FAZER LOGIN— Sofia, espera! Sofiaaaaaa!
Franco grita da grande porta de vidro do Hospital San Joseph; ele não deseja que sua principal testemunha delate suas atividades criminosas, então aciona os seguranças e a unidade psiquiátrica do hospital.
— Quero que a capturem, seja como for. Sofia não pode chegar à polícia, todo nosso trabalho estará acabado!
Ele decreta para a equipe de enfermagem psiquiátrica, com ordens de pegá-la com cuidado e sedá-la para não chamar a atenção de civis nem da polícia!
— Pois bem, entenderam o quê e como devem fazer?
Os funcionários dizem que sim e, em carros particulares e uma ambulância, eles seguem atrás de Sofia pelas ruas, e ela, em seu desespero, corre pela avenida, olhando para trás, sabendo que a irão encontrar. Então, a sua única opção é entrar na primeira loja que encontrar! Uma conveniência vem bem a calhar neste momento.
Sofia entra e ajusta sua roupa, seguindo direto para o banheiro do local, onde ela se senta no vaso sanitário, constatando o que acabou de passar, as coisas que ela acabou de ver no hospital, que por anos considerou sua casa e passou grande parte do tempo.
— O que aconteceu? O que foi aquilo? O que eu vi? Será que os meus olhos me enganaram?
Ela se pergunta, chorando e soluçando, com as mãos sobre o rosto. Ela vê as manchas de sangue em sua roupa e se pergunta se alguém a viu daquela maneira e rapidamente vai até a pia do banheiro, tirando o uniforme e vendo o que pode fazer para se livrar do sangue nas calças. Sofia encontra um sabonete líquido e retira a calça do corpo. Ela j**a a camisa na lixeira e fica apenas com a camisa de manga longa preta que usava por baixo.
— Pelo menos essa camisa não mostra as manchas de sangue!
Lavando o máximo que consegue, Sofia está atenta aos sons que vêm de fora do estabelecimento e percebe que a sirene da ambulância se aproxima mais e mais de onde ela está! Ela se apressa e veste a calça, já quase sem manchas, e solta os cabelos, puxando-os para frente do rosto! Ela sai do banheiro e vai até uma das mesas da lanchonete interna da loja de conveniências, pede um lanche e observa do lado de fora a ambulância se aproximar e parar ali na frente.
— Droga! São os enfermeiros da ala psiquiátrica; tenho que sair sem que me vejam!
Ela fala baixinho e pede para a moça do balcão um café preto, mas percebe que a máquina está sem café e a moça diz que irá buscar no estoque, pois o que tinha ali acabou. Então ela espera a moça sair e a segue para o estoque sem que a moça se dê conta. Entrando e se escondendo atrás de umas caixas, Sofia ouve um dos enfermeiros tocar a sineta do balcão insistentemente. Quando a moça sai do estoque, ele pergunta se ela viu uma moça entrar com roupas de hospital, e a moça responde que sim e que ela entrou no banheiro e até agora não saiu.
— Ela deve estar mal da barriga, hein?
A moça fala para eles que se apressam em entrar lá atrás de Sofia. A moça grita que não podem entrar no banheiro feminino, mas eles não ligam e entram mesmo assim! A moça vai atrás e, ao chegar na porta, encontra os rapazes vasculhando o banheiro e as cabines. Ela pede para eles saírem, mas os enfermeiros brtamontes não a ouvem e ela diz que, se quebrarem algo, terão de pagar. Então, um dos enfermeiros vê a pia suja de sangue e diz que Sofia deve estar por ali ainda. O outro diz que devem procurá-la por todo o lugar, mas a moça diz que apenas havia uma mulher antes e que ela pediu café e saiu.
— Esta mulher lhe pediu café?
Um deles pergunta e ela diz que sim, mas que, quando voltou do estoque, ela já não estava mais. Então eles correm e perguntam onde fica o estoque. Ela aponta para eles e pergunta se a mulher é perigosa. Eles dizem que sim e que ela matou algumas pessoas no hospital tentando fugir. A moça se assusta e pede para eles a pegarem, então, o mais rápido possível. Eles vão sorrindo direto para os fundos da loja e acendem as luzes, porém não encontram ninguém ali. Aproveitando a deixa, Sofia conseguiu escapar com sorte! Os enfermeiros pegam a blusa dela e a levam para Franco, voltando para o hospital.
— Senhor, não a conseguimos encontrar! Ela fugiu pelos fundos de uma loja e não sabemos para que lado foi!
Franco esmurra a mesa de sua sala; ele está furioso e liga para seu amigo no departamento de polícia de Galápagos.
— Chefe, o que o senhor vai fazer? Disse que não era para colocar polícia nisso!
Franco, com a sua mão livre e muita fúria, atravessa a mesa e segura com força o pescoço de um dos seus enfermeiros de contenção bruta, dizendo o que lhe passa na cabeça neste momento.
— Sabe? A vontade que tenho é de enforcar um inútil como você! Sumam daqui antes que eu o faça!
Franco ordena e continua com a sua ligação, pois o chefe do departamento de polícia aguarda a sua denúncia! Sofia escondeu-se num freezer e, como sabia que lá não olhariam, ela deixou a porta de trás aberta para que pensassem que teria fugido por ali, mas sabe que não daria tempo de escapar, então permaneceu aguentando o frio do freezer ali no estoque da loja.
— Agora preciso comer algo e descansar, mas onde?
Ela se pergunta, olhando em volta para ver o que tem de comida que possa levar, então encontra batatinhas e achocolatados, pão recheado e algumas guloseimas. Encontrando uma sacola de plástico ali perto, ela os deposita dentro sem fazer barulho e segue para a porta, abrindo-a lentamente. Olhando do lado de fora, Sofia percebe que o caminho a levará para a floresta; pelo menos ficará distante da cidade. Então, ela pensa que será o melhor, pois a sua casa deve estar sendo vigiada e ela não pode correr o risco de ser encontrada por Franco e seus comparsas!
Sofia sai vagarosamente pela porta, deixando-a encostada como fez outrora, mesmo sabendo que a moça, quando a vir assim, perceberá que alguém saiu ou entrou na loja pelos fundos. Então, apressando os passos, ela corre para dentro da floresta, ouvindo ao longe que a sirene está circulando pela cidade. Dessa vez, é a sirene da polícia e não pode cair em suas mãos, pois, conhecido como é, Franco deve ter amigos ou alguém comprado por ele para fazer o que lhe mande.
— Tenho que sair da rota da cidade, não posso arriscar ser pega por eles!
Ela repete alto e segue fora da trilha, andando sem saber para onde ir, sem telefone, sem mapa, apenas segue por onde ela sabe que a levará para longe daquela cidade infeliz. Após horas caminhando floresta adentro, Sofia percebe uma placa bem grande do alto de uma colina. Quase escurece, mas ela precisa descansar e encontrar um lugar protegido para ficar. Então, ela olha ao redor e vê ao longe uma cabaninha que parece abandonada e se aproxima devagar, observando se alguém está por ali, e não há sinal de vida alguma perto.
— Passarei a noite nesta cabana e amanhã sairei daqui em direção à cidade de Tortugale, que é a mais próxima. Procurarei ajuda por lá!
Ela abre a porta da cabana devagar; ela range um pouco, mas nada que alerte alguém. Entra e procura um quarto. Não há cama, mas há um colchão e lençóis empoeirados no armário, que ela pega e b**e, logo os forra e se deita rendida ao cansaço da noite aterrorizante e da fuga do hospital! Sofia não demora e cai logo no sono mais profundo; seus sonhos voltam mais fortes, com um homem lhe perseguindo, e vê um rapaz que lhe estende a mão. Ele lhe ajuda a sair do lugar aterrador em que se encontra. Ela segura sua mão e acorda assustada, o sol b**endo em seu rosto!
— Ah, não, tenho que sair daqui rápido!
Sofia pega a sacola com a comida que pegou na loja de conveniência, desce as escadas e pode ouvir vozes e latidos de cães. Estão longe, mas, se ela não sair dali, poderá ser pega pela patrulha que com certeza a busca! Ela corre pela porta de trás da cabana e segue em direção à estrada que segue embaixo da colina. É uma principal interestadual que corta Galápagos e Tortugale; ela segue atravessando no meio dos carros e, ao chegar quase do outro lado, um deles a acerta em cheio, atirando-a em uma rua transversal que leva a algumas residências de bairro nobre, e Sofia b**e com a cabeça em um grande muro alto cercado por flores e folhas, que amortecem o golpe em sua cabeça e a fazem desmaiar ali mesmo. O trânsito parou por causa do carro que acertou Sofia. O homem corre para ver onde ela foi parar com a pancada e se assusta, voltando para o carro e fugindo do local. E, para a sua tranquilidade, ele não faz a denúncia nem a socorre, pois ela poderia acabar no hospital de onde fugiu ou talvez presa, apesar do acidente.
— Olá, moça, você está bem?
Sofia ouve uma voz em seus sonhos; ela não sabe distinguir quem seja, mas vê a mão, mais uma vez, ajudá-la a levantar-se e, tonta, ela segura a mão do estranho que a oferece. Sofia abre os olhos desnorteada e percebe que o rapaz que a ajuda é apenas um menino de quinze ou dezesseis anos. Ele está preocupado e pergunta o que lhe passou. Ela responde com linguagem disforme:
— Eu sou, enferm... eu sin... acidente, eu não sei, eu...
O rapaz não entende nada, mas lhe oferece ajuda e diz que precisa levá-la ao hospital, mas ela diz que não e implora para ele.
— Não! Por favor, leve-me para outro lugar, para o San Joseph não!
O rapaz não entende o porquê de ela pedir isso, mas diz que o seu pai poderá ajudá-la e a leva com ele para um hospital pequeno perto de Tortugale.
— Não se preocupe, levarei você ao Hospital Santa Maria de Icasa. Lá você será bem cuidada!
O rapaz a pega no colo com uma força que parece de um adulto. Ele para um carro e pede ajuda, e Sofia desmaia novamente, não vendo mais nada após o seu resgate.
Enquanto Joseph e Sofia conversam sobre Ruy e Ofélia e um suposto relacionamento que tiveram ou ainda têm, Renan organiza sua visita à casa do irmão para poder falar com ele e com Sofia sobre Franco. A foto dela na escrivaninha de Franco lhe chamou a atenção, pois ele disse que ela era sua noiva e que desapareceu, então há muitas coisas que devem ser esclarecidas! Ele se arruma para sair e, no caminho, liga para o seu irmão, que o manda ir para lá e esperá-lo.— Ruy, não demore a chegar, pois quero falar com Sofia perto de você, na sua presença! Quero testá-la!Ruy fica em silêncio por uns minutos e logo dá o seu parecer.— Renan, não precisa de mim em casa, pode falar com ela. Na verdade, prefiro não estar presente.Renan não entende o porquê de ele não querer estar presente na conversa, mas o questiona.— Irmão, não tem curiosidade de saber se é verdade o que Franco diz? Não quer saber se ela mente ou não?Ruy sorri no telefone e pergunta se ele levará seu bolígrafo. Renan responde
Após a conversa que teve com Ruy, Sofia disse estar apaixonada por outro homem, mas ela não disse quem era o tal homem e ele pode pensar o que quiser agora. Ela o deixou no quarto com o filho e foi para o seu, que é ao lado do escritório dele, onde descobriu tudo relacionado à sua falecida esposa.— Ele pode pensar o que quiser, não me importa! O que ele nunca deve saber é que me apaixonei por ele. Não quero mais problemas, tampouco ser outra Sara!Ela determina para si que não deseja amar Ruy, levanta-se de sua cama e vai para o terraço esperar Joseph chegar da escola para estudar. Essa agora é a sua maior riqueza e para qual pretende viver o tempo que tem de liberdade, pois não sabe o que mais poderá passar quando descobrirem Franco e sua quadrilha.Renan tem mais informações que deseja aclarar com ela e pensa que uma visita seria o melhor a se fazer, então decide visitar o seu irmão após o seu expediente na delegacia.— Alô, irmão?Renan liga para Ruy logo após voltar do hospital e
Meses se passaram desde a fuga de Sofia do hospital em que trabalhava. A busca por ela não durou muito, pois o acidente fez com que os "enfermeiros", mandados por Franco, voltassem correndo para o hospital e dissessem a ele que ela provavelmente poderia estar morta. Franco, por sinal, não acreditou, cuidando ele mesmo das buscas, ligando em todos os hospitais da região de Galápagos. O primeiro hospital que ele ligou foi o maior de Tortugale, onde ele tem amigos, mas nem mesmo ali houve sinal de Sofia. Apenas uma paciente havia entrado em emergência, mas ainda não tinham os seus dados, pois ela estava sem identificação. O problema é que a descrição da moça batia com a fisionomia de Sofia!Franco, após meses buscando em necrotérios e elegâncias, até mesmo fora da cidade, em agências de viagem, não encontrou pistas de que ela poderia ter partido, ou até mesmo falecido no hospital, nem ao menos enterrada, pois os cemitérios locais e em todo o estado não tinham dado entrada de nenhuma morta
— Não é possível! Não pode ser! Como ele pode se apaixonar por outra quando eu me dediquei a ele a vida inteira? Primeiro Sara e agora essa cópia barata dela? Isso não vai ficar assim!Ofélia ouviu a conversa de Ruy com o médico e, em seu desespero, pensa no que pode fazer para tê-lo para ela, e a única saída que encontra é fazendo Sofia desaparecer de uma vez da mansão.— É isso, ela tem que sumir, assim como apareceu, mas dessa vez será definitivo; nem Sara, nem ela ficarão no meu caminho. As lembranças eu me encarrego de apagar!Ofélia está determinada; ela sabe que tem algo que precisa fazer, mas precisa ser cuidadosa e recolher informações para logo conseguir acabar com Sofia e, de pronto, tirá-la do caminho de Ruy, o deixando livre para, sim, dessa vez, ficar com ela. Ela roda em seu quarto pensando no que pode fazer para atrapalhar esse possível romance, mas nada lhe vem à cabeça, então ela senta e respira fundo.— Vamos, Ofélia, põe a cabeça para funcionar. Você é inteligente
Após ouvir as palavras de Ruy, Ofélia se enche de ódio e amargura e grita palavras que podem fazê-la se arrepender mais à frente.— Então é isso? Jamais servi para ser a esposa do maior empresário de Galápagos? E o que me diz da falecida? Ela era suficiente, uma simples enfermeira como essa aí que ocupa o lugar dela?As palavras dela vão direto ao coração dele, que, neste momento de fúria, vai para cima dela no corredor, segurando-a pelo braço com força e grita suas verdades.— Qual é o seu problema? Por que tem de meter Sara e Sofia neste assunto, quando aqui tratamos do que não dará certo nunca entre nós? Te digo isso porque você não é mulher para mim, jamais será!Ele continua enquanto ela o observa assustada e com lágrimas nos olhos, mas a sua expressão é de medo e pavor!— Sabe de uma coisa? Pensa que não sei que esteve me cercando desde que começou a trabalhar aqui? Pensa que não via o seu olhar de inveja para a minha esposa? Você nunca foi discreta, Ofélia!Ele termina sua frase
Sofia desmaiou com a notícia que recebeu. Ela se parece mesmo à Sara, e o que é mais impressionante? É como se ela tivesse reencarnado, o que é impossível, já que ela não acredita nisso e, porque sempre ouviu falar nas histórias de que, para se reencarnar, tem que ter passado uma geração, o que não é o seu caso! Ela acorda após uns minutos, está nos braços de Ruy, que a leva para o seu quarto, e Joseph, ao seu lado, em desespero, chamando por ela.— Joseph, calma, filho! Ela está bem, só está desmaiada, provavelmente pela emoção que foi forte demais.Explica Ruy, caminhando com ela nos braços. Ele é alto e forte, tem rosto masculino, mas de traços delicados, o que atrai Sofia severamente para ele. Seus braços fortes são perceptíveis através da camisa social azul que veste; esta se ajusta como uma luva em seu corpo, mostrando os demais músculos de seu peito e ficando levemente folgada em sua barriga, que ela supõe ser tão definida quanto o seu peitoral amplo. Sofia consegue sentir o ca







