FAZER LOGINA Emboscada.Diana Prince.A estrada estava silenciosa demais, depois da nossa conversa, eu tinha uma sensação estranha de paz, não porque os problemas tivessem desaparecido.Mas porque, pela primeira vez, Pete e eu havíamos falado sobre o futuro sem fingir que não existia um.Ele dirigia, eu observava a chuva fina escorrendo pelo vidro, o carro da equipe do FBI seguia atrás de nós.Tudo parecia sob controle, até Pete olhar para o retrovisor.— Alguma coisa errada.Franzi a testa.— O quê?— O segundo carro mudou de posição.Olhei para trás.O veículo do FBI estava alguns metros mais distante.— Talvez tenha sido o trânsito.— Não.A voz dele ficou séria.— Eles não fariam isso.Pegou o rádio.— Unidade dois, situação?Nenhuma resposta.Pete tentou novamente.— Unidade dois, responda.Silêncio.Meu coração começou a acelerar.— Pete...— Fique calma.Ele acelerou.— O que está acontecendo?— Perdi contato com a equipe.Olhei para trás novamente.O carro ainda estava lá.Mas havia algo
Diana Prince. A estrada parecia não ter fim. As árvores passavam pela janela como sombras compridas, enquanto o céu cinzento ameaçava chuva. O carro do FBI seguia alguns quilômetros atrás de nós, mantendo distância suficiente para não chamar atenção. Pete dirigia em silêncio. Eu observava a paisagem. Depois de tudo que havia acontecido nos últimos dias, aquele silêncio deveria ser confortável. Mas não era, havia perguntas demais dentro de mim, perguntas sobre Rebecca, sobre minha mãe, sobre Victor e sobre Gleen. Sobre a minha liberdade e, principalmente, sobre o que aconteceria quando tudo aquilo terminasse. Se terminasse. — Você já pensou no que vai fazer quando isso acabar? — perguntei. Pete manteve os olhos na estrada. — Com a investigação? — Com tudo. Ele demorou a responder. — Todo dia. Olhei para ele. — E? — E nunca consigo chegar a uma resposta. — Por quê? — Porque eu não sei onde você estará. Meu coração apertou. Fiquei olhando para ele. — Você está dizen
Diana Prince Na manhã seguinte, eu descobri que uma pessoa não precisava apontar uma arma para destruir sua vida.Às vezes, bastava um telefone.Uma assinatura.Um cheque.Ou alguém importante disposto a acreditar na mentira certa.O primeiro sinal veio às sete e quarenta e três da manhã.Meu telefone não parava de vibrar.Notificações.Mensagens.E-mails.Quando finalmente criei coragem para abrir uma delas, senti meu estômago afundar.“Diana Gallagher volta a ser investigada por possível violação da condicional.”Li a manchete duas vezes.Depois uma terceira.— Não...Pete apareceu atrás de mim.— O que aconteceu?Entreguei o telefone.Ele leu.Sua expressão endureceu.— Isso foi rápido demais.— Eles estão fazendo parecer que eu fui pega com drogas.— Não foram encontradas drogas com você.— Mas encontraram no meu carro.— E nós sabemos como chegaram lá.— O público não sabe.Pete ficou em silêncio.Essa era a questão.Não importava mais o que era verdade.Importava o que as pesso
Diana Prince. Eu ainda estava olhando para a fotografia de Pete quando ouvi três batidas na porta. Não eram fortes, eram precisas. Três batidas. Pete imediatamente guardou a arma. — Fique aqui. Meu coração disparou. Os agentes do lado de fora deveriam ter avisado antes de qualquer pessoa se aproximar, Pete abriu a porta apenas alguns centímetros. Um agente do FBI mostrou a identificação. — Precisamos falar com Diana. Pete abriu. O homem entrou com uma expressão séria. — O que aconteceu? — perguntei. Ele segurava um envelope plástico transparente. — Encontramos isso no seu carro. Meu corpo inteiro ficou tenso. — No meu carro? — Estava escondido embaixo do banco do motorista. Ele colocou o envelope sobre a mesa. Dentro havia um pequeno pacote. Pete ficou olhando. — Não toque. O agente abriu o envelope com luvas. Dentro havia um celular descartável. E um saquinho contendo comprimidos. Meu coração afundou. — Isso não é meu. — Sabemos. — Então por que está no me
Diana Prince.Eu já conhecia o medo, conhecia o medo de uma cela se fechando, o medo de ouvir meu nome ser chamado em um tribunal, o medo de acordar e lembrar que minha vida havia sido destruída por uma mentira.Mas aquele era diferente, porque agora eu sabia que alguém estava me observando.E pior... Eu sabia que essa pessoa conhecia meus passos.Na manhã seguinte à mensagem sobre Rebecca, o FBI reforçou a segurança ao redor da casa, dois agentes ficaram do lado de fora, outro acompanhava nossos deslocamentos.Pete recebeu instruções para não ficar sozinho comigo, eu deveria ter me sentido protegida, mas a sensação era exatamente o contrário.Eu me sentia presa.— Isso não é proteção — falei, olhando pela janela. — É vigilância.Pete estava atrás de mim.— É temporário.— Tudo que envolve minha vida parece ser temporário.Ele ficou em silêncio.Virei-me.— Prisão. Condicional. Supervisão. Agora isso.— Diana...— E se for exatamente isso que eles querem?Pete franziu a testa.— O quê
Gleen PowellGleen Powell não gostava de surpresas, muito menos daquelas que vinham acompanhadas de silêncio.Sentado atrás da enorme mesa de madeira escura em seu escritório, ele observava a cidade através da janela enquanto segurava um copo de uísque que não havia tocado.O telefone estava sobre a mesa, uma única mensagem permanecia aberta na tela.A testemunha desapareceu.Gleam leu novamente.Depois bloqueou o aparelho.Rebecca Collins deveria ter sido apenas mais um nome esquecido, uma testemunha antiga, uma mulher assustada, alguém que havia permanecido em silêncio durante anos.Mas alguma coisa tinha mudado, o FBI havia encontrado a declaração e, pior ainda, alguém havia encontrado o caminho até ela, Gleen sabia exatamente quem.Diana Prince.Ele pronunciou o nome em voz baixa.— Diana...Havia algo quase irônico naquela situação.Anos atrás, ele havia observado aquela garota sendo levada para a prisão.Frágil.Confusa.Desesperada para provar uma inocência que ninguém queria o







