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Capítulo 183 — LAUDO PSIQUIÁTRICO

last update publish date: 2026-02-27 02:30:20

DOIS MESES DEPOIS

LAUDO PSIQUIÁTRICO–FORENSE

Instituto Cantonal de Psiquiatria Forense — Genebra

Réu avaliado: Zayden ██████

Idade: 38 anos

Estado civil: Legalmente casado (em processo judicial de dissolução)

Encaminhamento: Determinação judicial

Objetivo: Avaliação de imputabilidade, risco de reincidência e perfil psicológico

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1. CONTEXTO DA AVALIAÇÃO

O avaliado encontra-se em prisão preventiva, acusado de crimes de violência sexual, agressão física, abuso psicológico continuado e
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    EPÍLOGOPOV LIANNAEu acordei antes de todo mundo.Não por medo.Não por alerta.Mas por hábito antigo que ainda não aprendeu que pode descansar.A casa estava silenciosa, exceto pelo som distante de passos adolescentes no quarto ao lado — Selina reclamando de algo banal, Selin respondendo com aquela calma provocadora que sempre teve. Vozes normais. Vidas normais.Levantei devagar.Passei pelo quarto do pequeno primeiro. Ele dormia atravessado na cama, o cabelo escuro colado na testa, uma mão fechada como se segurasse um sonho importante demais para largar. Beijei sua testa com cuidado.Desci para a cozinha.Adrian já estava lá.Café passado. Pão na torradeira. Camisa branca dobrada até o cotovelo. Óculos apoiados no nariz enquanto ele lia algo no tablet — provavelmente um artigo que nunca terminaria.— Bom dia — eu disse.Ele levantou o olhar e sorriu. O mesmo sorriso de anos atrás. O mesmo que nunca pediu nada além de presença.— Bom dia, esposa.Sorri de volta.Ainda me surpreendia

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    POV ZAYDEN — SETE ANOS DEPOISA cela não mudou.Sou eu que mudei.Ou talvez não.O cheiro continua o mesmo: metal velho, suor seco, produto de limpeza barato que nunca limpa nada de verdade. A luz entra por uma janela alta demais para ser alcançada, baixa demais para esquecer que existe um mundo do lado de fora.Sete anos.As pessoas gostam de transformar esse número em poesia. Sete anos como purificação. Sete anos como aprendizado.Mentira.Sete anos não ensinam nada a quem nunca acreditou estar errado.Aprendi apenas a esperar.No início, eu contava os dias. Depois, contei os meses. Hoje, conto apenas o que ainda me pertence.E não é muito.O poder foi o primeiro a morrer.Não de uma vez. Mas em camadas.Primeiro, perdi o telefone. Depois, o nome — aqui dentro, ninguém usa sobrenome. Depois, perdi o olhar das pessoas que antes baixavam a cabeça quando eu entrava numa sala.Aqui, ninguém baixa nada.Aqui, eu sou só mais um homem que achou que podia tudo.O julgamento foi um espetácul

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    POV LIANNADescobri que meus filhos tinham virado adolescentes no dia em que Selin passou pela cozinha sem dizer bom dia.Não foi rebeldia. Foi pressa.— Ei. — chamei. — Onde vai com essa mochila maior que você?— Escola. — respondeu, já no meio do caminho. — Trabalho em grupo. Chego mais tarde.Selina apareceu logo atrás, arrumando o cabelo no reflexo da porta de vidro.— Mãe, posso ir com a Maya hoje? — perguntou. — A gente vai passar na cafeteria perto do colégio.Olhei para os dois. Os dois cresceram rápido demais.— Que horas? — perguntei.— Antes do jantar. — Selina respondeu. — Prometo.Promessas adolescentes sempre vêm com asteriscos invisíveis, mas assenti.— Celular ligado.— Sempre. — Selin respondeu, distraído.Adrian observava da bancada, sorrindo daquele jeito calmo que ele desenvolveu ao longo dos anos. O sorriso de quem entende que crescer é perder o controle aos poucos.— Eles estão indo bem. — disse.— Estão indo… — respondi. — E me deixando pra trás.Ele riu.— Isso

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