FAZER LOGINSerena:
Eu realmente acho que ele deve ter pensado que eu tinha algum tipo de problema mental.
Porque no instante em que parei de explorar o corpo dele com os olhos — descendo, memorizando, imaginando — e voltei para o rosto com um sorriso completamente perdido… percebi que ele estava me encarando.
Não um olhar casual.
Um olhar direto.
Consciente.
Predador.
O sorriso morreu nos meus lábios no exato momento em que notei a sobrancelha arqueada junto aos olhos negros. Engoli em seco. Meu estômago despencou.
E então eu fiz o que qualquer mulher sensata faria.
Corri.
Corri o mais rápido que minhas pernas permitiram.
Foi assim que tive a calcinha molhada no meu primeiro dia de trabalho.
E, sim…
Ela continuou no mesmo estado ao longo dos anos.
Eu apenas os observava da minha mesa. Ou quando passavam por mim na sala do café. O maldito ambiente inteiro ficava impregnado com cheiro de macho potente. Sempre sérios. Sempre lado a lado. Sempre dominando o espaço como se o prédio tivesse sido erguido para sustentá-los.
Eu os estudava como gladiadores mortais.
Às vezes me sentia uma pesquisadora do National Geographic observando grandes animais selvagens em seu habitat natural. A diferença é que aqueles animais usavam ternos sob medida, relógios caríssimos e caminhavam firmemente sobre pernas longas enquanto aniquilavam qualquer presa indefesa — ou funcionário desavisado — com apenas uma arqueada de sobrancelha.
Havia dias em que eu quase podia ouvir os rugidos ecoando pelo escritório.
Mas a melhor parte dos meus “estudos”?
León.
A vista frontal daquelas calças jeans apertadas era quase um serviço público. Eu imaginava — com minha cabeça fértil e completamente indecente — o tamanho do que se escondia ali.
Já Nikolai…
Ah.
Nikolai me presenteava com a visão de um traseiro firme e másculo dentro dos ternos impecáveis. Eu me perguntava, genuinamente, o que aconteceria se eu o mordesse.
Funcionários adoram fofoca.
E quando uma conversa específica chegou aos meus ouvidos, descobri algo que fez meu cérebro entrar em combustão.
Os primos eram ligados de uma maneira… peculiar.
Eles dividiam mais do que a chave do carro.
Dividiam namoradas.
Sim.
Namoradas.
Aquilo não apenas atiçou minha curiosidade — detonou-a. Passei a adentrar mundos obscuros da pornografia em sites de moral duvidosa, pesquisando coisas que fariam minha madre me benzer com água benta.
Eu queria entender.
Queria imaginar.
Queria sentir.
Como hispânica mestiça, eu sempre tentava andar numa linha delicada: nem desajeitada demais, nem chamativa demais. Minha pele chocolate — herança do meu padre — combinava com os cabelos negros e cacheados da minha madre.
Eu não pertencia a lugar nenhum.
Não era latina dourada de olhos quentes.
Nem negra o suficiente para a família do meu padre.
“Meio termo”, como dizia minha tia.
Uma grande m****a.
Mas se eu não podia pertencer a um rótulo, eu pertenceria ao meu futuro.
Amava Administração. Amava números. Estratégias. Negócios.
E herdei de minha madre algo igualmente importante: saber se apresentar.
“Quem entra no mundo dos negócios precisa vestir uma armadura”, ela dizia.
Minha armadura vinha em forma de blazer escuro, saia modelada dois dedos acima dos joelhos, camisa de seda bem alinhada. Nunca vulgar. Nunca descuidada.
Os saltos — minha perdição eterna — consumiam metade do meu salário de estagiária. A outra metade ia para as despesas de casa.
Eu podia ser apenas uma estagiária.
Mas eu me vestia como alguém que estava esperando o próprio futuro bater à porta.
...
Las Vegas. A Cidade do Pecado. Onde todos os seus sonhos se realizam.
Era o que dizia o panfleto do hotel-cassino ao lado do telefone da cabeceira.
Mentira.
Uma grande m****a de mentira.
Eu olhava o relógio, planejando pedir um lanche para o quarto. Estava exausta demais para explorar qualquer pecado noturno.
Não realizei sonho algum.
Não cometi pecado algum.
Não disse sequer um palavrão naquela manhã.
Fui apenas uma escrava corporativa.
Um Yorkshire Terrier adestrado.
Correndo atrás dos meus chefes. Conferindo horários. Confirmando palestras. Garantindo que não confundiria nomes de empresários bilionários.
E aturando indiretas cruéis por ter sido escolhida.
“Muito nova.”
“Não é função de estagiária.”
Meu cérebro implorava para que eu mantivesse a boca fechada.
Mas o sangue quente da minha madre falava mais alto.
Eu preferia me queimar viva a desviar dos olhos azuis ou negros quando me provocavam.
— Senhorita Serena!
Virei o rosto.
Primeiro vi o peitoral largo sob o terno sob medida.
Depois subi.
Olhos negros.
Sobrancelha arqueada.
Nikolai.
Ele exalava poder.
E minha maldita vagina ainda não aprendeu a se comportar perto dele.
— Sim, señor?
Forcei minha mente a retornar à realidade.
Vi o maxilar dele trincar ao ouvir “señor”.
Os olhos escureceram.
Ou melhor… clarearam.
Ficavam prateados. Quase grafite.
Eu só percebi isso depois do episódio na sala do café, no segundo ano.
Eu estava distraída, ajustando minha sandália.
Achava que estava sozinha.
Quadril empinado.
Costas curvadas.
Minha saia apertando perfeitamente meu traseiro.
Um pigarro.
Eu quase infartei.
Lá estava ele.
Segurando a maçaneta com força.
— Dios mío, señor!
Endireitei a postura imediatamente.
— Não acho apropriado ficar curvada dessa forma, senhorita Beaumont, especialmente numa empresa onde a maioria são homens. É melhor manter sua traseira endireitada e poupar a empresa de um processo por assédio sexual.
Eu queimava sob minha pele chocolate.
Ele me percorreu com os olhos.
Lentamente.
Dos pés ao rosto.
— Estagiárias podem se exibir apenas fora do horário de serviço. De preferência, longe da empresa. Considere isso um aviso.
Quem ele pensava que era?!
— Cabrón — sussurrei.
— Debe tener cuidado con tu lengua, cariño.
A voz veio da porta.
E ele falava espanhol perfeitamente.
Saiu rindo.
Maldito.
— Anotou tudo nesta palestra, senhorita Serena? Ou estava ocupada observando os homens pela sala?
Eu o odiava.
Ergui meu bloco de notas.
Sexta palestra.
Cada maldita palavra registrada.
— Sim.
Ele enfiou a mão no bolso.
— Sim?
— Dio, sim. Fiz todas as anotações. — Balancei o bloco no ar. — E, sim, olhei os homens também, se quer saber. Mas só tinha velhos aqui.
Sorri o sorriso mais falso da história da humanidade.
Juro que ouvi um xingamento escapar da boca sofisticada dele.
Antes que pudesse respirar, colidi contra costas largas.
León.
Ele se virou devagar.
Olhos azuis.
Felinos.
Desceram.
Subiram.
Pararam no meu decote.
Ele soltou o ar lentamente.
E eu quase derreti.
O cheiro amadeirado dele me fez pensar coisas que eu jamais confessaria nem a um padre.
A camisa branca polo apertada modelava o peito e os braços grossos.
Eu imaginava como seria ser erguida por aqueles braços.
Empurrada contra uma parede.
Controlada.
Vagina, para.
— Achei que já estaria em alguma área de recreação juvenil, senhorita Beaumont.
A voz de León era como um motor potente acelerando.
Quente.
— Não, señor Volkov. Estava ao fundo da sala. Não quis interromper sua conversa.
Mas meus olhos não deixaram de perceber a criatura magra de cabelo liso, decote exagerado, praticamente jogando os seios sobre ele.
Algo dentro de mim ardeu.
E não era só desejo.
Luna:— Creio que esses enjoos de alto-mar têm grandes chances de darem positivo em um teste de gravidez. — Ela ri mais ainda. Estou em choque, sem saber o que falar. — Mira, procura uma farmácia e compra um teste de gravidez. Depois me conte como foi a reação daquele ogro.Dona Serena desliga a chamada entre risadas, me largando ali, sem rumo. Abro o aplicativo de pesquisa, procurando por sintomas de gravidez. Estou a um passo de cair de bunda no chão, vendo que tudo o que tenho sentido está descrito ali: os enjoos matinais, a preguiça que está me pegando a cada dia, o sono excessivo... E eu que sempre jogo a culpa do sono e dos bocejos em cima de Sedrico, por conta de me deixar exausta.Ergo a cabeça, virando para a parede onde o grande espelho está, deixando meus olhos irem para o meu ventre. Estou tão feliz na viagem que não me dei conta de que minha menstruação não tinha descido. Olho a data no celular, apenas confirmando que o atraso é grande. Meus dedos param em meu ventre, olh
Luna:— Eu te amo, loucamente, senhor Lycaios! — Seu peito estufa, como um grande leão abrindo suas presas para mim.Solto um grito, entre risadas, quando Sedrico me ergue nos braços, nos rodando e marchando como um verdadeiro homem das cavernas de volta para nossa cabine. Meus dedos seguram com força em seu ombro, me aninhando mais ao seu ataque.Apenas sinto nossos corpos se colando na cama. Um tempo depois, estou me afogando no olhar que ele me dá. É tão mágico que tenho medo de ser um sonho. Sedrico beija meu pescoço, descendo seus lábios lentamente por mim. Seus beijos molhados causam arrepios pelo meu corpo todo, me incendiando por completo. Meu corpo se arqueia quando sinto sua língua passar lentamente sobre o bico do meu seio, raspando seus dentes, me induzindo entre o desejo e a dor. Minhas mãos param em sua dourada juba, me abrindo mais para ele e, dessa forma, tortuosamente, ele vai seguindo seu caminho, mapeando cada parte minha que lhe pertence.Antes que possa dar conta,
Luna:Lola, tão bela, fica sorrindo com Will, percorrendo o caminho do grande tapete vermelho. Sinto meu peito se acelerar quando, ao fim, perto do altar, vislumbro o mais lindo deus, em seu terno branco, destacando a juba dourada que tanto amo. Sua face ainda indecifrável tem seus olhos presos aos meus, anulando por completo tudo à nossa volta. Meus olhos caem sobre o buquê de flores, olhando para meu lado vazio. E, por um segundo, é como ver ele ali outra vez, com seus olhos negros, sorrindo para mim.— A moça então experimentou o sapatinho, mas, antes mesmo que ele servisse em seus pés, o príncipe já tinha dentro do seu coração a certeza de que havia reencontrado o amor de sua vida. Cinderela e o príncipe se casaram em uma linda cerimônia. Ela e o príncipe foram felizes para todo o sempre. — Meus olhos observam sua face alegre, enquanto ele fecha o livro, alisando meus cabelos.— Pai, acha que um dia vou achar um príncipe também? — Meu corpo se estica na cama, puxando as cobertas p
Luna:— É como ter uma criança grande dentro de casa. — Meu rosto se vira para Calíope, que fala baixinho, balançando seu bebê ao colo.A pequena Suze é tão delicada e perfeita, com seus três meses, parecendo uma princesa em seu vestido lindo.— Un hijo dengoso que quer atención constante — dona Serena solta, arrumando a barra do meu vestido.Ela sorri mais ainda para mim, enquanto nós duas olhamos cada canto do vestido de corte grego que escolhi. A delicada cinta que prende minha cintura, em dourado, deixa seu balanço livre, caindo sobre minhas pernas.— Lycaios não é assim — sussurro baixo, passando meus dedos por ele.— Oh, sim, meu amor, ele é, todos são. Espere até ele ficar gripado, parece que está morrendo. — Sorrio, me virando para a cunhada de dona Serena, que balança sua cabeça em confirmação.Rana, sentada ao chão atrás de nós, brinca com os pequenos de dona Serena, conversando com Dolores, a irmã caçula de dona Serena.— E, quando ficar esquecido, vai gritar pela casa e de
Sedrico:— Sabe aquela sensação de dar a última palavra? — Arrumo minha gravata, observando pelo reflexo do espelho os putos dos Volkovs, sentados no meu sofá do escritório, com as pernas cruzadas.— Esqueça! Se quer viver em paz, vai ter que saber que sempre está errado! — León estufa o peito, soltando o botão do terno. — Ou ela vai fazer você se arrepender até o último fio de cabelo.— Luna não é assim. — Me viro para eles, sentindo o nó da gravata me estrangulando.— Elas nunca são. — Benjamin sorri, apertando o filho no colo. — Até você falar algo que elas não gostem e dormirem do seu lado com o rabo virado, sem deixar você tocar.— E quando ela lhe perguntar algo, conte a verdade na hora. — Nikolai se levanta, indo até o irmão, esticando os braços para o sobrinho e beijando o pescoço do menino.— É. Isso é verdade, quando ela perguntar... — Benjamin pega o copo de uísque em cima da mesa, levando-o aos lábios. — Não será apenas uma pergunta.— Ela já sabe a resposta, está apenas t
Luna:— Trabalhando? — A olho perdida, sem entender. Meus dedos vão à minha cabeça, sentindo todas as informações de uma única vez. — Como... Como assim conheceu alguém?Eu sei que ela não é uma mulher velha. Minha mãe, por mais que estivesse caindo de bêbada, ainda é uma mulher bonita, com sua face doce. E agora, se recuperando, sem mais aquelas olheiras ou semblante abatido, sua face corada se ilumina mais. Eu desejava que ela encontrasse alguém, mas é como se tudo estivesse indo muito rápido.— Victor, dá palestra aqui todos os dias. Conheci ele na reunião do AA. — Vejo minha mãe, pela primeira vez, envergonhada para falar sobre amor, sobre o que deseja em sua vida. Seus dedos se apertam uns aos outros e solta o ar lentamente. — Começou como uma boa amizade, ele me ajudava nas horas mais difíceis. Ele é enfermeiro em um hospital no Texas.— Uau! — Solto o ar, ainda sem acreditar, mas vejo seus olhos brilhando em uma felicidade tão distante, adormecida dentro dela.— Eu venho ajudan







