LOGINTrês Alfas e Uma Luna Sem Lobo Nyra cresceu acreditando que era uma maldição viva. Filha de um homem amaldiçoado, nasceu sem conseguir despertar sua loba e passou a vida sendo chamada de aberração. Humilhada, espancada e rejeitada pela própria alcateia, aprendeu que sobreviver era muito mais difícil do que viver. Até mesmo Kieran, o companheiro que o destino lhe deu, escolheu escondê-la nas sombras para proteger o próprio futuro como Alfa. Quando decide abandonar tudo, Nyra acaba perdida no território da matilha rival e é encontrada por três poderosos Alfas. Donatello, o ruivo impetuoso. Matteo, o moreno imponente. Lorran, o loiro estrategista. Mais de dois metros de altura, guerreiros temidos por todos e líderes de uma das maiores alcateias do continente, eles reconhecem em Nyra o impossível: sua companheira destinada. Pela primeira vez, alguém não a vê como uma aberração, mas como um tesouro. Enquanto o passado insiste em persegui-la e Kieran percebe tarde demais que perdeu a única mulher que realmente amou, os três Alfas estão dispostos a desafiar leis, antigas maldições e até mesmo uma guerra entre alcateias para protegê-la. Agora, Nyra terá que descobrir por que nasceu sem loba... e por que o destino escolheu justamente uma garota quebrada para unir três Alfas que jamais dividiriam o próprio coração... até encontrarem a única mulher capaz de fazê-los amar. Ela foi rejeitada por uma alcateia inteira. Agora será amada por três Alfas que farão o mundo inteiro se ajoelhar diante da sua Luna.
View MorePOV da Nyra
— Olha por onde anda, aberração! A palavra me atingiu antes do ombro dele. Meus livros sacudiram. Meu anuário escorregou da minha mão e bateu no chão com um estalo, as páginas se abrindo de repente como se estivessem tentando escapar de mim. O corredor nadava em barulho, risadas, passos, o rangido estridente da porta de um armário, e ainda assim, de algum jeito, aquela única palavra encontrou o centro de mim, como se tivesse um mapa para cada machucado que eu já tinha engolido. Aberração. Essa era eu. O erro sem lobo e de origem desconhecida da alcateia. Robert Wilson passou por mim como se eu tivesse me jogado de propósito no caminho dele. Ele nem sequer parou. Não precisava. Lobos como ele, de sangue puro, fortes como lobos, certos do seu lugar, nunca precisavam parar por garotas como eu. Eu me abaixei devagar, engolindo a ardência na garganta, e recolhi minhas coisas com mãos cuidadosas. O chão parecia mais frio do que deveria. O ar também. Aquele era o tratamento de sempre. Eu tinha aprendido da pior forma a não esperar nada melhor da alcateia. — Não dá pra farejar por onde está andando? — alguém murmurou por perto, e algumas vozes riram como se a minha humilhação fosse um petisco que pudessem dividir. Mantive a cabeça baixa. Não adiantava discutir. Eu tinha aprendido isso da pior forma. Discutir fazia empurrarem você. Ser empurrada fazia apanharem de você. E apanhar quando você não tinha lobo não era como apanhar para todo mundo. Lobos se curavam rápido, ossos se remendando, hematomas desaparecendo, a dor virando memória em horas, não em dias. Eu? Às vezes levava semanas. Às vezes levava mais tempo. Eu carregava hematomas velhos como outras garotas carregavam joias. Aos vinte anos, eu ainda não tinha me transformado. Sem lobo. Sem reflexos aguçados. Sem cura. Sem força. Só um corpo que quebrava do jeito que os humanos quebravam. Algumas pessoas diziam que meu pai tinha sido um renegado amaldiçoado. Outras gostavam mais da história da bruxa, diziam que ele devia ter sido alguma coisa vergonhosa das Terras Exteriores, alguma coisa antinatural que explicava por que eu era... assim. Por que eu conseguia sentir o cheiro da Lua e mesmo assim permanecia intocada por ela. Eu não acreditava em nada disso. Eu não ligava. A única coisa com a qual eu me importava, de verdade, desesperadamente, era a única verdade que a alcateia não sabia. Eu tinha um companheiro. Não um companheiro. O companheiro. E o destino, com seu cruel senso de humor, tinha me ligado à única pessoa a quem menos era permitido me querer. Kieran Whitewolf. O filho do Alfa. O futuro Alfa. O herdeiro de ouro de Vandwood. O garoto que a alcateia amava. O garoto que eu amava em segredo. O garoto que me amava... só onde ninguém podia ver. Apertei meu anuário contra o peito e continuei andando, tentando ignorar a forma como minhas costelas doíam por causa do empurrão. Hoje era para ser leve. Hoje era para ser um fim que eu conseguisse sobreviver. Era o dia da formatura. O último dia em que eu teria um motivo legítimo para pisar na academia sem ser enxotada como uma vira-lata. Parte de mim estava aliviada. Sem mais bullying diário. Sem mais armadilhas nos corredores. Sem mais risadas me seguindo como uma sombra. Mas outra parte de mim... a parte mais suave que eu odiava por existir... lamentava aquilo. Porque depois de hoje, meu mundo encolheria de novo até os arredores. As cabanas dos párias. As trilhas estreitas entre as árvores. O silêncio cansado da minha mãe. A minha própria solidão. Uma vida sem amigos e sem lugar para ir ainda era uma vida difícil, mesmo quando você já estava acostumada com isso. Passei por um grupo de garotas encolhidas perto das janelas, com os cabelos brilhantes e os uniformes impecáveis. Elas já estavam assinando os livros umas das outras, dando gritinhos por causa das lembranças, planejando festas. Quando meus olhos se voltaram para elas, uma delas ergueu o queixo e sorriu com desdém. — Quem vai assinar o seu, Moonchild? — ela perguntou, alto o bastante para o corredor inteiro ouvir. Meu estômago se apertou. Moonchild. Meu sobrenome. Um nome que parecia uma bênção até a alcateia colocá-lo na boca e torcê-lo até virar zombaria. Eu não respondi. Eu não parei. Só abracei o anuário com mais força, mais como um escudo do que como uma lembrança, e continuei andando. Não adiantava me juntar aos outros. Ninguém ia assinar meu livro mesmo. Eu já estava na metade do corredor quando um movimento chamou minha atenção. Uma figura alta perto do extremo oposto. Ombros largos. Cabelo escuro. Um andar familiar que meu corpo reconheceu antes que minha mente pudesse acompanhar. Minha respiração falhou. Kieran. Ele não devia estar aqui. Tinha se formado dois anos atrás. Tinha patrulhas, treinamento, reuniões do conselho, um futuro que já estava sendo talhado em pedra pelas expectativas da alcateia. Mesmo assim, ali estava ele, cortando o corredor como se fosse dono daquilo. Meu peito se encheu de algo perigoso. Esperança. E porque eu estava olhando, porque eu era idiota de esperança, não vi a pessoa entrando no meu caminho até ser tarde demais. Eu colidi com ela. Meu ombro bateu contra um corpo rígido. Meu anuário sacudiu contra meu peito. O cheiro me atingiu um segundo depois, perfume doce e caro sobreposto ao poder de lobo. Beverly. A bela da academia. A garota sobre quem todos sussurravam que seria a futura Luna, porque ela tinha tudo que uma Luna deveria ter: linhagem, beleza, uma loba formidável e um sorriso polido e afiado o bastante para cortar. O destino não a tinha escolhido. O destino tinha escolhido a mim. — Você é cega? — a voz de Beverly estalou como um chicote. — Desculpa — deixei escapar na mesma hora, dando um passo para trás. Pedir desculpas já era reflexo, automático, como respirar. — Eu não quis, Os olhos dela se estreitaram, me examinando como se eu fosse alguma coisa grudada no sapato dela. Então o olhar dela caiu para o livro apertado nos meus braços. — Ah. — Os lábios dela se curvaram. — Seu anuário.A madrugada já havia tomado conta de todo o território quando eles voltaram para casa.Depois de horas de comemorações, discursos e cumprimentos, o enorme casarão finalmente mergulhou no silêncio.Nyra tomou um banho demorado, deixando a água morna levar embora o cansaço daquela noite tão intensa.Quando saiu do banheiro, vestia uma delicada camisola branca de seda, simples e elegante, que deslizava suavemente sobre seu corpo.Respirou fundo antes de abrir a porta do quarto.Os três já a esperavam.Donatello, Matteo e Lorran estavam sentados próximos um do outro, usando apenas calças de moletom. Os peitos largos, cobertos por antigas cicatrizes e tatuagens, subiam e desciam em respirações profundas.Ela percebeu imediatamente que algo estava diferente.Os três pareciam inquietos.As mandíbulas estavam tensas.Os olhos dourados brilhavam com mais intensidade do que o normal.Nyra caminhou até eles.— O que houve, meus amores?Os três trocaram um olhar.Foi Matteo quem respondeu primeir
POV de KieranMenos de meia hora depois, cinco rastreadores já estavam reunidos na sala de reuniões.O ambiente permanecia em silêncio.Ninguém ousava comentar sobre o estado do escritório.Todos tinham ouvido o estrondo.Todos sabiam que Kieran havia perdido o controle.Ele entrou alguns segundos depois.As mãos ainda estavam machucadas.Os nós dos dedos rasgados.Alguns cortes no antebraço.Mas ele parecia não sentir absolutamente nada.Parou na cabeceira da mesa.— Encontraram alguma coisa?Os cinco homens abaixaram a cabeça.O mais velho respirou fundo.— Ainda não, senhor.A mandíbula de Kieran travou.— Procurem de novo.— Nós procuramos durante dias...— PROCUREM DE NOVO!A voz dele ecoou pela sala.Os cinco estremeceram.— Quero batedores em todas as fronteiras.— Vasculhem cada floresta.— Cada rio.— Cada caverna.— Cada território abandonado.Ele apoiou as duas mãos sobre a mesa.— Ela não pode simplesmente desaparecer.Um dos rastreadores respirou fundo antes de falar.— S
POV de KieranO silêncio do escritório ficou sufocante.Kieran abaixou-se lentamente, pegando o celular do chão com as mãos trêmulas.A tela estava rachada.Mesmo assim, a transmissão continuava.Ele aumentou o volume."...Em breve realizaremos nossa cerimônia de união."As palavras ecoaram dentro dele.União.Companheira.Luna.Tudo aquilo deveria estar sendo dito sobre Nyra...Mas por ele.Não por outros homens.Na tela, Donatello inclinou a cabeça e beijou a testa de Nyra.Ela sorriu.Sorriu.Kieran sentiu o ar faltar.Fazia semanas que ele só se lembrava dela chorando.Machucada.Implorando para que ele a rejeitasse.E agora...Ela estava sorrindo.Machado segurou delicadamente sua cintura.Lorran acariciou sua mão.Nenhum deles parecia ter vergonha de tocá-la.Nenhum deles escondia que ela era a companheira dos três.Na frente de centenas de pessoas.Na frente de câmeras.Na frente de todas as alcateias.Kieran apertou tanto o celular que os nós dos dedos embranqueceram.— Não...
POV da NyraO carro seguiu silenciosamente pela estrada.Eu estava sentada no banco de trás.Donatello à minha direita.Lorran à minha esquerda.Machado à minha frente, sentado de frente para nós.Por alguns minutos, ninguém disse nada.Os três apenas me olhavam.Tanto...Que comecei a ficar completamente sem graça.Sorri, abaixando um pouco a cabeça.— Tem alguma coisa errada?Donatello riu baixinho.— Tem.Meu coração disparou.— O quê?Lorran respondeu sorrindo.— Você está linda demais.Revirei os olhos, rindo.— Vocês já falaram isso umas cinquenta vezes.Machado cruzou os braços.— E vamos repetir outras cinquenta.Os quatro rimos.Depois de alguns minutos, o carro atravessou os enormes portões da sede da matilha.Meu coração voltou a acelerar.Havia dezenas de carros estacionados.Lobos de todos os lados.Homens de terno.Mulheres com vestidos elegantes.A enorme construção iluminada parecia um castelo.Respirei fundo.— Acho que não consigo...Donatello segurou minha mão imedi






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