LOGINO que Sofia disse batia exatamente com a imagem que Luana tinha dela em parte. Não falando do que ela teria feito na época, mas olhando agora para o passado, Luana desejava, mesmo que fosse só num "e se", que Sofia realmente tivesse conseguido impedi-la.Durante todos esses anos, Luana quase não viu Joaquim. Depois que a mãe foi para a Cidade J fazer pesquisa, ela basicamente passou a se cuidar sozinha. No fim das contas, quando era jovem e cabeça quente, o que mais faltava era alguém que soubesse guiá-la.No começo, David era igual, revoltado com o mundo, impossível de conversar. Faltava quem o colocasse nos eixos. Agora, Luana conseguiu puxá-lo um pouco de volta. Caso contrário, ele teria crescido de forma bruta, teimoso e autoritário, mandando sozinho na empresa, e talvez até brigasse com Tiago.O temperamento de David podia se desviar, mas Luana também cometia erros. Naquela época, tudo o que queria era se agarrar a alguma coisa. E, por ser a primeira vez que se apaixonava, se
Dante queria levar Luana e Sofia para jantar, então disse:— Eu levo vocês.Sofia recusou:— Sr. Dante, eu vou com a minha irmã no mesmo carro.Olhou para Luana com um sorriso impecável:— A gente vai atrás do seu carro, combinado assim.Dante queria mesmo era que Luana trocasse de carro e fosse com ele na Bentley, assim poderia aproveitá-la nos braços.Ele não respondeu, apenas esperou a opinião dela.Sofia, no entanto, já puxava Luana pela mão:— Vamos juntas.Dante ficou em silêncio.Antes, bastava conquistar Luana. Agora ainda precisava se comportar direitinho pra não irritar a cunhada. Se Sofia resolvesse falar mal dele pra Luana, sua imagem podia ir por água abaixo.No fim, só restou a ele voltar para a van onde estavam as crianças.Luana foi dirigindo o carro de Dante rumo ao centro da cidade.Ela já sabia dos planos que ele tinha feito para os pequenos, dois endereços ao todo. Um ficava na Zona 1 do Residencial Floris, o apartamento que Dante tinha preparado como casa deles de
Dante primeiro viu Luana, depois olhou para a mulher ao lado dela, quase da mesma altura. Sabia que era Sofia, então fez um leve aceno social com a cabeça.Sofia não reagiu.Quando Dante voltou o olhar para Luana, seus olhos suavizaram de imediato.— Vocês esperaram muito? Luana tinha chegado pontualmente. Ela mesma dirigia e nunca se atrasava. Estava prestes a responder que não fazia muito tempo, quando Sofia se agarrou ao seu braço e respondeu:— Quase uma hora.Luana virou-se, sussurrando:— O que você tá fazendo?Sofia respondeu no mesmo tom:— Dez minutinhos comigo já contam como uma hora.Curiosa, continuou:— Mana, você nem parece uma mocinha ingênua. Ninguém conseguiria te passar pra trás. Como é que num namoro você fica tão pura assim? Tem que fazer ele se sentir culpado, um pouquinho com pena de você. Não pode ser tão boazinha o tempo todo, entendeu?Luana franziu levemente as sobrancelhas. Antes, ela sempre tentava adivinhar o que Dante pensava, cuidando para nunca lhe caus
— Não!— Como assim, não?— Nossos temperamentos são diferentes, não dá pra conviver.Sofia ficou magoada:— Você me odeia porque minha mãe dopou seu pai e destruiu a sua família, não é isso?Luana já tinha visto a cara de pau da Sofia e sabia que ela estava fingindo.Uma pessoa capaz de xingar a própria mãe não era normal, ela simplesmente não ligava pro que os outros pensavam. Falar aquilo era só pra bancar a coitadinha.Sofia parecia completamente viciada no papel de irmã mais velha. Primeira vez na vida que podia ser irmã, e estava adorando:— Luana, não seja assim comigo. Eu nunca vou te machucar, ainda vou te proteger. Afinal, eu sou a irmã mais velha.Luana arqueou a boca num meio sorriso:— Já deu, vai. Com o jeito mesquinho do Joaquim, que não suporta ver minha mãe bem, esse casamento não vai durar muito.Depois que Sofia contou tudo aquilo, Luana começou a se lembrar de muitos detalhes da infância, por exemplo, o quanto Joaquim menosprezava as pesquisas acadêmicas da Janaina.
Luana dirigia, e Sofia estava no banco do passageiro.Quando o carro parou, Sofia virou-se pra olhar pra ela, os olhos cheios de admiração.— Você dirigindo é tão charmosa.Luana perguntou:— Você vive mandando gente me seguir, e ainda não sabia que eu dirijo bem?— Isso eu realmente não sabia. — Os olhos de Sofia até brilharam. — Quer dizer que você é ainda mais incrível do que eu imaginava?Luana não respondeu.Ela tinha a nítida sensação de que, não importa o que fizesse, exercia um tipo estranho de magnetismo sobre Sofia. E o pior, as investidas insistentes dela realmente funcionavam. Afinal, agora até dentro do carro Luana já deixava ela entrar.Na verdade, era porque Sofia sabia dosar bem a aproximação, e recentemente, tinha apresentado a Luana um diretor muito renomado do meio, capaz de comandar uma das séries da empresa.Luana não queria se envolver demais com ela, mas em reunião todos concordaram que seria uma ótima oportunidade de parceria, algo que não podiam perder.Como e
Ele tinha se esforçado tanto… e, no fim, foi só pra Dante colher os frutos?Henrique simplesmente não conseguia aceitar aquilo!Com os olhos vermelhos e os dentes cerrados, ele gritou:— Você me enganou de propósito, foi isso? Fala!Lucas franziu a testa.— Luana já terminou comigo. O que eu teria pra te enganar, Henrique? Não fica assim. Esse desfecho… você devia ter previsto.Henrique virou a mesa de centro, espalhando tudo pelo chão. A respiração ficou ofegante, estava à beira de um colapso, tomado pela urgência de fazer alguma coisa, qualquer coisa pra recuperar Luana e os filhos.Eram os filhos dele. Dele!Como Dante podia tomar o lugar que lhe pertencia?O barulho fez Ângelo vir correndo do jardim pra sala.Quando viu o chão coberto de destroços, franziu o cenho.— O que aconteceu?Henrique olhou pro pai, e uma mistura de ódio e ironia lhe atravessou o rosto.— Pai, isso tudo é culpa sua!Cada palavra saiu entre os dentes cerrados, num grito cheio de raiva, enquanto os ombros de






