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5- Entre a dor e a esperança

last update publish date: 2026-06-21 08:30:13

Ao ouvir o que ela disse, Jacob ficou constrangido, mas não desistiu.

— Olha, Liliane, eu sei que o que fiz no verão passado foi um erro. Eu estava bêbado e não tinha controle de mim mesmo. Juro que não queria ter feito aquela besteira. Me arrependi de verdade. Me dê uma chance de provar que mudei; amadureci, não sou mais o mesmo de antes.

— Quero te levar ao baile de formatura. Sei que com a minha presença você pode ser a rainha do baile.

Liliane sorriu e respondeu:

— Nossa, você realmente acha que me importo com isso? Todas essas coisas são fugas para mim, Jacob. Eu não iria com você a esse baile mesmo que você fosse o último homem na face da Terra.

—Qual é, Liliane? Não se faça de difícil. Agora, você passou cinco anos correndo atrás de mim; dava para ver nos olhares. E agora que finalmente eu te notei, você finge que não está afim.

Liliane olhou para ele e sorriu ironicamente.

— Você tem razão. Quando entrei nesse colégio, tudo que eu queria era chamar um pouco da sua atenção. Mas era porque você era veterano, me as como todos os outros, você foi um dos idiotas que me fizeram passar vergonha e apelidada de bolsista como se isso fosse uma doença. Você acha que eu esqueci que me convidou para a festa dos calouros, dizendo que era algo bom e importante que era uma regra da faculdade? Que todos estariam presentes e que era, uma festa de honra? Tudo que você queria era me humilhar enquanto Célia e suas amigas filmavam tudo ridicularizado— me e você me chamava de esquisita, ria da minha ingenuidade. O bolo que você me ofereceu foi apenas uma encenação; você fingiu que escorregou em mim. Você acha mesmo que eu esqueci disso?

Presta atenção no que eu vou dizer: nesses cinco anos em que te observei, não estava tentando chamar sua atenção; estava sentindo vontade de te enforcar, de te estrangular até a morte. Mas eu continha a minha raiva porque prometi à minha avó que não ia me meter mais em confusão.

Vê se se enxerga! Você acha mesmo que o mundo está aos seus pés? Que tudo se resume à popularidade? Ele está com uma garota porque é descolado; meu coração já está ocupado. Olha, sou negra? Sim. Sou pobre? Sim. Sou bolsista? Sim. Mas me orgulho de quem sou e tenho caráter. Você e ninguém mais vão me ver pelas esquinas ou nesses corredores humilhando alguém, a não ser que me humilhe primeiro. Prometi à minha avó que não iria me meter em confusão, mas já estou cansada das pessoas quererem pisar em mim. Não vou permitir isso nunca mais, muito menos nas pessoas que amo.

Disse ela sinceramente, fazendo uma cara de brava. Ele olhou para ela e sorriu, decidindo em seu coração que ia conseguir conquistá-la para depois humilhá-la em público; ele não sairia dando o braço a torcer para nenhuma garota.

Com um sorriso, ele olhou para ela e perguntou:

— Você está falando isso pelo que fiz com o Ethan ou com o Arthur?

— Mas por você eu posso pedir perdão a eles e nunca mais fazer nada.

Liliane olhou para ele sem um pingo de paciência para suas palhaçadas; ela já havia enxergado além e sabia que tudo aquilo era fingimento. Então sorriu sarcasticamente e disse:

— Mesmo que você passe dois dias de joelhos no chão em cima de caroço de arroz ou milho, ainda assim não teria chance comigo.

Liliane fechou os olhos e lembranças dolorosas invadiram sua mente. Ela havia enfrentado preconceito ao chegar na faculdade por ser bolsista, e ninguém quis dividir o quarto com ela naquela época. Sem dinheiro para lanchar, as pessoas riam e faziam bullying. Foi então que Deyse começou a dividir seu lanche e convidou Liliane para dividir o quarto. Deyse somava todos os gastos e enviava para o pai. Quando precisava comprar livros, ela procurava na internet, e o valor que pagava na faculdade era sempre dobrado: um livro para ela e outro para Liliane.

Por causa do preconceito, tanto por ser bolsista quanto pela sua cor, Liliane teve que aprender a se defender. Não estava sozinha; outras meninas também enfrentavam a mesma situação. Na época em que entrou na faculdade, um jovem muito popular e valentão costumava tomar os lanches das outras e ameaçá-las, exigindo que pedissem dinheiro para suas famílias em troca de segurança. As meninas morriam de medo.

Quando Célia e suas amigas cobraram a Liliane, ela se negou; também não tinha o dinheiro que exigiam. Foi nesse momento que Jacob apareceu no pátio. Ele se posicionou entre elas e disse:

— Não mexam com a novata; ela não tem dinheiro!

Ele estendeu a mão para Liliane, ajudando-a a se levantar. Quando ela confiou nele e estava quase de pé, ele soltou sua mão de repente, fazendo-a cair com as nádegas no chão duro. Todos riram. Jacob fingiu que foi sem querer ao levantá-la, mas Liliane não percebeu a zombaria em seu olhar.

Depois daquele dia, Jacob se tornou o seu crush, mas ele nunca dirigiu a palavra a Liliane. Mesmo quando ela falava com ele, ele a ignorava. Até que, no verão passado, ele mandou um cartão convidando-a para um encontro secreto. Nele, dizia que estava apaixonado e que não falava com ela porque não suportaria dizer "oi" sem beijá-la. Contudo, era proibido namorar na faculdade; caso contrário, seriam expulsos. Liliane acreditou nas palavras dele e foi até o local marcado.

Era um restaurante chique, com uma mesa linda arrumada e uma decoração romântica. Champanhe e petiscos estavam à sua espera. Quando ela chegou, não conseguiu acreditar no que via; tudo estava deslumbrante. A atmosfera era mágica e, em meio a isso tudo, Jacob estava de joelhos com um buquê de rosas vermelhas e brancas nas mãos.

— Você quer ser minha namorada? — ele perguntou, com um sorriso esperançoso.

Liliane sorriu para ele enquanto ele estendia a mão. Quando os dedos dela tocaram os dele, Célia apareceu de repente, dando um empurrão e derrubando Liliane no chão.

— Sai, sua palhaça! Você acha que esse pedido é pra você? Sou eu quem ele está pedindo em namoro!

Liliane olhou para Jacob e notou o sorriso dele. Em meio à confusão, ela mostrou o cartão para ele e perguntou:

— Por que você entregou aquilo pra mim?

A resposta dele a machucou profundamente.

— O que esse cartão? Não é nada... Eu só queria que você testemunhasse o meu pedido de namoro.

As gargalhadas ecoaram ao redor delas como facas afiadas. O coração de Liliane afundou enquanto ela percebia a cruel realidade: sua esperança se desmoronava diante dela. Mas o pior ainda estava por vir...

Tudo o que aconteceu foi filmado e colocado no blog de Célia, que tinha mais de dois milhões de seguidores. A vergonha e a humilhação eram insuportáveis para Liliane. Como se não bastasse a cena constrangedora, Jacob se virou para ela e perguntou:

— Será que não fui claro no dia em que você chegou? Te derrubei de propósito. Achou mesmo que você é digna de entrar no meu mundo?

Ele a olhou com desprezo, como se cada palavra fosse uma facada.

— Olha no espelho, garota idiota! Além de feia, não tem onde cair morta. Sem contar que não faz meu tipo. — Ele virou-se para Célia e disse: — Garçom, me der álcool! Preciso desinfetar minha mão onde essa imunda me tocou.

Liliane saiu correndo, com lágrimas nos olhos, sem olhar para trás. Ela só não foi atropelada porque o novato que havia chegado à faculdade a abraçou e se jogou para o lado, salvando-a de um acidente. Ao cair no chão, ele se machucou, mas Liliane ficou paralisada em cima dele por um bom tempo.

— Você está bem? — perguntou ela, voltando à realidade.

— Sim, estou... você só precisa sair de cima de mim — respondeu ele, com um sorriso tímido.

— Oh, desculpa! — disse ela rapidamente, levantando-se e acidentalmente colocando a mão em um local íntimo dele.

Ao perceber o que aconteceu, ficou extremamente constrangida e saiu correndo. Mas antes de ir embora, ela olhou para trás e gritou:

— Tome cuidado da próxima vez!

Mais tarde, enquanto tentava afastar os pensamentos ruins do dia, Liliane descobriu o nome do novato: Ethan. Ele estava fazendo faculdade de administração. Algo nele despertou uma curiosidade dentro dela; talvez fosse a gentileza que ele mostrou ao salvá-la ou o jeito despreocupado que tinha.

O dia havia sido um turbilhão emocional, mas talvez Ethan pudesse ser uma luz na escuridão em que ela se encontrava agora.

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