FAZER LOGINSem sonhos, sem preocupação, apenas um leve descansar e logo um pesadelo a confronta! Aquele mesmo sonho recorrente de uma perseguição, a sensação de estar sendo caçada e de ser pega por um homem que agora parece ser o seu chefe a lhe perseguir. Sofia entra novamente em desespero e não sabe onde está! Ela acorda com o coração acelerado, mal se lembra do que lhe aconteceu, mas aquele rosto jovem que a observa lhe parece familiar. De onde ela conhece esse rapaz?
— Onde estou? O que faço neste hospital? Como vim parar aqui?
Ela questiona o menino que a observa, atento e preocupado.
— A senhora foi atropelada na estrada. Eu a socorri para este hospital. Sente-se melhor?
A pergunta do garoto lhe parece incabível; ela olha ao redor e pensa estar no hospital de onde ela fugiu no dia anterior. Ela se desespera e pergunta ao rapaz que hospital é esse e para onde a levou.
— Onde estou? Que hospital é esse? Me diz que não me trouxe para o San Joseph!
O rapaz lhe sorri e responde alegre que não lhe trouxe para o SanJoseph e que este hospital fica em outra cidade, que ela pode ficar tranquila, que ele a trouxe para um bom hospital e que ela veio todo o caminho resmungando a mesma frase de agora.
— A senhora repetiu tanto isso. O que aconteceu neste hospital?
Ana vira o rosto; ela não quer falar nisso, não agora, pelo menos. Ela apenas quer desaparecer e jamais voltar para aquele lugar.
— Deve ter sido algo muito grave e ruim; não perguntarei mais! Vou resolver um problema e volto logo, ok?
O rapaz sai do quarto de Ana, que, ao vê-lo sair, se sente desprotegida, mas vê que está no soro e não tem como nem por que fugir, pois não tem para onde ir; o jeito é confiar.
— Tenho que arrumar um emprego e um lugar para ficar, não posso ficar por aqui por muito tempo, podem me encontrar, não quero fazer mal a este menino!
Ela conversa consigo em sussurro, quando o rapaz entra acompanhado de um homem bonito e alto, de cabelos negros, terno; parece ser um homem muito rico. Ele não parece ser um médico, mas percebe-se que tem muito dinheiro e poder!
— Esta é a moça de quem te falei. Encontrei-a caída ao chão após um acidente. O senhor pode ajudá-la? Olha só, ela é enfermeira!
O homem olha atento para Sofia, procurando algo que a deixe desconfortável, mas ela não sabe o que poderia ser. Ele então sorri para ela, que não entende nada.
— Do que sorri, senhor? Acha engraçado o estado em que me encontro?
Ele sorri mais ainda; é como se soubesse algo que ela não sabe sobre ela mesma, e isso a incomoda.
— Joseph, querido, pode nos deixar a sós um momento? Prometo que será rápido.
O rapaz olha para ela, que implora com o olhar para que ele não se vá. Ela não sabe como pedir, mas seu olhar de preocupação o deixa desconfortável; é quase como se ele fosse um parente dela. Ela sente e ele também.
— Ruy, me deixa ficar! Olha só, ela está com medo!
O homem toca o ombro do rapaz e se dirige a ele.
— Calma, filho, sabe que não a machucarei! Agora vá, logo eu te chamo.
O rapaz olha para ela e sussurra que ela ficará bem e que ele estará do lado de fora do quarto, saindo e a deixando ali com o seu pai. Sofia vira o rosto; ela não quer ver o homem ali presente, mas ele quer e se aproxima dela com um sorriso desafiador.
— Calma, Sofia, não te farei mal algum! Pode olhar para mim, por favor?
Ela olha abismada para ele; como sabe o seu nome? Ela jamais o mencionou, então o desespero b**e forte em seu peito e ela começa a falar descontroladamente.
— Senhor, olha, não sei o que te disseram, mas eu não tenho nada a ver com o que passou lá, por isso fugi. Ele queria me silenciar e eu não fiquei para ver. Eu juro, não fiz nada, eu...
O homem segura a mão dela delicadamente. Agora, sério, ele pergunta o que aconteceu e como ela chegou ali.
— Sofia, calma, não precisa se desesperar, eu não sou da polícia e não vim prendê-la! Mas pode me contar o que passou e, assim, poderei te ajudar. O que acha?
Sofia olha para ele, ainda sem entender como sabe o seu nome, então resolve perguntar.
— Como sabe o meu nome? Como sabe quem sou?
Ele sorri novamente e retira do bolso o documento de identidade dela e o crachá, entregando-os para ela.
— Meu filho encontrou isso no bolso do seu jaleco, por isso sei o seu nome. Não se preocupe, não estou caçando nenhuma fugitiva, isso é trabalho do meu irmão!
Sofia sorri de canto e então se abre para conversar com ele, já mais calma.
— Então o seu irmão está me caçando?
Ele sorri novamente e, dessa vez, é um sorriso brincalhão e divertido, então lhe responde.
— Depende, você é uma criminosa procurada?
Ela lhe devolve um sorriso mais tranquilo e responde um pouco abalada.
— Bom, presenciei algo terrível no hospital em que trabalhava, mas juro que não tenho nada a ver com o que passou lá, mas temo ter sido denunciada, não tenho certeza.
Ruy olha para ela dessa vez com semblante sério. Ele não lhe responde de imediato, apenas observa o desespero apresentado em seus olhos. Para ele, esta mulher realmente precisa de proteção; ele a protegerá!
— Bom, senhorita Sofia, certo? É o seu nome?
Ela confirma que sim, e ele então lhe sorri dessa vez, estendendo a sua mão para ela segurar.
— Como dizia, não estou aqui para te prender, nem o meu irmão, afinal ele faz parte de outra jurisdição! Mas posso averiguar se há buscas por sua pessoa, se quiser.
Ela, ainda desconfiada e séria, lhe diz que sim, que ele pode averiguar qual é a sua situação. Porém, teme ter sido denunciada, pois sabe que o acontecido foi grave.
— Senhor, eu não tenho como te pagar o que fazes por mim. Como poderei agradecer? Não tenho dinheiro, mas posso arrumar um trabalho e pagar em parcelas as contas do hospit...
Ruy a interrompe; ele faz um gesto de mãos pedindo para ela parar de falar.
— Calma, senhorita, não precisa se desesperar! Vamos fazer assim: te darei um trabalho em minha casa. Não é de enfermeira, mas sei que te ajudará muito! Quanto às contas, deixemos assim, pode ser?
A oferta lhe parece boa, mas boa demais, e ela não sabe a que jogo este homem está jogando. Sua desconfiança é tamanha que ela pede a ele para lhe pagar tudo, que ele desconte do seu salário, então.
— Senhor Ruy, não posso aceitar as coisas assim, mas aceito o emprego, do que seja, e quero pagar-lhe tudo! Somente assim aceitarei o emprego e sua ajuda.
Ruy sorri novamente, percebendo que Sofia tem caráter e não quer se aproveitar dele. Ela demonstra gratidão e ele, o desejo amplo de ajudá-la, pois até mesmo mandou investigar o carro que lhe causou o acidente e a deixou ali, tirada e gravemente ferida.
— Sofia, você ficará uns dias aqui internada e arcarei com os custos, afinal é um pedido do meu filho; ele gostou muito de você! Logo irá para a minha casa e lá falaremos de trabalho, acordos, enfim.
Ela então segura a mão que ele estende e, por fim, sela seu acordo com o homem que lhe oferece trabalho e segurança.
— Está bem, senhor Ruy, mas mantenho a minha proposição: pagarei tudo ao senhor!
Ele sorri e aperta a mão dela, selando o acordo, e logo a deixa para descansar, pois percebe que ela tem sono e precisa descansar. Despedindo-se, ele sai do quarto dela, indo de encontro ao seu filho Joseph, que o aguarda no corredor. Ruy chama o seu filho para conversar e conta sobre o acordo em que chegou com Sofia.
— Mas, pai, o senhor não irá cobrar a ela esse dinheiro, não é? Pai, ela precisa e corre riscos!
Ruy sorri para o seu filho e o abraça. Ele diz que jamais descontará nada dela e que será a sua governanta, já que ainda não tem uma vaga na empresa e tampouco um hospital, que esse é o único trabalho que lhe pode oferecer.
— Filho, espero que ela aceite; é uma maneira de ajudá-la e, aqui para nós, investigarei o que aconteceu neste hospital e já mandei encontrar a pessoa que a atropelou!
Joseph carrega uma expressão de preocupação; para ele, é como se houvesse encontrado algo que perdeu. Para ser mais exato, Sofia lembra a sua falecida mãe e ele já a sente como de sua família.
— Pai, o senhor notou a semelhança que ela tem com a mamãe? Parece muito!
Ruy abraça o seu filho, sabe que a morte recente de sua mãe o afetou bastante, mas concorda com ele: Sofia parece com a sua falecida esposa quando era mais jovem. Eles não sabem como nem o porquê dessa coincidência, mas os corações de ambos se enchem de alegria por terem a chance de vê-la mais uma vez.
Enquanto Joseph e Sofia conversam sobre Ruy e Ofélia e um suposto relacionamento que tiveram ou ainda têm, Renan organiza sua visita à casa do irmão para poder falar com ele e com Sofia sobre Franco. A foto dela na escrivaninha de Franco lhe chamou a atenção, pois ele disse que ela era sua noiva e que desapareceu, então há muitas coisas que devem ser esclarecidas! Ele se arruma para sair e, no caminho, liga para o seu irmão, que o manda ir para lá e esperá-lo.— Ruy, não demore a chegar, pois quero falar com Sofia perto de você, na sua presença! Quero testá-la!Ruy fica em silêncio por uns minutos e logo dá o seu parecer.— Renan, não precisa de mim em casa, pode falar com ela. Na verdade, prefiro não estar presente.Renan não entende o porquê de ele não querer estar presente na conversa, mas o questiona.— Irmão, não tem curiosidade de saber se é verdade o que Franco diz? Não quer saber se ela mente ou não?Ruy sorri no telefone e pergunta se ele levará seu bolígrafo. Renan responde
Após a conversa que teve com Ruy, Sofia disse estar apaixonada por outro homem, mas ela não disse quem era o tal homem e ele pode pensar o que quiser agora. Ela o deixou no quarto com o filho e foi para o seu, que é ao lado do escritório dele, onde descobriu tudo relacionado à sua falecida esposa.— Ele pode pensar o que quiser, não me importa! O que ele nunca deve saber é que me apaixonei por ele. Não quero mais problemas, tampouco ser outra Sara!Ela determina para si que não deseja amar Ruy, levanta-se de sua cama e vai para o terraço esperar Joseph chegar da escola para estudar. Essa agora é a sua maior riqueza e para qual pretende viver o tempo que tem de liberdade, pois não sabe o que mais poderá passar quando descobrirem Franco e sua quadrilha.Renan tem mais informações que deseja aclarar com ela e pensa que uma visita seria o melhor a se fazer, então decide visitar o seu irmão após o seu expediente na delegacia.— Alô, irmão?Renan liga para Ruy logo após voltar do hospital e
Meses se passaram desde a fuga de Sofia do hospital em que trabalhava. A busca por ela não durou muito, pois o acidente fez com que os "enfermeiros", mandados por Franco, voltassem correndo para o hospital e dissessem a ele que ela provavelmente poderia estar morta. Franco, por sinal, não acreditou, cuidando ele mesmo das buscas, ligando em todos os hospitais da região de Galápagos. O primeiro hospital que ele ligou foi o maior de Tortugale, onde ele tem amigos, mas nem mesmo ali houve sinal de Sofia. Apenas uma paciente havia entrado em emergência, mas ainda não tinham os seus dados, pois ela estava sem identificação. O problema é que a descrição da moça batia com a fisionomia de Sofia!Franco, após meses buscando em necrotérios e elegâncias, até mesmo fora da cidade, em agências de viagem, não encontrou pistas de que ela poderia ter partido, ou até mesmo falecido no hospital, nem ao menos enterrada, pois os cemitérios locais e em todo o estado não tinham dado entrada de nenhuma morta
— Não é possível! Não pode ser! Como ele pode se apaixonar por outra quando eu me dediquei a ele a vida inteira? Primeiro Sara e agora essa cópia barata dela? Isso não vai ficar assim!Ofélia ouviu a conversa de Ruy com o médico e, em seu desespero, pensa no que pode fazer para tê-lo para ela, e a única saída que encontra é fazendo Sofia desaparecer de uma vez da mansão.— É isso, ela tem que sumir, assim como apareceu, mas dessa vez será definitivo; nem Sara, nem ela ficarão no meu caminho. As lembranças eu me encarrego de apagar!Ofélia está determinada; ela sabe que tem algo que precisa fazer, mas precisa ser cuidadosa e recolher informações para logo conseguir acabar com Sofia e, de pronto, tirá-la do caminho de Ruy, o deixando livre para, sim, dessa vez, ficar com ela. Ela roda em seu quarto pensando no que pode fazer para atrapalhar esse possível romance, mas nada lhe vem à cabeça, então ela senta e respira fundo.— Vamos, Ofélia, põe a cabeça para funcionar. Você é inteligente
Após ouvir as palavras de Ruy, Ofélia se enche de ódio e amargura e grita palavras que podem fazê-la se arrepender mais à frente.— Então é isso? Jamais servi para ser a esposa do maior empresário de Galápagos? E o que me diz da falecida? Ela era suficiente, uma simples enfermeira como essa aí que ocupa o lugar dela?As palavras dela vão direto ao coração dele, que, neste momento de fúria, vai para cima dela no corredor, segurando-a pelo braço com força e grita suas verdades.— Qual é o seu problema? Por que tem de meter Sara e Sofia neste assunto, quando aqui tratamos do que não dará certo nunca entre nós? Te digo isso porque você não é mulher para mim, jamais será!Ele continua enquanto ela o observa assustada e com lágrimas nos olhos, mas a sua expressão é de medo e pavor!— Sabe de uma coisa? Pensa que não sei que esteve me cercando desde que começou a trabalhar aqui? Pensa que não via o seu olhar de inveja para a minha esposa? Você nunca foi discreta, Ofélia!Ele termina sua frase
Sofia desmaiou com a notícia que recebeu. Ela se parece mesmo à Sara, e o que é mais impressionante? É como se ela tivesse reencarnado, o que é impossível, já que ela não acredita nisso e, porque sempre ouviu falar nas histórias de que, para se reencarnar, tem que ter passado uma geração, o que não é o seu caso! Ela acorda após uns minutos, está nos braços de Ruy, que a leva para o seu quarto, e Joseph, ao seu lado, em desespero, chamando por ela.— Joseph, calma, filho! Ela está bem, só está desmaiada, provavelmente pela emoção que foi forte demais.Explica Ruy, caminhando com ela nos braços. Ele é alto e forte, tem rosto masculino, mas de traços delicados, o que atrai Sofia severamente para ele. Seus braços fortes são perceptíveis através da camisa social azul que veste; esta se ajusta como uma luva em seu corpo, mostrando os demais músculos de seu peito e ficando levemente folgada em sua barriga, que ela supõe ser tão definida quanto o seu peitoral amplo. Sofia consegue sentir o ca







