Compartilhar

Capítulo 2

last update Data de publicação: 2023-04-06 01:43:01

ESTER

A noite de sexta-feira chegou mais rápido do que esperava. Já estava próximo do horário de sair para o aeroporto quando ouvi a campainha tocar e, instintivamente, corri para abrir a porta, mesmo estando descalça. Sabia que devia ser a babá, mas para minha surpresa, dei de cara com um homem, muito bonito por sinal.

— Senhora Ester?

— Sim, sou eu. — Estranhei ele saber meu nome e estar na minha porta. — Quem é você?

— Meu nome é Bruno. Fui enviado pelo My nany para ficar com o seu filho durante o final de semana.

— Deve haver algum engano, pois eu solicitei uma babá.

— Não há engano algum, senhora. Eu sou o babá que vai ficar com o seu filho.

— Mas você... Você é um homem.

— Isso é um problema para a senhora?

— Não. Quero dizer, sim, porque não tenho certeza se conseguirá lidar com um garotinho de 6 anos.

— Não tem motivo para se preocupar porque eu fui muito bem treinado para ficar com crianças de qualquer idade, senhora.

— Como poderei ter certeza disso? — perguntei desconfiada.

— Terá que confiar em mim, senhora.

— De qualquer forma, não tenho tempo para pedir outra babá.

— Quantos anos você tem?

— Vinte e oito.

— Ótimo! Pelo menos sei que meu filho não está com nenhum irresponsável.

Cheguei para o lado e dei passagem para o rapaz, que educadamente pediu licença e passou por mim. Não pude deixar de sentir o cheiro do seu perfume cítrico. Bruno era um rapaz um pouco mais alto do que eu, com um porte atlético de dar inveja, que fazia parecer que ele tinha acabado de sair de algum quartel. Quando saímos do hall em direção a sala de estar, chamei meu pequeno pestinha, que veio correndo do quarto.

— Caetano, este é o Bruno, o babá que vai ficar com você enquanto a mamãe viaja.

Pensei que haveria certa resistência por parte do meu filho, mas o garoto pareceu gostar da ideia de ter um babá.

— Maneiro! Você sabe jogar videogame?

— Mas é claro que sim!

— Oba! A gente vai poder jogar muito.

— Lembre-se que só é permitido jogar 1h por dia.

bom, mãe.

Aproveitei para mostrar ao Bruno o quarto de hóspedes onde ele ficaria e também a lista pregada na porta da geladeira com toda a rotina que meu filho seguia, além de uma lista com todas as suas alergias e alguns contatos de emergência caso acontecesse alguma coisa.

— Um garotinho de 6 anos precisa mesmo de tudo isso? — perguntou incrédulo.

— Mas é claro. Disciplina é tudo na vida de uma criança.

— Por que não pode deixá-lo simplesmente ser uma criança? — perguntou enquanto passava os olhos pela lista mais uma vez.

— Você está querendo me ensinar a como devo criar o meu filho?

— Longe de mim Sra. Ester, mas acho que uma criança deveria ter mais tempo para brincar.

— É melhor mesmo, Bruno, pois se tratando do meu filho eu sei o que é melhor para ele.

Pude notar seu olhar assustado, talvez não estivesse acostumado a ser confrontado pelas mães das crianças de quem já tinha cuidado antes ou nunca tinha se deparado com uma casa cheia de regras, mas teria que se acostumar, nem que fosse por um final de semana.

— Por acaso sabe cozinhar?

— Sim.

— Ótimo, porque não temos empregada no final de semana e não gostaria que meu filho comesse muitas porcarias.

— Pode ficar tranquila, porque eu cuidarei muito bem do pequeno Caetano, Senhora Ester.

— Pode me chamar só de Ester.

— Tudo bem, Ester

— Também quero receber fotos de uma em uma hora. Ok?

— Pode deixar comigo.

Depois de dar uma conferida rápida no meu relógio, percebi que se não saísse naquele exato momento, acabaria chegando atrasada no aeroporto e, tudo o que eu não queria era ecorrer o risco de perder o voo. Voltando à sala, me despedi do meu pequeno com um abraço de urso e um beijo no topo da cabeça. Com os seus bracinhos ao redor do meu pescoço, senti que estava deixando para trás um pedaço do meu coração.

— Boa viagem, mamãe!

— Obrigada, meu anjinho e você obedeça ao Bruno. Ok?

— Tá bom.

Bruno, muito educado, me ajudou a carregar a mala até o táxi e colocou-a no porta-malas. Enquanto o motorista dava partida no carro, pude perceber um par de olhos azuis-acinzentados tristonhos me olhando da porta de casa. Com a mão joguei um beijo na direção do meu filho que, imediatamente, fingiu pegar no ar e colocar sobre o coração, como sempre fazíamos ao nos separar. Eu confesso que estava com medo de deixar o meu maior tesouro nas mãos de um desconhecido por mais que ele fosse bem treinado, não tinha como saber se algo de ruim aconteceria.

A caminho do aeroporto, ouvi meu celular vibrar dentro da bolsa e resgatei-o na mesma hora. Era uma mensagem de um número desconhecido, mas que resolvi abrir assim mesmo e, para minha surpresa, era uma foto do meu pequeno com Bruno. Salvei o número de telefone na minha agenda: o babá.

Embarquei naquele avião rumo a São Paulo com o coração apertadinho, mas tentei relaxar durante o voo, tinha preparado um breve discurso para quando subisse ao palco para receber o prêmio tão importante para minha carreira. Além de produzir minhas animações, minha empresa vinha produzindo muitas animações de artistas desconhecidos, uma forma de dar oportunidade a novos talentos que tenham um grande potencial e, muitos dos meus estagiários estavam me surpreendendo.

Depois de 1 h 5 min dentro do avião, eu finalmente consegui desembarcar, peguei um táxi e pedi ao motorista que me levasse ao Haus Stay Luxo na Vila Mariana, onde o pessoal da organização tinha feito uma reserva de flat para que e ficasse mais a vontade. Depois de me ajeitar, liguei para casa e Caetano atendeu o telefone.

— Alô? — Eu seria capaz de reconhecer aquela voz no meio de uma multidão.

— Oi, meu filho.

— Mamãe!

— Está tudo bem aí?

— Sim! O tio Bruno é muito legal.

Tio Bruno. Meu pequeno pestinha já tinha se apegado ao rapaz que mal conhece.

— É mesmo? E o que vocês já fizeram?

— A gente foi até a praia e agora ele está fazendo o almoço.

— Coma direitinho, hein.

— Pode deixar, mamãe.

— Posso falar com o tio Bruno?

— Tá bom.

— Eu te amo muito, filho.

— Eu também.

Assim que o telefone foi passado para o adulto que estava responsável pelo meu pequeno, senti minhas pernas ficarem bambas com aquela voz rouca e extremamente sexy do outro lado da linha. Pare com isso, Ester. Ele é só o babá do seu filho.

— Ester?

— Oi, Bruno. Só estou ligando para saber se está tudo bem com o meu pequeno.

— Estamos nos dando muito bem. Caetano é um garotinho de ouro.

— É, eu sei.

— A senhora fez uma boa viagem?

— Sim. Obrigado por perguntar.

— Era só isso? Preciso desligar e voltar ao fogão para não queimar o nosso almoço.

— Tudo bem, vai lá. Só não deixe de me dar notícias.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Um Pestinha em minha vida   Epílogo

    ESTERCinco anos depois...Era um sábado ensolarado e sem nenhuma nuvem no céu, um ótimo dia para curtir a praia e foi exatamente isso que tínhamos feito. Estava sentada sobre uma toalha quadriculada enquanto meu marido corria pela areia atrás de Caetano e de Rebeca. Nossa menininha tinha nascido perfeita e era uma verdadeira bonequinha. Tinha cabelos escuros como os do pai realavam ainda mais seus olhos acinzentados como os meus.Rebeca rapidamente se tornou a princesinha da casa, afinal era a única menininha de ambas as partes da família e uma menina muito doce e calma, bem diferente do irmão. Meu irmão e Ananda descobriram, pouco tempo depois da gente, que seriam pais de um menino e Augusto nasceu com três dias de diferença da nossa menininha.Nunca poderia imaginar que Caetano se tornaria um irmão mais velho tão carinhoso e atencioso com a irmãzinha. Sempre que ela chorava, ele era o primeiro a correr para ver o que estava acontecendo, ele deixava que ela brincasse com seus brinqu

  • Um Pestinha em minha vida   Capítulo Final

    BRUNOAlguns meses depois...A volta para casa foi muito mais tranquila do que a nossa ida para Londres. Caio nos recepcionou no aeroporto e nos deu carona até em casa, onde um certo pestinha nos esperava ansiosamente. Aos poucos fomos voltando a nos adaptar a antiga rotina agitada. Eu permaneci como estagiário por mais um tempo, para não dizerem que ela estava me beneficiando, até que fui promovido e assumi um cargo efetivo na empresa.Minha mãe começou a passar os finais de semana com a gente em casa e mesmo Ester tentando convencê-la a vir morar com a gente, ela se recusou e disse que a intimidade de um casal era algo valioso e que não queria impor sua presença, além de não querer ficar longe dos amigos a quem tinha se apegado durante todos os anos em que ficou na casa de repouso.Sempre que nossas famílias se reuniam, tudo virava uma verdadeira festa. Minha mãe e a de Ester pareciam velhas amigas que tinham se reencontrado depois de anos sem se verem, até mesmo Lia passou a freque

  • Um Pestinha em minha vida   Capítulo 91

    ESTERComo eu já esperava, a viagem para Londres na companhia do Bruno, tinha sido totalmente diferente de quando viajei para as terras da rainha sozinha. Não sei pelo fato de estar apaixonada por ele, mas eu estava vendo a cidade de um jeito diferente.Obviamente que levei meu marido para conhercer alguns dos pontos turísticos mais famosos de Londres e ele adorou, mas Bruno preferiu conhecer a cidade como um nativo, como se fosse um autêntico morador dali e, para isso, contratou um guia. Quando ele me contou, fiquei um pouco receosa, mas acabe aceitando porque poderia ser muito interessante.Do lado de fora podia estar frio, mas as nossas noites eram quentes e Bruno sempre arrumava um jeito de me surpreender na cama.Acordamos cedinho no dia seguinte, tomamos um delicioso e reforçado café da manhã, pois andaríamos bastante o dia quase todo. Já estávamos de volta ao quarto e terminando de nos arrumar quando o telefone da suíte tocou e a recepcionista informou que o guia já tinha chega

  • Um Pestinha em minha vida   Capítulo 90

    BRUNODepois de um longo voo sem escalas, finalmente chegamos nas terras da rainha na manhã do dia seguinte. Seguimos para o hotel e decidimos passar o dia no quarto já que estávamos cansados e o jetlag estava nos afetando. Claro que aproveitamos para curtir o momento sozinhos e acabamos dormindo o dia inteiro.Quando abri os olhos, notei que o céu já estava escuro e a lua brilhava alto, Ester não estava deitada ao meu lado e, rapidamente, me levantei e comecei a procurá-la pela suíte, para encontrá-la vestida com um roupão, sentada no sofá e folheando o cardápio do restaurante.— Está acordada a muito tempo? — Ela acabou se assustando.— Alguns minutos só.— E o que está fazendo sozinha aqui?— Escolhendo alguma coisa para comer porque acordei faminta.— Não prefere sair e conhecer a cidade?— Prefiro terminar a noite por aqui mesmo.— E já decidiu o que vai pedir?— Uma Steak and Ale Pie e uma garrafa de vinho tinto.— Não sei o que pedir.— Porque não pede um Beef Wellington?— E o

  • Um Pestinha em minha vida   Capítulo 89

    ESTERO tempo passou voando desde quando eu falei sim quando Bruno me pediu em casamento, foram tantas decisões para tomar e coisas para escolher para o casamento que minha rotina tinha ficado tumultuada demais e me deixando muito estressada. Por sorte, eu podia contar com Ananda, minha cunhada, para me ajudar com tudo.O nosso dia importante, finalmente, tinha chegado. Estava longe de casa o dia inteiro para o dia da noiva com minha mãe e Ananda e, já estava sentindo saudades dos meus meninos. Eu não conseguia para de pensar no que eles deveriam estar fazendo e uma certa insegurança tomo conta de mim. Será que Bruno desistiria e me diria "não" na frente de todos?Quando já estava pronta, entramos todas no carro que tinha se alugado para me levar até o local onde a cerimônia seria realizada. Tinha optado por uma cerimônia ao ar livre porque já tinha me casado com Rômulo na igreja e queria que fosse um momento especial para nós dois.O altar tinha sido montado embaixo de um belo salgue

  • Um Pestinha em minha vida   Capítulo 88

    BRUNODois anos se passaram desde o dia em que tomei coragem de pedir Ester em casamento naquele fim de semana no hotel fazeda e ali estava eu, parado em frente ao espelho, encarando o meu reflexo enquanto terminava de dar o nó da gravata. A porta do quarto foi aberta repentinamente e Caetano entrou correndo.— Anda, papai. A gente vai chegar atrasado.Pai. Quem diria que uma palavra tão pequena pudesse mexer tanto comigo. Tudo bem que, já tinha me acostumado com o pestinha me chamando de pai pela casa, mas não podia deixar de me sentir emocionado ao ouvi-lo me chamar assim.— Calma, pequeno. Não vamos chegar atrasados.— E se a minha mãe já estiver lá?— Não vai estar. Confia em mim, tá?— Tá bom, papai.Ele ficou de pé ao meu lado enquanto e terminava de dar o nó na minha gravata e arrumei a dele que estava um pouco torta de tanto que ele ficava pulando e correndo pela casa.— Estou bonito?— Sim!Minha mãe apareceu na porta do quarto e informou que o irmão de Ester já tinha chegado

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status