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Capítulo 112

Author: Advanjat
last update publish date: 2026-10-03 22:17:59

RUBY RADCLIFFE

Algumas semanas haviam se passado, e estar ao lado dos meus parentes me fazia sentir cada vez mais uma felicidade que eu não sabia nomear. A casa dos meus pais era o que sempre foi: um lugar barulhento, cheio de risadas, de cheiro de comida, de gente entrando e saindo pelas portas toda hora.

Eu me pegava sorrindo sem motivo, só de ouvir a voz da minha mãe discutindo com Edward, ou o riso da Abigail correndo pelo jardim.

Os meus padrinhos chegariam em alguns dias na Itália. Eu os
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    HARRY RADCLIFFEEu me afastei dela o suficiente para que o seu cheiro não me desarmasse completamente.— Preciso falar com a Luna. — Mencionei e a minha própria voz soou estranha aos meus ouvidos, como se viesse de outra pessoa.A Ruby franziu a testa. Havia uma dobra entre as sobrancelhas dela que eu conhecia bem — a dobra da preocupação, da desconfiança, daquele instinto que ela tinha de farejar mentiras no ar.— Harry… — Ela disse o meu nome com cuidado, como se estivesse pisando em vidro. — Converse com ela depois, já basta como o clima está meio infeliz, e Luna propriamente nunca gostou muito de mim.As palavras dela me acertaram em cheio, e por um segundo eu não soube o que dizer. Ela tinha razão, claro que tinha. A Ruby sempre tinha razão sobre essas coisas sobre as pessoas, sobre o clima de uma sala, sobre o que estava errado, e eu estava errando com ela, em tantas coisas, que ela mal desconfiava.Eu nesse momento deveria estar fazendo todas as suas vontades para livrar o peso

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    HARRY RADCLIFFERuby estava com a mão no cabelo da nossa sobrinha, os olhos brilhando de uma maneira muito bonita, e o som da sua risada atravessou a sala e se enroscou em mim como sempre fazia. Era um som que eu passaria a vida inteira ouvindo, se pudesse. Mas naquele momento, eu não podia me dar ao luxo de ficar ali, cogitando “e se…”Precisava do Herodes, e ele estava perto da janela, de costas para todos, com os ombros visivelmente tensos. Atravessei a sala sem pressa, e quando cheguei ao seu lado, fechei a mão em volta do braço dele e não falei nada, só o puxei rápido.Ele se assustou. Claro que se assustou. Herodes sempre se assustava quando alguém o tocava sem aviso, um hábito de quem passou a vida inteira escondendo coisas. Ele abriu a boca para falar, mas eu já o estava arrastando para longe da mesa, para longe da Ruby, para o corredor que dava para o lavabo.O corredor era comprido e mal iluminado quando estivesse com a lâmpada apagada. Da posição em que parei, eu conseguia

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    RUBY RADCLIFFEHarry foi o primeiro a se mover para seguir próximo e estendeu a mão na direção da mesa e disse, com um tom de voz meio autoritário:— Vamos nos sentar, eu e Ruby temos um anúncio importante para fazer.Ninguém questionou, apenas obedeceram. Rosie pousou a taça encima da mesa de centro, Luna se acomodou na cadeira ao lado dela, e Herodes, que estava no sofá, levantou-se sem pressa e caminhou até a mesa. Eu ajudei Sade a subir na cadeira ao lado do seu pai, Steffan, e ela me olhou com aquela curiosidade infantil que não sabia disfarçar.— Tia, o que é? — ela sussurrou.— Já vai saber, minha flor.Fiquei de pé ao lado do Harry. Ele olhou para mim uma vez, e eu vi algo nos olhos dele algo que eu não sabia nomear mas que me parecia que de certa forma, ele desejava esconder de mim, e não era medo ou ansiedade. Não sei, era algo mais denso, mais pesado, como se ele estivesse prestes a soltar uma bomba.— A Ruby está grávida — ele disse, sem preâmbulo ou rodeios. — Vamos ter u

  • Sra. Radcliffe | Duologia: Chefe   Capítulo 125

    RUBY RADCLIFFEEntrei no escritório e fechei a porta atrás de mim. O ambiente estava fresco, as cortinas meio fechadas, e o silêncio da casa parecia ter se acomodado nos cantos como poeira antiga. Abri primeiro as cortinas e as janelas para que a claridade e o ar fresco pudessem entrar, e sentei-me na cadeira em frente à mesa, liguei o computador e digitei a senha. A tela acendeu, iluminando o meu rosto, e eu fui direto à caixa de correio eletrónico.Havia muitas candidaturas, mas muitas mesmo. A caixa de entrada estava transbordando, e eu rolei a barra lateral por um longo momento, sentindo uma mistura de alívio e cansaço. A vinícola em França precisava de uma secretária, alguém que cuidasse da papelada, das agendas, das reservas, das vindimas e dos fornecedores, mas especialmente, alguém que eu pudesse confiar. Eu não era boa em recrutamento e seleção, mas sabia o que queria. E, naquele momento, o que eu queria era alguém que me tirasse um peso dos ombros antes mesmo que ele começ

  • Sra. Radcliffe | Duologia: Chefe   Capítulo 124

    RUBY RADCLIFFEDois meses haviam se passado e já estávamos — lamentavelmente — de volta a Luxemburgo. E, aparentemente, por enquanto, sem data de retorno para os Estados Unidos, o que sinceramente andava me inquietando algum tempo.Não que eu não gostasse necessariamente de estar fora do país. Até porque as pessoas próximas a mim, de fato, também não estavam lá. Milena e Edward tinham ficado na Itália por mais algumas semanas antes de voltarem para casa. Sophia estava em algum lugar do mundo que eu não sabia precisar. E os meus pais... bem, os meus pais estavam onde sempre estiveram, naquela casa cheia de cheiro de comida e risadas que eu já começava a sentir falta ainda agora.Mas ainda assim, não me parecia muito natural a sequência de acontecimentos.Harry sempre tinha um motivo. Sempre! E os motivos dele eram sempre bem construídos, lógicos, impecáveis, mas ultimamente eu começava a perceber que os motivos dele serviam mais para encerrar conversas do que para explicá-las de verdad

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    RUBY RADCLIFFEHarry se aproxima da mesa de cabeceira sem olhar, como se já tivesse mapeado a gaveta em sua cabeça, e surge com o plugue pequeno com a base em forma de coração. Parece doce e ridículo em sua mão grande, mas ele balança as sobrancelhas, sem vergonha.— Vou manter cada gota exatamente onde eu coloquei.Nada respondi, e nem se conseguiria, de tanto que estava sem forças. Harry leva o seu tempo como se fosse importante, o que, para ele, importa.Lubrificante frio, a pressão cuidadosa de seu dedo circulando, aliviando, testando. Ele mantém os olhos em meu rosto, os polegares parando para acariciar quando a minha respiração fica presa. Ele desliza um dedo, depois dois, tesourando lentamente até que o puxão apertado diminua, um tipo diferente de alongamento derretendo em uma plenitude pesada e obscena.Ele persuade com encorajamentos suaves e imundos como "bom, é isso", "relaxe para mim", "mantenha-o, essa é a minha garota", e então troca os dedos pelo plugue, a ponta alargad

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