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Capítulo 4

작가: Eirlys
— Freya, como... como você consegue cuspir tanto veneno?! — Os olhos de Chloe ficaram vermelhos no mesmo instante, e lágrimas enormes rolaram por suas bochechas como pérolas de um colar rompido.

— Freya! Cale a boca! — Rugiu Caleb, com as veias da testa saltadas. Ele encurtou a distância entre nós e se ergueu ameaçadoramente diante de mim, como se quisesse me despedaçar.

— Como ousa mencionar o que aconteceu naquela época? Por causa daquele ataque, Chloe ainda tem pesadelos todas as noites!

Julian soltou uma risada fria, sem se preocupar em esconder o desprezo.

— Suas mentiras estão ficando cada vez mais patéticas, Freya. Acha que os ferimentos no corpo de Chloe eram falsos? Enquanto isso, você voltou sem um único arranhão. Nem sequer sabe mentir direito.

Victor nem se deu ao trabalho de olhar para mim. Com as mesmas mãos que antes costumavam me abraçar, ele acariciou delicadamente os cabelos de Chloe e sussurrou palavras carinhosas para confortá-la.

Ao vê-los defendendo Chloe com uma confiança tão cega, só consegui sorrir com amargura.

Naquela época, fui eu quem ficou trancada em um porão úmido pelos renegados e sofreu torturas durante três dias e três noites. Eles usaram chicotes especiais, que provocavam uma dor insuportável sem deixar uma única marca em minha pele.

No entanto, quando mal consegui escapar com vida e voltei para casa cambaleando, ninguém me recebeu com abraços ou demonstrou qualquer preocupação.

Em vez disso, Chloe declarou:

"Freya mandou aqueles renegados me machucar. Ela deve ter se escondido porque estava com medo de ser castigada."

E foi assim que a vítima se transformou na vilã.

Além disso, aquela não foi a única vez. Durante a última década, eles acreditaram sem questionar em qualquer coisa que Chloe dissesse. Há muito tempo, eu já estava entorpecida diante daquele desespero.

— Acreditem no que quiserem. — Murmurei com desdém, apoiando meu corpo debilitado contra a parede para sair dali.

— Aonde pensa que vai? Não vou deixar você sair por aí e me envergonhar outra vez!

Caleb agarrou meu pulso, arrastou-me brutalmente para fora do apartamento e me empurrou para dentro de seu carro. Depois de dirigir até a sede da alcateia, jogou-me em meu quarto.

A porta bateu com força e foi trancada pelo lado de fora.

— Até aprender a pedir desculpas direito a Chloe, nem pense em colocar os pés para fora deste quarto! — A voz fria de Caleb atravessou a madeira.

Desabei no chão gelado, sem forças sequer para me arrastar até a cama.

A degeneração da minha loba interior estava muito pior do que eu imaginava. Era como se meus órgãos estivessem sendo assados em uma fogueira e roídos por formigas.

Dormi durante um dia inteiro.

Quando acordei, espasmos lancinantes atravessavam meu abdômen. Tentei beber um pouco de água, mas, no instante em que ela chegou ao meu estômago, tive uma forte ânsia de vômito.

Inclinei-me para fora da cama e vomitei violentamente.

Não era água, era sangue.

A fechadura estalou. A porta se abriu, e Caleb entrou com uma expressão sombria.

Ao ver o sangue no chão e a bandeja de comida intocada, um lampejo de pânico atravessou seus olhos. Contudo, ele logo foi substituído por raiva e zombaria.

— Greve de fome? Freya, acha que vou ceder só porque resolveu fazer birra? — Debochou Caleb.

— Se tem coragem, morra de fome! Se morrer aqui dentro, ao menos poupará nossa alcateia da vergonha!

Ele bateu a porta com força e foi embora.

Olhei para a tigela de mingau e fechei os olhos com um sorriso autodepreciativo.

[Hospedeira... você está bem?]

A voz do Sistema ecoou em minha mente, carregada de pena.

[Estou bem. De qualquer maneira, só me restam cinco dias. Depois disso, vou estar livre, não vou?]

Respondi mentalmente.

[Hospedeira, eu queria contar que consegui garantir para você o privilégio de renascer.]

Explicou o Sistema com gentileza.

[Depois que seu corpo morrer naturalmente neste mundo, você será transportada para um novo mundo onde será muito feliz. Terá pais que a amarão de verdade e um companheiro predestinado que a valorizará mais do que a própria vida. Você será o centro do mundo de todos eles.]

Ao ouvir as palavras do Sistema, meu coração, que eu julgava estar morto, chegou a estremecer.

[É verdade? Posso... ir agora? Não quero mais esperar. Aqui é tão frio... e dói tanto.]

Sussurrei, enquanto uma lágrima escorria por minha bochecha.

[Sinto muito, Hospedeira. As regras do Sistema determinam que você precisa morrer naturalmente neste mundo. Não é possível romper o vínculo antes disso.]

[Ah...]

Fiquei decepcionada, mas logo aceitei.

[Está tudo bem. São apenas cinco dias, eu consigo esperar.]

Durante os três dias seguintes, não consegui manter nenhum alimento no estômago. Mal conseguia tomar alguns goles de água.

Meu corpo definhou rapidamente, e minha pele adquiriu uma palidez mórbida.

Na noite do terceiro dia, Caleb finalmente percebeu que algo estava errado.

Ele arrombou a porta com um chute e entrou correndo. Quando me viu deitada, quase sem respirar e alternando entre momentos de consciência e inconsciência, foi tomado pelo mais puro pânico.

— Freya! Freya, acorde!

Tremendo, ele me pegou nos braços e gritou meu nome.

Caleb chamou rapidamente um curandeiro, que conectou uma bolsa de soro à minha veia.

Quando os medicamentos começaram a fazer efeito e abri os olhos devagar, deparei-me com o olhar gélido e furioso de Victor.

Chloe estava aninhada contra o peito dele e me encarava timidamente.

— Freya, por favor, pare de se torturar desse jeito. — Pediu Chloe, mordendo o lábio com uma expressão injustiçada.

— Hoje era o dia em que Victor e eu partiríamos para nossa lua de mel. Você fez isso de propósito para obrigá-lo a ficar? Se era isso que queria, eu não vou mais. Só pare de se machucar, por favor.

Ao ouvir aquilo, Victor não conseguiu mais conter a raiva.

Ele avançou, agarrou meu queixo com brutalidade e me obrigou a encará-lo.

— Freya, você é patética!

— Escute bem: mesmo que se torture até morrer aqui mesmo, ninguém sentirá o menor pingo de pena de você!

A dor em meu queixo era intensa, mas meu coração já não sentia absolutamente nada.

Olhei para Victor — o homem que um dia amei mais do que a própria vida e por quem sacrifiquei metade da minha existência.

Não chorei, não implorei e nem tentei me explicar.

Apenas o encarei com tranquilidade, exibindo nos lábios um sorriso discreto e aliviado.

— Vá para sua lua de mel e faça uma ótima viagem. Não deixe que eu estrague seu ânimo. — Murmurei com a voz rouca, mas com absoluta sinceridade.

Victor ficou imóvel.

Ele nunca me viu tão calma. Sem perceber, afrouxou os dedos em torno do meu queixo.

Por um instante, apenas me encarou, completamente incapaz de responder.
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