INICIAR SESIÓNPOV BIANCAO crepúsculo em Big Sur tinha uma textura própria, uma densidade de cores e sentimentos que parecia desenhada sob medida para acalmar a alma.Não era apenas o céu se tingindo de um roxo profundo e tons de âmbar que se fundiam lentamente ao azul infinito do Pacífico; era a sensação física inegável de que o tempo, depois de tanto nos perseguir e tentar nos esmagar com contratos e ameaças, finalmente havia parado de correr contra nós. Podíamos respirar. Podíamos existir sem olhar por cima do ombro.A noite havia cumprido à risca o decreto estratégico de Julian. Clara e Lorenzo, após engolirem uma sobremesa correndo enquanto ouviam o pequeno Luke balbuciar seus primeiros sons no berço portátil, aceitaram de bom grado e com muitas piadas e piscadelas cúmplices do meu irmão — a missão de levar o sobrinho para dormir no quarto de hóspedes da ala norte.— Se ele chorar antes das seis da manhã, a chupeta azul está na necessaire ao lado do coelho de pelúcia, e por favor, não tentem a
POV BIANCAA areia fria mordia minhas costas nuas quando Julian me deitou na alcova de rochas, mas o calor que emanava do corpo dele sobre o meu era um incêndio que queimava qualquer sensação de desconforto. O céu dourado de Big Sur se estendia acima de nós, as gaivotas descrevendo círculos indiferentes enquanto o Deus da Guerra me devorava com os olhos.— Você é tão linda — ele murmurou, a voz rouca, os dedos traçando a curva do meu quadril através do tecido fino da calça de linho. — Eu passei meses sonhando com isso. Com você. Com o seu cheiro. Com o jeito que você geme quando eu te toco aqui.A mão dele deslizou entre minhas coxas, pressionando contra o centro do meu corpo através da calça, e eu arquei as costas involuntariamente, um gemido baixo escapando da minha garganta.— Julian... — sussurrei, e meu nome na boca dele soou como uma oração quando ele se inclinou para beijar meu pescoço, os dentes roçando a pele sensível, a língua traçando um caminho molhado até minha clavícula.
POV BIANCAO interior da mansão em Big Sur reverberava com uma frequência sonora completamente nova. Enquanto Clara assumia o comando absoluto da sala de estar — exibindo o pequeno Luke para Lorenzo como se ele fosse um troféu de copa do mundo, o som de risadas abafadas e discussões domésticas sobre a melhor técnica para fazer um recém-nascido arrotar nos dava um raro e precioso momento de trégua.Eu estava encostada na ilha da cozinha, terminando de ajustar o cordão da minha blusa de linho, quando dois braços firmes me rodearam pela cintura, puxando-me contra um peito duro e familiar. O cheiro limpo de sândalo misturado à brisa do mar invadiu meus sentidos antes mesmo que Julian encostasse os lábios na minha orelha.— Eles estão completamente entretidos — Julian murmurou em um tom baixo, a voz grave fazendo cócegas na minha pele. — O seu irmão já tentou segurar o Luke de três maneiras diferentes e a Clara já ameaçou confiscar a fralda se ele errar o lado do fecho de novo. É o momento
POV BIANCADois meses haviam se passado desde a chegada de Luke, transformando a nossa dinâmica em Big Sur em um relógio biológico impiedoso, pontuado por choros matinais, sorrisos banguelas involuntários e pilhas intermináveis de fraldas ecológicas. A calmaria da costa californiana continuava sendo o nosso refúgio particular, mas a solidão pacífica da mansão estava prestes a sofrer uma invasão altamente controlada e explosiva.Era uma manhã ensolarada de sábado. O vento do Pacífico soprava suave pelas paredes de vidro, trazendo o cheiro característico de maresia e eucalipto. Eu estava na ilha da cozinha, tentando tomar a minha primeira xícara de café quente enquanto observava Julian pelo visor da sala de estar.Ele vestia uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta básica, com o pequeno Luke apoiado com maestria contra o seu peito largo em um canguru ergonômico. Com uma das mãos livres, o ex-lutador da UFC mexia o leite especial na mamadeira, checando a temperatura no dorso da mã
POV BIANCATrês dias haviam se passado desde a nossa saída do Hospital. A mansão em Big Sur, que antes parecia um refúgio de silêncio e brisa marinha, havia sido completamente reconfigurada pelas leis implacáveis de um recém-nascido de três quilos e duzentos gramas.A nossa rotina diária agora girava em torno de ciclos caóticos de duas horas: mamadas, arrotos, trocas de fralda e breves lapsos de sono fragmentado que transformavam o tempo em uma dimensão elástica e abstrata. O silêncio da costa já não era pontuado apenas pelo som das ondas do Pacífico, mas pelos suspiros manhosos e pelos espirros minúsculos do pequeno Luke — nome que escolhemos juntos na nossa primeira noite em casa, celebrando a simplicidade de um começo limpo.Naquela manhã de sol suave, eu estava recostada contra as almofadas macias do sofá de linho branco na sala de estar, vestindo um robe cinza de algodão macio, com uma xícara de café com leite morno em uma mão e o meu tablet na outra.A notícia havia saído nas pr
POV JULIANO corredor do Hospital Costa do Pacífico em Monterey parecia ter quilômetros de extensão. O carpete azul-acinzentado abafava o som dos meus passos enquanto eu caminhava de um lado para o outro em frente à porta dupla de vidro fosco da sala de cirurgia obstétrica. Eu estava vestindo um macacão cirúrgico descartável azul-claro que parecia apertado demais nos meus ombros, touca na cabeça e propés nos pés. Meus punhos estavam cerrados dentro dos bolsos, e a adrenalina que corria pelo meu sangue era mil vezes mais intensa do que qualquer combate que eu já tivesse enfrentado no octógono da UFC ou nos porões clandestinos de Paris.Lá dentro, Bianca estava lutando a verdadeira guerra.A dilatação havia saltado de dois para dez centímetros em um intervalo de tempo ridiculamente curto, implodindo todos os prognósticos estatísticos do dr. Sterling. Quando chegamos ao pronto-socorro, a equipe médica agiu com precisão de cirurgia de guerra, e eu fui arrastado para o centro cirúrgico par







