LOGINClarice inspirou o ar com força quando entrou no apartamento, aliviada por estar segura. Pegou seu celular, jogou-se no sofá e ligou para Cornélio que logo atendeu.
— Oi, filha, já soube que a operação foi um sucesso. — Já? Como? — Nosso agente de apoio me passou o relatório da missão e já começou a examinar os dados do pendrive. — Então foi ele, quem é ele, exatamente? — Seu marido, criança. Para todos os efeitos, nas próximas missões em que se encontrarem, lembre-se disso em caso de emergência. Ela não sabia o que concluir da informação que recebeu. Marido? Nunca sequer pensou em casar e agora tinha um marido de mentirinha que beijava de verdade. Resmungou. — Você ainda está aí, querida? — Sim, estou cansada, vou dormir. Boa noite. — Aqui é bom dia, ainda, mas bom descanso, nos veremos em breve e parabéns. — Obrigada. Ela deitou e tentou esquecer tudo o que aconteceu, mas demorou e rolou na cama por um bom tempo até dormir. O beijo parecia ter deixado uma impressão fixa em seus lábios, que atormentava sua libido. No dia seguinte acordou tarde e quase perdeu o vôo para casa. Morava em Brighton, na Inglaterra e era complicado o translado. Chegou em casa no final da tarde, depois de pegar um carro, um avião, o trem e encontrar com Hector que a esperava na estação de trem. — Seja bem vinda, querida. — Cornélio a esperava na porta e a abraçou. — Obrigada, essa viagem foi bem estressante, mas não sei porque estou tão cansada. — Mais um dia e estará recuperada. Infelizmente, não foi o que aconteceu, mas Clarice não deu importância e durante as próximas semanas, estudou a fundo as informações contidas no pendrive, mas só as que se referiam a Ewerton Gusmão. Descobriu vários contratos de fachada e parcerias com firmas de fachada para lavar dinheiro. Mas sua loja em Edimburgo funcionava de verdade e quem gerenciava era Noélia. Por sorte, Gusmão entrou em contato solicitando seus serviços e marcaram uma reunião. Ela decidiu que seria por ali que começaria. Procurou um apartamento simples em Edimburgo e dois meses depois, mudou-se. Foi quando seu cansaço e mau estar pioraram e procurou um médico. Seu apartamento era próximo ao comércio do bairro e havia uma boa clínica particular, próxima. Marcou uma consulta e entrou no consultório, sendo recebida por um médico de meia idade, muito sério e compenetrado, que lhe agradou. Era um ginecologista e lhe fez várias perguntas, fazendo-a notar o quanto foi descuidada e que já não menstruava há quatro meses. — Senhorita Dietrish, não preciso nem ver os resultados dos exames para confirmar o diagnóstico. A senhorita está grávida, vamos para a sala ao lado. Deitada na mesa, com o aparelho deslizando e parando em seu baixo ventre, ouvia o som de um coração batendo rapidamente. — É um menino e está com 15 semanas. Está formado e pelos movimentos, é bem saudável. — virou a tela para que ela visse a imagem. A emoção a invadiu, lembrou-se da única noite em que esteve com um homem em sua vida. Estava grávida e isso mudava os seus planos. Nunca pensou em casar e ter filhos, agora tinha um marido de mentirinha que nem sabia quem era e um bebê a caminho, que chegaria no momento errado. Como não percebeu isso antes? — O quê, estou grávida a quase quatro meses e não percebi, como? — perguntou, mais para si do que para o médico. — Pois é, nem eu acredito. Sua barriga já tem volume e você não se deu conta. Algo na sua mente bloqueou os sinais. Ele colocou lenços de papel na barriga dela. — Arrume-se e volte ao consultório, lhe passarei alguns exames e suplementos. Ela obedeceu e quando saiu do consultório, tinha os pedidos de exame, receita de vitaminas, remédio para controlar os enjoos e a programação para as novas consultas. Achou o médico muito frio, mas era melhor assim, não compartilharia com ele a sua vida. Marcou o exame para o dia seguinte e saiu da clínica. Enfiou as mãos no bolso, pois apesar da cidade ter um clima ameno, o dia estava frio e o céu coberto de nuvens escuras. — Não demora e começará a chover, amo chuva. É a comemoração perfeita para minha situação, não é bebê. — Acariciou o pequeno volume que já podia sentir em seu ventre, que sempre foi chapado. Foi para seu apartamento de dois quartos, preparou uma sopa para o jantar e depois foi tomar um banho, dando tempo para a sopa esfriar. Vestiu um pijama e cobriu-se com um roupão aveludado. Ligou a televisão e colocou seu seriado favorito. Colocou a sopa em um pote, foi sentar-se no sofá e comeu vendo televisão. Quando a chuva caiu, ela já estava deitada e o som que ela tanto gostava, embalou seu sono. * Clayton dava cobertura aos planos de Clarice e nesse instante, invadia o deposito para colocar escutas e mini câmeras no escritório e nas portas de entrada e saída de mercadorias. Saiu pelo mesmo modo que entrou: uma claraboia no telhado, onde pendurou uma corda. Chegou em sua motocicleta e partiu em direção ao seu apartamento, do outro lado da rua onde morava Clarice. Os dois se comunicavam todo dia pela internet, mas ela não sabia quem ele era e nem que estava tão próximo. Depois de verificar se as câmeras e áudios estavam transmitindo, arrumou-se para dormir e foi até a janela, olhou para o apartamento do outro lado e vendo tudo apagado, foi se deitar. — Boa noite, esposa, sinto sua falta. Ele realmente era apaixonado por ela. Desde que a viu, franzina e debilitada, entrando pelas portas principais da casa, quis ela para si, mas seu pai não deixou que se aproximasse. Por isso ficou com essa paixão encubada. Foi muito difícil deixá-la na manhã seguinte de sua noite de paixão, mas ainda não era a hora de se conhecerem. Fez o possível para que ela não se sentisse usada e abandonada, inclusive deixando um cartão com a logo de sua empresa e seu contato, mas ela nunca ligou.Segurando sua mão, Clayton a ajudou a levantar-se e os dois correram para o mar, deixando Vitor com o mais provável novo casal. Naquele trecho de praia não tinha ondas e os dois entraram correndo, sentindo a água quase morna e logo se jogaram. Clayton a levou para uma área onde os dois ficaram cobertos até o peito e começou a beijá-la. Estavam a uma distância da praia em que podiam ser vistos, porém, não o que estavam fazendo. — Você não perde uma oportunidade de me atacar com essas suas mãos grandes, não é? — Quem manda ser tão gostosa? confesse, você adora!— É verdade, fui conquistada pela sua safadeza. — Nossa primeira vez foi bem tórrida e eu sinto muito que tenha sido daquela forma.— Não foi como imaginei a minha primeira vez, mas apesar do incômodo que tive depois, não nego que gostei muito.— Gostou é…? — falou e beijou seu pescoço — hum, tá salgadinha…— Você me deixa louca, sabia? Acho melhor sairmos.— Acho melhor você rodear meus quadris com as pernas.Ela se assusto
Em seguida, vocês sabem o que aconteceu. Infelizmente para Kalymnus e Maritsa, Gusmão estava tão furioso que brigou com sua amante. Maritsa controlava com pulso firme, a máfia da família. Klein, como filho ilegítimo, pensou que estava no controle ou iria assumir, pois achava que as ordens de serviço vinham de seu pai, mas na verdade, era tudo dirigido por Maritsa.“ Quando ela achou que Gusmão estava insistindo demais no espólio, cometendo uma série de desatinos, ela o chamou a atenção e ele não gostou, pois apesar de se amarem e estarem juntos há muito tempo, cada um tinha sua personalidade forte e controlava um negócio poderoso do submundo.“ Essa briga e afastamento, foi a verdadeira derrocada deles, deixaram pontas soltas e fios conectados a dark web que Clarice descobriu. Agora estão todos presos e os capos que seguiam Maritsa, também. Todos utilizavam os imóveis de Clarice, com a anuência de Gusmão, que além de servir de testa de ferro pelos imóveis, fazia todo o transporte das
Clayton ficou calado e pensativo por um instante, digerindo a informação e só então, comentou:— Isso é realmente extraordinário, não costumo deixar rastro ou pontas soltas.— Realmente, foi muito difícil chegar até aqui, mas foi muito útil. Nós não tínhamos uma direção para seguir e quando cheguei e conversei com Cornélio, ele me mostrou tudo que tinha e eu mostrei o que nós tínhamos para ele e assim chegamos a um denominador comum. — Esse denominador seria a família de Emílio Dietrich? — perguntou Clarice.— Sim, mas cruzamos com um caso paralelo, você Clarice. A necessidade deles de conquistar o seu espólio misturou-se com o sequestro das modelos e assim, foi difícil encontrarmos uma direção única.Clarice estranhou, para ela, estava tudo interligado. Pois os sequestros e leilões praticados por Emílio e Klein, eram feitos nos imóveis de seu espólio, então, ela pensou que era o grande interesse deles, nela, poder usufruir dos imóveis sem ter a preocupação dela aparecer e reivindica
Clarice teclava rapidamente em seu tablet. Juntou todas as informações em uma pasta, enviou para Cornélio e para o delegado da polícia federal que cuidava do caso. Tinham criado um canal seguro para comunicação, preparado por Clayton, que entendia bem de segurança cibernética.Instalaram uma rede de firewalls e seria praticamente impossível passar por eles. Quando terminou a operação, ela fechou o tablet e os olhos, recostou-se na poltrona, suspirando aliviada.Não concebia o fato de seu próprio pai estar a traindo. Questionava se também foi ideia dele, Noélia ter sumido com ela. — Será que tudo que ele me contou foi mentira?Clayton olhou para ela sem saber o que dizer para consolá-la.— Não pense demais, ok?— É difícil, desde que vi aquelas fotos, não consigo parar de pensar no quanto eles foram sórdidos. Quem faz uma coisa assim, não tem sentimentos pelos outros. Eles enganaram todos, o tempo todo.— Todos não, Emilio sabia e no final, Cornélio perseguiu a pessoa errada, mas que
— Sim, senhorita. Aqui está o convite, a senhora só precisa entrar em contato e tomar ciência sobre a proposta. Está tudo explicado aí.— Obrigada.Com tudo devidamente legalizado, os dois deixaram o local e deram de cara com Maritsa e Kalymnos. Clarice deu um sorriso largo, como se estivesse muito contente em encontrar a amiga/prima/perseguidora.— Olá! Que surpresa encontrá-los aqui.As duas mulheres vestiam casacos de pele com capuz, calças acolchoadas e botas de cano longo. As mãos estavam calçadas em luvas de lã e enfiadas nos bolsos. Nenhuma das duas se prontificou a abraçar a outra por causa do frio.— Parece que estamos perdidos neste mundo de neve e frio, não é mesmo? — comentou Maritsa.— Sim, não vejo a hora de ir embora, mas o que vocês fazem por aqui? Também vieram recadastrar algum terreno ou imóvel? — perguntou Clarice, sendo direta como sempre.— Sim, temos uns terrenos que o governo está interessado. Parece que descobriram um depósito de nióbio muito grande e estão ne
Dispensando os policiais, voltou a entrar e ordenou aos dois seguranças para revezarem em vigiar o homem no hospital e o interrogarem quando derretesse. Voltou para a cama, podia dormir mais um pouco grudadinho em sua mulher. Já tinha uma ideia de quem tinha sido o responsável.Ao acordarem, cinco horas depois, o hotel enviou um café da manhã completo como desculpas pelo que aconteceu. Clarice levantou-se e tomou logo um banho para aquecer seu corpo, voltando já arrumada para a saleta, onde aproveitou bem toda a comida que receberam.Enquanto ela comia, Cleyton contou o que descobriram:— O advogado deve ter contado que não estava mais com o espólio e como ainda não o registramos…— Clarice nem precisou terminar de falar.— Por isso vamos logo resolver isso e ir embora, ou precisaremos de mais John’s conosco.Clayton falou e logo em seguida foi se arrumar. Não demoraram arrumando suas coisas, pretendiam partir assim que resolvessem tudo. Por precaução, Clarice guardou a pasta com a do







