LOGIN“Seduza o Diablo ou morra.” Com a minha vida já caindo aos pedaços, essa era a última coisa de que eu precisava — a cereja do bolo. Eu tinha um único trabalho: me infiltrar na casa do Diablo, seduzi-lo e reunir informações suficientes para destruí-lo. Simples. Até que provei o perigo por conta própria. Apenas uma provada, e eu nunca mais quis ir embora. Vi-me desejando justamente o homem que eu deveria destruir. Esteban era um diabo durante o dia, mas à noite, na cama, era um cavalheiro. Ele sabia exatamente como me fazer esquecer o motivo de eu estar ali. Mas até mesmo o diabo tem fantasmas que nunca vão embora — uma mulher, o combustível para sua vingança. Será que ele algum dia a deixaria para trás? Quando a paixão entre nós se transforma em algo que não podemos mais combater ou negar, seria apenas um caso ou algo a mais?
View MorePOV da Caitlin
— Me desculpa…
As palavras zombaram pelo alto-falante do celular. Não, não eram aquelas as palavras que eu queria ouvir. Meu peito apertou; eu não conseguia respirar.
— Por favor, me dê mais tempo. Eu juro que vou…
— Eu já te dei tanto tempo, Cait. Entendo que você esteja passando por um momento difícil, mas eu também preciso de dinheiro, — disse a Sra. Darcey suavemente, com a voz um pouco trêmula. — Se eu não recebo o aluguel, não tenho dinheiro. Sinto muito mesmo.
Ela estava certa. Havia um limite de tempo que uma senhoria poderia dar a uma inquilina. Pelo menos ela não estava me processando. Deus a abençoe. Encarando a carta de despejo em minhas mãos, eu sabia que era inútil implorar. Sem emprego, como eu pagaria o aluguel? Apenas um mês depois de conseguir o trabalho no hospital, eu já o tinha perdido.
— Eu entendo. Obrigada, Sra. Darcey, agradeço de verdade pela sua ajuda… — minha voz quebrou. — Vou mudar minhas coisas hoje à tarde.
Ainda bem que eu tinha o Colton — ou assim eu pensava.
— Você não precisa…
— Não, eu quero. A senhora já fez muito. Preciso ir agora.
— Tudo bem, se você diz. Vou deixar você voltar ao trabalho.
Desliguei. As lágrimas que tinham embaçado minha visão caíram livremente enquanto eu deslizava até o chão do vestiário.
— Eu só queria que a minha vida melhorasse, — murmurei, abraçando meus joelhos com força.
A maçaneta girou.
— Tem alguém aqui?
Fiquei de pé num pulo. Eu não ia deixar ninguém me ver assim — um casso zero.
— Sim… ah, me dá um minuto.
Correndo para a pia, abri a torneira, jogando água no rosto. Secando a pele com uma toalha de rosto, apressei-me até a porta e a destranquei. Encarei meu reflexo. Meu coração afundou.
*Você vai passar por isso. Vai ficar tudo bem.*
— Você está…
— Estou bem, — disse baixinho, apressando o passo pela porta para evitar uma conversa que eu sabia que não conseguiria encarar.
Na minha pressa, esbarrei em uma parede humana dura.
— Desculpe, eu…
Minhas palavras se perderam no momento em que encarei os olhos do homem à minha frente. Havia algo no olhar dele que eu não sabia explicar. Um sorriso presunçoso brincava em seus lábios enquanto ele me avaliava de cima a baixo.
Como alguém conseguia sorrir e ainda parecer tão maligno e, ao mesmo tempo, tão bonito?
— Qual é o seu nome? — a voz dele era rouca, seu olhar, intenso.
Abri a boca para falar, mas as palavras me faltaram. Aquela não era a expressão nem a pergunta que você espera quando esbarra em alguém.
— Caitlin. Caitlin Stevens, — engasguei.
— Entendo.
O sorriso e os olhos escuros dele me deixaram desconfortável. Afastando-me, apressei o passo pelo corredor. Eu conseguia sentir os olhos dele perfurando minhas costas. Minhas pernas pareciam um pouco instáveis.
Assim que saí do hospital, peguei meu celular e discquei o número do Colton. Sem resposta. Ele tinha me pedido para morar com ele uma vez, mas eu queria o meu próprio espaço. Eu tinha as chaves, afinal.
A caminhada até em casa não foi silenciosa. Eu tinha muito a dizer para mim mesma na minha cabeça. Fazer as malas não levou muito tempo. Eu praticamente não tinha nada.
Os poucos objetos de valor que eu possuía foram vendidos, e o dinheiro foi para pagar empréstimos que eu nem tinha feito. Depois de pedir um Uber, dei uma volta pelo pequeno apartamento que costumava ser meu lar. Meus dedos roçaram pelas paredes, tocando cada canto, cada marca, cada memória. Então peguei meu bem mais precioso: a foto que minha mãe e meu pai tinham tirado no dia anterior a serem mortos.
— Mãe, pai, sinto tanto a falta de vocês.
*Se ao menos vocês estivessem aqui.*
Minha mente voltou para aquele dia. Para o quão animados eles estavam com o encontro daquela noite. Sorri com a lembrança. A morte deles foi o começo da minha desgraça.
— Um dia, quando eu de alguma forma passar por todos esses testes e provações, vou vingar vocês dois, eu prometo, — sussurrei, abraçando a foto com força contra o peito enquanto as lágrimas caíam livremente.
A possibilidade de me vingar um dia era a única razão pela qual eu continuava lutando, não importava o quê. Dizem que Deus nos testa antes de entregar bênçãos perfeitas e, por isso, eu esperaria; eu aguentaria.
Respirei fundo, enxuguei os cantos dos olhos, peguei minha mala e arrastei os pés para fora do apartamento. Logo na entrada do prédio, meu celular vibrou. *“Seu motorista chegou.”*
O Camry prata estava estacionado logo em frente. O vento acariciou minha pele, jogando meu cabelo no meu rosto — um bom disfarce.
— Boa tarde, — murmurei, entrando no banco de trás do carro.
— Boa tarde, senhorita, — a voz dele era suave.
O idoso não tentou puxar assunto, o que eu agradeci. O carro parou na casa do Colton.
Lutei com a minha mala por um momento.
— Precisa de ajuda com isso, senhorita?
— Não! — ralei. — Quer dizer, não. Obrigada, — disse suavemente, puxando a mala com toda a minha força e tropeçando para trás.
— Que a graça de Deus esteja com você, criança. Desejo sorte.
Aquelas palavras me deixaram estática, meus olhos arderam. O carro foi embora antes que eu pudesse me recompor. Como ele sabia? Eu precisava de sorte, de um pouco do favor de Deus. Caminhei lentamente em direção à porta da frente do Colton, procurando a chave na minha bolsa. Ao contrário do ritual habitual, encontrei a chave antes de chegar à porta.
Inserindo a chave na fechadura, girei… pelo menos tentei, mas não se moveu. Ele está em casa?
— Colton?
Nenhuma resposta. Tentei tocar a campainha, mas não estava funcionando. Sem outra escolha a não ser ir pelos fundos, dei a volta no prédio até a porta traseira. Coloquei a chave no buraco e a tranca estalou imediatamente.
— Graças a Deus!
Entrei, soltando um suspiro de alívio. A visão do enorme retrato de Colton pendurado no alto da parede da sala de estar trouxe um sorriso suave aos meus lábios. Finalmente, um escape de toda a minha preocupação. Tudo o que eu precisava agora era dos braços fortes dele ao meu redor. O som de um gemido alto, seguido por um rosnado, interrompeu meus pensamentos, deixando-me paralisada no lugar.
*De todas as coisas que você poderia imaginar, Caitlin!*
Balancei a cabeça, recusando-me a acreditar que fosse real. Caminhando em direção ao quarto, os sons ficaram mais altos. Eu conseguia ouvir o som de pele estalando contra pele.
— Ah, sim! Mete mais forte, amor! — a mulher gemia entre os dentes cravados.
— Você é gostosa pra caralho, Bella.
Por alguma razão, eu não conseguia gritar, nem tentei. Empurrei a porta e encontrei Colton completamente pelado na cama com uma mulher, metendo com força como se sua vida dependesse de cada investida. Os olhos da mulher encontraram os meus, e um sorriso sombrio e debochado se espalhou por seus lábios. Seu deboche foi rapidamente substituído por uma expressão contorcida, boca aberta, sobrancelha franzida e um gemido alto, seguido por um grito enquanto ele metia ainda mais fundo, buscando o ápice. Eu deveria ter gritado, corrido… feito alguma coisa. Eu só fiquei ali, congelada no lugar, enquanto meu coração parecia estar sendo despedaçado.
— Colton, como você pôde? — minha voz era um sussurro trêmulo e sem fôlego.
Ou ele não me ouviu ou simplesmente não se importava. Ele deu uma última estocada, gozando dentro dela enquanto se contorcia, rosnando e arfando com o nome dela nos lábios. Ele se virou, com o cabelo loiro grudado na testa. Seus olhos me encontraram. Talvez eu esperasse um pedido de desculpas… algo — qualquer coisa do tipo.
— Cai fora.
POV da CaitlinParada em frente ao espelho, o reflexo que olhava de volta para mim parecia ser de uma pessoa completamente diferente. Eu estava linda — e me sentia linda. Pela primeira vez na vida, não me preocupei com meu peso. O vestido abraçava minhas curvas com perfeição; não estava apertado demais, mas também não ficava largo. Revelava tanto do meu colo que tive vontade de pedir um xale.— Caitlin! — meu sequestrador chamou impaciente, invadindo o quarto.O rosto dele suavizou.— Adorável. Você está deslumbrante, Caitlin. — Virando-se para a maquiadora, ele a encarou por um breve instante: — Eu te disse, menos é mais.Uma estranha sensação de aquecimento me envolveu. Eu tinha sido literalmente capturada e ameaçada para fazer tudo aquilo, mas, de alguma forma, lá estava eu sorrindo com o elogio dele. Ainda assim, sem ele, eu provavelmente estaria jogada nas ruas de Los Angeles. Aqui estava eu em Sinaloa, a milhas de distância de LA, recebendo tratamento de princesa — embora não se
POV do EstebanSentado no outro lado da sala, uísque na mão, observo minha mãe bajular e dar atenção excessiva à Eliana. Eliana, no entanto, parecia estar de saco cheio do cuidado ostensivo tanto da minha mãe quanto do Scott. Havia algo diferente no Memo — Scott, como ele preferia ser chamado —, diferente de um jeito bom.— Vocês dois sabem que eu estou bem, né? — disse ela, bocejando alto. — Desculpa…Ela deu um pulo fora do sofá, os olhos fixos nas paredes. Parecia satisfeita — intrigada com os quadros e o design.— Ei, cara! — chamou ela.Estampando um sorriso no rosto, encontrei o olhar dela. — Sim?— Você não me disse que gostava de arte. Sua casa é linda.Dei de ombros com o elogio.— Não acho que meu primo concorde, — fixando meu olhar em Scott, dei um sorriso sarcástico. — Concorda?Ele nem me deu a honra de um olhar, muito menos de uma resposta. Eu não podia culpá-lo. Se dependesse dele, eles não estariam aqui. E foi exatamente por isso que tive que usar a esposa dele, Elian
POV da Caitlin— Cai fora.As palavras ecoavam na minha cabeça. Fiquei ali parada, de olhos arregalados, incapaz de acreditar que aquele era o Colton.— Colton, você…— O que você ainda está fazendo aqui? Que parte do "cai fora" você não entendeu, Caitlin? — Ele me encarava com as narinas infladas, como se eu fosse um estorvo, uma merda qualquer.Abri a boca para falar, mas o que saiu foi um suspiro trêmulo. Cruzando os braços ao redor de mim mesma, busquei a coragem que eu sabia que não tinha.— Acabou, Colton, — engasguei. Mantive a cabeça erguida; não ia deixar a atitude dele me quebrar.— Como se ele algum dia tivesse querido uma vadia gorda e falida como você, — disse a mulher, Bella.Meus olhos se voltaram para o Colton. Apesar da traição, eu de certa forma esperava que ele dissesse algo em minha defesa. Em vez disso, ele continuou deitado ali, sorrindo, com os olhos cheios de algo que eu não sabia explicar. Aquilo me mandou um calafrio pela espinha. Fechei os dedos ao lado do c
POV da Caitlin— Me desculpa…As palavras zombaram pelo alto-falante do celular. Não, não eram aquelas as palavras que eu queria ouvir. Meu peito apertou; eu não conseguia respirar.— Por favor, me dê mais tempo. Eu juro que vou…— Eu já te dei tanto tempo, Cait. Entendo que você esteja passando por um momento difícil, mas eu também preciso de dinheiro, — disse a Sra. Darcey suavemente, com a voz um pouco trêmula. — Se eu não recebo o aluguel, não tenho dinheiro. Sinto muito mesmo.Ela estava certa. Havia um limite de tempo que uma senhoria poderia dar a uma inquilina. Pelo menos ela não estava me processando. Deus a abençoe. Encarando a carta de despejo em minhas mãos, eu sabia que era inútil implorar. Sem emprego, como eu pagaria o aluguel? Apenas um mês depois de conseguir o trabalho no hospital, eu já o tinha perdido.— Eu entendo. Obrigada, Sra. Darcey, agradeço de verdade pela sua ajuda… — minha voz quebrou. — Vou mudar minhas coisas hoje à tarde.Ainda bem que eu tinha o Colto












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