FAZER LOGINAelar soltou uma gargalhada baixa e gutural, a possessão territorial de sua natureza primal renascendo das cinzas de sua fadiga física com uma intensidade avassaladora. Ele a segurou pela cintura larga, as garras de ébano projetando-se sutilmente das pontas de seus dedos com uma precisão que a fez suspirar de prazer imediato. Em um movimento que desafiou a gravidade do quarto de basalto, ele a ergueu nos braços com facilidade e a carregou em direção ao colossal leito de peles de urso-cinzento que dominava o centro do aposento.Ele a deitou com uma fúria controlada, rasgando o linho fino de sua vestir com as suas garras, expondo a derme dourada e marcada pelas chicotadas à umidade morna e ao calor insuportável de seu toque. Seus dedos contornavam com uma urgência febril as coxas firmes de Lira, arrastando uma trilha de arrepios elétricos por onde passavam.— Eu sou um Alfa mortal, Lira — ele sibilou perto de sua orelha, as presas triplas de loba e vampiro desvelando-se sob a luz dourad
O sol de inverno, livre das amarras cinzentas que por três décadas haviam sufocado as terras do norte, derramava-se agora como ouro líquido pelas grandes aberturas da Cidadela de Ferro. O mármore do salão, outrora frio e manchado pela fúria de Valthor, parecia aquecer-se sob aquela nova claridade. Nas fundições externas, o som das marteladas não carregava mais o ritmo desesperador da escravidão. O ferro do tirano estava sendo transformado por mãos livres, moldado em ferramentas rústicas de arado e reconstrução para os sobreviventes de Alden. Os lobos dos clãs renegados caminhavam sem medo pelas ruelas do distrito baixo, misturando seus uivos ferais aos risos das crianças e ao burburinho dos caçadores que partilhavam da mesma comida ao redor das fogueiras comuns.No alto da torre real, no quarto que antes pertencera ao carrasco de seu povo, Aelar estava de pé diante da varanda de basalto. Ele vestia apenas uma calça de couro escuro, deixando as costas largas e o peito nulo expostos ao
— Que as fogueiras brilhem como os novos marcos de nossa dinastia livre — Aelar declarou, e a sua voz de lobo cobriu o murmúrio dos camponeses com uma força solene que selou os acordos militares da manhã de paz. — O eclipse de ferro terminou. E a nossa era de sombras e luz começou a deitar as suas raízes neste solo livre.Os Alfas e colonos curvaram as cabeças respeitosamente antes de recolherem suas armas e suprirem os seus batedores para descer às trilhas de saída do complexo, deixando que a quietude voltasse a se instalar no grande santuário da colina.Com os acordos de reorganização concluídos no Salão público do castelo alto, Aelar e Lira retiraram-se para os recintos profundos das câmaras superiores do castelo. O quarto real, outrora o quarto de Valthor, fora completamente limpo de qualquer fetiche de magia negra, restando apenas uma enorme banheira de pedra vulcânica fumegante de água aquecida e o leito de peles de urso que o calor das fogueiras comuns do corredor mantinha em u
O vento que entrava pela enorme cúpula de vidro despedaçada da Cidadela de Ferro já não trazia o odor asfixiante de enxofre ou a pulsação mística e corrupta do eclipse rúnico. Em vez disso, o ar daquela manhã de inverno carregava o perfume limpo do pinho silvestre que descia das montanhas orientais, misturado ao cheiro rústico e saudável de carvão comum das fogueiras que os camponeses mantinham acesas nos pátios inferiores. O sol, livre da sombra da Lua Negra, derramava raios de ouro pálido sobre as colunas de basalto e os escombros de ferro que dezenas de voluntários começavam a recolher de dentro do grande salão do trono.A enorme cadeira de espetos de metal negro de Valthor fora completamente desfeita pelas fundições do distrito leste. Em seu lugar, sobre o pedestal de obsidiana polida, erguia-se uma estrutura diferente, talhada em madeira de carvalho ancestral e pedra vulcânica, coberta por espessas peles de urso-cinzento. Era o trono de sombras e luz, um símbolo rústico que não r
— Eu vou envelhecer ao seu lado... — ele repetiu com um sussurro que vibrou em um timbre de puro alívio espiritual. — Eu não sou mais o monstro solitário de Valthor.— Você nunca foi o monstro dele, Aelar — ela respondeu com firmeza, acariciando os cabelos escuros e bagunçados dele. — Você era apenas o herdeiro que precisava de uma âncora para voltar para o porto seguro de nosso coração selvagem.O silêncio do recesso em ruínas foi quebrado pela entrada de passos pesados na clareira de basaltos.O Alfa Corin e a Alfa Branna entraram no nicho do trono, ladeados por dois dos batedores ferais cujos olhos brilhavam na penumbra. Eles traziam os elmos de ferro negro partidos e as peles de seus mantos sujas da fumaça cinzenta das lutas no pátio inferior. Corin parou a dez passos de distância, com a espada das terras baixas apoiada no chão, os olhos verdes focando Aelar com uma cumplicidade respeitosa que substituíra a agressividade do Capítulo 21.— O tirano está sob a terra de Valthor, herd
A fumaça que subia das ruínas da Cidadela de Ferro não tinha mais o tom doentio de púrpura que a magia vil de Valthor lhe conferia. Agora, era uma fumaça cinzenta e comum, espessa e com cheiro de madeira queimada e metal resfriado, subindo preguiçosamente em direção ao céu. O eclipse da Lua Negra havia recuado por completo, deixando em seu lugar um sol de inverno pálido, mas extraordinariamente limpo. Seus raios frios tocavam o mármore partido do Salão do Trono, iluminando o rastro de destruição e os fragmentos de basalto que cobriam o corpo sem vida do tirano. O silêncio que se instalara sobre a colina do castelo era quase reverente, interrompido apenas pelo murmúrio distante dos refugiados e escravos libertados que começavam a subir as rampas de pedra, hesitantes em acreditar que o carrasco de Alden realmente não respirava mais.Em um nicho protegido da cúpula desmoronada, deitado sobre uma pilha de mantos de lã recolhidos dos soldados caídos, Aelar lutava para manter os olhos abert







