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Capítulo 222

last update publish date: 2025-08-11 00:59:30

O choro da pequena preencheu o quarto, mas, por um instante, todos sentiram algo mais. O ar mudou. Uma brisa suave entrou pela janela fechada, como se as paredes não pudessem contê-la. O fogo das tochas balançou, mas não se apagou — ao contrário, ardeu mais forte, lançando faíscas douradas que dançaram no ar antes de desaparecer.

Clarice ofegava, abraçando a filha junto ao peito, quando um feixe de luz atravessou a fresta da cortina, iluminando apenas o rosto da bebê. A pele dela parecia absorv
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    Décadas depois… O tempo passou como o vento que atravessa as montanhas — às vezes suave, às vezes impetuoso, mas sempre seguindo seu curso. Thunderwoof já não era a mesma vila que um dia lutou para sobreviver; era agora um reino vivo de pedra, madeira e histórias. As casas se erguiam maiores, as ruas eram largas e iluminadas por tochas que ardiam mesmo nas noites mais frias. O som dos martelos do ferreiro, o farfalhar das folhas, o tilintar dos sinos nas portas… tudo carregava a marca de uma terra que aprendeu a florescer mesmo após tantas tempestades. Os anos trouxeram rostos novos. As crianças de ontem eram hoje guerreiros, caçadores, curandeiros, líderes de patrulha. Netos corriam entre lobos patrulheiros, rindo alto, sem medo algum — algo que um dia parecia impossível. As velhas histórias de batalhas eram contadas em volta das fogueiras, mas já não com o peso da dor, e sim como lembranças que moldaram quem eram. Selene, a pequena Alfa de pelagem prateada, havia crescido p

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    Os anos correram como água de rio, ora serenos, ora turbulentos, mas sempre seguindo em frente, esculpindo margens e abrindo novos caminhos. Thunderwoof floresceu.A vila que antes carregava cicatrizes profundas de batalhas e perdas agora ostentava muralhas reforçadas, erguidas com pedra cinza e madeira tratada, capazes de resistir ao tempo e aos inimigos. Casas foram ampliadas, ganhando varandas cobertas por heras e janelas com flores que mudavam de cor a cada estação. As ruas, antes silenciosas e marcadas pelo peso da sobrevivência, agora viviam repletas de movimento — crianças corriam entre lobos patrulheiros, gargalhando, enquanto o som metálico das marteladas do ferreiro se misturava ao farfalhar das árvores ao vento.O cheiro era de vida — de pão fresco saindo do forno comunitário, de couro curtido para novas armaduras, e do mato recém-cortado nas áreas de treino. Ao fundo, o uivo distante de um lobo solitário lembrava que, apesar de tudo, a natureza seguia sua própria cadência.

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