로그인Katy Nunes. Meu coração deu um salto violento no peito e pareceu parar na garganta. O ar sumiu dos meus pulmões por um segundo. Encarar Valentina a menos de dois metros de mim, no deck superior daquele barco em alto-mar, foi como levar um balde de água gelada no meio de um sonho perfeito. Sentir o choque me paralisar durou apenas o tempo de uma respiração. Lembrei-me na hora de quem eu era, de todo o meu esforço na agência e do homem que me amava e estava a poucos degraus dali. Busquei uma frieza que nem sabia que possuía, vinda direto do fundo do peito. Ajeitei a postura, alinhei os ombros com calma, cruzei os braços sobre o peito e encarei Valentina de cabeça erguida, sem deixar piscar um único músculo do meu rosto. — Valentina — respondi, mantendo a voz pausada, firma e absurdamente calma. — O mundo é realmente pequeno, não é? O sorriso irônico dela vacilou por meio segundo diante da minha falta de pavor, mas ela logo se recompôs, dando um passo lento na minha direção. O ol
Valentina Fernandes O embarque começou cerca de vinte minutos depois que o grupo se dirigiu ao ancoradouro. Esperei estrategicamente que a maioria dos turistas e o próprio Ian com seus acompanhantes subissem a bordo para só então passar pela checagem do pier. Entrei na embarcação mantendo-me no teto inferior, com o rosto protegido sob a aba avantajada do meu chapéu e a lona de proteção contra o sol. Enquanto eles subiam direto para a área nobre do deck superior, me acomodei em um canto discreto, onde podia observar os degraus sem ser notada por quem estava em cima.A escuna soltou as amarras e o motor roncou alto, cortando as águas transparentes da baía. A partir daquele instante, começou o meu exercício de paciência e autocontrole.Fiquei encolhida no meu espaço, o celular mantido em mãos na altura do peito, operando exatamente como um predador à espreita. A cada parada que o barco fazia nas enseadas paradisíacas e praias de tom turquesa, o grupo se divertia como se estivesse gra
Valentina Fernandes Ajeitei meus óculos de sol no rosto com um empurrão irritado do indicador, bufando enquanto saía pelo portão de madeira da pousada mequetrefe onde fui obrigada a me hospedar no centro. O cheiro de maresia e protetor solar barato me dava ânsia. Eu odiava o litoral, odiava aquele calor úmido e, acima de tudo, odiava estar me humilhando naquele fim de mundo só para tentar entender o que o Ian Parker estava fazendo.Minha cabeça martelava com a falta de sono. Passei a noite inteira em claro, girando na cama daquele quarto abafado, remoendo cada rejeição velada e cada fora elegante que o Ian já tinha me dado nas festas da alta sociedade. Ele sempre foi frio, inalcançável, um homem que mantinha uma barreira intransponível com todas as mulheres que tentavam se aproximar. Mas eu não sou de desistir. Eu sempre soube que era apenas uma questão de tempo até ele perceber que nós dois fomos feitos um para o outro.A minha única pista concreta para estar ali era a foto que a
Katy Nunes O sol forte batia direto na janela do quarto quando me mudei para o pé da cama. Olhei para o diamante no meu anelar com um aperto no peito, sabendo que a hora de esconder o nosso segredo tinha chegado. Tirei a aliança de noivado devagar e a guardei no bolso mais fundo da minha bolsa, trancando o zíper. No lugar, mantive apenas o anel de compromisso simples que o Ian já tinha me dado meses atrás e que todo mundo na agência já estava cansado de ver no meu dedo.Coloquei um biquíni escuro, puxei um short jeans bem confortável e uma camisa de linho leve por cima, dobrando as mangas até o cotovelo. Prendi o cabelo num coque meio solto, peguei meus óculos de sol e desci.Na cozinha, o cheiro de passar café fresco já dominava a casa toda. Ana estava encostada na bancada com um copo de suco na mão, enquanto o Julien tentava equilibrar duas fatias de mamão num prato, rindo da própria desgraça.— Olha só quem resolveu dar as caras — debochou Julien, assim que o Ian e eu pisamos
Katy Nunes Abri os olhos devagar quando os primeiros raios de sol invadiram o quarto, filtrados pela cortina fina de linho. A brisa suave da manhã trazia aquele cheiro característico de mar misturado com a madeira do quarto de praia, acompanhada pelo som ritmado das ondas quebrando no horizonte.Tentei me mexer, mas senti um peso firme e confortável cruzando a minha cintura. O braço forte de Ian me mantinha colada ao seu peito macio e quente. Fiquei imóvel por alguns segundos, apenas aproveitando a sensação térmica do corpo dele contra o meu.Estiquei a mão esquerda devagar sobre o lençol branco e ergui o rosto para olhar meu anelar. O diamante capturou a luz do sol da manhã, disparando pequenos reflexos cintilantes pelo quarto. Um sorriso bobo e incontrolável se formou nos meus lábios. Não tinha sido um sonho da madrugada. Eu estava noiva do homem que, há até pouco tempo, parecia um CEO inalcançável nos corredores espelhados da Vanguard Media.— Gostou tanto assim do anel ou est
Ian Parker A sensação de ter a Katy nos meus braços depois que ela disse sim trazia uma certeza que eu não tinha há anos. Deslizar aquele anel no dedo dela não foi um impulso. Foi a única coisa certa que fiz na vida. Ela já era minha muito antes de hoje, mas agora não tinha mais volta.Entramos no carro e fiz o caminho de volta do vilarejo para a praia sem pressa. A estrada estava calma, iluminada apenas pelos faróis do SUV. De vez em quando, eu tirava a mão direita do volante e buscava a mão da Katy no console central. Ela olhava para os nossos dedos entrelaçados e encarava o brilho do diamante com um sorriso discreto que me fazia querer acelerar ainda mais para chegar em casa.Estacionei na garagem e descemos. O silêncio na propriedade era absoluto. Julien e Ana cumpriram a palavra e ainda não tinham voltado do bar de jazz, deixando o caminho totalmente livre.— Você tem noção de que acabou com a minha postura de chefe durão, noiva? — murmurei perto do ouvido dela enquanto tran







