Mag-log inCAPÍTULO 203 O MEDO BATENDO A PORTA. ISABEL CARMONA As horas se arrastavam entre avaliações, perguntas e novas ondas de dor. Quando finalmente conseguiram reunir os primeiros resultados, explicaram-me que a dilatação ainda era reduzida para o parto. Apesar das contrações, o colo do útero não tinha progredido o suficiente para indicar que o parto estivesse numa fase avançada. O bebé, por sua vez, apresentava sinais tranquilizadores na monitorização. A notícia trouxe-me algum alívio, mas não eliminou a inquietação, aquela dor parecia que iria me rasgar ao meio. — Então, ele está bem? — perguntei, procurando o rosto da médica que me avaliava. — Neste momento, os sinais que estamos a observar são tranquilizadores. Vamos continuar a monitorar ambos e acompanhar a evolução. Ainda é cedo para determinar como tudo vai decorrer. Assenti lentamente. A palavra tranquilizadora era tudo aquilo que eu precisava para conseguir respirar um pouco melhor, embora soubesse que ainda não podia
CAPÍTULO 202 ERA UM MOMENTO DE TENÇÃO E MEDO. ISABEL CARMONA — Isabel, escuta… Eu sei que ainda não chegou a hora... Mas as coisas nem sempre acontecem como esperamos. Pode ser que o parto vai ser antes do previsto, e não vamos correr riscos. Se prepare...– Chego aí dentro de poucos minutos. A chamada terminou antes que eu conseguisse apresentar outra objeção. Fiquei olhando para o celular durante alguns segundos, com o coração batendo descompassadamente. O parto vai ser antes... A palavra instalou-se na minha mente com uma força quase assustadora. Eu sabia que aquele momento acabaria por chegar. Tinha feito consultas, exames, preparado as roupas do bebê e organizado cada detalhe da sua chegada. Apesar de todas as preocupações, havia uma parte de mim que aguardava aquele dia com uma ansiedade doce, imaginando o instante em que finalmente o teria nos braços. Mas não naquela noite, não naquele dia. Ainda não. Eu não estava preparada para antecipar o encontro com o meu f
CAPÍTULO 201 TINHA COISA QUE EU NÃO PODERIA MUDAR ISABEL CARMONA Pousei o aparelho sobre a secretária e olhei para os relatórios que o meu pai me enviara. As páginas continuavam ali, alinhadas, à espera da minha atenção. Havia números para conferir, decisões para analisar e documentos que precisavam de ser revistos antes da viagem dele. Trabalho suficiente para ocupar o resto da manhã e, se eu permitisse, também o resto do dia. Voltei à cadeira, abri o primeiro ficheiro e comecei a ler. Era assim que eu conseguia manter as coisas sob controlo. Enquanto houvesse algo para resolver, não precisava pensar demais no que não podia mudar. Nas horas vagas, continuava a ajudar o meu pai com algumas melhoras e geria uma parte dos assuntos da família. Não era apenas uma questão de responsabilidade. Era também uma maneira de continuar ligada a eles, de sentir que, apesar da distância, ainda podia contribuir para alguma coisa importante. Além disso, ela por minha causa que eles estav
CAPÍTULO 200 AS AMARRAS DO PASSADO ISABEL CARMONA Puxei o ar profundamente, sentindo a inquietação instalar-se no meu peito. Uma proposta de Leonel Carmona nunca era apenas uma ideia lançada ao acaso. Meu pai gostava de analisar as possibilidades, calcular os riscos e apresentar soluções que considerava sólidas. E, quando acreditava estar agindo pelo bem de alguém que amava, podia tornar-se particularmente difícil convencê-lo a recuar. — Certo, mãe. Quando ele quiser conversar, eu vou estar pronta. — Obrigada, querida. Sei que podemos contar com você sempre. Agradeci-lhe com um sorriso que ela não podia ver, mas que, ainda assim, me pareceu necessário. A conversa tomou um rumo mais leve quando a minha mãe perguntou pela criança. — E esse menino da vovó? Como é que ele está? Dessa vez, sorri de verdade. — Está bem, mãe. E, pelo que o médico diz, está crescendo bastante. Parece estar acima do tamanho esperado para esta fase, e talvez seja por isso que tenho sentido muit
CAPÍTULO 199 A DOR DA LEMBRANÇA ISABEL CARMONA Filha, como você está? A voz da minha mãe chegou aos meus ouvidos carregada daquela ternura que, mesmo à distância, sempre encontrava uma maneira de me alcançar. Encostei-me ao encosto da cadeira e deixei escapar um suspiro discreto antes de responder. — Estou muito bem, mãe. – E você ,como estão por aí? — Estamos todos bem, querida. Seu avô apresentou uma melhora significativa nos últimos dias, e seu pai está contente sobre isso. Mas por outro lado, seu pai continua correndo contra o tempo para colocar tudo em ordem, antes do seu parto. E se não fosse a sua ajuda, tenho certeza de que as coisas estariam muito mais complicadas. Você conhece seu pai. Ele seria capaz de passar noites inteiras trabalhando e ainda achar que não fez o suficiente. Um sorriso discreto tocou meus lábios. Eu conhecia meu pai melhor do que ninguém. Leonel Carmona tinha o hábito de assumir responsabilidades que ultrapassava, os próprios limites, como
CAPÍTULO 198 EU AINDA NÃO SABIA NOMEAR TELBALDO MONTEIRO (TEL) Fiquei a observá-la por um instante. — Por causa de quê? Alguém disse alguma coisa? — Não, Tel, ninguém disse nada, mas podem desconfiar. — Então? Melinda desviou os olhos por um segundo, antes de voltar a encarar-me. — Porque estamos num hospital, Tel. Somos profissionais. Temos responsabilidades e não podemos continuar a agir como se o nosso local de trabalho fosse uma extensão da nossa vida privada. Assenti lentamente. — Tens razão, mas é que você é muito gostosa, linda e extremamente atraente, e eu não resisto. Eu cheguei aproximo e a beijei. Ela pareceu surpreendida com a facilidade da minha resposta. — Tenho? — Claro que tem. Se preferes assim, não há problema. A expressão dela alterou-se ligeiramente. — É só isso? Franzi a testa. — O que queres que diga mas? — Não sei. Talvez alguma coisa que me mostre que compreendes por que estou a dizer isto. Aproximei-me dela outra vez. — Melinda, compreen







