Mag-log inNyra respirou fundo, mas o ar saiu tremendo.Os três Alfas permaneciam em silêncio absoluto, os olhos presos nela.Ela apertava o lençol entre os dedos.— Não... não é tão fácil assim.O ruivo franziu a testa.— O que não é fácil?Ela ergueu os olhos devagar.— Vocês falam como se bastasse dizer que sou companheira de vocês... e tudo fosse mudar.O moreno cruzou os braços enormes sobre o peito.— Porque vai mudar.Ela balançou a cabeça.— Não vai.Sua voz começou a falhar.— As lobas daqui vão me aceitar?O loiro respondeu imediatamente.— Elas não precisam aceitar.Nyra sorriu sem alegria.— E vocês?Ela olhou para os três.— Vocês vão conseguir ficar do meu lado vinte e quatro horas por dia?Nenhum deles respondeu.Ela continuou.— Não vão.Engoliu em seco.— E aí?Os olhos dela ficaram marejados.— Eu vou apanhar de novo.Baixou a cabeça.— Vou quebrar mais costelas...Levantou lentamente a manga da roupa.Marcas arroxeadas cobriam seus braços.Depois levantou um pouco a blusa.As
POV da NyraOs três olharam para o médico em silêncio.Um silêncio pesado.Não era o tipo de silêncio que vinha de dúvida.Era o tipo que vinha de decisão.O loiro foi o primeiro a falar, a voz baixa, perigosa.— A gente vai voltar.O médico abriu a boca como se fosse responder, mas o moreno já tinha se movido meio passo à frente.— Não vai, não — ele disse simplesmente.E aquilo foi o fim da conversa.Eles saíram comigo como se o mundo tivesse sido dobrado ao redor da minha dor.E eu… eu já não sabia mais onde estava.Só sabia que estava no colo de alguém grande demais para parecer real.O vento frio batia no meu rosto enquanto atravessávamos o território deles.As árvores mudavam.O cheiro mudava.Tudo mudava.— Você tem família? — o loiro perguntou de repente.A voz dele era mais baixa agora. Mais… controlada.Pisquei devagar.— Eu tenho minha mãe.O ruivo olhou de lado.— E o resto da sua alcateia?Engoli seco.— Eu não vivo com a alcateia.O moreno franziu o cenho.— Então onde v
POV da NyraEu nunca tinha visto nada como eles.Não em toda a minha vida dentro daquela alcateia onde eu sempre fui pequena demais, fraca demais, errada demais.Os três homens ao meu redor não pareciam simplesmente lobos.Eles pareciam… forças da natureza que tinham aprendido a andar sobre duas pernas.Altos.Altíssimos.Mais de dois metros com facilidade, como se o mundo tivesse sido feito em escala menor e eles simplesmente não se encaixassem nele.O primeiro tinha cabelo ruivo escuro, quase como fogo apagado sob a luz da lua. Ombros largos, peito coberto por tatuagens densas que subiam pelo pescoço e desapareciam sob a camisa aberta. O olhar dele era firme, calculado, como se nada naquele mundo conseguisse surpreendê-lo de verdade.O segundo era loiro.Mas não o tipo bonito e leve.Era loiro frio.Intenso.O corpo dele era ainda mais bruto, músculos tensos sob a pele marcada, braços cobertos por símbolos antigos que pareciam contar guerras que eu nunca viveria tempo suficiente par
POV da Nyra O primeiro lobo me atingiu como uma sombra com dentes.Eu nem cheguei a vê-lo direito, só ouvi o estalo de galhos, senti o ar mudar, e então a dor rasgou meu ombro quando alguma coisa pesada se chocou contra mim.Eu gritei.O som saiu arrancado da minha garganta, cru e horrível, engolido quase instantaneamente pelas árvores.Garras rasgaram meu braço. Quentes. Fundas. O mundo se inclinou quando eu cambaleei para trás, meu calcanhar prendendo numa raiz. Caí no chão com força, o ar sendo expulso de mim.Acima de mim, olhos brilhavam.Não eram olhos da alcateia.Olhos de rogues.Amarelos e famintos, do tipo que não olhava para você como uma pessoa, mas como carne.Meu sangue virou gelo.Eu me arrastei, as palmas escorregando na terra úmida, os pulmões queimando enquanto me forçava a levantar. Outro corpo avançou, pelo cinza, ombros grossos, mandíbulas abertas.Eu me torci bem a tempo e senti dentes rasparem meu lado.Agonia explodiu branca atrás dos meus olhos.Cambaleei, ag
POV da NyraMinha voz saiu fraca. — As pessoas vão ficar do lado de um Alfa que tem uma Luna formidável.Kieran hesitou, só um fôlego longo demais.Meu estômago afundou.A dor que veio em seguida não era mais aguda.Era profunda. Pesada. Como se algo estivesse desabando dentro do meu peito.— Então ela é sua Luna agora? — perguntei.Ele balançou a cabeça rapidamente. — Não. Nyra, não.Mas a resposta já tinha sido dada.Ele não precisava reivindicá-la com palavras.Ele a tinha reivindicado com a mão pública na cintura dela.Com o silêncio dele.Com a forma como a alcateia já estava falando disso como se fosse real.Meus olhos arderam.— Então todas aquelas promessas — sussurrei, com a voz falhando. — Todas as coisas que você disse... eram palavras vazias?O rosto de Kieran se contorceu. — Não eram vazias.— Se ela é sua Luna — eu disse, com as lágrimas caindo agora, incontroláveis — então o que vai acontecer comigo, Kieran?Minha voz subiu com a pergunta, não alta, só crua.— Eu vou co
POV de NyraUma semana se passou, e eu não fui até a cabana.Nem uma vez.Fiquei dentro da nossa casinha na beira do território da alcateia, onde as paredes eram finas e o ar sempre cheirava levemente a madeira úmida e ervas fervidas. Meus hematomas ainda estavam escuros, ainda sensíveis. Cada respiração me lembrava das botas de Beverly. Cada virada na cama me lembrava que eu me curava como uma presa, não como uma loba.Mas não eram minhas costelas que me mantinham dentro de casa.Era o meu coração.Porque a cabana era nossa.E eu não conseguia suportar sentar no lugar onde Kieran tinha me prometido luz do sol, quando tudo que eu já tinha recebido era sombra.Minha mãe me observava nos momentos de silêncio. Elaine não insistia como outras mães talvez insistissem, porque ela sabia o que insistir fazia com coisas feridas. Mas os olhos dela me seguiam, atentos, cansados, cheios de perguntas não ditas.Numa noite, enquanto mexia a sopa sobre o fogo, ela perguntou sem se virar: “Você está







