LOGIN— Trabalhamos com a segurança de grandes corporações, principalmente com a guarda de projetos secretos públicos e privados. Amanhã, quando você estiver descansada, te mostrarei todo o complexo que temos aqui.
— E quanto ao meu pai? — Será a sua primeira operação. Seu pai mudou muito depois que você sumiu. Com 5 anos de seu desaparecimento, ele tomou para si a herança que sua mãe deixou e montou um negócio. Infelizmente, ele foi induzido pela sua madrasta a se associar com grupos do submundo e suas lojas se tornaram fachada para lavar dinheiro. — Meu pai fez isso, tem certeza? — Sim, inclusive já poderíamos tê-lo prendido, se não quiséssemos pegar o chefão do submundo para quem ele trabalha. É aí que entra você, quero que volte, como se tivesse procurado por eles por muito tempo, como uma jovem simples e sofrida como você realmente foi e se torne o braço direito dele até conhecer o chefão. Você pode fazer isto? Clarice baixou a cabeça e fechou com força os olhos, querendo eliminar os pensamentos. Não acreditava que mais uma bomba caiu sobre sua cabeça e fez o maior estrago. Não bastava tudo que já tinha sofrido, primeiro com a morte de sua mãe e os maus tratos da madrasta, depois trabalhando como empregada em troca de casa e comida, e ainda ser assediada. Se não fosse Cornélio, talvez tivesse morrido em uma estrada qualquer, como uma indigente. Foi para a faculdade, estudou tudo que podia, aproveitando os mais de 50 cursos que tinha à sua disposição, sem contar nas aulas de lutas marciais. Mas até chegar neste momento, ela sofreu ao ser drogada e se relacionar com um desconhecido. Perdeu sua virgindade, a qual prezava tanto, de forma corriqueira e banal, sem nem aproveitar o momento, pois estava alucinada pelo afrodisíaco. — Agora, depois de tudo que passei, ao invés de encontrar um pai amoroso que sentiu minha falta, vou atrás de um gangster, um fora da lei sem escrúpulos, casado com uma mulher vadia do mal? É esse o meu futuro? Cornélio não esperava que ela fosse se exaltar tanto, por isso tentou pôr panos quentes: — Pense que, talvez, o seu aparecimento faça ele se arrepender e mudar. Afinal, ele não é o grande chefão, é só um prestador de serviço. — Ele não foi totalmente sincero para não a assustar. Esse pensamento acalmou um pouco o ânimo de Clarice e Cornélio aproveitou para mostrar onde ela tinha que assinar, para ser informada e preparada sobre seus próximos passos. — Que documentos são esses? Ele abriu a pasta e mostrou a ela os documentos iniciais, que lhe davam direitos. — Você será uma associada, terá direito a salário, suas despesas pagas quando em serviço, moradia garantida, auxílio saúde e participação nos lucros das ações. Seu trabalho será investigativo, para isso você aprendeu tudo sobre tecnologia da informação. Antes de qualquer serviço, você será devidamente preparada e uma equipe te dará suporte em todo lugar, garantindo sua segurança. Então, aceita? Neste ponto, ela já estava sorrindo, pois gostou muito de trabalhar com isso, se sentiu a própria 00 alguma coisa. — É muita coisa, mas gostei disso. Ela passou os olhos nas primeiras folhas, mas eram muitas e foi logo para as assinaturas. — Você precisa assinar os que ficam com você e os que ficam comigo. Por isso são muitos, não esqueça de rubricar cada folha. Ela já estava muito cansada e não prestou muita atenção em todas as folhas que assinou, terminou rapidamente e olhando para ele, pediu arrego. — Agora, eu realmente preciso descansar. — Pode ir, seu quarto foi limpo e arejado, seja bem vinda a família, querida. Ele abraçou-a e beijou sua testa, comemorando que agora ela era sua nora, embora ela não soubesse. Já a tinha como filha, desde que a encontrou desamparada na estrada, mas, ela só teria consciência de toda a sua realidade depois de alguns anos. * No mês seguinte, Clarice se inteirou sobre tudo o que a Firma de segurança possuía e fez alguns treinamentos com armas. Preparou-se e viajou para participar de um evento na mansão de um grande empresário do ramo hoteleiro. Seu pai estaria lá. Acompanhada de Charles Klein, um estilista de moda que utilizava a Firma de segurança e aceitou, prontamente, o pedido de Cornélio para levar uma acompanhante muito especial. Ele não reclamou, mas também não gostou, até ver Clarice e então, não parou de assediá-la. Clarice estava muito elegante, trajava um vestido longo, verde, e de um ombro só. Preso no tecido sobre o ombro, havia um broche de brilhantes e o tecido maleável moldava seu corpo, adornando-o sem ajustar demais. A saia era godê, passeando por suas pernas e mostrando-as através das fendas sobre cada uma delas. Seus saltos 15, acrescentavam uma postura elegante que combinado com gestos de mão suaves, que mostravam a perfeição de suas unhas pintadas de vermelho sangue. Ela segurou o braço de Klein e sorriu, fazendo os olhos do homem se deter em seus lábios carnudos e vermelhos. Quando entraram no salão, os olhos se voltaram para o casal elegante, as mulheres com inveja dos preciosos brincos e broche de brilhantes que ela usava e os homens apreciando a pele clara e macia, os olhos grandes, além da beleza de seu pescoço alongado, que estava totalmente exposto com os cabelos presos em um coque no alto da cabeça. Ela sorria e parecia que os homens desmaiavam, tal a elegância com que ela andava. Segura de si, seguiu pelo salão, sendo apresentada por seu acompanhante até que chegou ao anfitrião. Ao lado dele estava sua esposa, que não gostou da presença feminina tão elegante e bonita, pois seu marido era um conquistador e não tirou os olhos da mulher. Porém, Clarice não queria saber de nenhum deles, mas sim, do senhor que estava próximo ao anfitrião e parecia ser bem íntimo, seu pai, Ewerton Gusmão. — Sua acompanhante é muito linda, Klein. Apresente-nos. — Esta é Clarice, filha de Cornélio Dietrich. A firma de segurança dele presta serviço para minha empresa há alguns anos e somos amigos.Segurando sua mão, Clayton a ajudou a levantar-se e os dois correram para o mar, deixando Vitor com o mais provável novo casal. Naquele trecho de praia não tinha ondas e os dois entraram correndo, sentindo a água quase morna e logo se jogaram. Clayton a levou para uma área onde os dois ficaram cobertos até o peito e começou a beijá-la. Estavam a uma distância da praia em que podiam ser vistos, porém, não o que estavam fazendo. — Você não perde uma oportunidade de me atacar com essas suas mãos grandes, não é? — Quem manda ser tão gostosa? confesse, você adora!— É verdade, fui conquistada pela sua safadeza. — Nossa primeira vez foi bem tórrida e eu sinto muito que tenha sido daquela forma.— Não foi como imaginei a minha primeira vez, mas apesar do incômodo que tive depois, não nego que gostei muito.— Gostou é…? — falou e beijou seu pescoço — hum, tá salgadinha…— Você me deixa louca, sabia? Acho melhor sairmos.— Acho melhor você rodear meus quadris com as pernas.Ela se assusto
Em seguida, vocês sabem o que aconteceu. Infelizmente para Kalymnus e Maritsa, Gusmão estava tão furioso que brigou com sua amante. Maritsa controlava com pulso firme, a máfia da família. Klein, como filho ilegítimo, pensou que estava no controle ou iria assumir, pois achava que as ordens de serviço vinham de seu pai, mas na verdade, era tudo dirigido por Maritsa.“ Quando ela achou que Gusmão estava insistindo demais no espólio, cometendo uma série de desatinos, ela o chamou a atenção e ele não gostou, pois apesar de se amarem e estarem juntos há muito tempo, cada um tinha sua personalidade forte e controlava um negócio poderoso do submundo.“ Essa briga e afastamento, foi a verdadeira derrocada deles, deixaram pontas soltas e fios conectados a dark web que Clarice descobriu. Agora estão todos presos e os capos que seguiam Maritsa, também. Todos utilizavam os imóveis de Clarice, com a anuência de Gusmão, que além de servir de testa de ferro pelos imóveis, fazia todo o transporte das
Clayton ficou calado e pensativo por um instante, digerindo a informação e só então, comentou:— Isso é realmente extraordinário, não costumo deixar rastro ou pontas soltas.— Realmente, foi muito difícil chegar até aqui, mas foi muito útil. Nós não tínhamos uma direção para seguir e quando cheguei e conversei com Cornélio, ele me mostrou tudo que tinha e eu mostrei o que nós tínhamos para ele e assim chegamos a um denominador comum. — Esse denominador seria a família de Emílio Dietrich? — perguntou Clarice.— Sim, mas cruzamos com um caso paralelo, você Clarice. A necessidade deles de conquistar o seu espólio misturou-se com o sequestro das modelos e assim, foi difícil encontrarmos uma direção única.Clarice estranhou, para ela, estava tudo interligado. Pois os sequestros e leilões praticados por Emílio e Klein, eram feitos nos imóveis de seu espólio, então, ela pensou que era o grande interesse deles, nela, poder usufruir dos imóveis sem ter a preocupação dela aparecer e reivindica
Clarice teclava rapidamente em seu tablet. Juntou todas as informações em uma pasta, enviou para Cornélio e para o delegado da polícia federal que cuidava do caso. Tinham criado um canal seguro para comunicação, preparado por Clayton, que entendia bem de segurança cibernética.Instalaram uma rede de firewalls e seria praticamente impossível passar por eles. Quando terminou a operação, ela fechou o tablet e os olhos, recostou-se na poltrona, suspirando aliviada.Não concebia o fato de seu próprio pai estar a traindo. Questionava se também foi ideia dele, Noélia ter sumido com ela. — Será que tudo que ele me contou foi mentira?Clayton olhou para ela sem saber o que dizer para consolá-la.— Não pense demais, ok?— É difícil, desde que vi aquelas fotos, não consigo parar de pensar no quanto eles foram sórdidos. Quem faz uma coisa assim, não tem sentimentos pelos outros. Eles enganaram todos, o tempo todo.— Todos não, Emilio sabia e no final, Cornélio perseguiu a pessoa errada, mas que
— Sim, senhorita. Aqui está o convite, a senhora só precisa entrar em contato e tomar ciência sobre a proposta. Está tudo explicado aí.— Obrigada.Com tudo devidamente legalizado, os dois deixaram o local e deram de cara com Maritsa e Kalymnos. Clarice deu um sorriso largo, como se estivesse muito contente em encontrar a amiga/prima/perseguidora.— Olá! Que surpresa encontrá-los aqui.As duas mulheres vestiam casacos de pele com capuz, calças acolchoadas e botas de cano longo. As mãos estavam calçadas em luvas de lã e enfiadas nos bolsos. Nenhuma das duas se prontificou a abraçar a outra por causa do frio.— Parece que estamos perdidos neste mundo de neve e frio, não é mesmo? — comentou Maritsa.— Sim, não vejo a hora de ir embora, mas o que vocês fazem por aqui? Também vieram recadastrar algum terreno ou imóvel? — perguntou Clarice, sendo direta como sempre.— Sim, temos uns terrenos que o governo está interessado. Parece que descobriram um depósito de nióbio muito grande e estão ne
Dispensando os policiais, voltou a entrar e ordenou aos dois seguranças para revezarem em vigiar o homem no hospital e o interrogarem quando derretesse. Voltou para a cama, podia dormir mais um pouco grudadinho em sua mulher. Já tinha uma ideia de quem tinha sido o responsável.Ao acordarem, cinco horas depois, o hotel enviou um café da manhã completo como desculpas pelo que aconteceu. Clarice levantou-se e tomou logo um banho para aquecer seu corpo, voltando já arrumada para a saleta, onde aproveitou bem toda a comida que receberam.Enquanto ela comia, Cleyton contou o que descobriram:— O advogado deve ter contado que não estava mais com o espólio e como ainda não o registramos…— Clarice nem precisou terminar de falar.— Por isso vamos logo resolver isso e ir embora, ou precisaremos de mais John’s conosco.Clayton falou e logo em seguida foi se arrumar. Não demoraram arrumando suas coisas, pretendiam partir assim que resolvessem tudo. Por precaução, Clarice guardou a pasta com a do







