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Capítulo 5

Autor: Romênia
last update Fecha de publicación: 2026-05-11 10:36:13

Ela se aproximou e sentou-se no sofá. Radael pegou a caixa de primeiros socorros e começou a limpar o ferimento no pé dela:

— Posso levá-la ao hospital, se achar necessário.

— Estou sem documentos — respondeu Darla, cabisbaixa. 

— Se cuidar direitinho, acho que logo melhora.

Ele assentiu:

— Vou ver se ainda tenho antibiótico em casa, tenho quase certeza de que sobraram duas cartelas quando me machuquei no estábulo.

Darla permaneceu sentada na sala enquanto ele saiu. Logo ele voltou com as cartelas e um copo de água, entregando-lhes:

— Vamos calcular o horário da medicação. Como não fico aqui o tempo todo, vou anotar num papel e deixar na geladeira. Fique de olho no relógio da cozinha, quando estiver perto do horário, tome o remédio certinho.

Ele mexia no celular enquanto falava:

— Então… já pensou melhor no que vai fazer? Se tiver alguém esperando por você, posso leva-la.

Darla, pensativa, olhou o próprio pé antes de erguer o rosto, respondeu:

— Não… Eu só tinha minha antiga professora, mas ela já é idosa. Isso não vai dar certo. Eu não sei o que vou fazer.

Radael ficou parado à frente dela, ajeitou o chapéu, esfregou o rosto e falou sério:

— Pode ficar aqui até decidir o que fazer e melhorar, não me perdoaria se algo acontecesse com você. Menina, você não tem um pingo de juízo! Dormindo num ponto de ônibus… qualquer um podia passar e fazer maldade com você. Não pensou nisso?

Constrangida, ela assentiu:

— Pensei… mas o que eu podia fazer? Eu só não queria voltar. Achei que aqui ninguém me faria mal. Estamos no interior, não é? Quase todo mundo se conhece.

Ele olhou para o quintal, pensativo:

— É… quase todos. Mas você não me conhece. Eu mesmo poderia fazer mal a você. Não vou, não se preocupe… mas poderia.

Darla sentiu vontade de rir, conteve-se, levantou-se mancando, aproximou-se da porta e, olhando o quintal, disse:

— Tomara que não mesmo. Já estou aqui… fazer o quê?

Ele ficou olhando para ela e deu um sorrisinho malicioso, pensando no quanto ela parecia ingênua e divertida. O cabelo dela estava molhado, mais sem volume, levemente ondulado.

— Preciso ir trabalhar — disse ele.

— E você pode ficar à vontade, desde que não saia da casa grande. Deixe as portas fechadas e não vá para o quintal de jeito nenhum, não quero que a vejam, e lá fora há muitos funcionários.

Ela ficou levemente intrigada, mas concordou:

— Está bem. Obrigada outra vez.

Radael encerrou:

— Pode comer o que quiser. Mais tarde volto para almoçar.

Ele saiu, fechou a porta e montou na moto, foi seguindo para longe, dentro da fazenda. Darla espiou pela fresta da cortina enquanto ele se afastava. Na sala tinham várias fotos de família: os filhos dele ainda pequenos, parentes reunidos em festas. Ela observou tudo, curiosa para saber por que ele morava sozinho, sendo tão bonito, rico e, à primeira vista, um homem legal.

Sem ter muito o que fazer, voltou para o quarto exausta e acabou adormecendo, finalmente sentindo-se em segurança. Dormiu com a porta trancada por horas.

Quando deu o horário de almoço, Radael voltou, trazendo ovos do galinheiro e verduras para a salada. Sabia fazer de tudo na casa, embora raramente precisasse: a funcionária encarregada da cozinha estava doente, então ele se virava sozinho havia alguns dias. Entrou, chamou pelo corredor:

— Darla, tudo bem?

Sem ouvir nenhuma resposta, deduziu que ela dormia. Preparou o almoço, depois, bateu na porta do quarto de novo, e ouviu:

— Oi, já vou! — respondeu ela, sonolenta.

Darla levantou-se às pressas, ajeitou o vestido e o cabelo desgrenhado. Radael a ouviu destrancar a porta, ficou curioso sobre como ela se sentia, esperou. Ela abriu a porta, falou desconcertada:

— Desculpe, peguei no sono e não acordei. Nem sei que horas são… estou perdida. Desculpe mesmo, eu estava muito cansada.

Radael sorriu sutilmente e, virando-se em direção à cozinha, disse:

— Sem problemas. Imagino que não descansou nas últimas duas noites. Vamos almoçar? Não fiz grande coisa, não sou lá essas coisas na cozinha, mas minha funcionária está doente, então você vai ter que comer minha comida. Não é tão ruim. Está com fome?

Ela assentiu e o seguiu, mancando. Na cozinha, viu a mesa posta: macarronada com frango desfiado, ovos fritos, salada de rúcula e tomate, além de uma jarra de suco de limão.

— Estou surpresa — disse Darla. 

— Lá em casa, meu irmão não sabe nem fritar um ovo, e é admirável ver um homem como o senhor, com boas condições, sabendo fazer tudo isso.

Eles se sentaram. Radael riu:

— Um homem como eu, menina? Por que acha que me conhece só porque me viu algumas horas? Você não sabe nada sobre mim. É feio julgar um livro pela capa, sabia? Eu poderia fazer isso com você, e você não ia gostar.

O tom de desdém a deixou inferiorizada. Ela começou a comer em silêncio, usando a colher que ele havia posto apenas para servir. Ele percebeu o quanto ela era simples, embora educada. Olhou-a comendo e perguntou:

— O que aconteceu com seus pais? Por que seu irmão cuida de você? Quantos anos você tem, afinal?

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