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CAPÍTULO 04

last update Data de publicação: 2025-03-25 21:13:09

Todos começam a sair lentamente, ainda comemorando o upgrade que ganharam. Percebi estar sendo observada enquanto seguia para a cozinha em busca de um copo de água. Precisava respirar fundo e buscar o restinho de paciência que existia no fundo do poço.

— Você devia agradecer ao Pavão por permitir que a festa rolasse na casa dele. — Meu irmão disse, seguindo para a geladeira que terminei de fechar.

— Se você não percebeu, já fiz isso. Mas se não fosse assim, eu seria a primeira a ligar para a polícia. Diria estar incomodada com a baderna, para que eles viessem até aqui acabar com sua festinha. — Nesse momento, meu irmão soltou uma gargalhada.

— Depois de toda merda que eles fizeram, você ainda acredita que eles viriam? Você é muito ingênua, Sarah. Nessa comunidade, quem manda somos nós agora!

— E eu não sei quem é pior, vocês ou eles. — Disse, automaticamente.

Nesse momento, meu irmão levantou a mão para me bater, o que me fez encolher assustada. Apesar de ele ser mais novo, era homem, e sua força nem se comparava à minha.

— Se você encostar um dedo nela, você não verá o dia amanhecer. — William se dirigiu ao meu irmão de forma muito tranquila, como se ele não tivesse ameaçando tirar a vida de uma pessoa.

— Ela está nos desrespeitando, Pavão. Essa vadia está cuspindo no prato que ela come.

— Eu não como nada de vocês, querido irmão. Tudo que eu tenho ou que eu preciso é graças ao dinheiro suado que ganho. — Tive coragem de dizer.

— Cale a boca, Sarah, antes que eu perca a minha paciência com você! — Meu irmão gritou.

— Caio, a partir de agora você vai morar em minha casa. — Aquele homem disse, mas seus olhos ainda estavam em mim. — Tem espaço suficiente para você lá e tenho certeza de que você terá mais conforto que aqui. Pegue o que você precisa e o demais, peço para alguém buscar aqui depois. — O tal William completou, olhando para meu irmão agora.

— Obrigado, Pavão! Não sei se conseguiria ficar ao lado dessa ingrata. — Meu irmão disse, preparando-se para sair.

— Deixe-me só te dar mais um aviso, Caio. — O William disse, mas se virou para mim e me analisou, depois voltou a olhar para meu irmão. — Se você encostar um único dedo na Sarah, eu quebro todos os ossos dos seus braços.

Isso pegou meu irmão desprevenido e me assustou também. Mas resolvi não dizer nada. Aquele homem voltou a me olhar enquanto estava bebendo água. Fiz de conta que não percebi seu olhar e tentei disfarçar meu nervosismo.

— A partir de hoje, você terá a casa somente para você. O que houve hoje não voltará a se repetir. Qualquer coisa que você precisar, você pode falar para os guris que o recado chegará até mim. Você é uma garota linda e merece viver como uma rainha. — Willian declarou.

— Não estou pedindo sua proteção, William. Nunca precisei disso e tenho certeza de que não vou precisar. Hoje, mais do que nunca, ficou claro que não posso mais contar com meu irmão, mas meus pais me ensinaram bem a ser uma mulher mais que suficiente para mim mesma.

— Você é marrenta garota, mas gosto disso em você. Não abaixa a cabeça para ninguém.

— Meus pais sempre me ensinaram que, se eu tivesse que fazer isso, fosse para admirar os sapatos da outra pessoa, e me desculpe, o seu não é muito admirável. — William soltou uma gargalhada estrondosa.

— Tenho que confessar, garota, você é atrevida, porém, admirável. Saberei se você precisar de algo, não será preciso você falar e nem pedir. Você conseguiu minha atenção e são poucos os que conseguem isso. Te ofereceria uma carona para a faculdade amanhã, mas tenho certeza de que você não aceitará.

— Você é um cara inteligente, William! — Falei de forma debochada.

— Sem problema, mas saiba que estarei à disposição quando você precisar. Quanto ao Caio, ele é um garoto esperto, ele só é imaturo às vezes. Precisa trabalhar mais sua paciência e descobrir que não pode jogar sozinho.

— Espero que ele saiba onde está se metendo. O que ele precisa aprender é que erros e acertos são consequências de escolhas. E dependendo dos erros, as consequências são irreversíveis.

— Bem profundo isso! Mas seu irmão sabe o que é melhor para ele. Agora ele está comigo e protegemos os nossos.

E assim ele saiu de minha casa. Me deixando ali sozinha com meus pensamentos. Sei que todas as escolhas do Caio foram devido à perda de nossos pais, mas eu também perdi meus pais naquele dia e nem por isso comecei a andar com marginais e traficantes.

Olhei para a casa completamente revirada e sabia que teria uma longa noite pela frente. Comecei a fazer a limpeza. Quando, enfim, terminei, olhei para o relógio e eu tinha somente duas horas para descansar. Nesse momento, deu vontade de matar o Caio afogado na privada.

Assim que saí para a faculdade, me senti observada, e aquilo começou a me deixar em pânico. Olhei para todos os lados, mas não via nada, mas aquela incomoda sensação continuava.

Isso só teve um fim, quando cheguei à faculdade. Fiquei me perguntando se aquilo era pegadinha da minha cabeça depois do que William me falou.

A Nayara, minha irmã do coração, estava me aguardando na entrada do meu prédio e, ao notar minha cara, sabia que algo não estava bem.

— O que foi, florzinha? O que tanto você procura com o olhar?

— Não sei, amiga, estou com a sensação de estar sendo observada desde o momento que saí de casa. Isso está me causando pânico. Não sei se é coisa da minha cabeça, mas a sensação é horrível.

— Calma, Sarah. Observei você chegando, mas não vi ninguém te seguindo. Vamos entrar, isso pode ser somente nervosismo, sua vida anda bastante agitada, você tem corrido muito nesse último período.

— Depois do que me aconteceu, não tem como ser diferente, eu não conseguiria concluir a faculdade e ainda mais agora que o Caio está envolvido com os negócios do William.

— Mentira… seu irmão entrou nessa roubada? — Ela me olhou assustada.

— Não só entrou, como ontem ele quase me agrediu, após nossa primeira discussão. Ele só não fez isso, porque o William o ameaçou.

— É o quer? — Nayara perguntou, sem acreditar.

— Pois é… O tal do William disse que, se ele encostasse um dedo em mim, quebraria todos os ossos dos braços dele. Nunca fiquei tão decepcionada com o Caio quanto estou agora. Ele matou o pouco do respeito que eu ainda tinha por ele.

— Por que o William te defendeu?

— Eu não sei, mas não foi só isso… ele disse que a casa agora era minha e que qualquer coisa que eu precisasse falasse com seus “guris” que ele receberia o recado. Disse ainda que eu merecia viver como rainha. Porém, deixei claro para ele que não precisava da proteção dele para nada.

— Sarah, quero estar errada, mas pelo que já ouvi falar do William naquela comunidade, só posso deduzir que ele está interessado em você. Toma cuidado, amiga, esses tipos de caras não aceitam não como resposta.

Olhei para minha amiga, sem saber o que falar. Lembrei-me da sensação que tive do momento que sair de casa até chegar aqui. Será que tudo isso estava ligado? Ele disse que saberia se eu precisasse de algo, mesmo eu não falando. Eu estava sendo monitorada a distância? Isso era loucura demais.

As aulas transcorreram normalmente e assim que saímos da faculdade, nos deparamos com o carro do William do lado de fora. William tinha um sorrisinho no rosto.

Ele chamava a atenção por sua aparência. Alto, forte, com todos os músculos no lugar certo, olhos castanhos claros, quase mel, barba muito bem aparada… lindo. Poderia dizer que, se não fosse quem ele era, eu poderia até me apaixonar se somente beleza importasse para mim.

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Último capítulo

  • Touchdown do Amor - Meu Quarterback   EPÍLOGO

    Finalmente, minha vida havia começado a entrar nos trilhos. Já não carregava mais aquele medo terrível de cruzar com William ou Caio. No início, mesmo sabendo que eles estavam mortos, eu ainda não conseguia relaxar completamente.Mas, com o tempo, fui me acostumando, não somente com a ausência do medo, mas também com o fato de assinar as receitas dos pacientes com meu novo sobrenome… Sarah Connor.Fizemos uma nova reforma em nosso quarto para receber o nosso bebê. Preferimos mantê-lo ali conosco, para facilitar quando o Ethan precisasse me ajudar durante a madrugada.Colocá-lo em outro cômodo, sabendo que um recém-nascido acorda a cada hora, ou até antes disso, tornaria tudo mais cansativo para mim e complicado para o Ethan. Por isso, decidimos somente adaptar o nosso próprio quarto para a chegada dele.A sala deu lugar a um ambiente acolhedor e tranquilo, que transformamos em um cantinho especial para o bebê. Todas as roupinhas do início foram compradas em cores neutras, já que optam

  • Touchdown do Amor - Meu Quarterback   CAPÍTULO 105

    Como o Ethan já havia adiantado praticamente todos os preparativos do casamento, não tivemos muitos problemas. Na época, como eu ainda estava me recuperando no hospital e ele tinha limitações físicas que o impediam de visitar locais para a cerimônia, acabou decidindo que o melhor lugar seria a própria mansão.E, sinceramente, foi uma escolha perfeita. Aproveitaram todo o jardim ao redor da casa e, da nossa varanda, eu conseguia ver o quanto tudo estava lindo. Depois de tudo que enfrentamos, merecíamos celebrar e celebrar em grande estilo.Grace, tentando manter alguma tradição, fez com que Ethan dormisse em outro quarto na noite anterior. Mas, como era de se esperar, logo cedo ele escapou.Bateu na porta do nosso quarto com aquele jeito travesso que só ele tinha. Assim que abri, ele se esgueirou para dentro num impulso, fechou a porta atrás de si e me puxou direto para o colo dele, me cobrindo de beijos.O desespero doce no gesto dele me fez sorrir. Era como se não conseguisse mais es

  • Touchdown do Amor - Meu Quarterback   CAPÍTULO 104

    Sentia aquele fogo que o Ethan sempre despertava em mim reacendendo, intenso e quente. Quando sua mão segurou firme meu quadril e me puxou para mais perto, percebi que aquele efeito não era só meu… ele também estava tomado pelo desejo.Fazia pouco mais de um mês que não tínhamos qualquer tipo de intimidade. Ele vinha respeitando meu tempo de recuperação com cuidado e paciência. Por várias vezes, ao convidá-lo para me acompanhar no banho, ele recusava.Só mais tarde entendi o verdadeiro motivo… o medo de não conseguir se controlar quando eu ainda não estava pronta para ele.Mas agora… agora eu já estava liberada para retomar minha vida normalmente. Me aproximei mais, roçando nossos quadris. O gemido que escapou de seus lábios, abafado contra minha boca, fez uma onda de poder e desejo percorrer meu corpo.Então o empurrei suavemente na cama, fazendo-o se deitar de frente para mim. Montei sobre ele, mantendo o olhar firme no dele. Em um gesto lento e provocante, puxei minha blusa para ci

  • Touchdown do Amor - Meu Quarterback   CAPÍTULO 103

    SARAHApós mais uma semana no hospital, sempre cercada pelos amigos e pela minha família, finalmente recebi alta. O médico me explicou que, devido a todo o procedimento adotado, eu poderia sentir, de vez em quando, um pouco de falta de ar.Mas que, com a fisioterapia respiratória que eu mesma poderia realizar, esses desconfortos tenderiam a diminuir com o tempo.Ele também foi claro ao dizer que, por muito pouco, eu não tivera o mesmo destino daqueles dois miseráveis. Segundo suas palavras, foram “coisas de centímetros” que impediram a bala de atingir meu coração.Ethan tem me mimado de todas as formas possíveis desde então, desde preparar meu café da manhã até ajustar meus travesseiros na hora de dormir. Mas também me deu uma bronca séria por eu ter me colocado entre ele e aquela bala. Como se ele não fizesse exatamente o mesmo se estivesse em meu lugar...O que ele não entende, ou talvez entenda bem demais, era que eu teria morrido cem vezes se fosse necessário, só para impedir que

  • Touchdown do Amor - Meu Quarterback   CAPÍTULO 102

    Quando estava saindo, fui surpreendido por um grande grupo de pessoas reunidas em frente ao hospital. Carregavam cartazes com o nome da Sarah e cantavam uma oração.Já tinha visto algo assim em filmes, mas nunca ao vivo. Fiquei em choque, completamente paralisado diante da cena. Nayara, que também estava por ali, se aproximou de mim. Eu estava profundamente emocionado.— Essas pessoas, em algum momento, foram tratadas pela Sarah ou conheceram alguém que foi. Souberam do que aconteceu por meio da homenagem no estádio. A partir disso, formaram uma corrente do bem nas redes sociais e decidiram vir até aqui. Como não puderam visitá-la, resolveram orar por ela do lado de fora. — Explicou Nayara.Ali, pude ter noção do quanto Sarah era dedicada ao seu trabalho. Finalmente compreendi por que aquilo ocupava um lugar tão importante em sua vida. Através dele, ela transformava a vida de outras pessoas.Diante daquela cena, tive a certeza do quanto minha mulher era querida e nada daquilo dizia re

  • Touchdown do Amor - Meu Quarterback   CAPÍTULO 101

    Quando voltei para aquela sala de espera, tive a impressão de que meu coração havia diminuído o ritmo. Sentia-me sufocado, e aquilo foi me causando uma aflição crescente. Eu não podia perder a Sarah, não daquela forma.Perguntava-me o que a levara a se colocar na frente de uma bala por mim. Talvez fosse o mesmo sentimento que me faria fazer o mesmo por ela. Porque, no fundo, acreditava que era isso que teria acontecido. Jamais permitiria que aqueles canalhas a levassem. Preferia morrer a vê-la partir.Cada vez que aquela porta da ala restrita se abria, eu prendia a respiração, temendo a notícia de que poderia sair de lá de dentro. A tensão me consumia pouco a pouco.Quando, finalmente, o médico apareceu, bastou um olhar para entender que ele não trazia a resposta que eu tanto esperava. Aquilo me desesperou. Senti-me devastado, como se algo dentro de mim tivesse sido arrancado.— Não, não… não pode ser! Por favor, não! — Gritei, tomado pelo desespero.— Calma, meu amor, não se desesper

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