A Noiva do Lobisomem Alfa: Marcada na Lua Cheia

A Noiva do Lobisomem Alfa: Marcada na Lua Cheia

last updateLast Updated : 2026-10-10
By:  A. C. BelemUpdated just now
Language: Portuguese
goodnovel18goodnovel
Not enough ratings
10Chapters
16views
Read
Add to library

Share:  

Report
Overview
Catalog
SCAN CODE TO READ ON APP

Eu fui entregue como noiva para o monstro que assombra o sertão de Gilbués. Todos dizem que ele é um lobisomem alfa, amaldiçoado, que marca suas noivas na noite de lua cheia e nunca mais as deixa partir. Na noite do meu casamento, ele me encurralou sob a lua sangrenta, seus olhos amarelos queimando no escuro. Eu deveria gritar. Eu deveria fugir. Mas quando ele rosnou "Você é minha" e cravou seus dentes no meu pescoço, meu corpo traiu minha mente. Ele me marcou. E agora, eu não pertenço mais ao mundo dos humanos. Ele é possessivo, perigoso e está obcecado por mim. E o pior? Uma parte de mim não quer mais fugir.

View More

Chapter 1

CAPITULO 1 - FUI ENTREGUE COMO NOIVA PARA O MONSTRO QUE ASSOMBRA GILBUÉS

Eu sempre achei que a história do lobisomem de Gilbués era só pra assustar criança.

Minha avó contava desde pequena, apontando pra Serra das Confusões no horizonte do Piauí: "Não vai pra lá na lua cheia, menina. O Alfa mora lá. Ele foi amaldiçoado por uma bruxa e toda lua cheia ele desce pra buscar uma noiva. Nenhuma nunca voltou".

Eu ria. Até hoje.

Hoje eu parei de rir. Porque meu nome foi colocado na caixa de oferenda.

Tudo começou ontem à tarde. O calor de Gilbués estava insuportável, aquele que racha a terra. Eu estava varrendo o terreiro quando os três anciãos da vila entraram na nossa casa de taipa sem nem pedir licença. Eles olharam pra mim, dos pés à cabeça. Eu com meus 21 anos, meu cabelo preto longo, meu vestido simples.

"Sua neta é a única virgem pura da linhagem das curandeiras que sobrou", disse o Seu Raimundo pra minha avó. "A colheita morreu. Os bichos estão morrendo. O Alfa está com raiva. Temos que entregar."

Minha avó começou a chorar. Ela se jogou no meu pé. "Não, por favor, é minha única neta! Levem outra!"

Mas não tinha outra. Todas as outras meninas da minha idade já tinham fugido de Gilbués pra Barreiras, pra Brasília. Só eu fiquei pra cuidar dela.

À noite, ela costurou um vestido branco pra mim. Um vestido simples de algodão. As mãos dela tremiam tanto que ela se furou várias vezes. "Me perdoa, minha filha. Se você não for, ele vem buscar a vila toda. Ele já fez isso em 1932".

Eu não dormi. Fiquei olhando a lua crescendo. Hoje era lua cheia.

Hoje de manhã, às cinco, me colocaram em cima de uma carroça. Ninguém falou comigo. As mulheres da vila jogaram pétalas de mandacaru em cima de mim, como se fosse um casamento. Só que eu não era noiva de um homem. Eu era a oferenda de um monstro.

A carroça me deixou na porteira da Fazenda Boi Morto. É uma fazenda que está abandonada há cinquenta anos, depois que o dono foi encontrado morto, com o pescoço rasgado. Dizem que foi o Alfa.

"Desce", disse o carroceiro sem olhar pra mim. "E não volta pra trás. Se você voltar, a maldição cai sobre Gilbués".

E ele foi embora, me deixando sozinha no meio do sertão, com aquele vestido branco ridículo, no pôr do sol.

Eu fiquei ali parada por uns vinte minutos, pensando se eu corria. Mas pra onde? O sertão é imenso. Eu ia morrer de sede.

Então eu empurrei a porteira rangendo e entrei.

A fazenda era pior do que falavam. A casa grande estava com as janelas quebradas, o mato tomando tudo. Tinha um cheiro forte no ar, cheiro de animal, de mato molhado, de homem. Um cheiro que me fez arrepiar inteira.

"Tem alguém aí?", eu gritei, com a voz fraca.

Nada.

Foi quando a lua começou a subir. Enorme, vermelha, cheia. A lua mais linda e mais assustadora que eu já vi em Gilbués. E com a lua, o vento parou. Tudo ficou em silêncio absoluto. Até as cigarras calaram.

E eu senti. Uma presença.

Meus pelos do braço arrepiaram. Meu coração começou a bater tão forte que parecia que ia sair pela boca. Era aquela sensação de estar sendo observada por um predador.

Ele saiu da escuridão da casa. Lentamente.

Eu juro que na hora eu esqueci de respirar.

Não era um monstro feio como eu imaginava. Era um homem. Mas não era humano.

Ele tinha mais de um metro e noventa de altura. Estava sem camisa, só de calça jeans preta rasgada. O corpo dele... meu Deus, o corpo dele parecia esculpido. Peito largo, tanquinho, ombros enormes, todo coberto de cicatrizes e de tatuagens tribais que brilhavam sob a lua. O cabelo preto, longo até os ombros, meio molhado. E o rosto... um rosto lindo, mas cruel. Maxilar quadrado, barba por fazer.

Mas os olhos. Os olhos dele não eram de gente. Eram amarelos, cor de mel derretido, brilhando no escuro. E quando ele me olhou, eu senti minhas pernas falharem.

Ele me cheirou. De longe, ele puxou o ar, como um lobo mesmo.

"Então é você", ele disse. A voz dele era grave, rouca, autoritária. Uma voz que não aceitava "não". Fez minha barriga contrair de um jeito que eu nunca senti. "A neta da curandeira. Eu senti seu cheiro desde a vila. Cheiro de medo e... de inocência. Você demorou."

Eu dei dois passos pra trás, pisando no meu próprio vestido.

"Não chega perto de mim! Eu não quero! Eu não sou sua noiva coisa nenhuma! Me deixa voltar pra minha avó!"

Ele riu. Foi uma risada baixa, sem humor.

"Voltar? Você acha que pode voltar depois que foi marcada pela lua? Olha pra sua mão, pequena."

Eu olhei. Na minha mão direita, onde as pétalas de mandacaru tinham tocado, tinha uma marca. Uma marca que não estava lá antes. Era uma meia-lua preta, pequena, brilhando levemente.

Eu comecei a chorar de desespero. "O que é isso? O que você fez comigo?"

"Eu não fiz. A lua fez. A maldição fez. Você foi escolhida", ele andou na minha direção. Cada passo dele fazia o chão tremer. "E agora você me pertence. Ninguém em Gilbués te contou a segunda parte da lenda, não é? O Alfa não só leva a noiva. Ele a marca. Na noite de lua cheia. E depois que marca, ela nunca mais quer partir."

"Eu quero sim! Eu vou embora agora!"

Eu virei pra correr. Foi inútil.

Em menos de um segundo ele estava na minha frente. Ele se moveu tão rápido que eu só vi um vulto. Uma mão enorme, quente como brasa, áspera, segurou meu pulso com força. Não com força pra machucar, mas com força pra dizer: você não sai.

O cheiro dele invadiu meu nariz. Cheiro de terra molhada, de fumaça, de homem puro.

"Me solta, monstro!"

"Meu nome é Gael", ele rosnou perto do meu ouvido, tão perto que o hálito quente dele bateu no meu pescoço. "E você vai gritar meu nome ainda hoje. Mas não vai ser de medo."

Ele me puxou. Me jogou por cima do ombro como se eu fosse um saco de farinha. Eu gritei, bati nas costas largas dele, mas parecia bater em pedra.

Ele me levou pra dentro da casa grande. Lá dentro era escuro, mas tinha uma lareira acesa, e uma cama enorme, de madeira rústica, com peles de animais em cima. Era a toca dele.

Ele me jogou na cama. Eu quiquei.

Ele ficou em pé na minha frente, me olhando de cima a baixo, os olhos amarelos descendo pelo meu vestido branco rasgado, pelas minhas pernas, parando no meu peito que subia e descia rápido.

"Você é linda", ele disse, com a voz mais baixa ainda, quase um rosnado. "Muito mais linda do que as outras. Por isso que a lua te escolheu."

"Não me toca", eu sussurrei, já sem força, encolhida na cama.

Ele se inclinou. Apoiou as duas mãos na cama, uma de cada lado da minha cabeça, me prendendo. O rosto dele ficou a centímetros do meu. Eu via cada detalhe. Via as presas levemente pontudas. Via a raiva e o desejo nos olhos dele.

"Eu vou te tocar, pequena", ele sussurrou. "Porque a partir desta noite de lua cheia, você é a noiva do lobisomem alfa. Você é minha. Só minha. E eu sou um Alfa possessivo. Eu não divido o que é meu."

A lua cheia entrou pela janela quebrada, iluminando nós dois. A marca na minha mão começou a queimar. E os olhos dele ficaram ainda mais amarelos.

A noite estava só começando.

O cheiro dele estava em todo lugar. Não era só o cheiro dele, era o cheiro da casa, das peles na cama, do próprio sertão. Era um cheiro selvagem que me fazia querer correr e ao mesmo tempo me deixava mole.

"Você está tremendo", ele percebeu, e a voz dele ficou um pouco menos cruel.

"Estou com medo de você", eu confessei, com lágrimas escorrendo. "Todo mundo diz que você mata. Que você rasga o pescoço das noivas."

Gael ficou em silêncio por um segundo. Os olhos amarelos dele escureceram.

"Eu nunca matei nenhuma noiva, pequena. Eu tentei salvá-las. Mas nenhuma aguentou a marca. A marca queima. A transformação dói. Elas imploraram pra voltar pra Gilbués. E quando voltaram, a vila as chamou de loucas."

Ele levantou a mão dele e com a ponta do dedo, áspero, limpou uma lágrima minha. O toque queimou.

"Você é diferente", ele sussurrou, quase pra si mesmo. "Seu sangue de curandeira... eu sinto. É forte. Você pode ser a primeira que aguenta ser minha de verdade. Ser a Luna do meu bando."

Luna? Bando?

"Eu não quero ser Luna de nada! Eu só quero ir pra casa!"

"Essa agora é sua casa", ele rosnou de novo, possessivo. Ele se deitou na cama ao meu lado, me puxando pela cintura, me forçando a ficar deitada no peito dele. O peito dele era duro e quente. Eu ouvia o coração dele batendo forte, descompassado, como se fosse um tambor. "E você vai dormir aqui. Nos meus braços. Porque hoje a lua vai te transformar. E vai doer. E quando doer, você vai gritar. E eu preciso estar aqui pra te impedir de se machucar."

Eu tentei me soltar, mas ele era forte demais. Ele me prendeu com um braço só, como se eu fosse nada.

"Durma, minha noiva. Amanhã você vai entender por que nenhuma quis ir embora de mim."

E a lua cheia brilhou ainda mais forte em cima de nós.

Meu corpo começou a tremer mais forte. Não era só medo. Era um calor estranho subindo da marca na minha mão para o meu braço inteiro. Eu olhei para Gael, desesperada.

"O que está acontecendo comigo?"

Ele sorriu, mas agora era um sorriso de dono, de alfa que finalmente encontrou o que procurava.

"Está começando, pequena. Você está se tornando minha."

E a dor veio.

A dor rasgou meu ventre e minhas unhas começaram a crescer como garras. Eu gritei. E quando olhei no espelho não era mais eu. Gael lambeu minha marca e sussurrou: "Agora você nunca mais vai poder fugir de mim, minha loba."

Expand
Next Chapter
Download

Latest chapter

More Chapters

To Readers

Bem-vindo ao Goodnovel mundo de ficção. Se você gosta desta novela, ou você é um idealista que espera explorar um mundo perfeito, e também quer se tornar um autor de novela original online para aumentar a renda, você pode se juntar à nossa família para ler ou criar vários tipos de livros, como romance, leitura épica, novela de lobisomem, novela de fantasia, história e assim por diante. Se você é um leitor, novelas de alta qualidade podem ser selecionados aqui. Se você é um autor, pode obter mais inspiração de outras pessoas para criar obras mais brilhantes, além disso, suas obras em nossa plataforma chamarão mais atenção e conquistarão mais admiração dos leitores.


No Comments
10 Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status