FAZER LOGINA enfermeira contou para Sofia que um homem ligou para procurar por uma jovem acidentada. Ele falou o seu nome, porém, Sofia foi registrada com um sobrenome diferente, e isso acabou selando o seu destino longe do mal que se passou no dia de sua fuga. Ela pergunta quem seria este homem que a enfermeira admira tanto, já que os seus olhos brilham ao falar seu nome.
— Nossa, vejo que este homem deve ser maravilhoso. Quem é ele? É tão famoso assim? É um ator ou cantor?
A enfermeira se aproxima dela e sorri amplamente; seus olhos acendem uma chama, como se este homem fosse o amor de sua vida. Ela então fala para Sofia tudo o que sabe dele, bom, o que ela pensa que sabe.
— Senhorita, ele é simplesmente o médico mais importante do país! Não deve conhecê-lo porque ele é famoso no mundo da saúde, é o maior cirurgião pediátrico que existe! Simplesmente o melhor!
A moça conta para ela, encantada, mas deixa que Sofia o conheça melhor que ninguém. Ela hoje sabe de toda a sua vida e, sim, como mentor, ele foi maravilhoso, mas ela pensa que ele nem é tudo isso. Um olhar descrente ela lança para a enfermeira.
— Suponho que deve ser por não saber nada de medicina; na verdade, nunca ouvi falar nesse homem!
A enfermeira então diz a ela que ele é dono de uma cadeia de hospitais por todo o mundo, mas que o seu principal é em Galápagos, onde ele tem a melhor maternidade e traz várias crianças ao mundo.
— Sabe? Além de um pediatra maravilhoso, o homem também é obstetra. Olha, quem me dera ter um homem como ele. Nem que fosse para trabalhar com ele, seria o máximo!
Sofia vê o entusiasmo da moça e a quer desenganar, mas não sabe como dizer a ela para não pensar se quer em pedir trabalho nesse lugar, que ali será a sua perdição ou o fim de sua humanidade. Então, sem poder fazer nada, ela apenas pergunta quando poderá sair de alta, e a enfermeira pede para ela aguardar, pois o médico ainda virá vê-la; se estiver em condições, poderá ir para casa. Ao ouvir as palavras dela, Sofia pensa logo para que casa voltará, pois a sua vida ela foi obrigada a deixar em Galápagos por causa do "senhor deus grego", que a moça ingênua admira e ela agora odeia mais que nunca.
— Acredito que o doutor passará aqui em breve, então relaxa nessas curtas férias e descansa, logo ele virá!
Sofia olha para a moça e pensa:
"Se ela soubesse o porquê estou de 'férias' aqui, jamais dormiria novamente em sua vida!"
Sofia sente a sua bochecha queimar, pois sabe que ela também jamais dormirá bem, pois o seu pesadelo recorrente a deixa em pânico. O que ela mais deseja é sair logo daquele hospital e encontrar um lugar para ficar, pois não acredita que aquele homem lhe dará mesmo abrigo e emprego, pois ninguém seria tão bom tolamente colocando uma pessoa acidentada e foragida em sua casa. Sofia pensa tanto no que lhe pode passar que acaba por adormecer e esquece que está ali, mas, sendo caçada por todos os lados, sabe que essa história ainda não acabou.
A tarde chega rapidamente e a voz de um homem acorda Sofia; ele questiona a sua saída do hospital. Ela não reconhece a voz do homem, mas sabe que não é a voz de Franco. Então, aliviada, ela olha em direção ao som das vozes, reconhece o rosto do homem que lhe fez uma oferta anteriormente.
— Doutor? Então já posso sair daqui? Não aguento mais ficar deitada nessa cama!
O médico olha para ela animado; o homem que pergunta por ela lhe olha maravilhado, é como se a conhecesse de toda uma vida! Ruy a cumprimenta imediatamente.
— Olá, senhorita Sofia, como está você? Conseguiu descansar estes dias de férias forçadas?
Sofia lhe sorri desconcertada e balança a cabeça, afirmando a pergunta que ele fez e então responde.
— Na verdade, acredito que já descansei demais!
Ruy olha para ela carinhosamente, se aproxima da cama e segura sua mão.
— Não diga isso, pois você sofreu um acidente e o fato de receber alta não significa que poderá ter uma vida normal agora. Ainda tem uma recuperação a seguir!
Sofia não pensou nisso, então ela tenta mover a perna e sente um enorme peso. Com um olhar assustado, ela levanta o cobertor e vê que sua perna esquerda está engessada.
— Oh, não! O que aconteceu na minha perna?
O médico, percebendo o susto, a acalma prontamente.
— Calma, senhorita, não passou nada grave! Mas, no acidente, a senhorita teve a perna fraturada em três lugares, portanto, não poderá andar normalmente por mais um ou dois meses.
Isso a preocupa, pois, se ela não pode andar, não poderá trabalhar! Onde ela ficará? Como ela irá se manter? Ela se pergunta e sua expressão é tão óbvia que Ruy responde de imediato a seus autoquestionamentos.
— Sofia, está preocupada sem razão. Já te disse há uns dias que irá ficar na minha casa; lá terá um trabalho, lembra? Já tem onde ficar, não se preocupe.
Sofia levanta o seu olhar para ele, observando os seus olhos de preocupação. Ela lhe sorri envergonhada, agradece baixinho o oferecimento daquele homem que lhe dá um espaço em sua vida e, entre os seus pensamentos e receios, o médico interrompe para afirmar sua saída daquele hospital.
— Senhorita Sofia, terá alta em duas horas e poderá seguir com a sua vida, mas tenha cuidado com essa fratura, cuide-se bem e, se precisar, pode entrar em contato comigo. Quero seguir observando-a!
O médico a deixa ali com o homem que lhe prometeu cuidados, um lar e emprego. Ela sente que algo está demais ali, sente que ele está ajudando demais, mas não entende o por que.
— Senhor Ruy, por que me ajuda? O senhor não tem por que fazer isso. Não precisa!
Ruy sorri para ela e decide, por fim, falar-lhe abertamente o qporquêafeta e o levou a querer cuidar dela.
— Querida, não mentirei. Decidi te ajudar porque você me lembra uma pessoa muito querida e também, a pedido de meu filho. Não sei se lembra, mas ele esteve aqui, ele te salvou a vida!
Ela se lembra, ela o viu e o seu coração se encheu de carinho por ele, mas ela não sabe por quê. Não conhece aquele garoto, nunca o viu e não entende por que sente tanto carinho por ele, já que não passa de um estranho que lhe salvou a vida. Mas Sofia sorri com os olhos, pois sente que aquele jovem menino salvou-lhe de todas as maneiras possíveis e ela sempre lhe será muito grata.
— Senhor Ruy, desde já gostaria de agradecer por tudo o que fazes por mim. Prometo que não o defraudarei e respeitarei a sua casa e a sua família!
Ruy ouve com atenção, pois sabe que ela realmente precisa de proteção, mas em seu coração, ele vê a sua falecida esposa e pensa como pode uma pessoa se parecer tanto a outra sem ter o mínimo de parentesco. Ele se aproxima, segura a mão de Sofia e lhe agradece por ter lhe trazido de volta para sua vida a paz e tranquilidade que ele precisava. Sofia não entende nada do que ele fala, mas aceita e, sorrindo, apenas contempla a sorte que lhe apresentou o acaso e, provavelmente, o destino. A tarde passa e, quase ao anoitecer, o médico entra no quarto de Sofia com os papéis de alta, que entrega para o homem que, a partir deste instante, se faz cargo dela e de seus cuidados. Sofia agradece ao médico por tê-la tratado tão bem. Ele pergunta se ela sente alguma dor ou desconforto, mas ela diz que não, diz que, mesmo com a força daquela pancada fortíssima, não sente nada e o seu corpo se fortificou mais pelo descanso.
— Sabe, doutor? Trabalhei tanto por semanas que penso que foi o melhor que me passou! Sabe? Me forçou a estas férias forçadas e acabou com a sobrecarga que vivia! Foi o melhor.
O médico entende isso, pergunta onde ela trabalhou e ela responde, mas não com a total verdade.
— Doutor, eu era doméstica e também estava atuando como babá, e isso é muito cansativo. Já não ia para casa há semanas, sabe?
O médico diz que entende e que este trabalho pode ser mesmo exaustivo, então se volta para Ruy e pede para que ele não a sobrecarregue de serviço também, mas ele promete que não o fará e que Sofia terá um emprego digno em sua casa, já que ali reside apenas ele e seu filho.
— Bom, doutor, podemos ir? Sofia precisa de descanso e eu preciso voltar logo; o meu filho nos espera em casa.
O doutor sorri e o parabeniza por ter uma esposa tão linda e o faz prometer que ela jamais passará por isso. Ruy diz que ele não precisa se preocupar, que ela cuidará muito bem. Ela agora entende como Franco não a encontrou, pois está registrada com o nome dele e não com o seu, o que significa que ele já sabe quem ela é!
Enquanto Joseph e Sofia conversam sobre Ruy e Ofélia e um suposto relacionamento que tiveram ou ainda têm, Renan organiza sua visita à casa do irmão para poder falar com ele e com Sofia sobre Franco. A foto dela na escrivaninha de Franco lhe chamou a atenção, pois ele disse que ela era sua noiva e que desapareceu, então há muitas coisas que devem ser esclarecidas! Ele se arruma para sair e, no caminho, liga para o seu irmão, que o manda ir para lá e esperá-lo.— Ruy, não demore a chegar, pois quero falar com Sofia perto de você, na sua presença! Quero testá-la!Ruy fica em silêncio por uns minutos e logo dá o seu parecer.— Renan, não precisa de mim em casa, pode falar com ela. Na verdade, prefiro não estar presente.Renan não entende o porquê de ele não querer estar presente na conversa, mas o questiona.— Irmão, não tem curiosidade de saber se é verdade o que Franco diz? Não quer saber se ela mente ou não?Ruy sorri no telefone e pergunta se ele levará seu bolígrafo. Renan responde
Após a conversa que teve com Ruy, Sofia disse estar apaixonada por outro homem, mas ela não disse quem era o tal homem e ele pode pensar o que quiser agora. Ela o deixou no quarto com o filho e foi para o seu, que é ao lado do escritório dele, onde descobriu tudo relacionado à sua falecida esposa.— Ele pode pensar o que quiser, não me importa! O que ele nunca deve saber é que me apaixonei por ele. Não quero mais problemas, tampouco ser outra Sara!Ela determina para si que não deseja amar Ruy, levanta-se de sua cama e vai para o terraço esperar Joseph chegar da escola para estudar. Essa agora é a sua maior riqueza e para qual pretende viver o tempo que tem de liberdade, pois não sabe o que mais poderá passar quando descobrirem Franco e sua quadrilha.Renan tem mais informações que deseja aclarar com ela e pensa que uma visita seria o melhor a se fazer, então decide visitar o seu irmão após o seu expediente na delegacia.— Alô, irmão?Renan liga para Ruy logo após voltar do hospital e
Meses se passaram desde a fuga de Sofia do hospital em que trabalhava. A busca por ela não durou muito, pois o acidente fez com que os "enfermeiros", mandados por Franco, voltassem correndo para o hospital e dissessem a ele que ela provavelmente poderia estar morta. Franco, por sinal, não acreditou, cuidando ele mesmo das buscas, ligando em todos os hospitais da região de Galápagos. O primeiro hospital que ele ligou foi o maior de Tortugale, onde ele tem amigos, mas nem mesmo ali houve sinal de Sofia. Apenas uma paciente havia entrado em emergência, mas ainda não tinham os seus dados, pois ela estava sem identificação. O problema é que a descrição da moça batia com a fisionomia de Sofia!Franco, após meses buscando em necrotérios e elegâncias, até mesmo fora da cidade, em agências de viagem, não encontrou pistas de que ela poderia ter partido, ou até mesmo falecido no hospital, nem ao menos enterrada, pois os cemitérios locais e em todo o estado não tinham dado entrada de nenhuma morta
— Não é possível! Não pode ser! Como ele pode se apaixonar por outra quando eu me dediquei a ele a vida inteira? Primeiro Sara e agora essa cópia barata dela? Isso não vai ficar assim!Ofélia ouviu a conversa de Ruy com o médico e, em seu desespero, pensa no que pode fazer para tê-lo para ela, e a única saída que encontra é fazendo Sofia desaparecer de uma vez da mansão.— É isso, ela tem que sumir, assim como apareceu, mas dessa vez será definitivo; nem Sara, nem ela ficarão no meu caminho. As lembranças eu me encarrego de apagar!Ofélia está determinada; ela sabe que tem algo que precisa fazer, mas precisa ser cuidadosa e recolher informações para logo conseguir acabar com Sofia e, de pronto, tirá-la do caminho de Ruy, o deixando livre para, sim, dessa vez, ficar com ela. Ela roda em seu quarto pensando no que pode fazer para atrapalhar esse possível romance, mas nada lhe vem à cabeça, então ela senta e respira fundo.— Vamos, Ofélia, põe a cabeça para funcionar. Você é inteligente
Após ouvir as palavras de Ruy, Ofélia se enche de ódio e amargura e grita palavras que podem fazê-la se arrepender mais à frente.— Então é isso? Jamais servi para ser a esposa do maior empresário de Galápagos? E o que me diz da falecida? Ela era suficiente, uma simples enfermeira como essa aí que ocupa o lugar dela?As palavras dela vão direto ao coração dele, que, neste momento de fúria, vai para cima dela no corredor, segurando-a pelo braço com força e grita suas verdades.— Qual é o seu problema? Por que tem de meter Sara e Sofia neste assunto, quando aqui tratamos do que não dará certo nunca entre nós? Te digo isso porque você não é mulher para mim, jamais será!Ele continua enquanto ela o observa assustada e com lágrimas nos olhos, mas a sua expressão é de medo e pavor!— Sabe de uma coisa? Pensa que não sei que esteve me cercando desde que começou a trabalhar aqui? Pensa que não via o seu olhar de inveja para a minha esposa? Você nunca foi discreta, Ofélia!Ele termina sua frase
Sofia desmaiou com a notícia que recebeu. Ela se parece mesmo à Sara, e o que é mais impressionante? É como se ela tivesse reencarnado, o que é impossível, já que ela não acredita nisso e, porque sempre ouviu falar nas histórias de que, para se reencarnar, tem que ter passado uma geração, o que não é o seu caso! Ela acorda após uns minutos, está nos braços de Ruy, que a leva para o seu quarto, e Joseph, ao seu lado, em desespero, chamando por ela.— Joseph, calma, filho! Ela está bem, só está desmaiada, provavelmente pela emoção que foi forte demais.Explica Ruy, caminhando com ela nos braços. Ele é alto e forte, tem rosto masculino, mas de traços delicados, o que atrai Sofia severamente para ele. Seus braços fortes são perceptíveis através da camisa social azul que veste; esta se ajusta como uma luva em seu corpo, mostrando os demais músculos de seu peito e ficando levemente folgada em sua barriga, que ela supõe ser tão definida quanto o seu peitoral amplo. Sofia consegue sentir o ca







