MasukIan Parker O trajeto de volta do Central Park para o hotel foi feito sob uma atmosfera de calmaria que há muito tempo eu não experimentava. No banco traseiro do SUV, as mãos da Katy permaneciam unidas às minhas, e a leveza do sorriso dela me fazia esquecer, ainda que por alguns instantes, o peso dos compromissos corporativos que nos aguardavam no Brasil. Contudo, a ilusão de estarmos em uma bolha isolada em Nova York começou a se dissipar no exato momento em que o veículo embicou na entrada principal do hotel. — Melhor mantermos a distância costumeira assim que cruzarmos a porta — Katy murmurou com sutileza, soltando os meus dedos antes que o motorista contornasse o carro para abrir a porta. — Infelizmente, você está certa — respondi, reprimindo uma contrariedade instintiva. Ajustei a gola do meu sobretudo e recuperei a postura impassível do CEO que precisava liderar uma equipe sob constante escrutínio. Descemos do carro. Katy caminhou dois passos à minha frente, mantendo o
Valentina Alckmin Girei a haste da taça de espumante entre os dedos, observando as bolhas subirem lentamente até a superfície. O bar do lobby estava silencioso para o meu gosto, frequentado apenas por executivos engravatados e turistas idosos. Era uma cena monótona, mas a minha mente não parava um segundo. Tomei um gole da bebida fria, sentindo o amargor na garganta. Eu odiava o jeito como as coisas estavam caminhando naquela viagem. Desde que saímos do Brasil, venho tentando todas as cartas do meu baralho para chamar a atenção do Ian. Usei os meus melhores vestidos, forcei conversas nos corredores, ofereci companhia para os jantares... e o que recebi em troca? Olhares gélidos, respostas cortantes e uma indiferença que queimava a minha vaidade. O Ian Parker sempre foi um homem inalcançável, mas a postura dele nesta viagem estava mais impenetrável do que o normal. E a culpa era dela. Daquela santinha da Katy. Apertei o pé contra o piso de mármore, a raiva fervendo por ba
Ian Parker Caminhamos lentamente pela borda do lago, o som dos nossos passos abafado pelas folhas secas que cobriam o chão de pedra. A cidade ao redor parecia um pano de fundo distante. Por alguns minutos, não éramos o presidente e a gestora financeira de uma holding sob ameaça de escândalo corporativo. Éramos apenas um casal aproveitando uma manhã tranquila de outono. Ao passarmos perto da ponte Bow Bridge, com a estrutura de ferro refletida nas águas calmas e as árvores douradas ao fundo, Katy parou de andar e olhou para o cenário com os olhos brilhando. — Ian, olha esse lugar... — ela murmurou, tirando o celular da bolsa de corrente. — A gente precisa tirar uma foto aqui. É bonito demais para não registrar. Ela esticou o braço para tentar enquadrar nós dois na tela, mas o ângulo não estava valorizando o fundo nem o casal. Dei uma risada baixa, tirando o aparelho suavemente da mão dela. — Deixa que eu resolvo isso de um jeito
Ian Parker Depois de um café impecável no Upper East Side, caminhamos poucas quadras até a entrada do Central Park pela Quinta Avenida. O ar frio de Manhattan estava límpido, e as árvores exibiam aquele tom alaranjado vibrante típico do outono nova-iorquino. Katy caminhava ao meu lado com uma elegância natural; o conjunto creme e as botas over the knee atraíam olhares sutis dos pedestres que cruzavam nosso caminho, o que só alimentava meu orgulho silencioso por tê-la ali, comigo. Seguimos a passos lentos até a ponte de pedra perto da alameda principal, observando o movimento dos artistas de rua e a calmaria do lago. — Espera um pouco aqui perto da mureta? — pedi, parando ao lado de uma área aberta e apontando para uma barraquinha de rua a poucos metros dali, onde a fumaça subia com um cheiro característico. — Vou pegar algo bem clássico para a gente experimentar. — Pretzeis nova-iorquinos? — ela perguntou, erguendo uma sobrancelha com um sorriso divertido. — Pretzeis quente
Ian Parker O eco seco do meu “Com licença” ainda ressoava no corredor quando o indicador do elevador finalmente acendeu, anunciando a chegada da cabine. A Valentina ficou parada a poucos metros de nós, no início do corredor do oitavo andar, os braços cruzados sobre o peito e a mandíbula levemente contraída. O desdém no rosto dela era palpável, mas o que mais me irritava não era o cinismo barato, e sim a audácia de achar que podia tentar criar qualquer saia justa entre mim e a Katy. Entramos na cabine espelhada e as portas de bronze se fecharam devagar, deixando a Valentina para trás no corredor e cortando completamente a sua presença incômoda. Assim que a cabine começou a descer, soltei um suspiro pesado e virei-me para a Katy. Passei a mão direita pela cintura dela, puxando-a para mais perto sem me importar se o espelho registrava o gesto. — Essa mulher testa os limites da minha paciência logo cedo — murmurei, apoiando o queixo no topo da cabeça dela por um segundo, sentindo
Ian Parker O ar frio da noite de Manhattan nos atingiu assim que saímos do bar de jazz no SoHo, mas o calor da mão da Katy entrelaçada na minha afastava qualquer sensação de frio. O trajeto de carro de volta até o hotel foi feito em um silêncio confortável, com ela recostada no meu ombro enquanto observávamos as luzes da cidade passar pela janela. Pedi ao motorista que nos deixasse na entrada lateral do hotel, longe dos olhares da recepção e de qualquer risco de cruzar com o Fernando ou a Valentina no lobby. Entramos pela porta discreta e caminhei com ela até a área dos elevadores. Selecionei o oitavo andar e as portas se fecharam. Katy se encostou no espelho da cabine, ajeitando a bolsa no ombro, enquanto eu mantinha a mão firme ao redor da cintura dela, sem intenção nenhuma de soltá-la. — Ian... eu deveria ir direto para o meu quarto — ela sussurrou quando o painel indicou que estávamos chegando, embora não fizesse qualquer movimento para se afastar. — Se alguém nos vir no







