelo grudavam na testa suada.— Deita pra mim. --- Pedi, a vo







