FAZER LOGINAnimado, Be disse que não ia jogar sujo e que ia dar uma vantagem, só para ele se recuperar da última aposta, que lhe rendeu um noivado frustrado.
No dia seguinte, Marjorie foi à casa de seus avós, fez faxina e o almoço. Enquanto tomava banho, não viu uma ligação de número restrito e ficou curiosa para saber quem era. Estava calor e ela foi se trocar para sair, colocou um top curto que parecia sutiã verde neon, shorts saia de malha preto e tênis verde com branco. Ao mandar uma foto para seu noivo Tulio, que morava fora do Brasil, se sentiu trist.e, disse que não estava se aguentando de saudades. Ele sempre demorava para responder e isso a chat.e.a.v.a, era difícil estar longe e sempre solitária. Ela morava em uma casinha de fundos pequena em um bairro de periferia, se sustentava sozinha e ajudava os avós financeiramente também. Era domingo, estava um lindo dia e ia ter um evento no parque botânico. O pessoal da academia ia participar de uma aula de zumba aberta a todos, também tinham grupos de capoeira, dança de rua, muitas crianças e famílias passeando. Mah chegou logo depois do almoço, com uma colega, e foram conversar com o pessoal da capoeira. Ela postou várias coisas nas redes sociais e divulgou o evento, chamando a galera para ir. Estavam na roda cantando, ela foi tocar berimbau, postou foto, se divertindo ainda dançou reggaeton com um colega e, às pressas, atravessou o parque correndo para ir fazer a zumba. No caminho, trombou com um rapaz e ele se molhou, derrubou cerveja nos dois. Toda acelerada, ela falou querendo rir:
— Moço, me desculpa. Molhou muito? Eu compro outra para você.
Muito simpático, ele falou rindo:
— Não, eu estava distraído, não vi você vindo como um foguete na minha direção. Tudo bem? Se molhou também! Nossa.
Ela disse andando, o chamando:
— Vem, vamos ali, eu pago outra, só vamos rapidinho, estou atrasada. Aí dro.g.a, vão começar sem mim! Não, não, não. Moço, eu não vou fugir sem devolver a cerveja.
Ele estava rindo do desespero dela, falou que também não ia fugir, que ia ficar muito tempo lá ainda, a segurou pelo braço e falou:
— Qual seu nome? Para eu te cobrar depois.
Ela disse rindo:
— Mah, e o seu?
Ele falou que era Gab, ela deu risada e saiu correndo, foi se lavar com a água da garrafinha. De não muito longe, ele ficou olhando, tomando outra cerveja. Os olhares se cruzaram, ela deu tchau, ele levantou a mão mostrou a lata, ela disse rindo para uma amiga que estava perto:
— Eu derrubei cerveja no moço e caiu em mim. Sou um liquidificador sem tampa mesmo!
A amiga respondeu:
— Que gatinho, hein? Uau, corpo sarado! Mah, ele tá te olhando ainda. Por que para mim não aparece um gato desses para eu trombar meus peit.o.s na cara dele? Aff.
Com deboche, ela respondeu indo no palco:
— Porque você é solteira e Deus não dá asas a cobra bobinha. Vamos logo!
Foram dançar e demorou para acabar. As meninas da academia estavam vendendo rifas e doces, oferecendo a quem participou e a quem estava perto. Mah estava com uma tigela cheia de brigadeiros. Um menino se aproximou, perguntou quanto era e contou as moedas com dificuldade, ele tinha menos de um real e o brigadeiro era três reais. Ele falou triste:
— Moça, esse dinheiro é pouco, né? Se eu não tivesse comido o dogão, ia ter para comprar o brigadeiro.
Ela piscou, fez charme, deu um brigadeiro e pegou as moedas. Atrás dela, bem perto, Gab falou com deboche:
— Eu ia trocar a cerveja pelo doce do menino.
Sem graça, ela disse se virando para ele:
— Imagina, vamos lá, ou quer os brigadeiros? Em troca?
Ele disse que ia querer a cerveja, se ela também fosse tomar uma junto. Ela gritou com uma colega, o interrompendo:
— Aleeeee, vamos trocar!
Ele ficou quieto, ela falou:
— Desculpa, a gente tem que vender as rifas logo. Quer comprar um brigadeiro? Eu não bebo!
Ele foi pegando a carteira, perguntou quanto custava, pegou quatro e deixou o troco de cortesia. Ale se aproximou falando irrita.d.a:
— Você não vai acreditar, estão inventando que não tem dinheiro vivo, só porque a gente não aceita transferência. Sacanage.m na moral!
Tem uma cartela inteira ainda aqui, Mah falou otimista:
— Calma, vamos conseguir. Falta oferecer do outro lado da ponte! Vamos lá, vou com você. Gab, eu realmente preciso ir, daqui a pouco o povo some e a gente fica de mãos abanando. Quer a cerveja?
Ele pediu a rifa, falou olhando os nomes:
— Não precisa pagar cerveja nenhuma, não. Posso ajudar vocês? Sou bom de lábia, eu vendi até uma casa pegando fogo uma vez. Sério! E eu aceito transferência, aí dou em dinheiro para vocês, pode ser?
Mah disse que toda ajuda era bem-vinda. Ele se afastou, foi falar com um grupo de senhoras, conversou bastante rindo, apontou na direção de Mah até. Ele só ofereceu para mulheres e elas marcaram todos os nomes na rifa. Nem demorou muito, ele voltou e entregou completa. Ale falou animada:
— Você foi um sucesso, uauuuu! Vamos oferecer o resto dos doces? Você é meu novo sócio!
Ele deu risada, falou mexendo nos bolsos:
— Só tem um probleminha. Não tenho o dinheiro em mãos, não todo. E eu quero comer um dogão! Com o dinheiro que eu tenho, mais o de vocês que não iam usar hoje, ou iam?
Ficaram apreensivas com medo de terem perdido tudo. Ale falou que precisavam entregar tudo junto. Ele respondeu irônico:
— Então guarda a rifa, ué, até amanhã. Quer meu RG? CPF? Eu vou sacar e levo para vocês, a gente pode se encontrar, Mah. Amanhã!
Ela estava distraída mexendo no celular, falou que morava longe. Ele falou a encarando com deboche:
— Longe de quê? Eu nem falei onde queria te encontrar.
Sem graça, notando que ele estava com maldad.e, ela falou séria:
— Longe de tudo, meu bairro é onde o gato de botas perdeu as botas. Vamos ver com as outras, Ale, quanto falta.
Ele se justificou também mais sério:
— Desculpa, eu não pensei dessa forma, pode ficar com o que eu tenho, como garantia, e amanhã eu vou te levar o resto, em qualquer lugar. Eu prometo! Não vou sumir com as transferências de vocês.
O clima ficou estranho. Mah pegou o dinheiro das mãos dele, deu para a outra e falou, quando a menina se afastou:
— Posso te pagar um lanche? Desculpa por isso, é que o negócio da rifa é sério, a gente tá tentando levantar a academia e gastamos o que não podíamos no fiado ontem. É uma longa história! Você foi super legal em ajudar. Eu nem te contei tudo direito!
Muito simpático, ele disse que aceitava o lanche e ela podia contar a história por trás das rifas. Ela foi pegar a mochila, ele fez piada sobre o tamanho, ela respondeu:
— É quase isso, uma mala. Eu tô sempre indo de um lugar para outro, como moro longe e trabalho mais longe ainda, eu sou precavida. Mas e você? Veio sozinho para cá? Gosta de zumba? Capoeira?
De imediato, ela ficou séria, falou baixinho:— Você o convidou?Ele respondeu se afastando:— Sim, se não fosse por ele, nem teríamos nos conhecido.Ele foi receber os dois e se abraçaram, o Vincenti o agradeceu por ter ido. Ele respondeu:— Que isso, cara, não poderia perder. Apesar das circunstâncias, torço muito por vocês dois e você não gosta de ninguém, então, está tudo certo!Ela estava se aproximando já toda emotiva. O Gab olhou para ela, sorriu e falou esticando a mão:— Oi, Mah, vim te dar um abraço, posso?Ela o abraçou, falou emocionada:— Obrigada por ter vindo, você é muito importante para nós. Sempre serei grata pela sua amizade!Ele disse que também seria pela dela, acariciou a barriga, falou que eles iriam ter uma família linda, desejou várias coisas boas, já se convidou para ser padrinho de casamento e disse que a lua de mel era presente dele.Aquilo doeu e muito, mas ele sabia que os dois tinham um lance especial e que sempre foi ele, que ela sem nem perceber já gostava mais d
Ela disse que sim, ele levantou, foi para a cama com ela no colo, a colocou deitada e ficou por cima. Passaram muito tempo no quarto matando as saudades, depois foram para a piscina. Ele tinha pensado em tudo, comprou um biquíni e uma bota galocha para ela, passou filtro solar no corpo todo, desenhou na barriga um coração e tirou várias fotos. Andaram por tudo lá com o Tico, viram todos os animais, ela comeu frutas direto do pé. Ele a enrolou a tarde toda, perguntou se ela aceitaria futuramente morar lá. Ela disse que amava a tranquilidade, mas que longe dos avós era complicado.Foram embora quando estava anoitecendo. Ele falou que tinha combinado de saírem para comer fora e que os avós dela tinham aceitado.Quando chegaram os dois já estavam se arrumando. O Vincenti foi embora e disse que voltaria, pediu para ela usar o presente de aniversário que ele deu. Ela nunca nem tinha visto porque deixou guardado com a mudança e riu muito disso, ficou se arrumando ansiosa. Era um vestido verde
Ela disse sonolenta:— Não precisa ser perfeito, porque perfeição não existe, só seja sincero comigo e bondoso com o nosso pedacinho, acho que você vai ser um pai muito melhor do que eu poderia imaginar, em meus melhores sonhos.Eles dormiram logo. De manhã, quando os avós levantaram, nem acreditaram, ficaram espiando. A Marjorie acordou primeiro, levantou de mansinho e foi falar com eles, se arrumou para ir trabalhar e acordou ele, falou que precisava ir trabalhar. Ele colocou tênis e foi no banheiro. Os avós estavam cochichando. Quando o Vincenti foi para a sala com ela, falou bom dia, se desculpou por ter dormido lá. A vó falou com desdém:— Já que dormiu, né, já foi.O vô falou rindo:— Mulher, seja educada ou ele não volta.O Vincenti falou debochado:— Eu acho que vamos nos ver bastante, vou ter que continuar voltando, e voltando.Marjorie o interrompeu o puxando pela mão:— É, podemos imaginar. Vamos, eu estou atrasada!Ele respondeu a soltando:— Eu quero conversar com vocês, podemos alm
Ele respondeu sorrindo irônico:— É claro, era você. Por que não me contou?O Vincenti perguntou se ela estava bem. O Gab respondeu:— Depende, levando em conta que está grávida e sozinha. Você gosta dela, eu vi naquele dia na chácara, você nunca diria não para uma mulher, ainda mais naquelas condições, doeu ver ela comigo e enquanto eu dizia que queria investir você debochava. Sabe que a ama, né? Ou vai dizer que não?O Vincenti perguntou o que estava acontecendo de fato, disse que não tinha o menor interesse em brigar por causa daquilo, porque ela já tinha feito a escolha dela. O Gab falou interrompendo:— Fez mesmo, te escolheu. Sempre foi você, cara, como não percebeu? Ela nunca dormiu comigo de fato, eu menti, nunca transei com ela. Eu gosto muito dela e não tenho vergonha de assumir, a Mah é especial, uma pessoa que quero levar pra vida toda. Você é um idiota se deixá-la escapar, eu não fazia ideia de que ela estava grávida, desde o aniversário dela não nos vimos mais, eu vi o modo q
Ele entendeu a indireta e se lembrou que na adolescência ela trabalhou ali perto. Ele foi procurando e logo encontrou um mercadinho não muito grande. Ela estava na calçada conversando com uma senhora e pegando frutas para ela, estava rindo distraída e não o viu no carro do outro lado da rua. Ela entrou ainda conversando. Ele desceu, foi até lá e a encontrou rindo atrás do balcão. Quando ela o viu ficou séria, falou oi. Ele sorriu, respondeu chegando mais perto:— Oi, eu quero pão.Ela disse sem jeito:— Não quer não. O que você quer?Ele foi olhando as prateleiras próximas, perguntou se fazia tempo que ela estava trabalhando lá. Ela disse irritada, quase que escondida atrás do balcão:— Vincenti, não faz isso, sério.O gerente percebeu que se conheciam, passou por eles, falou que era para ela ir tomar café. Ela disse que já tinha tomado, ele deu sinal para ela sair. O Vincenti falou:— Eu só vim me despedir de você, estou indo embora da cidade. Se não quiser me dar um abraço, eu entendo, ach
Ela foi ver e encontrou um balanço, ele falou todo orgulhoso de si:— Eu estou até vendo o meu netinho ali, ó, coisa rica.Ela ficou rindo muito, falou mexendo no balanço:— Vô do céu, está muito cedo, vai estragar isso aqui, faltam uns 7 meses pra nascer, mais um ano pra sentar aí. O balanço vai ficar velho!Ele respondeu debochado que não estava nem aí. Ela falou rindo:— Tudo bem, então obrigada, vovô, estamos super animados com esse presente super legal. Olha aqui, eu estou engordando, não estou?Ele disse que não. Ela falou estufando a barriga:— Tem certeza? Olha assim de perfil? Olha bem!Ele respondeu que não, nadica de nada, que ela era diferente da mãe, que sofreu ao ficar barriguda. Ela falou nostálgica:— Eu não vou sofrer com isso, eu estou feliz, não vou mais ficar sozinha. Se for menina eu não vou pôr pra dançar novinha, quero que seja escolha dela.Ele disse que ia dengar muito, ficaram falando horas imaginando como seria o bebê. Ela ia começar o pré-natal no dia seguinte e come







