Mag-log inCAPÍTULO 181 UM SIGNIFICADO MUITO MAIOR LEONEL CARMONA A alegria de ver Isabel ao cruzar a porta da cozinha foi como o primeiro sopro de ar puro após meses de sufocamento e muita pressão. Ela veio na minha direção com um sorriso radiante de uma filha carinhosa e amada que ela sempre foi. Eu envolvi minha filha em meu abraços com toda a força que tinha, sentindo o perfume dela, me acalmando com a sua presença, e me permitindo ser apenas o pai protetor, e não o homem de negócios que o mundo agora conhecia. O amor que eu sentia pela minha filha era incondicional — uma das coisas mais sagradas que existiam na minha vida. Tê-la ali, tão perto de mim, sentindo seu corpo colado ao meu, despertava uma sensação que eu não conseguia explicar. Era como se o tempo tivesse parado por alguns instantes e ela nunca tivesse crescido. Para mim, ela ainda era a minha menina. A mesma que um dia coube em meus braços, que precisava de mim para tudo e que eu jurava proteger do mundo inteiro.
CAPÍTULO 180 Como Eu Iria Iniciar Aquela Conversa? ISABEL CARMONA O ambiente da cozinha era acolhedor, preenchido pelo aroma familiar da comida que eu conhecia tão bem. Por alguns segundos, aquela sensação de conforto quase conseguiu me fazer esquecer tudo o que havia acontecido. Quase... Bastou olhar para o semblante da minha mãe para perceber que ela não estava convencida de que estava tudo bem. Havia algo diferente em seus olhos, uma mistura de preocupação e desconfiança que eu conhecia perfeitamente. Ela me observou por alguns instantes, como se estivesse tentando juntar as peças de algo que eu ainda não tinha coragem de dizer. Era como se eu conseguisse ouvir as engrenagens dos pensamentos dela girando, uma a uma, procurando respostas para aquilo que eu tentava esconder até de mim mesma. Eu sabia exatamente o que ela queria perguntar desde o instante em que Tel atravessou aquela porta. O silêncio entre nós já carregava a pergunta. Era como se a voz dela ecoasse dent
CAPÍTULO 179 O Que Você Fez Filha? ANA CARMONA Eu congelei. Meus olhos ficaram presos naquele abraço demorado, no beijo de despedida que roçou o rosto da minha filha com uma lentidão calculada e íntima, principalmente, naquela mão. A mão de Tel permaneceu espalhada na cintura de Isabel, tempo mais do que o decoro exigia. Era um toque possessivo, disfarçado de algo que eu captei na hora, era uma gentileza a mais. Quando ela tentou puxar assunto, tateando palavras no vazio para preencher o silêncio que se instalou na sala, mal consegui processar o som da sua voz. Tudo ali parecia completamente fora de rumo e a minha mente vagava em pensamento. Não era, de forma alguma, o cenário que Leonel e eu vínhamos desenhando para o retorno da nossa filha. Nosso plano, arquitetado em sussurros aflitos durante madrugadas em claro, era esperar que ela pisasse em casa para revelar o que tínhamos descoberto dias atrás. Havia sido uma reunião intensa, crua, desarmada com toda a família Gouv
CAPÍTULO 178 A Dura Realidade ISABEL MARQUES As lembranças me consumiram. A culpa, o medo, as dúvidas... tudo se misturou dentro de mim até que, naquela noite em que saímos com alguns amigos, eu bebi muito mais do que deveria. Bebi para silenciar os pensamentos. Bebi para esquecer aquilo que me atormentava. E, por algumas horas, consegui. O problema era que a manhã seguinte me devolveria tudo de uma vez. Há momentos em que a vida se encarrega de preencher as lacunas da nossa história com certezas absolutas, mesmo quando tudo ao nosso redor parece reduzido a um rastro de poeira e destruição. Três semanas haviam se passado desde aquela manhã em que o pequeno visor de plástico mudou completamente o curso do meu destino. Três semanas desde o instante em que o resultado diante dos meus olhos fez o sangue abandonar o meu rosto e roubou o chão sob os meus pés. Três semanas desde que precisei encarar a consequência de uma única noite de descontrole e imprudência com Theo. Uma noi
CAPÍTULO 177 Já Estava Decidida Dentro De Mim. TEOBALDO MONTEIRO Assim que entramos no meu apartamento, ela seguiu direto para o banheiro do quarto, fechando a porta atrás de si. Eu permaneci parado no meio do ambiente, observando o silêncio tomar conta do lugar. E por alguns segundos, não fiz nada. O barulho da porta do banheiro se fechando pareceu ecoar pelo apartamento como o início de uma contagem regressiva. Sozinho na sala, a fachada de um homem forte e controlado ruiu por completo seria um grande desafio pra mim como homem que nunca precisou de artimanha nenhuma pra ter a mulher que queria, mas Isabel era diferente de todas. Era muita coisa em jogo, era uma reviravolta completa na minha vida e na vida dela também. Comecei a andar de um lado para o outro, os passos pesados contra o piso de madeira marcando o ritmo da minha ansiedade avassaladora. Minhas mãos, habituadas a fazer grandes cirurgias de risco sem tremer por horas, agora estavam frias, cravadas nos bolsos d
CAPÍTULO 176 Tudo Ficaria Trancado Entre Sete Chaves TELBALDO MONTEIRO (TEL) Eu fiquei ali, estático, observando o contorno da silhueta do corpo e da beleza daquela mulher que me deixava fascinado, e completamente sem reação diante dela. Parei por um momento analisado o acabara de acontecer ali dentro do meu quarto, eu precisei de muito alto controle. Eu me sentia...completamente frustrado. E, ao mesmo tempo, tomado por um alívio tardio por não ter freado os meus próprios impulsos e deixado as coisas avançarem até ali. Eu podia ser, muitas coisas nessa vida, mas nunca fui o tipo de homem que se aproveita de uma mulher em circunstâncias de vulnerabilidade extrema. O problema é que eu não tinha a menor dimensão do tamanho do labirinto que aquela, noite construiria até a manhã seguinte. Quando a luz do sol cortou as cortinas e Isabel finalmente abriu os olhos, o choque em suas feições foi imediato, sucedido por uma expressão de total e absoluto desespero ao me ver ao seu lado







