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03

Autor: Autora NB
last update Fecha de publicación: 2026-01-29 10:41:08

Zara Nox

Meu estômago deu um nó.

- Todos os outros estagiários eram homens, mas... - ela inclinou-se um pouco para sussurrar - ele mesmo pediu que essa vaga fosse aberta para uma mulher. Dizem que somos mais organizadas.

Engoli seco.

- Sim... claro.

- O elevador é por ali. Último andar. Há uma recepção lá, com duas salas: a da presidência e a da vice. Boa sorte, Zara.

Sorri em agradecimento e segui para o elevador.

O coração batia rápido demais.

A cada andar que o número aumentava, parecia que eu subia para um outro tipo de vida.

Quando as portas se abriram, fui recebida por uma jovem elegante, provavelmente a secretária da vice-presidência.

- Boa tarde - disse ela. - Senhorita Nox, certo?

Assenti.

- O senhor Castellani está te esperando. Pode entrar.

As palavras ecoaram dentro de mim.

"Está te esperando."

Como se ele já soubesse exatamente quem eu era.

Empurrei a porta devagar.

E lá estava ele.

De costas, olhando pela janela panorâmica que dava uma visão perfeita da cidade.

Alto.

Postura impecável.

O terno escuro perfeitamente ajustado ao corpo.

Ele se virou quando a porta fechou atrás de mim, e, por um segundo, o ar pareceu desaparecer da sala.

Lorenzo Castellani.

O tipo de homem que você vê em revistas e acha que é photoshop.

O olhar dele era frio, calculado, e ainda assim... havia algo nele que me fez estremecer.

Aquele tipo de presença que não precisa de palavras para dominar o ambiente.

- Senhorita Nox. - A voz dele era grave, firme, e soava como uma ordem disfarçada de cumprimento. - Seja bem-vinda à Castellani Corp.

Tentei não gaguejar.

- Obrigada, senhor. É... uma honra.

- Pode se sentar. - Ele indicou a cadeira à frente da mesa de mogno.

Sentei, mantendo as mãos firmes no colo para esconder o tremor.

Ele se sentou também, os olhos fixos em mim.

E foi nesse instante que percebi algo estranho.

Ele parecia... me estudar.

Cada movimento, cada respiração.

- Veio da faculdade de administração, certo? - perguntou, abrindo uma pasta à frente.

- Sim, senhor. - Respondi o mais educadamente possível. - A diretora Flávia me enviou.

- Entendo. - Ele assentiu, sem desviar os olhos. - Gosto de conhecer pessoalmente quem trabalha perto de mim.

A intensidade do olhar dele me fez engolir em seco.

Tentei desviar, mas era impossível.

A cada segundo, eu me sentia mais presa ali.

Entre o nervosismo e uma curiosa atração que não fazia sentido algum.

- Parece nervosa. - Ele comentou, um leve sorriso nos lábios. - Costuma ser assim com todos os novos funcionários?

- Não, senhor... - menti. - Só não esperava ser recebida por... você.

Ele arqueou uma sobrancelha, divertido.

- "Você"? Não é assim que minhas funcionárias costumam me chamar.

O calor subiu até o meu rosto.

- Me desculpe... senhor Castellani.

Ele riu baixo, um som rouco, quase perigoso.

E por um instante, o ar entre nós pareceu mudar.

Ele apoiou os cotovelos sobre a mesa, entrelaçando os dedos.

- Diga-me, Zara, por que escolheu administração?

Olhei para ele, tentando manter a compostura.

- Porque quero entender o que faz o mundo girar, senhor.

- E o que faz o mundo girar, na sua opinião?

- Poder. - Respondi sem pensar.

Um sorriso quase imperceptível curvou seus lábios.

- Boa resposta.

O silêncio se instalou.

Mas não era um silêncio desconfortável.

Era denso. Quente.

Ele me olhava como se me conhecesse - e, ao mesmo tempo, como se tentasse decifrar algo que só ele sabia.

- Gosto da sua confiança. - Ele disse, por fim. - Vai precisar dela aqui.

Tentei sorrir, mas o coração estava acelerado demais.

Ele se levantou. O movimento fez o perfume dele preencher a sala - um aroma amadeirado, masculino, caro.

De repente, ele estava perto demais.

Encostou-se à mesa, a poucos passos de mim.

- O setor de administração começa às nove. Estará lá amanhã. - A voz dele saiu baixa, firme. - Sua função inicial será me auxiliar pessoalmente.

- Eu... pessoalmente? - repeti, surpresa.

- Exatamente. - O olhar dele desceu até meus lábios por um segundo - rápido demais para ser notado, mas eu notei. - Tenho a sensação de que você aprende rápido.

O ar sumiu dos meus pulmões.

Ele sorriu, quase imperceptível, como se soubesse o efeito que causava.

- Algo errado, senhorita Nox?

- N-não, senhor.

Ele voltou para trás da mesa e pegou um crachá.

- Bem-vinda oficialmente à Castellani Corp. - estendeu o crachá em minha direção. - E... Zara?

- Sim?

- Evite chamar atenção demais. Aqui dentro, tudo o que brilha demais costuma ser perigoso.

Havia uma seriedade na voz dele que me fez estremecer.

Peguei o crachá e forcei um sorriso.

- Eu não costumo brilhar, senhor.

- Veremos. - murmurou, voltando ao trabalho.

Saí da sala tentando respirar.

O coração ainda batia forte, e minhas pernas pareciam de gelatina.

Apertei o crachá nas mãos.

"Meu Deus... o que foi isso?"

Ele era... tudo o que um homem não devia ser: perigoso, confiante, inacessível.

E, mesmo assim, algo em mim implorava para revê-lo.

Mas eu não podia.

Eu tinha um emprego a zelar.

E ele era meu chefe.

Quando entrei novamente no elevador, uma parte de mim já sabia: aquele homem não seria apenas o início da minha carreira.

Ele seria o início da minha ruína.

{...}

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Último capítulo

  • Sob o olhar do CEO   Epílogo

    TrizO avião tocou o solo com uma suavidade que parecia simbolizar mais do que apenas o fim de um voo. Era o fim de uma fase, mas também o começo de algo ainda maior. Após um ano inteiro de intercâmbio, Hector e eu finalmente estávamos de volta. E, apesar da saudade que sentíamos da família, a ansiedade por reencontrá-los era maior ainda.- Finalmente... - murmurei, segurando a mão dele enquanto caminhávamos pelo terminal. O coração batia acelerado, misturando felicidade e nervosismo.- Eu sei... Triz - disse Hector, apertando minha mão. - Agora é hora de voltarmos para casa.Ao sairmos pelo portão de desembarque, fomos recebidos por uma cena que me fez o coração quase explodir. Lorenzo, Zara, Liz, Rômulo, Bianca e Vittorio nos esperavam, com sorrisos imensos, alguns chorando de emoção. Hector e eu corremos para eles, e foi como se nenhum dia tivesse passado.- Meus filhos! - gritou Zara, me abraçando com força. - Vocês estão finalmente de volta!- Nós sentimos tanta falta de vocês -

  • Sob o olhar do CEO   115

    TrizO vazio que Hector deixou quando embarcou ainda doía dentro de mim. Cada canto da casa parecia ecoar a ausência dele, cada manhã sem o som da sua voz era um lembrete cruel de que a distância tinha chegado. Eu tentei me ocupar com estudos, amigos, passeios com a família... mas no fundo, nada conseguia preencher aquele espaço que era só dele.Sentada na sala, com as mãos sobre o livro que eu fingia ler, respirei fundo e decidi que era hora de ser honesta com todos. A verdade, por mais que me assustasse, precisava sair. Eles mereciam saber quem eu realmente era, quem eu amava.- Eu... eu preciso falar pra vocês - comecei, a voz trêmula. - Eu e Hector... nós nos apaixonamos. E namoramos por três anos. Mas ele... ele foi embora, e terminamos... e eu tinha decidido esperar para contar quando ele voltasse. Mas... eu não consegui mais esperar.O silêncio que se seguiu foi quase doloroso. Olhei para minha mãe, Zara, que estava encostada no batente da porta, com o olhar suave, mas atento.

  • Sob o olhar do CEO   114

    HectorO dia finalmente chegou. Depois de três anos intensos, cheios de risadas, olhares roubados, segredos e promessas silenciosas, eu estava prestes a embarcar para um intercâmbio que mudaria a minha vida. Eu mal dormi na noite anterior, e mesmo assim, quando acordei, o nervosismo tomou conta do meu corpo como se eu fosse um iniciante num palco gigantesco, sem roteiro e sem ensaio.O sol da manhã entrava pelas cortinas do meu quarto, mas não conseguia aquecer o frio que sentia no peito. Triz estava na cozinha, preparando café com aquele jeitinho dela de sempre - tentando agir normal, mesmo sabendo que algo estava prestes a mudar. Eu tentei sorrir, mas era impossível. Cada passo em direção à porta parecia me puxar de volta, cada respiração me lembrava de que os próximos meses seriam longe dela. E eu não sabia se meu coração iria sobreviver a isso.- Bom dia, Hector. - Triz apareceu na porta, ainda com a camiseta grande que usava para dormir, e um sorriso tímido no rosto. - Dormiu bem

  • Sob o olhar do CEO   113

    HectorMeses se passando... e o mundo virando de cabeça pra baixo.As coisas mudaram muito rápido. Rápido demais, pra ser sincero.Alguns meses atrás, eu e a Triz ainda estávamos escondendo nosso namoro, achando que ninguém desconfiava - embora todos provavelmente soubessem. Nós achávamos que éramos ótimos em disfarçar, mas éramos só dois adolescentes bobos, apaixonados, tentando não chamar atenção.Mas tudo isso ficou pequeno perto do que aconteceu com a minha mãe e com a tia Liz.As duas grávidas ao mesmo tempo - de novo - e agora com as barrigas tão enormes que parecia que carregavam o planeta Terra dentro delas. Às vezes eu olhava e pensava que, se elas espirrassem, iam entrar em trabalho de parto. Só que obviamente eu nunca falava isso em voz alta, porque eu gostava de ter meus dentes completos.Eu observava a minha mãe de longe naquele dia. Ela estava rindo de algo que a tia Liz tinha falado, segurando a barriga, como se rir já fosse difícil demais.- Hector... - Triz me cutucou

  • Sob o olhar do CEO   112

    HectorNunca pensei que me sentiria assim. Confuso, animado, nervoso e ao mesmo tempo feliz. Tudo isso ao mesmo tempo. Eu e Triz tínhamos um segredo. Um segredo que nem Lorenzo, nem Zara, nem ninguém da família sabia: nós estávamos namorando escondidos.Tudo começou de forma inocente. Crescemos juntos, brincando, estudando, crescendo lado a lado. Sempre fomos muito próximos, mas nos últimos meses algo mudou. Eu comecei a perceber cada gesto dela, cada sorriso, cada risada, de uma forma diferente. Meu coração acelerava quando ela estava por perto, e eu sabia que não era apenas amizade.- Hector, você está estranho hoje - disse Triz um dia, com aquele sorriso provocador. - Parece que vai explodir a qualquer momento.- Eu... não sei do que você está falando - tentei disfarçar, mas minha voz traiu meu nervosismo.Ela riu, aproximando-se de mim na biblioteca da escola.- Ah, vamos, não se faça de bobo. Eu sei quando você está pensando em mim.Eu senti meu rosto esquentar, mas tentei manter

  • Sob o olhar do CEO   111

    Zara NoxA manhã começou calma na mansão Castellani, mas dentro de mim havia um turbilhão de emoções. Hector brincava na sala com Triz, já acostumados com o mundo que nós, mães, estávamos construindo para eles. Liz estava ao meu lado, segurando minha mão, nervosa, ansiosa. Nós duas sabíamos que aquele momento seria especial - e também carregado de expectativa.- Então... é hoje - sussurrei, quase sem ar.Liz assentiu, mordendo o lábio, o gesto denunciando a ansiedade que também sentia.- Eles vão reagir... bem, espero - disse ela, tentando rir, mas seus olhos brilhavam de emoção.Respirei fundo. Hoje iríamos contar para Lorenzo e Rômulo que as duas estavam grávidas. Dois bebês chegando, quase ao mesmo tempo. A sincronia era inacreditável, e eu não poderia guardar segredo por mais tempo.- Vamos fazer isso agora? - perguntei. - Antes que a emoção nos derrube.Liz concordou. Levantamo-nos, e eu segurei Hector pelo braço, caminhando até a sala onde Lorenzo e Rômulo estavam trabalhando. O

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