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Nília Miller
Acordei com os primeiros raios de sol atravessando a cortina fina da janela do meu quarto. O despertador tocou as cinco da manhã, mas eu já estava acordada, ansiosa e cheia de planos. Meu coração palpitou ao ouvir o bip do celular. – “Feliz aniversário, futura senhora Blake. Amo-te. Do teu para sempre, All”! Olho pela janela sorrindo, são dezoito anos e hoje tenho planos pra minha vida. Depois do banho arrumo o quarto e desço logo para o café. Na cozinha o cheiro do café com leite indica que a mesa está pronta. – Parabéns pelo aniversário filha! Muitas bênçãos e que continues sempre ajuizada. O abraço do meu pai é tão forte que me sinto quase a sufocar. Sou a filha caçula e a mais querida, aos olhos do meu pai serei sempre sua menininha. – Pára pai! Está estragando o meu cabelo. Bufo sorrindo. – Feliz aniversário irmãzinha querida! – Obrigada mano. O Travis é meu irmão, protetor e melhor amigo. Ele é o oposto do meu pai, uma pessoa alegre, espirito livre e está sempre de bom humor mesmo quando as coisas vão mal. Apesar de não viver mais conosco todas as manhãs toma o café em casa. O nosso pai Jill Miller é uma pessoa muito respeitada em Springside, e por causa da sua posição social para ele o nome da família vem em primeiro. Meus pais são separados desde que tinha dez anos e não lembro ao certo o que aconteceu. Papai costumava ser uma pessoa mais doce e simpática, mas com o tempo seu coração endureceu. Já mamãe vive em Downside desde que se divorciou. – Pai, este final de semana vai ter o encontro dos graduados da Taylor. Gostava de ir? Peço colocando a margarina no pão. – Esses encontros carregados de álcool e muita confusão não são para pessoas como tu filha! Papai protesta prontamente, sem sequer tirar os olhos do seu jornal. – Mas pai, fui a melhor da turma não é justo que fique de fora. Até porque o Travis vai comigo para garantir que não acontece nada. Insisto piscando o olho para o meu irmão sentado bem na minha frente. Ele franze a testa em forma de protesto e sibilo qualquer coisa para ele, que prontamente me entende e convence o meu pai a me deixar ir. – Tudo bem, só aceito porque vais com o teu irmão. Não voltem tarde! Adverte saindo da mesa me dando um beijo na testa. Travis me lança um olhar investigativo que me deixa intrigada. – O que foi mano? Pergunto encabulada – Estou de olho em você mocinha. São dezoito anos, mas se comporte. Depois que todos saem pego na bicicleta e pedalo até a casa da minha melhor amiga Mel. Na verdade, ela é mais do que isso, é como uma irmã para mim. Apesar do seu jeito maduro, Mel é só um ano mais velha que eu. Tenho uma admiração profunda por ela, pelo seu carácter e por ser tão linda. Morena, alta e com belas curvas, minha amiga encanta pelos seus grandes olhos. Seus cabelos sempre impecáveis mostram o quanto ela se preocupa com a aparência. Este ano vamos para a faculdade juntas. Sonho com a faculdade de design de interiores e ela com a gestão de espaços e ambiente. Ela é uma mulher muito guerreira passando por uma fase difícil, pai ausente e mãe com um cancro em estado terminal. Mesmo com essa situação ela encontra tempo para cuidar de mim. Assim que entro no seu quarto, começa a cantar os parabéns me enchendo de serpentinas e beijos. Não me aguento e entro na onda cantarolando e rindo sem parar. – Feliz aniversário minha Ni, já es de maior! Sibila, abrindo a gaveta da cabeceira para tirar uma caixinha. – Abre! Diz empolgada. Meus olhos cintilam ao ver a correntinha de ouro brilhando no fundo da caixinha. Abro um sorriso largo e fico de frente ao espelho. Mel me ajuda com o fecho e me observa pelo espelho com ternura. – Minha Ni, que os teus desejos se realizem! – Obrigada amiga. Nos abraçamos e rimos. – E então é hoje? Mel pergunta esfregando suas mãos curiosa e ansiosa por ouvir a minha resposta. Estou ainda confusa e indecisa. Franzo a testa e mexo os dedos de nervoso. – Vais amarelar? Insiste provocativa. – Mel para! Me deixa mais nervosa com a pergunta, sabe que quero fazer isso, mas continuo achando que não estou preparada. E... – E nada. Mel me interrompe. Ela segura minha mão e me puxa pra sentar na cama. Entende que estou insegura e nervosa, tira meus óculos e levanta meu queixo para me olhar de frente. – Ni não faça nada que não queira, mas um dia vai ter que tomar coragem e sei que é assustador, mas um dia vai ter que acontecer. Você e o All estão juntos desde que vos conheço, e acho que se conhecem o suficiente para ser com ele. Descontraio e sorrio. – Devem isso um ao outro, vocês se amam e quatro anos só de beijos, mãos dadas e outras coisitas pode não ser suficiente para os rapazes, sabes como são e não digo que para ele também seja assim. Arregalo os olhos assustada com as palavras da Mel. Tenho medo de perder o meu namorado. Amo o Allexis e quero que a minha primeira vez seja com ele. – Mas quero que seja num ambiente acolhedor e que seja mágico. Revelo. – Bobinha! Mel abre um sorriso. – Te ajudo a transformar o ambiente, mas não te garanto que seja mágico. A primeira vez é sempre uma cena. Confesso que depois de ouvir a Mel fiquei um pouco mais aliviada e menos tensa. Depois de buscar a mãe da Mel no hospital e deixa-la confortável fomos para o cursinho de inglês. A saída do cursinho o meu namorado me esperava na porta. – Oi baby. Allexis sibila assim que me vê.Olá queridos leitores, espero que estejam gostando desta viagem pela estória da Nília e do Allexis. Chegamos ao fim desta primeira parte, continuem nos acompanhando na SEGUNDA PARTE deste romance que promete ser ainda mais dramático. Nos vemos em "UMA CHANCE PRA O DESTINO"! Até lá!
Allexis O tempo tinha passado rapidamente, e a nossa vida estava sendo uma grande aventura, pois tudo parecia ter encontrado o lugar certo. Era como se a casa respirasse uma energia diferente, contagiante. Regressar a casa depois de uma jornada dura, tinha um sabor doce, as noites tórridas de sexo preenchiam a nossa rotina. Estávamos bem, claro que ainda tínhamos muito percurso pela frente. Com o tempo, Thayla voltou pra faculdade para terminar o curso de direito, enquanto isso nossa casa seguia seu projecto de construção. Íamos nos mudar assim que a Meg completasse quatro anos. Foi uma conversa difícil com mamãe habituada a ter a todos na mansão, no entanto entendeu. Ainda recebia mensagens ameaçadoras com a foto do beijo com a Ni, talvez um lembrete de que alguém estava nos observando. Não tinha falado com a Ni desde então, mas sabia que estava bem. Quando soube que estava à espera do segundo filho do Zac Mildred, a sensação que tive foi de decepção. Não entendia porque é
Nîlia- Novo começo!O fim de semana passou rápido. A fazenda era um lugar frenético com muita coisa agradável para fazer e um ambiente acolhedor. Ver o sorriso contagiante da Zoey e das outras crianças correndo pelo gramado fez-me perceber o porquê de ela gostar tanto de estar com o Mike. Na manhã seguinte embarcamos de volta a Downside, onde a casa silenciosa e fria me esperava. A Zoey tinha ficado na fazenda a pedido do Mike. - Vou a Prestonville esta noite, por alguns dias! Avisou me deixando em casa. Fiquei desconcertada, mas não retruquei.Deixei a mala e fui directo para o escritório para ocupar a cabeça. No grupo de amigos do WhatsApp não se falava noutra coisa senão do casamento às pressas do All. Tentei ignorar, a verdade é que durante o fim de semana tentei não pensar no assunto e naquele momento um misto de emoções transbordavam o meu coração. A noite chegou e o escritório rapidamente se esvaziou. Fiquei por mais algumas horas para não ter que voltar para casa e jantar
Allexis- Nova jornada!Sentados ao redor da mesa farta que mamãe preparou o ambiente era aprazível. O cheiro das panquecas e ovos mexidos se misturava com a energia vibrante produzida pelas nossas conversas. Meg brincava comendo as papas. Olhei para o lado e Thayla sorriu. Meu coração se aliviou um pouco. – E quando vai a Prestonville? - Papai questionou e Thayla me olhou surpresa.– Vai viajar amor? Um clima gelado se instalou na sala. Papai percebeu que tinha cometido uma indiscrição e se retratou com um pedido de desculpas. Thayla disfarçou o desconforto com um sorriso.Mamãe interveio fazendo piadas sobre as viagens sem aviso do meu pai, que ela so descobria nas madrugadas.Demos uma risada suave. Thayla também sorriu. Papai tentou retrucar, mas mamãe colocou a mão sabiamente sobre a dele para acalma-lo. O resto do almoço seguiu com conversas divertidas e risadas suaves. Mais tarde, me retratei por não ter comentado sobre a viagem. Aproveitei para partilhar a agenda de viage
Nília- Uma verdade que dói!Depois de três longos dias internado no hospital, o Mike recebeu a alta e voltou para a fazenda com recomendações que exigiam cuidados. Como única nora, me concentrei nisso uma vez que Daiane estava em Portville visitando a irmã. Zac já estava mais sereno, mas a nossa conversa permanecia em banho maria. Durante a noite daquela uma mensagem mexeu novamente com o nosso sossego. Não foi preciso ler a mensagem para saber que era da M, pela hora e o desconforto do meu marido. Mas, daquela vez não discutimos, não houve dramas, era como se fosse mais um capítulo.O meu corpo se ressentia do cansaço e naquele sábado depois de cuidar da Zoey, resolvi visitar o meu pai no centro da cidade.- Vá amor, cuido da Zoey, precisas respirar um pouco. - Ele disse, como se incentivasse a distância. A verdade é que a mensagem tinha minado toda a estabilidade que estávamos tentando repor. O vento que soprava ao longo do caminho era leve e o horizonte ainda se deixava tingir
Allexis- Uma dúvida desconfortável!A cerimónia seguiu o roteiro habitual de um casamento civil. Depois do sim forçado saindo das minhas entranhas, não conseguia mais fingir que estava fazendo o certo. A Thayla agia como se fosse o casamento do século e aquilo me incomodava.Após o brinde me afastei um pouco de todos. Afrouxei a gravata para respirar melhor. Mas não demorou, ela me cercou e fez um comentário provocativo que não respondi já que os convidados se aproximaram para uma roda de conversa antes do almoço. A festa corria conforme esperado, até a primeira dança. Estava sem ânimo e um pouco enjoado com a capacidade dela de dissimular o que não existia. Entrei no jogo e ofereci sorrisos falsos durante a dança. Quando todos se foram, primeiro subi pra o quarto da Meg para o beijinho de boa noite. Entrei no quarto e ela de lingerie segurava uma taça de champanhe. Me senti desconfortável e antes que ela pudesse dizer algo, dei-lhe as costas. Houve um silêncio espesso por segund







