LOGINPOV: Clara Martins“Existem objetos que guardamos porque pertencem ao passado. Outros esperam anos pelo momento de encontrar a pessoa a quem sempre pertenceram.”Lysandra andava de um lado para o outro havia tanto tempo que eu começava a suspeitar que abriria um caminho no piso.— Você vai acabar destruindo o palácio — falei.Ela parou.— Não estou nervosa.Olhei para Luke. Ele estava encostado perto da janela.— Ela está nervosa? — perguntei.— Muito — respondeu Luke.— Luke! — reclamou Lysandra.— Você perguntou.— Para ela!— E eu ajudei.Lysandra lançou um olhar mortal na direção dele. Luke sorriu. Aquilo me fez esconder o meu próprio sorriso.Não havia nada sobrenatural entre os dois. Pelo menos nada que eu conseguisse perceber. Mas Luke estava sempre por perto desde a Fortaleza, e Lysandra parecia tolerar a presença dele muito mais do que admitia. Eu conhecia aquele tipo de negação. Talvez bem demais."Está falando de você?"A voz de Kaos surgiu em minha mente. Olhei imediatamen
POV: Adrian“Há mensagens que atravessam fronteiras. Outras são capazes de derrubá-las.”Caelan não voltou naquela noite. Nem na manhã seguinte. Continuamos acampados exatamente onde ele ordenara, alguns metros antes da linha marcada no solo. Ninguém atravessou a fronteira.Gareth reclamou três vezes, Mira ameaçou amarrá-lo em uma árvore na quarta, eu considerei permitir.— Eles estão fazendo isso de propósito — resmungou Gareth, olhando para a floresta.— Fazendo o quê? — perguntei.— Nos deixando esperando.— Estamos diante de uma Alcateia que não mantém relações oficiais com a Coroa há duzentos anos. Algumas horas parecem razoáveis.— Já passou de um dia.— Então agradeça por ainda não terem nos expulsado.Mira estava agachada perto das marcas deixadas pelos lobos.— Eles continuam aqui.Olhei ao redor.— Viu algum?— Não.— Então como sabe?Ela apontou para o chão. Uma pegada nova. Não estava ali antes. Gareth ficou em silêncio. Sorri de canto.— Finalmente.O sol já estava alto q
POV: Luke Vance“Conhecer o nome do inimigo não significa compreender a guerra. Às vezes, significa apenas descobrir onde começar a procurar as perguntas certas.”Lysandra estava atrasada. Olhei novamente para a entrada do Salão do Grande Conselho. Nada.— Se continuar olhando para aquela porta, ela não vai aparecer mais rápido.Aurora estava sentada duas cadeiras à minha esquerda.— Não estou esperando ninguém.— Claro.— Estou esperando o Conselho começar.Ela olhou para o enorme relógio na parede.— Faltam doze minutos.— Exatamente.Aurora sorriu.— Continua péssimo em mentir.— E você continua irritante.— Algumas coisas sobrevivem ao tempo.Meu avô, sentado entre os Conselheiros Reais, olhou em nossa direção. Aurora imediatamente assumiu uma expressão inocente. Artur estreitou os olhos.— Vocês dois têm cinco anos?— Ela começou — respondi.— Traidor — murmurou Aurora.Não consegui evitar o sorriso. Por alguns segundos, aquilo pareceu normal.Então Lysandra entrou. Elara estava
POV: Adrian“Há fronteiras protegidas por muralhas e soldados. As mais antigas não precisam de nenhum dos dois para avisar que você não é bem-vindo.”A estrada desapareceu duas horas antes de chegarmos ao ponto indicado pelo mapa. Depois disso, restou apenas a floresta. Parei o utilitário diante de duas árvores enormes e desliguei o motor. Os outros dois membros da Guarda Real fizeram o mesmo no veículo que vinha atrás. O silêncio tomou conta do lugar. Retirei o mapa antigo da bolsa.— É aqui — falei.Gareth olhou pela janela.— Aqui onde?— Na antiga rota para o território Valen.— Não existe rota.— Existia quando fizeram este mapa.Mira saiu do outro veículo e se aproximou.— Encontramos marcas novamente.Desci.— Quantas?— Quatro.Seguimos até a lateral da trilha. Pegadas. Grandes. Muito maiores do que as de lobos comuns. Uma delas estava sobre o barro ainda úmido. Ajoelhei.— Recente.— Quanto? — perguntou Gareth.— Horas.Mira olhou para a floresta.— Estamos sendo observados d
POV: Lysandra Valen“Passei a vida inteira acreditando que não pertencia a lugar nenhum. Descobrir que talvez exista um lugar esperando por mim é muito mais assustador do que continuar sozinha.”Eu não conseguia dormir. Artemísia brilhava do outro lado da janela como uma cidade saída de algum livro que eu teria considerado fantasia poucos dias antes. Talvez ainda considerasse. Lobos. Lycans. Vampiros. Deuses. Fortalezas escondidas. Selos capazes de libertar alguma coisa que ninguém parecia disposto a explicar completamente.E eu, a humana que talvez não fosse humana.Segurei o pingente entre os dedos. Lysandra Valen. Meu nome. Pelo menos eu esperava que fosse. Ouvi duas batidas na porta.— Quem é?— Luke.Respirei fundo.— Entre.Ele abriu a porta, mas permaneceu na entrada.— Posso?— Você já abriu.— Posso entrar?— Pode.Luke entrou. Trazia uma bandeja.— Minha mãe mandou comida.— Não estou com fome.— Ela disse que você diria isso. — Colocou a bandeja sobre a mesa. — E disse que
POV: Ethan Vance“Quando alguém fala sobre o seu futuro como se você não estivesse presente, geralmente já decidiu qual papel pretende obrigá-lo a cumprir.”Eu preferia enfrentar Nox novamente. A conclusão surgiu enquanto observava três Lycans discutirem minha vida diante de uma mesa coberta por comida que ninguém parecia interessado em comer. O jantar oferecido pela Coroa após a primeira sessão do Grande Conselho deveria aliviar as tensões. Não funcionou. Representantes das Alcateias estavam espalhados pelo salão, formando pequenos grupos. Conselheiros conversavam em voz baixa, Lunas trocavam informações e Alfas discutiam segurança como se ainda estivessem dentro da reunião.Clara conversava com Aurora perto de uma das janelas. Eu tentava não olhar. Tentava. Kaos não ajudava."Ela está bonita.""Eu sei.""Então vá até ela.""Estou ocupado.""Você está ouvindo homens velhos falarem.""Exatamente.""Isso não é estar ocupado."Ignorei.— A sucessão precisa ser considerada dentro do cená







