INICIAR SESIÓNAurora
O carro preto blindado cruzou os portões de ferro maciço e começou a subir uma estrada particular cercada por árvores perfeitamente aparadas. Quando a propriedade finalmente se revelou diante dos meus olhos, meu queixo caiu. Eu achei que o shopping de luxo tinha sido o ápice do meu choque cultural daquele dia, mas eu estava redondamente enganada.
Aquilo não era apenas uma casa. Era uma fortaleza de opulência, uma obra-prima da arquitetura moderna misturada com o clássico. Fachada de mármore branco, colunas imensas, janelas que iam do chão ao teto e uma iluminação que fazia o lugar parecer um palácio encantado no início daquela noite. O motorista estacionou na entrada principal e, antes mesmo que o veículo parasse totalmente, dois homens de terno correram para abrir a minha porta.
Eu saí do carro pisando com meus sapatos novos de grife, sentindo minhas pernas tremerem sob o tecido do vestido caro. Samanta desceu logo em seguida, com um sorriso tranquilo no rosto, como se estivesse apenas chegando em casa após um dia comum de trabalho.
Assim que dei o primeiro passo para dentro do saguão principal, meus olhos quase saltaram da cara. O chão era de um mármore tão polido que eu conseguia ver o meu reflexo perfeitamente nele. Um lustre de cristal gigante, que devia valer mais do que todos os salários que eu receberia na vida inteira combinados, pendia do teto altíssimo. Havia milhares de empregados — ou pelo menos parecia — espalhados pela casa, todos alinhados em uma postura impecável, vestindo uniformes elegantes.
Uma senhora de cabelos brancos presos num coque alinhado, usando um vestido preto discreto e um avental de renda fina, deu um passo à frente. O rosto dela era marcado pelas linhas de expressão, mas os seus olhos eram incrivelmente gentis.
— Seja muito bem-vinda à sua nova casa, senhora Alves — ela disse, fazendo uma leve reverência. — Eu sou Marta, a governanta-chefe desta propriedade. Estamos todos à sua total disposição.
Eu engoli em seco, sentindo minhas bochechas queimarem. Aquilo era surreal demais. Até poucas horas atrás, eu estava de joelhos na terra fria de um porão úmido, respirando mofo e rezando para não levar um tiro na cabeça por causa de trinta milhões de reais. Agora, uma senhora gentil estava me chamando de "senhora Alves" em um palácio. Eu não sabia se dava uma risada histérica ou se desabava no choro ali mesmo. Era uma confusão mental tão grande que meu cérebro parecia prestes a dar um curto-circuito. Eu passei de pobre, lascada e jurada de morte para a esposa do homem mais poderoso da cidade em menos de doze horas.
— Obrigada, Marta… — consegui gaguejar, apertando as mãos uma na outra.
Marta sorriu, parecendo notar o meu nervosismo, e continuou com a sua voz mansa:
— Para garantir o seu total conforto, o senhor Rodolfo separou uma equipe particular que cuidará exclusivamente da senhora. Além da Samanta, que gerencia suas necessidades externas, a senhora terá três funcionários fixos aqui dentro. Uma chef de cozinha premiada para preparar qualquer prato que desejar, uma assistente pessoal interna para fazer tudo o que a senhora pedir a qualquer momento, e um motorista com um assistente de recados que sairá de casa para buscar o que quer que a senhora inventar de querer no meio da noite.
Eu pisquei, estática. Três empregados só para mim? Um para cozinhar, um para me estalar os dedos e me servir, e outro só para ir à rua buscar meus caprichos? Eu estava em choque absoluto.
— Eu… eu nem sei o que dizer. Muito obrigada. Não precisava de tanto — respondi, a voz saindo quase num sussurro de pura incredulidade.
Marta fez um sinal discreto com a mão e, num movimento sincronizado e silencioso, todos os funcionários se retiraram para os seus postos, deixando apenas Samanta e a governanta comigo. Fui guiada pelos corredores imensos até o segundo andar, onde ficavam os meus aposentos. Quando Marta abriu as portas duplas do meu quarto, percebi que o conceito de "luxo" precisava ser redefinido na minha cabeça.
O quarto era maior do que toda a área construída do meu antigo bairro. Havia uma cama king-size que parecia uma nuvem de lençóis de fios egípcios, uma sala de TV privativa com sofás de veludo, um closet que parecia uma loja de departamentos inteira e, para o meu completo espanto, uma pequena sala com uma cadeira reclinável, espelhos iluminados e lavatório, funcionando como um salão de beleza particular. Na parede ao lado da cama, havia um interfone dourado.
— Este interfone tem linha direta e exclusiva com a cozinha central, senhora Alves — explicou Marta. — Se sentir fome ou sede, a qualquer hora do dia ou da noite, basta tirá-lo do gancho. Alguém subirá imediatamente.
Samanta se despediu de mim com um aceno simpático, dizendo que voltaria na manhã seguinte para checar minha agenda, e Marta me deixou sozinha para que eu pudesse me acomodar.
A primeira coisa que fiz foi caminhar até o banheiro. Quando empurrei a porta de vidro opaco, soltei um suspiro audível. O banheiro deles era maior do que a minha casa antiga inteira. Havia duas pias de mármore flutuantes, um box imenso com três chuveiros de teto e, no centro, uma banheira de hidromassagem redonda que parecia uma mini piscina.
A minha assistente número dois — a que ficava fixa na casa e que tinha se apresentado timidamente como Júlia — já tinha preparado tudo antes de sair. A banheira estava cheia até a borda com uma espuma branca e densa, exalando um perfume maravilhoso de baunilha e orquídeas. A água estava bem quentinha, soltando uma fumaça leve que embaçava os vidros. Ao lado, em uma bandeja de prata, havia uma garrafa de champanhe importado em um balde de gelo e uma taça de cristal já servida.
Tirei o vestido de grife devagar, deixando as roupas caras caírem no chão, e entrei na água. O calor envolveu o meu corpo e um gemido de alívio escapou dos meus lábios. Apoiei a cabeça na borda macia da banheira e estiquei o braço para pegar a taça de champanhe. Dei um gole generoso, sentindo as bolhas geladas arderem deliciosamente na minha garganta enquanto o calor da água relaxava meus músculos.
Mas o relaxamento durou pouco, porque a minha mente, livre das preocupações com os agiotas, começou a focar no verdadeiro X daquela questão. O contrato estava assinado. O dinheiro estava pago. Minha vida estava salva. Mas a que preço?
Olhei para a espuma ao meu redor e comecei a me questionar, sentindo um frio repentino na barriga que nem a água quente conseguia espantar. Será que ele é muito velho? — pensei, dando mais um gole no champanhe. — Será que ele vai exigir que a gente transe todos os dias para compensar os trinta milhões?
Eu não tinha experiência com o mundo dos milionários, mas uma coisa era óbvia e lógica na minha cabeça de menina da periferia: com certeza ele devia ser horroroso. Um homem que é rico, poderoso e influente, se fosse minimamente bonito ou normal, não precisaria comprar uma esposa às escondidas no meio de uma crise de agiotagem. Ele não precisaria se esconder atrás de um contrato bizarro, exigindo que as interações fossem apenas à noite e no escuro total. Ele deve ser um monstro de feio. O acidente de carro que o advogado mencionou deve ter destruído qualquer traço de humanidade naquele rosto, transformando-o em algo assustador. Ele deve ser tão horripilante que precisa tratar uma completa desconhecida como uma rainha, enchendo-a de luxos, joias, spas e empregados, apenas para fazer com que ela aceite ficar molhada para ele poder foder de madrugada.
Eu fechei os olhos, sentindo o peso daquela percepção. Uma onda de angústia misturada com uma ponta de nojo subiu pelo meu peito. Eu teria que entregar o meu corpo para um homem deformado, na completa escuridão, sem nem saber onde estava tocando.
Respirei fundo, deixando a taça de cristal de lado e afundando o corpo ainda mais na água quente, deixando a espuma cobrir meus ombros. Minha mente começou a viajar por caminhos tortuosos. Será que eu vou ter que fantasiar com alguém? — me perguntei, sentindo uma ponta de desespero. — Vou ter que fechar os olhos de verdade dentro daquele quarto escuro e imaginar o rosto de algum ator de cinema, ou de algum cara bonito que vi na rua, para poder pelo menos sentir um orgasmo? Ou vou passar o resto dos meus dias fingindo que estou gostando, soltando gemidos falsos no escuro para massagear o ego de um fantasma bilionário?
A água da banheira continuava perfeitamente quente, mas por dentro, eu estava congelando de medo do que aconteceria quando o sol terminasse de se pôr por completo.
AuroraRodolfo me encarou por um momento que pareceu uma eternidade na penumbra. A mão dele na minha cintura relaxou ligeiramente o aperto, embora ele continuasse mantendo o corpo perfeitamente colado ao meu.— Eu jamais faria isso, Aurora — ele respondeu, a voz saindo num tom baixo, grave e de uma seriedade absoluta. — Eu sou um cavaleiro.Soltei uma risada anêmica, carregada de pura ironia, balançando a cabeça diante da audácia daquela frase.— Sim... um verdadeiro príncipe encantado — debochei, cruzando os braços sobre o peito sem me afastar. — O príncipe das sombras de uma mansão isolada.Rodolfo me observou em silêncio por alguns segundos, os olhos brilhando por trás da máscara negra. Em seguida, a expressão dele se suavizou e ele perguntou, num tom surpreendentemente calmo e curioso:— O que você quer de mim, Aurora?A pergunta flutuou no ar entre nós, desarmando o meu escudo de sarcasmo por um instante. Respirei fundo, sentindo o cansaço do dia pesar sobre os meus ombros e o nó
AuroraEu estava quase pegando no sono, envolta no silêncio do meu quarto e no peso da culpa, quando duas batidas secas na porta de madeira me fizeram sobressaltar na cama. Sentei-me devagar, puxando as cobertas para o peito.— Pode entrar — chamei num fio de voz.A porta se abriu de leve e a figura serena da governanta surgiu na penumbra do corredor.— Com licença, senhora Alves — Marta disse com a sua habitual polidez. — O senhor Rodolfo pede para que a senhora vá até os aposentos dele agora.Aquele anúncio fez o meu sangue ferver de novo na mesma hora. Toda a mágoa, a raiva e o rancor pela indiferença dele durante o dia voltaram à tona numa explosão instantânea. Ppensei em me recusar, em dizer que estava doente ou com dor de cabeça, mas o meu orgulho não me deixou recuar. Eu não ia passar a imagem de uma esposa covarde ou submissa.— Tudo bem, Marta. Diga a ele que já estou indo — respondi, mantendo o tom firme.Assim que ela fechou a porta, levantei-me da cama. Eu não tinha a meno
AuroraO ritmo das estocadas de Victor tornou-se impiedoso, frenético e absolutamente massacrante. Ele segurava os meus quadris com aquelas mãos imensas, cravando os dedos na minha pele com uma força possessiva que me prendia contra o sofá de couro. A cada impacto fundo e certeiro daquele pau monumental contra as minhas paredes internas, o meu corpo inteiro estremecia. A sensação de preenchimento era tão avassaladora que eu não conseguia mais articular nenhuma palavra; apenas soltava gemidos manhosos, desesperados, arranhando os ombros musculosos dele enquanto revirava os olhos na penumbra da sala.— Victor... eu vou... meu Deus, eu vou gozar! — avisei num fio de voz, cravando os calcanhares no estofado, sentindo o meu baixo ventre se contorcer inteiro numa tensão insuportável.Ele não diminuiu o ritmo. Pelo contrário, acelerou ainda mais, dando três estocadas brutas e profundas que bateram direto no meu ponto mais sensível.— Goza, Aurora... goza para mim — ele rosnou contra a minha
AuroraA respiração de Victor vinha em arfadas quentes contra o meu pescoço, acompanhando o ritmo alucinante com que a mão dele me atormentava entre as pernas. Eu estava à beira de um colapso de puro prazer, totalmente entregue àquele sofá de couro, sentindo que a qualquer segundo o meu corpo iria explodir.Foi quando ele se afastou devagar, ajoelhando-se no estofado entre as minhas pernas abertas. O olhar cinzento dele brilhava com um fogo perigoso enquanto ele desfazia o nó da gravata com uma lentidão provocante, arrancando a peça e jogando-a no chão. Em seguida, desabotoou a camisa branca de algodão egípcio, abrindo o tecido e expondo o tórax.Eu travei, prendendo o ar nos pulmões.Quando Victor tirou a camisa por completo e se livrou da calça de terno, ficando totalmente nu na minha frente na meia-luz da presidência, a minha mente simplesmente parou. Fiquei completamente admirada com o que meus olhos viam. O corpo dele era um espetáculo esculpido: ombros largos, um peitoral rígido
AuroraA reação de Victor foi imediata, como uma faísca caindo em um barril de pólvora. Ele selou seus lábios nos meus com uma deliciosa brutalidade, um beijo faminto, urgente e dominador. Era um toque que carregava uma agressividade controlada, algo tão extremamente familiar que, por um segundo, um arrepio de choque percorreu a minha espinha. Mas o prazer era tanto, a quentura da boca dele devorando a minha era tão avassaladora, que eu simplesmente não me importei. Deixei qualquer dúvida de lado, passei os braços pelo pescoço dele e entreguei-me por inteiro.Senti uma onda de calor rasgar o meu baixo ventre, e a minha calcinha encharcou no mesmo instante. Sem quebrar o beijo por um segundo sequer, Victor colocou as mãos grandes sob a minha bunda, suspendeu o meu corpo no ar com uma facilidade impressionante e caminhou a passos largos até o sofá de couro.Ele se sentou no estofado macio me mantendo montada em seu colo, com uma perna de cada lado do seu quadril. Nos beijamos loucamente
AuroraVictor parou de digitar no exato segundo em que as persianas terminaram de se fechar. A penumbra da sala, cortada apenas pela luz fraca do monitor e pelas luminárias de mesa, deixou o ambiente com um ar terrivelmente íntimo. Ele encostou o corpo na cadeira de couro, me encarando com os olhos cinzentos faiscando de curiosidade e surpresa, processando a visão de me ver ali: com os cabelos soltos caindo pelos ombros, sem o blazer e com a blusa de alcinha colada ao corpo.Devagar, ele se levantou da cadeira. O movimento foi lento, calculado, quase como o de um predador que não tem pressa alguma porque sabe que a presa não tem para onde fugir. Ele contornou a grande mesa de vidro com as mãos nos bolsos da calça do terno, dando passos firmes sobre o carpete, encurtando a distância entre nós dois.A cada passo que ele dava na minha direção, o meu coração dava um salto louco dentro do peito, batendo tão forte que eu podia sentir a pulsação no topo da minha garganta. O cheiro amadeirado







