FAZER LOGIN— O que houve? Encontraram Sofia? Sabem onde está? Respondam!
Os seguranças disfarçados de enfermeiros não o respondem de imediato. Eles se entreolham e pensam em como darão a notícia a Franco. Por fim, um deles resolve falar.
— Senhor Franco, Sofia sofreu um acidente grave; acreditamos que está morta!
O diretor do hospital olha para os dois homens enormes à sua frente; sua expressão de fúria é transparente.
— Do que diabos estão falando? O que houve com Sofia?
A pergunta é direta e a expressão do homem é de puro ódio.
— Senhor, ela correu em direção à avenida e um carro a acertou em cheio! Apenas vimos seu corpo ser atirado em um grande muro de pedras, já nos limites da cidade vizinha!
Franco passa a mão nos cabelos; ele sente o seu corpo arrepiar e os nervos tremerem em confusão com o que sente. Sua expressão é fria, mas, por dentro, o seu corpo gela e ele não sabe o que fazer com os sentimentos desencontrados em seu peito, e sua mente gira em torno de Sofia.
— O que fizeram para ajudá-la? Ou não fizeram e a deixaram para morrer?
A pergunta faz com que os dois homens tremam de medo, pois sabem que o seu chefe é perigoso e, ao que parece, está mesmo preocupado com a enfermeira.
— Senhor, não conseguimos salvá-la, ela já não tinha pulso e, como haviam muitos carros passando, a deixamos ali, pois poderiam nos acusar e chegar até aqui, poderiam descobrir-nos.
Franco olha para os dois desconfiado, mas infelizmente não pode fazer mais nada; ele não pode procurar Sofia, não agora. Pensa que deve deixar as coisas esfriarem por um tempo, logo iniciar uma busca amigável por ela nos centros médicos e até mesmo nos cemitérios e necrotérios, pois, se realmente estiver morta, será menos uma preocupação, mas, se estiver viva e perdida, lesionada ou sabe-se lá o que possa ter lhe passado, ainda poderá falar dele, ou do que viu no hospital, e isso não pode jamais acontecer.
— Vão para os seus postos, vamos dar um tempo e logo retomaremos as buscas por Sofia. Quero ter certeza de que esteja mesmo morta!
Os rapazes se despedem de seu chefe e saem de sua sala, o deixando ali para pensar em como encontrar a enfermeira, mas carregam consigo a dúvida e a expõem entre si!
— Olha, P**e, não seria melhor contar a verdade ao chefe? Não confirmamos nada e, se Sofia estiver viva? Ela pode nos entregar!
P**e olha para o seu irmão gêmeo e lhe responde baixinho, franzindo a testa e o puxando pelo braço para o canto da parede.
— Paco, fica de bico fechado, cara! Quer que o chefe nos escute? Além disso, a vimos; ela não se mexia, está morta! Não voltará mais e, se estiver viva, deve estar vegetando!
Eles supõem pela pancada que ela tomou. O carro a jogou tão distante do local do acidente que ela realmente não deveria ter sobrevivido.
— Vamos, Paco. Não falaremos disso jamais! Entendeu? Esse assunto morreu aqui juntamente com aquela garota!
Os irmãos saem do corredor, seguem para suas casas e não tocam mais nesse assunto. Em sua sala, Franco pensa na possibilidade de encontrar Sofia em alguma parte, mas não quer levantar suspeitas e a única opção que tem no momento é ligar para o hospital mais próximo.
— Boa noite, é do hospital de Tortugale?
Franco questiona no atendimento do principal hospital da cidade de Tortugale. Ele pergunta se alguma moça deu entrada nessa noite ou pela tarde com o nome de Sofia. A recepcionista pede que ele aguarde na linha, pois irá buscar, mas antes, ela pergunta o seu nome e ele responde de imediato.
— Me chamo Franco, Franco Vitale, e sou amigo pessoal do diretor, Romenio!
A recepcionista abre um sorriso enorme, pois ele é praticamente uma celebridade, é simplesmente o maior pediatra e cirurgião obstétrico que existe no país, conhece todos do meio da saúde e é o solteiro mais cobiçado.
— Senhor Franco, aguarde uns minutos, que revisarei as entradas e lhe informarei se há alguém internado com esse nome aqui! Poderia informar se a moça é sua parente, esposa, namorada?
Franco se encontra sério e lhe diz que a moça é sua prima.
— Sofia é minha prima, trabalhava comigo e estava em um encargo meu quando desapareceu. O que me informaram é que foi atropelada; estou buscando-a desde a noite anterior.
A moça sorri e, ainda na linha, revisa as entradas, mas não vê nenhuma paciente com este nome. Ela vê que há uma moça que deu entrada no horário mais próximo, mas ela foi registrada com um nome diferente do que ele falou.
— Senhor Franco, me desculpe pela demora, mas não encontrei nenhuma paciente com esse nome. Posso ajudá-lo em algo mais?
Ele agradece à moça e diz que não, pede para ela informar se qualquer moça com esse nome der entrada, e a recepcionista responde prontamente que sim.
— Não se preocupe, senhor Franco, se souber de algo, lhe informo! Poderia deixar algum número para contato?
Franco, ainda sério, lhe passa o seu número privado, mas pede que ela apenas o use para lhe informar sobre sua prima, e ela concorda de imediato.
— Senhorita...? Como se chama?
Ela responde rapidamente.
— Rosa! Meu nome é Rosa, senhor Franco.
Ele então lhe agradece.
— Senhorita Rosa, gratidão pelas informações e espero que não seja um incômodo que me mantenha informado. Aguardo o seu contato!
A moça, contente, sorri e diz que sim, lhe informará o que souber. Franco desliga o telefone e, recostado em sua cadeira, pensa em Sofia.
— Sofia, é uma pena que não quis me ouvir, fugiu de mim e agora está morta! Uma pena, pois queria mesmo que fosse minha um dia!
Franco sente a suposta morte de Sofia, pois não sabe o que de verdade lhe passou, mas as possibilidades de que tenha saído viva de um acidente assim são quase impossíveis. Como não há dados no hospital, ele liga então para solicitar informações dos lugares onde ela poderia estar. Não conseguindo nada, Franco deixa a procura até ter uma pista do paradeiro de Sofia, pois ele não pode entregar sua cabeça de bandeja, pois, se ela foi encontrada, sabe-se lá o que andou contando por aí.
Franco, então, concentra-se em seu trabalho; ele tenta não pensar em Sofia, mas os seus sentimentos por ela são intensos. Ele não queria que ela fugisse; iria dar um jeito de salvá-la, mas ela, com tanto medo, fugiu e não lhe deu tempo de contar como seria o futuro para ela. Sofia passa mais uns dias no hospital; ela dorme quase todo o tempo em que convalesce no hospital, mas os seus sonhos a perturbam cada vez que fecha os olhos, pois lembra da cena horripilante que presenciou naquele nefasto hospital.
Sofia desperta em desespero; ela sente o seu coração disparar e o arrepio percorrer a sua espinha, sente como se ainda estivesse sendo perseguida e sente olhos sobre si, mas, ao abrir os olhos, ela vê ali parada uma enfermeira, com roupas brancas e jaleco como os dela. A moça, observando-a, percebe o seu medo e pergunta o que lhe passou. De maneira calma e serena, mas Sofia lhe responde ofegante.
— Tenho estes sonhos recorrentes com a perseguição; não sei o que acontecerá quando sair daqui, sinto-me só e tenho medo.
A enfermeira lhe olha atenta e, ainda com sua calma, a alenta.
— Senhorita Sofia, peço que se mantenha calma, aqui estará segura, mas o que lhe passou? Pode contar-me se quiser.
Ela pensa se pode falar, pois, mesmo que a moça seja amável ou até mesmo tranquila, não muda o fato de que Franco conhece quase todo o país e as pessoas que vivem nele. Tornando fácil encontrá-la se ele quiser, então ela desiste de contar o que lhe passou no seu antigo trabalho, pensando agora em como viver e sobreviver em uma situação totalmente diferente e só. Ela então pergunta se alguém a veio visitar ou se a procuraram.
— Enfermeira... Cláudia? É, pode me dizer se alguém me procurou? Esteve alguém aqui comigo?
A enfermeira sorri e responde que sim. Ela diz que um rapaz chamado Joseph esteve ali com ela desde que a levou para ser socorrida e que o rapaz segue ligando e perguntando por ela.
— Apenas ele? Ninguém mais me procurou?
A enfermeira acha estranha a pergunta e diz que não, que ligaram perguntando por uma moça que sofreu um acidente, mas que o nome dado não foi encontrado no cadastro.
— Ligaram sim, procurando uma senhorita Sofia. Achei que era você, mas o sobrenome é diferente, então essa moça não esteve aqui e já lhe foi informado ao senhor Franco. Sabe? Ele é demais, todas aqui o conhecemos!
Ela sabe quem ele é e como pode ser um ímã de mulheres, mas o que ninguém sabe é o quão perigoso esse homem pode ser!
Enquanto Joseph e Sofia conversam sobre Ruy e Ofélia e um suposto relacionamento que tiveram ou ainda têm, Renan organiza sua visita à casa do irmão para poder falar com ele e com Sofia sobre Franco. A foto dela na escrivaninha de Franco lhe chamou a atenção, pois ele disse que ela era sua noiva e que desapareceu, então há muitas coisas que devem ser esclarecidas! Ele se arruma para sair e, no caminho, liga para o seu irmão, que o manda ir para lá e esperá-lo.— Ruy, não demore a chegar, pois quero falar com Sofia perto de você, na sua presença! Quero testá-la!Ruy fica em silêncio por uns minutos e logo dá o seu parecer.— Renan, não precisa de mim em casa, pode falar com ela. Na verdade, prefiro não estar presente.Renan não entende o porquê de ele não querer estar presente na conversa, mas o questiona.— Irmão, não tem curiosidade de saber se é verdade o que Franco diz? Não quer saber se ela mente ou não?Ruy sorri no telefone e pergunta se ele levará seu bolígrafo. Renan responde
Após a conversa que teve com Ruy, Sofia disse estar apaixonada por outro homem, mas ela não disse quem era o tal homem e ele pode pensar o que quiser agora. Ela o deixou no quarto com o filho e foi para o seu, que é ao lado do escritório dele, onde descobriu tudo relacionado à sua falecida esposa.— Ele pode pensar o que quiser, não me importa! O que ele nunca deve saber é que me apaixonei por ele. Não quero mais problemas, tampouco ser outra Sara!Ela determina para si que não deseja amar Ruy, levanta-se de sua cama e vai para o terraço esperar Joseph chegar da escola para estudar. Essa agora é a sua maior riqueza e para qual pretende viver o tempo que tem de liberdade, pois não sabe o que mais poderá passar quando descobrirem Franco e sua quadrilha.Renan tem mais informações que deseja aclarar com ela e pensa que uma visita seria o melhor a se fazer, então decide visitar o seu irmão após o seu expediente na delegacia.— Alô, irmão?Renan liga para Ruy logo após voltar do hospital e
Meses se passaram desde a fuga de Sofia do hospital em que trabalhava. A busca por ela não durou muito, pois o acidente fez com que os "enfermeiros", mandados por Franco, voltassem correndo para o hospital e dissessem a ele que ela provavelmente poderia estar morta. Franco, por sinal, não acreditou, cuidando ele mesmo das buscas, ligando em todos os hospitais da região de Galápagos. O primeiro hospital que ele ligou foi o maior de Tortugale, onde ele tem amigos, mas nem mesmo ali houve sinal de Sofia. Apenas uma paciente havia entrado em emergência, mas ainda não tinham os seus dados, pois ela estava sem identificação. O problema é que a descrição da moça batia com a fisionomia de Sofia!Franco, após meses buscando em necrotérios e elegâncias, até mesmo fora da cidade, em agências de viagem, não encontrou pistas de que ela poderia ter partido, ou até mesmo falecido no hospital, nem ao menos enterrada, pois os cemitérios locais e em todo o estado não tinham dado entrada de nenhuma morta
— Não é possível! Não pode ser! Como ele pode se apaixonar por outra quando eu me dediquei a ele a vida inteira? Primeiro Sara e agora essa cópia barata dela? Isso não vai ficar assim!Ofélia ouviu a conversa de Ruy com o médico e, em seu desespero, pensa no que pode fazer para tê-lo para ela, e a única saída que encontra é fazendo Sofia desaparecer de uma vez da mansão.— É isso, ela tem que sumir, assim como apareceu, mas dessa vez será definitivo; nem Sara, nem ela ficarão no meu caminho. As lembranças eu me encarrego de apagar!Ofélia está determinada; ela sabe que tem algo que precisa fazer, mas precisa ser cuidadosa e recolher informações para logo conseguir acabar com Sofia e, de pronto, tirá-la do caminho de Ruy, o deixando livre para, sim, dessa vez, ficar com ela. Ela roda em seu quarto pensando no que pode fazer para atrapalhar esse possível romance, mas nada lhe vem à cabeça, então ela senta e respira fundo.— Vamos, Ofélia, põe a cabeça para funcionar. Você é inteligente
Após ouvir as palavras de Ruy, Ofélia se enche de ódio e amargura e grita palavras que podem fazê-la se arrepender mais à frente.— Então é isso? Jamais servi para ser a esposa do maior empresário de Galápagos? E o que me diz da falecida? Ela era suficiente, uma simples enfermeira como essa aí que ocupa o lugar dela?As palavras dela vão direto ao coração dele, que, neste momento de fúria, vai para cima dela no corredor, segurando-a pelo braço com força e grita suas verdades.— Qual é o seu problema? Por que tem de meter Sara e Sofia neste assunto, quando aqui tratamos do que não dará certo nunca entre nós? Te digo isso porque você não é mulher para mim, jamais será!Ele continua enquanto ela o observa assustada e com lágrimas nos olhos, mas a sua expressão é de medo e pavor!— Sabe de uma coisa? Pensa que não sei que esteve me cercando desde que começou a trabalhar aqui? Pensa que não via o seu olhar de inveja para a minha esposa? Você nunca foi discreta, Ofélia!Ele termina sua frase
Sofia desmaiou com a notícia que recebeu. Ela se parece mesmo à Sara, e o que é mais impressionante? É como se ela tivesse reencarnado, o que é impossível, já que ela não acredita nisso e, porque sempre ouviu falar nas histórias de que, para se reencarnar, tem que ter passado uma geração, o que não é o seu caso! Ela acorda após uns minutos, está nos braços de Ruy, que a leva para o seu quarto, e Joseph, ao seu lado, em desespero, chamando por ela.— Joseph, calma, filho! Ela está bem, só está desmaiada, provavelmente pela emoção que foi forte demais.Explica Ruy, caminhando com ela nos braços. Ele é alto e forte, tem rosto masculino, mas de traços delicados, o que atrai Sofia severamente para ele. Seus braços fortes são perceptíveis através da camisa social azul que veste; esta se ajusta como uma luva em seu corpo, mostrando os demais músculos de seu peito e ficando levemente folgada em sua barriga, que ela supõe ser tão definida quanto o seu peitoral amplo. Sofia consegue sentir o ca







